quinta-feira, abril 16, 2026

Venda direta avança 18,4% e sustenta crescimento do mercado automotivo no trimestre

O mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves encerrou março de 2026 com um desempenho acima do esperado, e fortemente sustentado pela reaceleração das vendas diretas, especialmente no canal corporativo, de locadoras, frotistas e grandes compradores.

Ao todo, o Brasil emplacou 257,5 mil veículos leves em março, um salto de 45,5% sobre fevereiro e de 39,6% na comparação com março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o mercado soma 596,1 mil unidades, alta de 14,9% frente ao mesmo período do ano passado.

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O número é robusto e supera a sazonalidade típica para o período. Março teve 22 dias úteis, contra 19 em fevereiro e 20 em março de 2025. Ainda assim, o avanço não pode ser explicado apenas pelo calendário.

O dado mais limpo do trimestre está justamente no acumulado: tanto 2025 quanto 2026 somam 62 dias úteis no recorte de janeiro a março. Isso significa que a alta de 14,9% no ano carrega um componente mais consistente de crescimento efetivo, sem distorções relevantes de calendário.

 

No acumulado de 2026, os volumes confirmam a relevância crescente das vendas diretas:

  • 334,4 mil unidades no showroom, contra 297,7 mil em 2025 (+12,3%)
  • 261,6 mil unidades na venda direta, contra 221,0 mil em 2025 (+18,4%)

 

Fiat lidera, mas perde espaço; GM, Hyundai, Nissan e Chery avançam

Mesmo mantendo a liderança isolada, a Fiat terminou março com perda de participação emuma a marca mais depedente do canal direto.

Ranking das principais montadoras em março de 2026
  • Fiat – 52.675 unidades | 20,5% de market share | 71,9% em venda direta
  • Volkswagen – 42.191 | 16,4% | 59,0% VD
  • GM – 28.134 | 10,9% | 54,5% VD
  • Hyundai – 19.155 | 7,4% | 55,2% VD
  • BYD – 16.407 | 6,4% | 9,8% VD
  • Toyota – 16.018 | 6,2% | 19,2% VD
  • Renault – 12.318 | 4,8% | 62,3% VD
  • Jeep – 10.037 | 3,9% | 59,8% VD
  • Honda – 9.910 | 3,8% | 26,5% VD
  • Chery – 8.771 | 3,4% | 0,9% VD
  • Nissan – 8.651 | 3,4% | 66,6% VD
  • Great Wall – 6.602 | 2,6% | 0,0% VD
  • Ford – 5.036 | 2,0% | 3,3% VD
  • Citroën – 2.836 | 1,1% | 68,3% VD
  • RAM – 2.562 | 1,0% | 68,3% VD

Quem ganhou participação

Entre as marcas que mais avançaram em participação no mês, os destaques foram:

  • Chery: +1,5 ponto percentual
  • GM: +1,4 p.p.
  • Hyundai: +0,6 p.p.
  • Nissan: +0,6 p.p.
  • Toyota: +0,3 p.p.
  • Geely: +0,3 p.p.

Também registraram avanços menores Jetour, Volvo, Peugeot e MG.

Quem perdeu espaço

Além da Fiat, que recuou 2,0 pontos percentuais, também perderam participação:

  • Jeep: -0,8 p.p.
  • Renault: -0,6 p.p.
  • Honda: -0,4 p.p.
  • RAM: -0,2 p.p.
  • Citroën: -0,2 p.p.
  • Great Wall: -0,2 p.p.

Houve ainda perdas marginais para Ford, Volkswagen, BMW, Iveco, Omoda & Jaecoo, BYD, Mitsubishi e Mercedes-Benz.

 

Strada continua isolada; os campeões do mês de venda direta

Entre os modelos, a leitura é ainda mais clara: os veículos que lideram o mercado são justamente aqueles com alto giro corporativo, boa liquidez e forte presença em renovação de frota.

Top modelos de março de 2026

  • Fiat Strada – 16.707 unidades | 75,0% VD
  • GM Onix – 10.182 | 68,1% VD
  • VW Polo Track – 8.402 | 73,2% VD
  • Fiat Argo – 8.281 | 73,1% VD
  • VW Tera – 7.978 | 43,5% VD
  • Hyundai HB20 – 7.713 | 62,2% VD
  • VW T-Cross – 7.622 | 62,9% VD
  • Fiat Mobi – 7.241 | 98,2% VD
  • BYD Dolphin Mini – 7.054 | 13,3% VD
  • Hyundai Creta – 6.673 | 28,0% VD

Na sequência ainda aparecem Renault Kwid, VW Nivus, GM Tracker, Jeep Compass e Fiat Pulse.

