sexta-feira, maio 8, 2026

Piso Mínimo do Frete: Markenson Marques, da Cargolift, defende medida em Brasília

Direto de Brasília, onde os corredores do poder fervilham com decisões que impactam o transporte, o CEO da Cargolift Logística, Markenson Marques dos Santos, rompeu o silêncio para dar voz a uma preocupação que tira o sono de quem vive o transporte 24 horas por dia.

Em um vídeo contundente em redes sociais obtido pela Frota News, o empresário — que se define como um entusiasta da economia de mercado — admitiu uma mudança de postura: ele agora é favorável ao piso mínimo do frete, classificando-o como um “mal necessário” diante do colapso iminente do setor.

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O diagnóstico de Marques é cirúrgico e expõe as feridas da nossa logística. Enquanto nos Estados Unidos um motorista roda cerca de 14 mil quilômetros por mês (pois fica menos parado nos pontos de carga e descargas), no Brasil a média é de apenas 7 mil quilômetros. Para o executivo da 21ª maior transportadora do país, a culpa não é da falta de tecnologia ou de caminhões, mas sim da gestão ineficiente dos embarcadores.

“Temos caminhões de primeiro mundo, mas falta boa gestão logística. Há muita burocracia e filas intermináveis para carregar e descarregar,” pontuou Marques.

O fantasma do apagão de volante

A revelação mais alarmante, contudo, vai além dos custos operacionais. Segundo Marques, o Brasil não sofre com a falta de caminhões, mas sim com a falta de motoristas. O empresário revelou dados internos da Cargolift para provar que o problema não é o salário: um motorista de bitrem na companhia, sob regime CLT e com bônus de meritocracia, pode chegar a ganhar R$ 12 mil por mês — valor superior ao de muitas outras profissões de nível universitário.

Ainda assim, a profissão perde atratividade. “Falta de motorista vai fazer o Brasil parar”, alertou, reforçando que o setor deve ser respeitado por seu papel social, lembrando o suporte em tragédias como em Mariana e no Rio Grande do Sul.

Pressão Política e o “Dia D”

Em sua passagem pela capital federal, o CEO identificou uma forte movimentação política para a aprovação da medida provisória que endurece as punições para quem descumpre o piso mínimo. Em ano eleitoral, a percepção é de que ninguém quer enfrentar a insatisfação dos caminhoneiros.

Para Marques, a solução exige que o embarcador aprenda a tratar o transportador com “tapete cordial” e produtividade. A mensagem final para quem contrata é: ou o Brasil melhora a logística e aceita elevar o valor dos fretes, ou o desabastecimento baterá à porta da mesa do brasileiro. Assista o vídeo na íntegra: Instagram.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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