Traton Group registra crescimento global de 30% com destaque para VW e Scania no Brasil

Com alta de 22% nas encomendas na América do Sul, o desempenho do TRATON GROUP no primeiro semestre de 2026 consolida o Brasil como mercado estratégico global

O mercado brasileiro de veículos comerciais ganha destaque no relatório financeiro preliminar do Traton Group, holding que reúne as marcas Scania, Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), MAN Truck & Bus e International. Alavancado pelas incentivações do programa de crédito governamental “Move Brasil”, o volume de encomendas de caminhões na América do Sul registrou um expressivo crescimento de 22% no período. Essa dinâmica positiva no território sul-americano reflete o reaquecimento da demanda por transporte rodoviário de cargas na região, colocando o Brasil em posição de destaque na estratégia de rentabilidade global do conglomerado.

Entre as fabricantes do grupo com forte presença e relevância para o mercado brasileiro, a VWCO alcançou uma margem de retorno operacional ajustado sobre as vendas de 10,5% nos primeiros seis meses do ano. Apesar de representar um recuo de 2,3 pontos percentuais em relação aos 12,9% registrados no mesmo período do ano anterior — variação ocasionada principalmente por efeitos cambiais desfavoráveis —, a VWCO manteve um patamar de rentabilidade elevado, bem superior a da principal concorrente, a Mercedes-Benz, do Daimler Truck.

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Scania tem rentabilidade 11,3%

Por sua vez, a Scania apresentou uma performance financeira destacada no primeiro semestre de 2026, elevando seu retorno operacional ajustado sobre as vendas em 0,9 ponto percentual, atingindo 11,3%, contra 10,4% em igual período de 2025. A redução de custos fixos e de produto, aliada a efeitos positivos no mix de vendas, compensou com folga o aumento nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

No cenário internacional, a Scania impulsionou os pedidos na região da Ásia-Pacífico em 63% com o lançamento da linha NEXT ERA e anunciou um investimento de € 70 milhões (aproximadamente R$ 406 milhões) na fábrica de Angers, na França, para expandir a produção de caminhões elétricos com flexibilidade para veículos a diesel.

Em escala global, a holding Traton encerrou a primeira metade de 2026 com um volume total de 181.900 veículos encomendados (sendo 181.944 na contagem detalhada), o que representa um salto de 30% na comparação com os 139.600 pedidos do primeiro semestre de 2025. Esse avanço global superou o ritmo de crescimento da América do Sul, impulsionado sobretudo pela América do Norte, onde a entrada de ordens para caminhões disparou 141% devido à forte demanda por modelos pesados da Classe 8.

Na Europa (EU27+3), o negócio de caminhões cresceu 10%, a despeito de uma queda de 8% no mercado alemão, enquanto na divisão global de ônibus o aumento foi de 14%.

Apesar do forte volume de encomendas, as vendas faturadas do grupo no mundo somaram 151.500 unidades (151.529 no detalhamento) no semestre, ficando apenas 1% abaixo do registrado no ano anterior. A receita de vendas do grupo manteve-se estável em € 22,0 bilhões (cerca de R$ 127,6 bilhões na cotação atual), ante € 21,9 bilhões no H1 2025.

A divisão Traton Financial Services teve alta de 17% em sua receita, alcançando € 1,240 bilhão (R$ 7,19 bilhões), impulsionada pela expansão de portfólio, enquanto a área de Vehicle Services respondeu por 20% do faturamento total do grupo.

O resultado operacional ajustado do Traton subiu 12%, atingindo € 1,5 bilhão — mais precisamente € 1,539 bilhão (aproximadamente R$ 8,93 bilhões) —, superando os € 1,371 bilhão registrados na primeira metade do ano passado. Com isso, o retorno operacional ajustado sobre as vendas da holding subiu de 6,3% para 7,0%, enquanto na divisão Traton Operations a margem atingiu 8,0%. A relação entre pedidos e vendas (book-to-bill ratio) fechou em 1,2, confirmando a sólida trajetória de recuperação do ciclo industrial.