O retrato do mercado

A liderança da Strada segue incontestável, reforçando o peso das picapes leves em frotas e no uso profissional. O Mobi, com impressionantes 98,2% de venda direta, é praticamente um termômetro do canal corporativo. O Polo Track, o Argo e o Onix também confirmam como o mercado segue concentrado em modelos de entrada, altamente competitivos em grandes lotes.

A exceção mais simbólica é o BYD Dolphin Mini, que entrou entre os mais vendidos com apenas 13,3% de venda direta. Isso sugere que o crescimento dos eletrificados já não depende exclusivamente de operações especiais ou nichos empresariais: há demanda real no varejo.

SUVs ganham espaço, mas os compactos ainda são a base do volume

O mix de mercado mostra que o consumidor brasileiro continua comprando de forma pragmática.

  • SUVs: 38,9% do mercado
  • Hatchbacks: 21,9%
  • Sedans: 9,5%
  • Crossovers: 8,8%

Os SUVs ampliaram participação frente a fevereiro (37,9%) e, principalmente, frente a março de 2025 (31,6%), consolidando seu domínio.

Mas o volume segue muito concentrado em compactos, SUVs de entrada e picapes leves — exatamente os segmentos mais resilientes em cenários de crédito seletivo e maior sensibilidade a preço.

Minas Gerais lidera e reforça peso das operações corporativas

No recorte geográfico, Minas Gerais não surpreende ao liderar com folga, pois é onde fica a matriz da maior compradora de veículos, a Localiza:

  • Minas Gerais72,3 mil unidades (28,1%)
  • São Paulo53,0 mil (20,6%)
  • Paraná8,7%
  • Santa Catarina4,5%
  • Rio Grande do Sul4,3%
  • Rio de Janeiro3,8%
  • Bahia3,5%

 

Eletrificados avançam forte, mas perderam share na margem

Os eletrificados mantiveram crescimento acelerado em março:

  • 38,2 mil unidades
  • 14,8% de participação
  • +40,9% sobre fevereiro
  • +118,7% sobre março de 2025

No acumulado do ano:

  • 91,9 mil unidades
  • contra 49,4 mil no mesmo período de 2025
  • alta de 85,9%

Isso coloca os eletrificados em cerca de 15,4% do mercado em 2026, ante aproximadamente 9,5% no mesmo recorte do ano passado.

Apesar disso, o share de março (14,8%) ficou ligeiramente abaixo de fevereiro, sinalizando que o mercado total cresceu ainda mais rápido e diluiu parte do ganho.

Distribuição por powertrain em março

  • BEV: 14.012 unidades (36,7%)
  • PHEV: 10.886 (28,5%)
  • HEV: 8.880 (23,2%)
  • MHEV: 3.968 (10,4%)
  • REEV: 466 (1,2%)

Líderes por tecnologia

  • BEV: BYD Dolphin Mini7.054
  • PHEV: BYD Song Pro3.064
  • HEV: Toyota Yaris Cross1.890
  • MHEV: Fiat Fastback1.820
  • REEV: Leapmotor C10466

Marcas chinesas ampliam participação e pressionam o jogo competitivo

Outro dado importante de março é o avanço contínuo das marcas chinesas, que chegaram a 14,6% de participação, acima dos 13,2% de fevereiro.

Esse movimento tem impacto direto no mercado por dois motivos:

  1. Aumenta a pressão competitiva em preço e conteúdo
  2. Reduz a dependência de venda direta em parte dos segmentos, já que várias dessas marcas crescem mais pelo showroom do que por lotes corporativos

É um contraste relevante frente às líderes tradicionais, muitas delas ainda bastante alavancadas por vendas diretas.

Fonte dos dados: Bright Consulting. 

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Filipi Goschrman
Filipi Goschrmanhttps://www.frotanews.com.br
Filipi Goschrman é um profissional com ampla experiência em inteligência de mercado, tendência, comportamento e negócios. Há 10 anos, se dedica a analisar e entender o mercado e os consumidores. Responsável pelo planejamento comercial do Frota News, atua também como diretor executivo do Guia de Turismo de São Paulo, uma plataforma de serviços e soluções para o turismo na cidade de São Paulo.
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