O mercado brasileiro de ônibus encerrou 2025 com crescimento de 7%, segundo dados da Anfavea, passando de 22,3 mil para 23,8 mil unidades vendidas. O avanço confirma a retomada gradual do setor, mas também expõe mudanças estruturais importantes na composição dos segmentos. Para a Mercedes-Benz do Brasil, líder do mercado, o cenário é de cautela, mas também de oportunidades — especialmente diante das transformações econômicas e políticas que influenciam diretamente o transporte de passageiros.
Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas e Marketing da Mercedes-Benz do Brasil, destaca que o país ocupa posição de destaque no cenário global. “O Brasil só perde para China e Índia em volume de ônibus. Somos um dos maiores mercados do mundo”, afirma o executivo. Essa relevância reforça o peso das oscilações econômicas e políticas sobre o desempenho anual do setor.
Leia tambem:
- Volare Attack 10 Rural amplia oferta para agronegócio, transporte escolar e mineração com foco em robustez e maior capacidade
- Frota Sustentável: mais de 230 artigos sobre descarbonização do transporte
O segmento urbano, maior do mercado, registrou 8.558 unidades e leve alta de 0,8%. Apesar do crescimento tímido, sua participação subiu 12,8%, impulsionada pela renovação de frota em grandes cidades e por políticas de mobilidade. Já os micro-ônibus cresceram 3,4%, alcançando 4.698 unidades, com forte aumento de participação. Programas públicos, como o Caminho da Escola, foram determinantes para esse avanço.
O fretamento foi o destaque do ano, com alta de 21% e 3.195 unidades vendidas. A retomada do turismo, o aumento das viagens corporativas e a demanda por transporte contínuo em polos industriais explicam o desempenho. Em contrapartida, o segmento rodoviário recuou 12,1%, somando 2.084 unidades, pressionado por crédito caro, incertezas regulatórias e concorrência de outros modais.
Rodoviário vs. aéreo
Barbosa explica que fatores macroeconômicos têm impacto direto sobre o comportamento do passageiro. “Quanto maior o dólar, o passageiro migra do aéreo para o rodoviário, e vice-versa. Agora, com o aumento do petróleo, a situação é imprevista e prejudicial aos dois modais”, analisa. A volatilidade cambial e o custo do combustível tornam o planejamento das empresas mais complexo, afetando decisões de renovação de frota.
Ano eleitoral e perspectivas 2026
O executivo também ressalta que o transporte de passageiros depende fortemente do poder público. “A polarização política em ano de eleição prejudica muito os investimentos no setor”, afirma. Em períodos eleitorais, decisões sobre subsídios, tarifas e programas de renovação tendem a ser postergadas, criando incertezas para operadores e fabricantes.
Sobre as perspectivas para 2026, o vice-presidente adota cautela. “Não é possível prever um número este ano, mas não dá para dizer que vai ser um ano ruim. Muita coisa pode acontecer”, afirma. A avaliação reflete o ambiente de incerteza, mas também a confiança na resiliência do mercado brasileiro.
O balanço de 2025 mostra um setor em transformação: crescimento concentrado em micro-ônibus e fretamento, estabilidade no urbano e retração no rodoviário. Para a Mercedes-Benz, o desafio é navegar entre volatilidade econômica, mudanças políticas e novas exigências ambientais — mantendo a liderança em um dos maiores mercados de ônibus do mundo.
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast



