Direto de Brasília, onde os corredores do poder fervilham com decisões que impactam o transporte, o CEO da Cargolift Logística, Markenson Marques dos Santos, rompeu o silêncio para dar voz a uma preocupação que tira o sono de quem vive o transporte 24 horas por dia.
Em um vídeo contundente em redes sociais obtido pela Frota News, o empresário — que se define como um entusiasta da economia de mercado — admitiu uma mudança de postura: ele agora é favorável ao piso mínimo do frete, classificando-o como um “mal necessário” diante do colapso iminente do setor.
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A conta que não fecha: Baixa produtividade por culta dos embarcadores
O diagnóstico de Marques é cirúrgico e expõe as feridas da nossa logística. Enquanto nos Estados Unidos um motorista roda cerca de 14 mil quilômetros por mês (pois fica menos parado nos pontos de carga e descargas), no Brasil a média é de apenas 7 mil quilômetros. Para o executivo da 21ª maior transportadora do país, a culpa não é da falta de tecnologia ou de caminhões, mas sim da gestão ineficiente dos embarcadores.
“Temos caminhões de primeiro mundo, mas falta boa gestão logística. Há muita burocracia e filas intermináveis para carregar e descarregar,” pontuou Marques.
O fantasma do apagão de volante
A revelação mais alarmante, contudo, vai além dos custos operacionais. Segundo Marques, o Brasil não sofre com a falta de caminhões, mas sim com a falta de motoristas. O empresário revelou dados internos da Cargolift para provar que o problema não é o salário: um motorista de bitrem na companhia, sob regime CLT e com bônus de meritocracia, pode chegar a ganhar R$ 12 mil por mês — valor superior ao de muitas outras profissões de nível universitário.
Ainda assim, a profissão perde atratividade. “Falta de motorista vai fazer o Brasil parar”, alertou, reforçando que o setor deve ser respeitado por seu papel social, lembrando o suporte em tragédias como em Mariana e no Rio Grande do Sul.
Pressão Política e o “Dia D”
Em sua passagem pela capital federal, o CEO identificou uma forte movimentação política para a aprovação da medida provisória que endurece as punições para quem descumpre o piso mínimo. Em ano eleitoral, a percepção é de que ninguém quer enfrentar a insatisfação dos caminhoneiros.
Para Marques, a solução exige que o embarcador aprenda a tratar o transportador com “tapete cordial” e produtividade. A mensagem final para quem contrata é: ou o Brasil melhora a logística e aceita elevar o valor dos fretes, ou o desabastecimento baterá à porta da mesa do brasileiro. Assista o vídeo na íntegra: Instagram.
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