Multilog celebra 30 anos com expansão histórica, protagonismo no Mercosul e novos investimentos bilionários 

Em entrevista exclusiva à Frota News no Santos Export, o presidente da Multlog, Djalma Vilela, detalha avanços, desafios estruturais do País e o plano que dobrará
o tamanho da empresa nos próximos três anos

A agenda logística brasileira vive um momento de inflexão, em que eficiência operacional, previsibilidade regulatória e integração multimodal deixam de ser vetores desejáveis para se tornarem imperativos de competitividade. Foi sob essa perspectiva que acompanhei o Santos Export 2026. 

A Multilog chega aos 30 anos vivendo um dos momentos mais decisivos de sua trajetória. A operadora de logística integrada, que nasceu em Santa Catarina e hoje está presente do Rio Grande do Sul à Bahia, como um dos pilares da infraestrutura logística brasileira e do Mercosul. Durante o Santos Export, realizado no último dia 29 de maio, o presidente da empresa, Djalma Vilela, concedeu entrevista exclusiva à Frota News, revelando os bastidores de grandes projetos, a expansão acelerada da companhia e sua visão sobre o futuro da logística no País.

Logo no início da conversa, Vilela destacou a crescente especialização da empresa em operações de alta complexidade. “A gente vem se debruçando sobre cargas sensíveis, cargas que demandam muito mais inteligência da movimentação”, afirmou. Segundo ele, a Multilog participa desde a concepção dos projetos, desenhando operações competitivas e eficientes para clientes que exigem precisão e controle absoluto. 

Projetos que moldaram a Multilog

Ao revisitar marcos históricos, Vilela citou três segmentos que impulsionaram a evolução da empresa: industrial, consumo e soluções integradas. 

Um dos primeiros grandes cases foi o projeto com a Aguabim, capitalizado pela Valmet, que reposicionou uma planta industrial do Paraná para uma área da Multilog. Outro momento decisivo ocorreu com a chegada da BMW ao Brasil. “Fomos eleitos um operador logístico exclusivo para a fábrica”, relembrou. A operação incluiu a importação de 40 mil pendent boards antes mesmo da estamparia estar concluída — um movimento que Vilela descreve como “transformacional”.

No setor de consumo, a empresa também executou um projeto de grande porte para uma indústria de bebidas, cujo nome não pôde ser revelado, mas que reforçou a capacidade da Multilog em lidar com cargas sensíveis e de alto giro. 

Infraestrutura: o papel além da logística

A Multilog opera hoje cinco unidades em fronteiras do Mercosul — Uruguaiana, Livramento, Jaguarão, Dionísio Cerqueira e Foz do Iguaçu. Sete em cada dez caminhões que cruzam as fronteiras do Mercosul passam por suas instalações.

A Multilog é além de um operador logístico… é uma empresa também de infraestrutura”, afirmou Vilela. Ele explica que a atuação em áreas de fronteira, consideradas de segurança nacional, coloca a empresa em um patamar diferenciado, contribuindo para a integração econômica entre Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. 

Debates sobre infraestrutura e o futuro dos portos

Durante o Santos Export — evento que Vilela descreve como “o melhor fórum de discussão de logística e infraestrutura do Brasil” — temas estruturantes dominaram a pauta. Entre eles, o avanço das concessões, a eletrificação de portos, o uso de debêntures de infraestrutura e os gargalos de acesso ao Porto de Santos. 

Com o novo terminal STS-10, Santos deve saltar de 60% para 75% da movimentação nacional de contêineres. Mas, como alertou Vilela, isso exige soluções complementares: “E a outra faixa da Imigrantes? E o pátio de triagem? E a perimetral?”. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé, esteve presente e reafirmou o compromisso com novos investimentos. 

Outro tema de destaque foi o túnel Santos–Guarujá, aguardado há mais de um século. Segundo Vilela, o presidente da APS confirmou a liberação de R$ 3 bilhões da parte da autoridade portuária, restando apenas a contrapartida federal. “Eu também não tenho dúvida que vai, finalmente, depois de 102 anos, sair do papel”, disse.

Expansão orgânica: o maior ciclo de crescimento da história

A Multilog possui hoje 35 unidades, 2 milhões de m² de pátios e armazéns e 350 mil posições porta-paletes. Nos próximos três anos, a empresa executará um plano de expansão orgânica que aumentará essa capacidade em 30%, adicionando 600 mil m² — sem aquisições.

“A gente entende que é possível dobrar a empresa só com esse crescimento orgânico”, afirmou Vilela.

