Ford Pro amplia portfólio na América Latina com os caminhões F-650 e F-750, enquanto unificação da operação regional levanta sinaliza possibilidades sobre o futuro da marca no mercado brasileiro
A saída da Ford Caminhões do Brasil em 2018 foi definitiva? E o modelo Ford Transit é o limite em maior capacidade de carga da Ford Pro? Se espelharmos pela Ford Pro do México, que está sob a mesma gestão da Ford Brasil, podemos entender que nada é definitivo.
Embora não exista qualquer anúncio sobre o retorno da Ford ao segmento de caminhões no mercado brasileiro, os movimentos realizados pela montadora na América Latina mostram que a empresa voltou a investir em caminhões. A principal novidade veio do México, onde a Ford Pro apresentou oficialmente os caminhões F-650 e F-750 durante a Expo Proveedores del Transporte y Logística Monterrey 2026.
Os lançamentos representam o retorno dos caminhões da marca ao mercado mexicano após mais de três décadas de ausência. A iniciativa ocorre em um momento de reorganização das operações da Ford Pro na região, com a criação de uma única Divisão de Veículos Comerciais para a América Latina, reunindo México e América do Sul sob a liderança de Guillermo Lastra, Diretor da Ford Pro Latam.
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Segundo Guillermo Lastra, a reintrodução dos modelos busca atender uma demanda existente no mercado mexicano, reforçando o compromisso da marca com o segmento de veículos comerciais.
“Com a integração dos Ford F-650 e F-750, trazemos de volta os veículos mais resistentes e garantimos aos nossos clientes o respaldo total de uma marca de confiança que conhece o mercado mexicano há mais de 100 anos, para que seu negócio nunca pare”, afirmou o executivo. Esta fala poderá, perfeitamente, ser repetida no Brasil?
Para Adrián Arias, Diretor da Ford Pro México, o retorno dos caminhões é resultado da evolução tecnológica da marca sem abrir mão da reputação construída pelos modelos ao longo do século passado.
Os modelos F-650 e F-750 pertencem à tradicional Série F e são fabricados em Ohio pela Ford Motor Company. Diferentemente deles, os caminhões pesados F-Line e F-Max — sucessores da linha Ford Cargo — são produzidos pela Ford Otosan, na Turquia, joint venture entre a Ford Motor Company e a Koç Holding, e distribuídos para mais de 50 países pela Ford Trucks International.
Os novos Ford F-650 e F-750 compartilham a proposta de atender diferentes aplicações por meio de um chassi preparado para receber diversos tipos de carroceria. O projeto inclui adaptador para tomada de força (PTO) instalado de fábrica, alternador de 397 amperes e diferentes opções de entre-eixos, de 242 polegadas no F-650 e 281 polegadas no F-750, facilitando a adaptação às necessidades específicas de cada operação.

A motorização é composta por um V8 de 7,3 litros a gasolina, preparado para futura conversão para gás LP ou gás natural. O conjunto desenvolve 335 cavalos de potência e 635 Nm de torque, trabalhando em conjunto com a transmissão automática TorqShift de seis velocidades, projetada para aplicações severas.
Em capacidade, o Ford F-650 possui Peso Bruto Total de até 8.800 kg, enquanto o F-750 alcança 10.100 kg, ambos equipados com eixos e suspensões desenvolvidos para operações de uso intenso.
A expansão ocorre em um momento favorável para a operação mexicana da montadora. Em 2025, a divisão de veículos comerciais da Ford vendeu cerca de 29 mil unidades no México, alcançando participação de aproximadamente 8% da indústria, impulsionada principalmente pelo desempenho da Série F.
No Brasil, a Ford Pro vendeu mais de 8 mil unidades, no entanto, vale observar que a linha de produtos no mercado mexicado é quase quatro vezes do maior que no mercado brasileiros, onde a divisão ainda em fase inicial com, praticamente, duas famílias de produtos: Ford Ranger e Ford Transit.

Embora a Ford não tenha indicado qualquer plano para comercializar os caminhões F-650 e F-750 no Brasil, o fortalecimento da Ford Pro na América Latina, aliado à gestão unificada entre México e América do Sul, demonstra que a estratégia regional para veículos comerciais continua em evolução. Para o mercado brasileiro, podemos ter a mesma estratégia, ou seja, de que não teremos a Ford Caminhões de volta, mas que poderemos ter caminhões na divisão da Ford Pro?
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