Tecnologia de GPS avança, mas experiência dos motoristas segue essencial para segurança e eficiência na logística brasileira, como mostram as operações da Buzin
Caminhões equipados com tecnologia de ponta, rastreamento em tempo real e sistemas de navegação cada vez mais precisos transformaram o transporte rodoviário brasileiro. Mas, apesar dos avanços, especialistas do setor reforçam que a tecnologia ainda não substitui o olhar treinado de quem vive diariamente as estradas.
Na prática, o GPS indica o caminho, mas não prevê todas as variáveis que impactam veículos pesados: restrições de tráfego, limitações de altura e peso, trechos inadequados para rodotrens e particularidades regionais que só quem conhece a estrada domina. Um erro de rota pode gerar atrasos, custos extras e riscos à segurança — especialmente em operações de grande porte.
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Para Leonardo Busin, CEO da Buzin Transportes, a tecnologia é indispensável, mas não autossuficiente. Mesmo investindo em caminhões modernos, em equipe dedicada, planejamento de rotas, ele garante que são os profissionais que fazem a diferença para garantir a segurança.
Com uma frota de 650 caminhões atuando em diferentes regiões do país, a empresa mantém uma equipe especializada na definição de trajetos, especialmente para veículos de grande porte. O planejamento considera infraestrutura rodoviária, condições das vias e especificidades de cada carga, reforçando a integração entre tecnologia e conhecimento humano.
A visão de condutora de rodotrem
A motorista Deise Cristiane Freitas dos Santos, de 49 anos, vive essa realidade diariamente. Em um setor onde cerca de 99% dos caminhoneiros são homens, segundo o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas, ela está entre as poucas mulheres a conduzir um rodotrem de 30 metros. Ao lado do marido, também funcionário da Buzin Transportes, percorre o país em viagens que podem durar até 90 dias, transportando cargas como polietileno.
Para Deise, operar um caminhão desse porte exige muito mais do que dominar equipamentos, é preciso ter paciência, o que é aprendido na estrada.
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Grande parte desse aprendizado veio justamente da convivência com o marido, que passou mais de um ano viajando ao seu lado para transmitir as “manhas” da profissão. “Tem que ter noção de espaço e conhecer as manhas da estrada. A tecnologia embarcada no caminhão ajuda muito a nos dar mais segurança na estrada, mas conhecer cada curva das rodovias faz diferença. Isso só a experiência ensina”, afirma.
A oportunidade de operar um rodotrem foi encarada como uma conquista. Em um segmento onde a presença feminina ainda é exceção, Deise abraçou a chance de crescer profissionalmente. “Hoje me considero uma profissional em aprendizado, porque na estrada todo dia a gente aprende. Não tem mulher no rodotrem, então a oportunidade que eu tive, agarrei com unhas e dentes”, diz.
Além da realização profissional, a estrada transformou a vida da família. Mãe de Silvina dos Santos, de 29 anos, e Aysha dos Santos, de 25, Deise se orgulha do impacto do trabalho. “Esse caminhão está ajudando a formar a minha filha no curso técnico de enfermagem. Para mim, isso é tudo de bom. Eu faço o que gosto e sou grata por ter encontrado pessoas que confiaram em mim e no meu trabalho”, conclui.
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