Grupo Tracbel reforça liderança por segmentos e aproxima operação das demandas dos clientes
O grupo anunciou um amplo realinhamento de sua estrutura executiva com o objetivo de fortalecer as áreas de negócios e ampliar a proximidade das lideranças com clientes, operações e demandas específicas de cada segmento. A mudança integra o processo contínuo de evolução da companhia, que busca acelerar a tomada de decisões e aprimorar a eficiência operacional.
Com o novo desenho organizacional, cada unidade de negócio passa a contar com lideranças dedicadas. A Tracbel Mineração & Construção será comandada por Paulo Brasil; a divisão de máquinas SDLG ficará sob responsabilidade de Carlos Renato Machado; a Tracbel Agro será liderada por Victor Franco; a Tracbel Veículos Comerciais segue conduzida por Kennya Menezes; e a Tracbel Florestal & Logística terá Cairon Costa à frente das operações.
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A governança corporativa permanece inalterada no Grupo Tracbel. Luiz Gustavo Rocha continua na presidência do Conselho de Administração e da holding das empresas, enquanto Gidalto Santos segue como CEO do Grupo Tracbel. Segundo ele, o movimento reforça a capacidade de resposta para acelerar processos de decisão e ampliar a geração de soluções.
Com mais de 58 anos de trajetória e 40 unidades distribuídas pelo Brasil, o Grupo Tracbel aposta que a nova estrutura permitirá maior agilidade, foco estratégico e integração entre as áreas, consolidando sua atuação em setores essenciais da economia.
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Entrevista IRU: Danilo Guedes fala sobre pulso econômico e social do Brasil

Danilo Guedes, vice-presidente de Assuntos Internacionais da NTC&Logística, foi o entrevistado da IRU (International Road Union ou União Internacional dos Transportes Rodoviários), entidade que representa as empresas de transporte de carga e passageiros globalmente. A Frota News traduziu a entrevista, publicada originalmente em inglês, e repercurti no Brasil. Confira!
Qual é o papel do transporte rodoviário no Brasil?
Em um país de dimensões continentais e com grandes disparidades regionais na infraestrutura de transporte, o caminhão é o modal que garante versatilidade, flexibilidade e agilidade no atendimento às mais diversas cadeias produtivas — do agronegócio e dos hidrocarbonetos ao e-commerce e ao setor farmacêutico. O transporte rodoviário conecta zonas urbanas e rurais, abastecendo cidades de todos os tamanhos. Ele é essencial para o funcionamento da economia e para a integração territorial. Mais do que um elo logístico, trata-se de um verdadeiro motor de desenvolvimento social e econômico, que emprega diretamente milhões de pessoas e sustenta uma ampla gama de serviços.
E quais são hoje os principais desafios enfrentados pelo setor?
Os desafios são muitos e complexos. Começam pelo alto custo do diesel e pela deterioração das rodovias, passam por barreiras nos processos de travessia de fronteiras — que ainda impedem uma presença mais forte das empresas brasileiras no transporte internacional — e incluem problemas como roubo de cargas e um sistema tributário excessivamente complexo e oneroso. Além disso, temos entraves regulatórios e ambientais, dificuldade de acesso ao crédito, obstáculos à renovação da frota e um ambiente jurídico instável nas relações trabalhistas. Tudo isso afeta diretamente a competitividade do setor.
Apesar disso, há espaço para otimismo?
Sim, há sinais positivos. O setor vem passando por uma transformação importante, marcada pela digitalização das cadeias logísticas, pelo avanço de novas tecnologias e pela adoção crescente de práticas ligadas a ESG — questões ambientais, sociais e de governança. A gestão das empresas também está cada vez mais profissionalizada. Além disso, há oportunidades concretas com o avanço de projetos multimodais, parcerias público-privadas em infraestrutura e fortalecimento institucional, com a atuação direta da NTC&Logística em diversas frentes.
Quais são as principais prioridades da NTC&Logística para os próximos anos?