O projeto mais emblemático é o novo terminal Greenfield de Foz do Iguaçu, com inauguração marcada para 10 de dezembro. A estrutura terá capacidade para 2 mil caminhões/dia e um terminal de contêineres de 25 mil m², voltado principalmente à integração logística com o Paraguai.

A escolha não é por acaso: 75% do volume da unidade atual de Foz já vem do Paraguai, impulsionado pela Lei da Maquila e pelo ambiente pró-negócios do país vizinho. Vilela destaca o papel do presidente paraguaio Santiago Peña, formado em Harvard e ex-Banco Mundial, como um dos motores desse crescimento. 

Tecnologia, ESG e modernização da frota 

A Multilog fechou o último ano com faturamento de R$ 1,5 bilhão e projeta alcançar R$ 3 bilhões até 2029. O avanço está diretamente ligado às iniciativas de sustentabilidade e tecnologia. 

Mais de 90% dos nossos equipamentos de movimentação são elétricos”, afirmou Vilela. A empresa também investe em energia alternativa, inventários de materialidade e modernização da frota — embora reconheça desafios na adoção de caminhões elétricos e GNV.

Intermodal 2026: negócios, relacionamento e público qualificado

A participação da Multilog na Intermodal deste ano surpreendeu positivamente a diretoria. Vilela revelou que chegou a considerar não renovar o estande, mas mudou de ideia após perceber a qualificação do público e o volume de negócios gerados. 

A feira também reforçou a integração com tradings como Timbro, Comexport e Sertrade, que têm ampliado o uso de plataformas hipermodais e soluções tecnológicas integradas. 

Cenário econômico e reforma tributária

Mesmo diante de juros elevados e incertezas políticas, Vilela mantém otimismo. “O Brasil é cheio de desafios, mas cheio de oportunidades também. Eu prefiro sempre olhar o copo cheio”, afirmou.

A reforma tributária, segundo ele, já está “dada” e exigirá reposicionamento estratégico das empresas. A Multilog já se prepara para os efeitos que começam em 2025 e se consolidam em 2032.

Prêmio Sindusfarma de Qualidade

Multilog
Michele Monteiro (dir.) recebe o prêmio na cerimônia realizada em 28/05

Pelo segundo ano consecutivo, a Multilog conquistou o Prêmio Sindusfarma de Qualidade na categoria Armazenagem de Medicamentos em recintos alfandegados de zona secundária, reafirmando sua posição como referência logística para a indústria farmacêutica. Em 2025, a empresa atingiu 13,58% de market share no modal marítimo, movimentando mais de 4.100 FCL de produtos do setor. No modal aéreo, processou quase 4 mil demandas, o que representa 7,38% do volume nacional. Para Michele Monteiro, gerente de Desenvolvimento de Negócios, “a conquista demonstra a posição consolidada da Multilog como parceira estratégica para o segmento de saúde”.

A companhia também ampliou o Polo de Saúde de Barueri, que passou a contar com 330 posições gerais, 1.650 posições com temperatura controlada entre 15ºC e 25ºC e outras 220 destinadas a produtos armazenados a -20ºC. Além disso, investiu em veículos refrigerados dedicados, reforçou equipes especializadas e manteve operações estáveis em Itajaí, Campinas e Mooca. Com certificações de segurança e processos aduaneiros simplificados, a Multilog oferece maior previsibilidade e eficiência para importadores do setor, fortalecendo sua atuação em toda a cadeia logística farmacêutica.

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Filipi Cândido
Filipi Cândidohttps://www.frotanews.com.br
Jornalista e diretor de inteligência de mercado na Frota News, com mais de 10 anos de atuação na construção e posicionamento de marcas em diferentes setores da economia. Ao longo da trajetória, esteve à frente de operações e estratégias nos segmentos de hotelaria e mercado de luxo, com passagens por grupos como LVMH — atuando em marcas como Dior e Guerlain — além do grupo Percassi e de uma experiência internacional como consultor de tendências para grandes marcas de wellness da China. Essa vivência consolidou uma visão integrada sobre comportamento, experiência e geração de valor. Atualmente, atua no setor automotivo e de veículos pesados, com foco em frotas, mobilidade e logística, liderando a produção de conteúdo e estratégias que conectam inteligência de mercado a oportunidades reais de crescimento. Nos últimos anos, aprofundou sua atuação em sustentabilidade e ESG, acompanhando de perto as transformações da indústria e traduzindo esses movimentos em análises que impactam diretamente o posicionamento e a competitividade das marcas.
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