Analisando o desempenho das demais marcas do grupo no cenário mundial, a MAN Truck & Bus elevou sua rentabilidade operacional ajustada para 7,0%, impulsionada pelo aumento da receita, melhor absorção de custos fixos e preços favoráveis, além de expandir sua linha elétrica com o novo eTGM de 16 toneladas.

Já a marca norte-americana International Motors registrou um retorno operacional ajustado de 1,1%, afetada por elevados custos de tarifas, embora tenha reconhecido recebíveis tarifários adicionais no segundo trimestre e apresentado o ecossistema digital conectável ‘My International’.

No campo da inovação e sustentabilidade, Christian Levin, CEO do Traton Group e da Scania, destacou o avanço na transformação tecnológica do grupo, incluindo a revelação da plataforma de software Traton One OS em parceria com a Applied Intuition, prevista para integrar os novos caminhões a partir de 2028.

Resultado dos modelos elétricos

No segmento de mobilidade elétrica, as vendas globais alcançaram 887 caminhões totalmente elétricos e 1.020 ônibus elétricos no semestre. Para financiar essa transição, Dr. Michael Jackstein, CFO e CHRO do Traton Group, ressaltou a emissão dos primeiros green bonds e green loans no valor total de € 850 milhões (cerca de R$ 4,93 bilhões).

Diante dos resultados obtidos e da aceleração registrada no segundo trimestre, a diretoria holding revisou e estreitou suas projeções para o encerramento do exercício de 2026 para o topo da faixa anteriormente prevista. A expectativa para as vendas unitárias e receita de vendas no ano é de variação entre 0% e +7%, mantendo a estimativa de retorno operacional ajustado do grupo entre 6,3% e 7,3%.

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O Traton Group encerrou 2024 com crescimento leve, porém consistente, mesmo diante de um mercado global desafiador. A receita avançou 1%, alcançando R$ 299,25 bilhões, apesar da queda nas vendas unitárias. O resultado operacional ajustado teve desempenho ainda mais forte, chegando a R$ 27,72 bilhões, superando o ano anterior e ultrapassando a meta prevista. Esse avanço foi impulsionado principalmente pela gestão eficiente de preços e pela disciplina de custos no segmento industrial, mantendo a relação entre pedidos e vendas estável em 0,8.

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Segundo o CEO Christian Levin, 2024 marcou um ano de transformações estruturais importantes dentro do grupo. A implementação do Sistema Modular Traton e a fusão das áreas de pesquisa e desenvolvimento das marcas em uma estrutura multimarcas foram destaques, com o objetivo de aumentar a colaboração e a agilidade. Levin reforçou o compromisso da empresa com a sustentabilidade e a eletrificação, apesar da queda nas vendas de veículos elétricos a bateria no período. Para 2025, porém, o cenário é otimista, já que os pedidos desse tipo de veículo cresceram quase 60%, somando cerca de 4.000 unidades.

Pesados eletrificados

O grupo também destacou avanços significativos em eletromobilidade. A Scania lançou a Erinion, empresa dedicada à infraestrutura de carregamento, com a meta de instalar 40.000 pontos em depósitos de clientes. A MAN registrou forte interesse no MAN eTruck, acumulando cerca de 2.800 pedidos e ampliando seu portfólio elétrico para modelos de 12 a 42 toneladas. A International expandiu sua oferta com ônibus e caminhões elétricos, acompanhados de serviços de consultoria para apoiar clientes na transição tecnológica.

A Volkswagen Truck & Bus também acelerou sua estratégia de eletrificação, ampliando a produção do e-Delivery e iniciando a fabricação dos primeiros e-Volksbus em 2024. Paralelamente, o Traton Group reforçou a importância de políticas públicas para viabilizar a expansão da infraestrutura de carregamento, citando o aporte europeu de R$ 2,66 bilhões via AFIF, incluindo R$ 706 milhões destinados à Milence, sua joint venture com Daimler Truck e Volvo. O grupo reafirma seu compromisso com o Acordo de Paris e destaca a necessidade de maior oferta de energia verde e redes mais robustas para sustentar o avanço da eletromobilidade.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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