De lixo a combustível: Usina de biometano do IEE-USP entra em operação em SP

Cada tonelada de resíduo gera até 117 m³ de biometano, segundo dados técnicos da usina do IEE-USP

O estado de São Paulo passou a contar, desde 30 de junho de 2026, com uma usina de demonstração dedicada à conversão de resíduos orgânicos da cadeia alimentar em energia e insumos agrícolas. A unidade foi inaugurada pelo Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria entre a academia, o Governo do Estado e a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás).

A Usina de Bioenergia e Biofertilizantes do IEE‑USP opera com tecnologia de digestão anaeróbica para tratar resíduos orgânicos gerados no campus e por parceiros, como indústrias e entrepostos. O processo produz biogás, que pode ser usado para gerar eletricidade e calor, e é submetido a uma unidade de refino para separar o biometano do CO₂. O biometano refinado alimenta uma estação de abastecimento instalada dentro do próprio campus, demonstrando a viabilidade de substituição de combustíveis fósseis em frotas leves e pesadas.

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Alta eficiência na conversão de biomassa e duplo uso do biometano no transporte

Os dados técnicos da unidade destacam alta eficiência na conversão de biomassa. Cada tonelada de resíduo orgânico processado é capaz de gerar entre 120 e 180 Nm³ de biogás, com teor de metano entre 50% e 65%. Dessa biomassa, são produzidos de 90 a 117 m³ de biometano, valor que coincide com o “até 117 m³” mencionado em divulgação oficial do projeto. O processo também gera cerca de 80% do volume residual convertido em digestato, adubo líquido já testado com a APTA em cultivos de cana-de-açúcar e hortas hidropônicas.

A unidade opera como uma planta laboratorial em escala industrial e comercial, materializando o conceito de economia circular ao integrar os setores de saneamento, energia e agricultura. Com capacidade atual para processar 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia e licença para expansão até 43,5 toneladas diárias, o projeto transforma materiais descartados da cadeia alimentar em recursos estratégicos, como energia elétrica, energia térmica, biometano e biofertilizantes.

O biometano apresenta-se como uma alternativa sustentável para o setor de transportes, podendo ser utilizado de duas formas principais. A primeira é o abastecimento veicular como Gás Natural Veicular (GNV), com o biometano comprimido a até 250 atm e usado em veículos adaptados, inclusive ônibus e caminhões, permitindo redução de emissões de até 80–90% em comparação ao diesel. A segunda via é a injeção do biometano na rede de distribuição de gás natural, integrando esse combustível renovável ao sistema energético e ampliando seu impacto na descarbonização do transporte pesado e de parte da indústria.

A usina experimental de biogás do IEE‑USP é considerada um instrumento único no Brasil, capaz de possibilitar avanço significativo em pesquisa e desenvolvimento para o setor de biogás e biometano. Com a nova unidade, o estado de São Paulo amplia sua capacidade de gerar conhecimento aplicado, formar profissionais e fomentar negócios alinhados à economia de baixo carbono, posicionando o biometano como parte central da estratégia de descarbonização dos transportes e da logística sustentável no país.

Segundo a secrétária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende, São Paulo tem uma das matrizes energéticas mais limpas do Brasil, chegando a uma matriz renovável de quase 60%, enquanto países da OCDE têm em torno de 13%.

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A implantação da usina contou, até o momento, com investimentos de aproximadamente R$ 10 milhões. A maior parte dos recursos veio do orçamento próprio do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP) e de projetos de pesquisa financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Eletropaulo/Enel. O projeto também recebeu cerca de R$ 3,5 milhões em equipamentos fornecidos pela empresa TPI.

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