Stellantis lança Fiat Scudo 2027, mas modelo foi aposentado no mercado brasileiro

Sem comunicado ao mercado, a Stellantis retirou o Fiat Scudo do portfólio brasileiro em 2026, após pouco mais de quatro anos de vendas no país, segundo fontes da rede de concessionárias. O modelo também não consta mais no site da marca. A decisão ocorre enquanto a montadora mantém no mercado os gêmeos Citroën Jumpy e Peugeot Expert, derivados do mesmo projeto e praticamente idênticos em mecânica, dimensões e configurações.

A saída do Scudo chama atenção porque o furgão da Fiat seguia como o mais vendido do trio. De janeiro a setembro de 2026, o modelo acumulou 2.020 emplacamentos, contra 1.879 da Peugeot Expert e 1.463 da Citroën Jumpy, conforme o relatório da Fenabrave, edição 285. Porém, no mesmo relatório, as vendas do Scudo já foram bem menores em relação aos outros modelos, já refletindo a redução da oferta e da diminuição do estoque.

A leitura do mercado, porém, aponta para uma racionalização da oferta de vans derivadas da mesma plataforma. Com o Scudo fora de linha, a Stellantis passa a concentrar a comercialização do modelo em apenas duas marcas do grupo, Citroën e Peugeot, reduzindo a sobreposição entre produtos praticamente iguais.

Gêmeos de plataforma

Lançados simultaneamente no Brasil em agosto de 2024, Fiat Scudo, Citroën Jumpy e Peugeot Expert integraram uma estratégia inédita da Stellantis na região: um mesmo veículo comercializado sob três marcas, com preços e especificações alinhados.

Os três furgões compartilham a mesma base, motorização, capacidade de carga e soluções de conectividade. As diferenças ficam restritas, em essência, ao desenho frontal, aos emblemas e à nomenclatura das versões.

A proposta previa, ainda, que clientes de qualquer uma das três marcas pudessem realizar manutenções e revisões em toda a rede Stellantis, independentemente do emblema do veículo.

Scudo liderava as vendas

Os números de emplacamentos reforçam que a retirada do Scudo não decorreu de baixa procura. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o modelo da Fiat somou 2.020 unidades, 141 a mais que a Peugeot Expert e 557 unidades acima da Citroën Jumpy.

Modelo Emplacamentos acumulados Venda direta Venda varejo Setembro de 2026
Fiat Scudo 2.020 1.299 721 153
Peugeot Expert 1.879 1.456 423 290
Citroën Jumpy 1.463 1.165 298 217

Fonte: Fenabrave, relatório edição 285, dados acumulados até setembro de 2026.

O Scudo respondia por 37,3% do total de 5.362 emplacamentos registrados pelo trio no período. A Peugeot Expert ficava com 35,0% e a Citroën Jumpy, com 27,3%.

Canal direto puxa vendas

O desempenho do trio mostra forte concentração nas vendas diretas, canal associado sobretudo a frotistas, locadoras, operadores logísticos e grandes compradores corporativos.

A Peugeot Expert liderava esse recorte, com 1.456 unidades vendidas por venda direta, o equivalente a 77,5% de seu total acumulado. A Citroën Jumpy registrava 1.165 unidades pelo mesmo canal, ou 79,6% de suas emplacamentos. Já o Fiat Scudo somava 1.299 vendas diretas, representando 64,3% do seu volume.

No varejo, o Scudo tinha vantagem mais expressiva: foram 721 unidades, contra 423 da Expert e 298 da Jumpy. Isso indica que o modelo da Fiat tinha maior penetração junto a pequenas e médias empresas, autônomos e compradores que adquiriam o veículo fora de contratos corporativos.

Setembro mostra virada

Embora o Scudo liderasse o acumulado do ano, os dados de setembro revelam uma mudança de posição. A Peugeot Expert foi o modelo mais emplacado no mês, com 290 unidades, seguida pela Citroën Jumpy, com 217, e pelo Fiat Scudo, com 153.

O resultado pode indicar tanto o esgotamento gradual dos estoques do Scudo quanto uma reorientação das vendas para os modelos que permanecem no catálogo. Como o furgão da Fiat já não é mais oferecido como veículo novo, a tendência é que sua participação siga caindo nos próximos meses.

Modelo segue na Europa

A retirada do Scudo é restrita ao mercado brasileiro. Na Europa, a Stellantis anunciou, em outubro de 2026, a abertura de pedidos para o Fiat Professional Scudo MY27, que continua sendo oferecido com motorizações diesel e elétrica.

Isso indica que a decisão brasileira está relacionada à estratégia comercial local e à organização do portfólio de marcas do grupo no país, e não ao fim da produção ou do desenvolvimento do modelo global.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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