Projeto Mapear aponta a transferência da exploração sexual infantil das rodovias para as redes sociais

Nova edição do levantamento da PRF e Childhood Brasil registra queda na criticidade dos locais mapeados, mas revela desafios persistentes e mudanças no modus operandi dos criminosos

A nova edição da cartilha do Projeto Mapear 2025/2026, lançada pela PRF e pela Childhood Brasil, identificou 13.758 pontos vulneráveis à exploração sexual infantil nas rodovias federais, número ainda elevado, mas 22,2% menor que no levantamento anterior graças ao aprimoramento metodológico e ao uso de georreferenciamento preciso. A 11ª edição do estudo ressalta que essa redução não indica diminuição do problema, e sim uma mudança em sua dinâmica: parte do aliciamento migrou para ambientes digitais, como redes sociais e aplicativos, diminuindo a exposição física nas estradas, porém tornando o crime mais complexo e difícil de detectar.

Queda na criticidade, mas vulnerabilidade persiste

A cartilha do Projeto Mapear classifica os pontos identificados nas rodovias federais em quatro níveis de risco: baixo, médio, alto e crítico. Os dados mais recentes mostram uma redução nos níveis mais graves, com os pontos críticos passando de 4,56% para 3,29% e os pontos de alto risco caindo de 14,51% para 13,50%. Apesar da melhora, o cenário ainda exige atenção, já que 452 pontos críticos permanecem ativos, demandando presença constante da PRF e o uso de estratégias de inteligência mais sofisticadas.

O novo ciclo do Projeto Mapear marca a transição para o Mapear 2.0, uma fase que amplia o uso de tecnologia e ferramentas de análise de dados para orientar ações preventivas e repressivas. O objetivo é acompanhar a evolução do crime, que hoje também se manifesta no ambiente digital, exigindo novas abordagens e maior capacidade de antecipação.

Para Fernando Oliveira, diretor-geral da PRF, o projeto já se consolidou como referência nacional ao reforçar que a eficácia da atuação estatal reside na capacidade de antecipar riscos e que a ferramenta deve ser compartilhada com todos que atuam na proteção de pessoas vulnerabilizadas.

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A diretora de Operações da PRF, Nadia Zilotti, destaca que a inteligência funciona como um catalisador por trás das estatísticas, permitindo que o projeto avance de um diagnóstico estático para uma ferramenta de análise preditiva.

A coordenadora-geral de Direitos Humanos da PRF, Fernanda Souza, ressalta o caráter humano da missão institucional ao afirmar que a atuação integrada é o caminho para transformar as rodovias brasileiras em espaços de liberdade e segurança para crianças e adolescentes.

Ações de campo e impacto direto

O impacto direto das ações da PRF no enfrentamento à exploração sexual infantil. Desde 2003, o Projeto Mapear orienta operações de prevenção e repressão, e entre 2024 e 2025 foram realizadas 86 edições da Operação Domiduca, que fiscalizou mais de 16 mil pontos em rodovias federais e resgatou 111 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Além das ações de campo, iniciativas educativas alcançaram cerca de 90 mil pessoas no último ano, fortalecendo a rede de proteção. Segundo o diretor-executivo Alberto Raposo, o compartilhamento de informações entre policiais é essencial para identificar pontos de risco e aumentar a eficiência das ações.

A Childhood Brasil, parceira da PRF desde 2009, consolida os dados do Mapear e apoia estratégias do Programa Na Mão Certa, que mobiliza empresas de transporte para engajar caminhoneiros como agentes de proteção. A organização analisa territórios vulneráveis e orienta ações do setor público e privado, destacando que os relatórios do Mapear são fundamentais para direcionar esforços a regiões críticas, como portos e grandes entroncamentos rodoviários. Integrante da World Childhood Foundation, criada pela Rainha Silvia da Suécia, a instituição figura por cinco anos consecutivos entre as 100 Melhores ONGs do país, reforçando sua relevância no combate à exploração sexual infantil no Brasil.

Com 17 mil pontos vulneráveis, Vibra e Childhood Brasil ampliam ações de proteção

Mais de 17 mil pontos vulneráveis à violência sexual contra crianças e adolescentes foram identificados nas rodovias brasileiras, incluindo 4.791 postos de combustíveis, segundo levantamento da Vibra. Diante desse cenário, a companhia lançou a Trilha de Proteção, programa desenvolvido em parceria com a Childhood Brasil para capacitar profissionais da rede de postos Petrobras na identificação, prevenção e encaminhamento de casos suspeitos.

A iniciativa, integrada à agenda de ESG da empresa, prevê treinar 1.278 equipes até 2026, com conteúdos disponibilizados na plataforma Bora Treinar, incluindo vídeos e materiais educativos elaborados por especialistas. Aspen Andersen, vice-presidente de Gente, Tecnologia e ESG da Vibra, destaca que empresas com grande presença territorial têm potencial para fortalecer redes de proteção.

A metodologia da Trilha foi construída a partir de diagnósticos com revendedores e equipes, conduzidos pela Childhood Brasil, que revelaram percepção de vulnerabilidade, mas baixa consciência sobre a ocorrência real dos casos.

Embora 86% dos revendedores reconheçam os postos como locais vulneráveis, 72% acreditam que a violência sexual é rara ou inexistente em suas unidades. Ao mesmo tempo, há disposição para agir: 82% defendem o engajamento dos postos e 75% das equipes querem participar das formações.

O programa também orienta sobre sinais de violência e reforça canais oficiais de denúncia, como Disque 100, Polícia Militar (190), PRF (191) e SaferNet. O lançamento ocorre no mês do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio.

Acesse a cartilha: Cartilha MAPEAR 2025-2026.pdf – Google Drive

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