Camilo Adas, diretor de Transição Energética da Be8, explica como o BeVant entrega redução de emissões sem alterar o TCO das frotas
Produzir um biocombustível substituto dos combustíveis fósseis que apresente eficiência energética do diesel convencional, redução das emissões e custos que não alterem o TCO (total custo de operação das frotas) é o objetivo de muitos produtores mundo afora. Há soluções que, geralmente, atendem dois desses três quesitos fundamentais, e poucas atendem aos três. No Brasil, há uma solução vem tendo sua eficiência comprovada nos três desafios em diferentes testes e operações. Trata-se do BeVant, biocombustível premium desenvolvido pela Be8, que tem ganhado espaço entre frotistas, fabricantes de pesados e operadores marítimas por entregar desempenho equivalente ao diesel fóssil, forte redução do impacto ambiental e viabilidade econômica para uso imediato na frota existente.
O BeVant nasce de um biodiesel que já atende às especificações mais rigorosas da ANP, reconhecidas internacionalmente pela qualidade. A partir dessa base, o combustível passa por uma segunda destilação em uma coluna de 20 metros, processo que evapora e condensa o produto, resultando em um líquido de pureza absoluta. “Aquele extrato evaporado é condensado, ele volta a ficar líquido, então ele tem pureza absoluta”, explica Camilo Adas, diretor de Transição Energética e Relações Institucionais da Be8. Após essa etapa, o combustível recebe aditivos específicos que aprimoram características como setanagem, filtragem e estabilidade, garantindo um desempenho superior e reduzindo riscos de entupimento ou contaminação.
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Apesar de ser um combustível premium, o BeVant foi desenvolvido para não alterar o TCO das frotas. Os testes realizados pela Be8 em diferentes operações mostram que a taxa de troca de filtros permanece igual à do diesel comum, assim como a vida útil de componentes sensíveis, como o catalisador. Isso significa que o frotista não precisa se preocupar com custos adicionais de manutenção ou adaptações nos veículos. O produto pode ser utilizado em qualquer caminhão ciclo diesel, inclusive modelos mais antigos — nesses casos, recomenda-se apenas uma limpeza prévia do sistema para remover resíduos acumulados ao longo dos anos.
O impacto ambiental, no entanto, é onde o BeVant realmente se destaca. Em testes realizados na rota sustentável da COP 30, entre Passo Fundo e Belém, o combustível registrou uma redução de 99% nas emissões de gases de efeito estufa no tanque-à-roda, considerando o carbono biogênico. Quando analisado o ciclo completo, do poço à roda, os resultados variam conforme a matéria-prima utilizada: entre 63% e 65% de redução quando produzido a partir de óleo vegetal e gordura animal, e até 85% quando o insumo é óleo de cozinha reutilizado. Esses números colocam o BeVant entre as soluções mais eficientes disponíveis no mercado global de biocombustíveis.

A adoção do produto já é uma realidade em mais de 50 aplicações no Brasil, incluindo caminhões, máquinas agrícolas e operações de navegação. Transportadoras de grande porte, como a Rodonaves, já instalaram tanques dedicados ao BeVant em suas bases, garantindo abastecimento direto e eliminando riscos de contaminação em tanques intermediários. Para operações menores, há alternativas como reservatórios IBC de mil litros, que permitem armazenagem modular e facilitam a entrada no uso do combustível.
Em relação ao preço, o BeVant costuma ficar cerca de 10% acima do biodiesel convencional, embora essa diferença varie conforme a sazonalidade das commodities e as oscilações do diesel fóssil. Em momentos de crise internacional, como conflitos que afetam o mercado de petróleo, o produto pode inclusive se tornar mais competitivo que o diesel mineral. Essa volatilidade reforça o argumento da Be8 de que o BeVant é uma solução economicamente viável para frotistas que buscam reduzir emissões sem comprometer a saúde financeira da operação.
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HVO é viável tecnologicamente, mas ainda caro
O debate sobre o futuro dos biocombustíveis também passa pelo HVO, tecnologia já consolidada na Europa e nos Estados Unidos. No entanto, Adas é categórico ao afirmar que o HVO ainda está distante da realidade brasileira. O processo de hidrotratamento é mais caro por natureza, e a falta de plantas industriais no país torna o produto dependente de importação, elevando ainda mais o custo final. “Não vai haver HVO no território brasileiro no curto ou médio prazo, porque o preço será tão alto que o frotista não vai conseguir pagar”, afirma. O BeVant, segundo ele, foi desenvolvido justamente para preencher essa lacuna: oferecer desempenho e sustentabilidade comparáveis ao HVO, mas com preço acessível ao mercado nacional.
Embora possa ser misturado ao diesel comum, a recomendação da Be8 é utilizar o BeVant puro para garantir o máximo benefício ambiental. Misturas diluem o impacto positivo e reduzem a eficiência da solução. Ainda assim, o combustível é totalmente intercambiável, permitindo que o motorista complete o tanque com diesel fóssil em viagens longas sem qualquer risco ao motor.
Com uma proposta que combina tecnologia avançada, viabilidade econômica e impacto ambiental expressivo, o BeVant se posiciona como uma das alternativas mais promissoras para a transição energética do transporte brasileiro. Em um setor pressionado por metas ESG e pela necessidade de reduzir emissões rapidamente, a solução da Be8 oferece um caminho imediato, acessível e compatível com a frota já existente — um diferencial que pode acelerar a adoção em larga escala nos próximos anos.