Nosso foco é fortalecer o setor de forma sustentável e integrada. Para isso, buscamos um engajamento político e institucional ativo, com defesa de reformas econômicas, da simplificação tributária e da melhoria dos marcos regulatórios. Também priorizamos ações de segurança e infraestrutura, para reduzir o roubo de cargas e melhorar a qualidade das rodovias. Em paralelo, trabalhamos com o Departamento de Custos Operacionais e Pesquisa Econômica para monitorar os preços do diesel e propor tarifas mais justas, garantindo sustentabilidade econômica ao transportador. A inovação é outro pilar, com incentivo ao uso de tecnologias que aumentem a eficiência e reduzam impactos ambientais. Valorizamos ainda o desenvolvimento de lideranças, com destaque para a atuação da COMJOVEM — a Comissão de Jovens Empresários do setor — e promovemos capacitação com iniciativas como o Seminário Itinerante NTC&Logística, que percorre o país promovendo integração regional. No campo internacional, buscamos ampliar as relações com países vizinhos e fortalecer as operações brasileiras de transporte internacional, inclusive por meio da promoção do sistema TIR.
Falando em integração internacional, como o senhor avalia o Corredor Bioceânico?
É uma iniciativa estratégica. Trata-se de uma rota que vai ligar o Brasil ao Oceano Pacífico, passando por Paraguai, norte da Argentina e Chile. Essa conexão oferece uma alternativa concreta às rotas tradicionais do Atlântico, encurtando distâncias e abrindo novas oportunidades de exportação, especialmente para a região Centro-Oeste do Brasil. Para o transporte internacional, representa um salto de competitividade, com redução de custos logísticos, tempos de trânsito menores e maior protagonismo do Brasil nas cadeias globais de suprimentos. Isso vale especialmente para commodities, carnes, minerais e produtos manufaturados. O corredor também deve atrair investimentos, gerar empregos e impulsionar polos logísticos e industriais ao longo de seu trajeto, fortalecendo a integração regional e a cooperação internacional.
E o que precisa ser feito para que o Corredor Bioceânico atinja todo o seu potencial?
São três os pilares que precisam de atenção: infraestrutura, regulamentação e integração operacional. Precisamos harmonizar procedimentos aduaneiros e reduzir a burocracia nas fronteiras, já que hoje há muitos atrasos e exigências incoerentes entre os países. A implementação de pontos de inspeção integrados e o uso de tecnologias de rastreamento e monitoramento são fundamentais para garantir um transporte seguro e eficiente. Também é necessário investir em infraestrutura de apoio — como áreas de descanso, centros logísticos, terminais alfandegários — e na capacitação da mão de obra. Nesse contexto, a adoção do sistema TIR é um passo essencial. Ele permite que as mercadorias circulem sob um regime simplificado, com controles mínimos nas fronteiras e cargas lacradas, o que reduz custos, atrasos e riscos logísticos. Com o TIR ao longo do corredor, teremos mais previsibilidade, rapidez e competitividade, o que permitirá às empresas brasileiras expandirem sua atuação internacional. Mas tudo isso depende de esforço conjunto entre os governos e o setor privado. É preciso um diálogo contínuo com transportadoras, embarcadores e operadores, para criar soluções práticas que beneficiem empresas de todos os tamanhos.
Qual é o papel da IRU nesse processo?
A IRU é uma parceira estratégica nesse esforço. Seu alcance internacional, sua cooperação com organismos multilaterais e sua expertise em transporte sustentável são ativos importantes. Em conjunto com a NTC&Logística, podemos apresentar propostas técnicas na COP30, destacar soluções eficientes e pragmáticas, defender políticas públicas equilibradas e mostrar que o transporte rodoviário brasileiro está fazendo a sua parte para enfrentar a crise climática. Estamos prontos para demonstrar que o setor pode ser um agente transformador na construção de um futuro mais verde, moderno e competitivo.



