Andreia Iazdi, diretora de Logística da Copa Energia detalha o programa que está mudando o perfil do motorista de GLP em parceria com a Fabet
A Copa Energia é um dos cases brasileiros de eficiência logística e transição energética ao integrar tecnologia, gestão de dados e capacitação profissional que chamou a atenção da editoria Frota Sustentável, da Frota News. A empresa opera cerca de 380 caminhões próprios e agregados no transporte de GLP a granel, todos monitorados por telemetria e roteirização inteligente, enquanto na frota leve adotou etanol em cerca de 90% dos veículos, ampliando sua iniciativa de descarbonização.
Conforme o último relatório de sustentabilidade da empresa, avalia o uso de biometano e de Gás Natural Liquefeito (GNL) pela frota de veículos pesados. Essa combinação transformou a gestão de frota em uma alavanca concreta de ESG, reduzindo quilômetros rodados, consumo de combustíveis fósseis e emissões de CO₂.
Outro pilar da gestão de frota é a formação de motoristas. Em um setor marcado pela escassez crescente de profissionais qualificados, a Copa Energia estruturou um programa próprio de capacitação em parceria com a Fabet. O modelo inclui seleção rigorosa, curso de 116 horas, treinamento assistido com motoristas padrinhos e avaliações contínuas baseadas em telemetria. O resultado é um banco de talentos interno capaz de suprir reposições e sustentar a expansão da operação com segurança e eficiência.
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A seguir, a entrevista completa com Andreia Iazdi, diretora de Logística da Copa Energia, que detalha o programa de formação de motoristas e seus impactos na operação.
Qual era o índice de reprovação dos ajudantes nos testes práticos antes do programa?
Antes do programa, o índice de reprovação nos testes práticos era em torno de 80%. Apenas 20% dos ajudantes conseguiam aprovação, geralmente aqueles que já tinham experiência ao volante. A principal causa das reprovações era a falta de prática na direção.
Qual o impacto prático da falta de motoristas qualificados na operação granel?
A falta de motoristas qualificados na operação granel (BobTail) gera impactos que vão além da execução operacional. Compromete a continuidade do negócio, aumenta custos logísticos, reduz a eficiência da frota e eleva o risco de indisponibilidade operacional, além de afetar o nível de serviço aos clientes.
A demanda por novos motoristas tende a crescer até 2030?
Sim. A demanda deve crescer entre 20% e 30% até 2030, enquanto o número de profissionais capacitados deve cair entre 15% e 17%, indicando escassez no mercado. Por isso, investimos na formação interna para garantir profissionais qualificados e crescimento sustentável.
O programa foi criado para reposição ou também para expansão da frota?
Os dois. Ele atende tanto à reposição de vagas quanto à expansão da operação, formando um banco de talentos estruturado e garantindo que a empresa esteja preparada para crescer com eficiência.
O programa é exclusivo para colaboradores próprios?
Sim. Hoje, ele é voltado exclusivamente para colaboradores próprios, com critérios técnicos e de desempenho bem definidos. Não há planos de expandir para terceiros.
Como são escolhidos os ajudantes que entram no programa?
A seleção envolve critérios técnicos e comportamentais: CNH C, D ou E; curso MOPP; certificação NBR 15863; exame toxicológico; mínimo de um ano de empresa; baixo absenteísmo; e avaliação de desempenho satisfatória. Depois disso, passam por avaliações teórica e prática.
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O que diferencia esse programa de um treinamento convencional?
A estrutura completa. Há seleção rigorosa, avaliações teóricas, mapeamento de riscos e envolvimento das áreas de Relações Trabalhistas, Seguros e Jurídico. O ajudante passa por 116 horas de curso na Fabet e 30 dias de treinamento assistido com motorista padrinho.
Como funciona a figura dos motoristas padrinhos?
São motoristas experientes que acompanham o ajudante no dia a dia, orientando sobre dirigibilidade, rotas, acesso aos clientes e segurança operacional.
Qual é o papel da telemetria no processo?
A telemetria gera alertas automáticos de não conformidades e relatórios objetivos de desempenho, que embasam decisões de promoção e ajudam o condutor a ajustar seu comportamento.
Quais indicadores são monitorados?
Frenagem brusca, aceleração brusca, excesso de velocidade e curvas bruscas. Quando há ocorrências, o ajudante retorna ao treinamento assistido.
A Fabet participa formalmente do programa?
Sim. A Fabet é responsável pelo treinamento teórico e prático, incluindo direção segura e econômica, legislação, manutenção preventiva, mecânica, pneus, tecnologia e prática supervisionada.
Quantas turmas já foram formadas?
Três turmas desde a implantação.
Quantos ajudantes já passaram pela capacitação?
Até o momento, 14 ajudantes foram capacitados, sendo 11 promovidos e três em treinamento assistido.
Qual é o percentual de aprovação?
A taxa de aprovação no curso da Fabet é de 100%, e o índice de aprovação nos critérios internos para promoção é de 78,6%.
O programa já reduziu o SLA de reposição de vagas?
Ainda não há comparativo, por ser um programa recente. O foco atual é a capacitação e valorização interna.
Quais KPIs comprovam o sucesso da iniciativa?
Os principais indicadores são as medições de segurança: freada brusca, aceleração brusca e excesso de velocidade.
Houve melhora na retenção de ajudantes?
Sim. O programa aumentou o engajamento e a retenção, oferecendo perspectiva clara de crescimento e valorizando comportamento, disciplina e desempenho.
Há casos emblemáticos de promoção interna?
Sim. Ajudantes com 19, 17, 14 e 13 anos de empresa foram capacitados e promovidos, muitos deles se destacando pelo alto comprometimento.
O programa ajuda a atrair jovens para a profissão?
Sim. A trilha estruturada torna a carreira mais atrativa. Hoje, ajudantes entre 28 e 39 anos já foram promovidos.
Há iniciativas para ampliar a participação feminina?
Sim. A operação BobTail conta com duas motoristas e dez ajudantes mulheres, e a empresa incentiva a participação feminina com oportunidades iguais de capacitação.
O perfil do motorista de granel está mudando?
Sim. O motorista atual precisa dominar tecnologia embarcada, telemetria, postura consultiva e foco em segurança, além de lidar com câmeras com sensor de fadiga.
Como será o motorista de GLP em 2030?
Será um profissional mais qualificado, com maior domínio técnico, uso constante de tecnologia, metas claras e postura altamente profissional.
Quais resultados já aparecem?
Mesmo no início, o programa já trouxe um banco de talentos estruturado, maior agilidade na reposição de vagas, maior aproveitamento interno e melhoria no engajamento e satisfação dos colaboradores.
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