Organização mundial de transporte rodoviário apresenta exemplos de Turquia, Dinamarca, Reino Unido e México, evidenciando como o conceito idealizado por Jaime Lerner evoluiu e se adapta a diferentes realidades urbanas
Sem mencionar que o conceito nasceu no Brasil, a IRU, organização mundial de transporte rodoviário, destacou quatro países que operam sistemas de BRT considerados exemplares. A seleção evidencia como o modelo criado pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner, em Curitiba, se transformou em referência global e segue influenciando soluções de mobilidade em megacidades e centros urbanos de médio porte.
O BRT pode combinar elementos como faixas dedicadas, prioridade em cruzamentos, veículos de alta capacidade, estações acessíveis e embarque rápido — mesmo que em países, como Brasil, todos os elementos tenham sido adotados. A proposta é mover mais pessoas com maior velocidade e confiabilidade, oferecendo flexibilidade operacional e custos inferiores aos de sistemas metroviários ou de bondes. Adaptável a diferentes contextos urbanos, o modelo se consolidou como alternativa para cidades em expansão.
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A IRU apresentou quatro exemplos que ilustram a maturidade e a diversidade de aplicações do BRT ao redor do mundo. Em Istambul, o Metrobüs opera em escala metropolitana, atendendo cerca de um milhão de viagens diárias em um corredor de 52 quilômetros. Com funcionamento 24 horas por dia e infraestrutura totalmente dedicada, o sistema reduz congestionamentos, remove aproximadamente 100 mil veículos das ruas e corta 760 toneladas de emissões de carbono por dia. Cada passageiro economiza cerca de 52 minutos em deslocamentos, demonstrando o impacto direto da prioridade operacional.

Na Dinamarca, Aalborg adotou o PlusBus como alternativa ao metrô leve inicialmente planejado. Após a recusa do governo em financiar o projeto equivalente a R$ 1,5 billhão, a cidade desenvolveu uma solução BRT elétrica por R$ 437,5 milhões, uma economia de 70,8%. A linha de 12 quilômetros, com 22 estações e intervalos de sete minutos, utiliza ônibus elétricos de 25 metros e integra investimentos em 121 veículos elétricos e na maior infraestrutura de recarga de ônibus do Norte da Europa. O número de passageiros cresceu 25% no primeiro ano, impulsionando a expansão da frota e elevando a satisfação dos usuários.
No Reino Unido, Londres adotou uma abordagem pragmática com o Superloop, inspirado no BRT, mas sem grandes obras. A rede de 12 rotas utiliza marca própria, menos paradas e aproveita corredores já existentes. Em uma das linhas, o número de paradas caiu de 68 para 12, resultando em crescimento de até 10% no número de passageiros, enquanto a rede geral de ônibus da cidade registrou queda de 5%. A estratégia responde à necessidade de melhorar a conectividade orbital com baixo investimento e maior eficiência.

O México, por sua vez, apresenta um ecossistema maduro de BRT, com sistemas em diferentes estágios de evolução. León, pioneira desde 2003, opera mais de 65 quilômetros de rede e cerca de 350 mil passageiros por dia, destacando-se pela integração operacional entre linhas troncais e alimentadoras. A Cidade do México possui uma das maiores redes do mundo, com mais de 174 quilômetros e cerca de um milhão de passageiros diários, embora enfrente desafios relacionados à eletrificação acelerada da frota. Mérida, uma das mais novas implementações, integra o BRT a estratégias econômicas e turísticas, conectando aeroportos, corredores turísticos e o Trem Maia.
A IRU reforça que o BRT não é um modelo único, mas uma plataforma flexível que pode melhorar velocidade, capacidade, emissões e acesso quando tratada como infraestrutura central de transporte público. A origem desse conceito remete ao trabalho de Jaime Lerner, que, a partir de 1971, implementou em Curitiba a Rede Integrada de Transporte (RIT), combinando canaletas exclusivas, estações de embarque em nível, cobrança antecipada e veículos de alta capacidade. Embora o termo “BRT” tenha surgido posteriormente, foi o sistema curitibano que provou a viabilidade e escalabilidade do modelo, tornando-se referência internacional.
Diante da transição energética e da expansão dos ônibus elétricos, o BRT demonstra capacidade de adaptação, como mostram Aalborg e Cidade do México. No entanto, a evolução tecnológica exige planejamento cuidadoso para garantir infraestrutura de recarga, manutenção adequada e integração com políticas de descarbonização. A discussão sobre uma possível reconfiguração estrutural do modelo segue aberta, especialmente em sistemas que buscam conciliar alta capacidade com emissão zero.
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