sexta-feira, abril 3, 2026

Randon, Facchini, Librelato e Guerra no TOP 20 da indústria global de implementos

As fabricantes brasileiras de implementos rodoviários seguem firmes no cenário internacional e garantiram espaço entre os TOP 20 maiores players do setor, segundo o ranking anual da revista GlobalTrailer, referente à produção entre julho de 2024 e junho de 2025. Entre os destaques estão Randon, Facchini, Librelato e Guerra, que aparecem ao lado de gigantes dos Estados Unidos, Alemanha, China e outros polos industriais. 

De acordo com os dados, a fabricante da Randoncorp ocupa a 9ª posição, com 28.191 unidades produzidas, praticamente mantendo a colocação do ano anterior, apesar de uma leve retração frente às 33.179 unidades de 2024. A grande surpresa foi o crescimento da Facchini, que subiu da 10ª para a 7ª posição e alcançou 30.772 implementos. 

A Librelato figura na 16ª posição, com 11.163 unidades, enquanto a Guerra registrou 9.500 implementos, avançando da 20ª para a 17ª colocação. 

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A liderança mundial continua com a chinesa CIMC Vehicles, que superou a marca de 102 mil unidades, seguida pela alemã Schmitz Cargobull (51 mil) e pela norte-americana Hyundai Translead (41,6 mil). 

A presença brasileira neste levantamento reforça a importância do país como polo produtor de semirreboques e implementos rodoviários. Mesmo em um cenário desafiador, com variações cambiais, altos custos logísticos e oscilações na demanda doméstica, as fabricantes nacionais seguem competitivas e com forte inserção internacional. 

O dado mais relevante é que, entre os 20 maiores fabricantes globais, o Brasil emplaca quatro representantes, consolidando-se como um dos principais polos da indústria de implementos rodoviários fora do eixo EUA-Europa-China. 

TOP 20
Fonte: GlobalTrailer

 

SETCESP fortalece atuação com a chegada de Roberto Mira Junior à vice-presidência

O empresário Roberto Mira Junior, conselheiro do Mira Transportes, assumiu a vice-presidência do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (SETCESP) para o triênio 2025-2027.  

Com mais de 20 anos de experiência no Mira Transportes, Roberto Mira Junior agrega liderança e visão estratégica em seu novo cargo executivo no SETCESP. “Assumir a vice-presidência do maior sindicato patronal da América Latina é uma honra e uma grande responsabilidade. Minha experiência no Mira Transportes permite que eu contribua de forma efetiva com pautas que tragam resultados concretos para o setor de transporte rodoviário de cargas“, afirmou. 

Em paralelo ao seu trabalho no Mira Transportes, Roberto Mira Junior contribui com o SETCESP desde 2004, quando participou da criação da Comjovem (Comissão de Jovens Empresários do SETCESP). Posteriormente, ocupou diferentes funções na instituição, como vice-coordenador, coordenador, diretor e secretário.  

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Sobre os desafios do setor, o novo vice-presidente reforçou a importância da atuação coletiva. “O transporte de cargas no Brasil enfrenta entraves históricos, como o elevado ‘Custo Brasil’, a carga tributária, a infraestrutura deficiente e a instabilidade política. Mas acredito que, com união e trabalho conjunto, é possível tornar o setor mais competitivo e resiliente“, disse Roberto Mira Junior. 

Para o próximo triênio como vice-presidente do SETCESP, o dirigente reforça que a missão será dar voz aos colaboradores do setor e ampliar oportunidades de crescimento. “É um prazer representar um setor tão estratégico para a economia brasileira e continuar contribuindo para o futuro do transporte rodoviário de cargas“, concluiu. 

 

Marcopolo lançou sua Geração 8 de ônibus rodoviários na Austrália

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A Marcopolo, por meio da Volgren — a maior fabricante de carrocerias de ônibus da Austrália e adquirida pela fabricante brasileira em 2011 — já comercializa a Geração 8 dos modelos Paradiso e Viaggio na região.

O lançamento da Geração 8 na Austrália é um momento de orgulho para a Marcopolo e para a Volgren, nossa operação no país. Consolida os modelos G8 como produto global da companhia, reforçando nosso compromisso em levar produtos de classe mundial ao mercado australiano. Este modelo representa o que há de melhor em design e engenharia globais, estabelecendo um novo padrão em segurança, conforto e eficiência“, destaca André Armaganijan, CEO da Marcopolo.

Do Brasil para o mundo

Com mais de 5 mil unidades em circulação em 24 países, a Geração 8 amplia o papel da Marcopolo como referência em inovação, conforto e segurança no transporte rodoviário internacional e o lançamento da Geração 8 de rodoviários na Austrália dá continuidade às ações da Marcopolo para fortalecer sua presença em outros continentes. Desenvolvida originalmente no Brasil, a linha também é produzida na Colômbia, México e China, atendendo às demandas específicas desses mercados.

“Lançamos o G8 na Austrália para ampliar nossa participação no segmento rodoviário e complementar nossa oferta de produtos, que já inclui os modelos urbanos Optimus, da marca Volgren, e os escolares Endura e Audace, também importados da fábrica da China”, explica Thiago Deiro, CEO da Volgren.

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O modelo será comercializado com opções de chassi Volvo e Scania, nas versões 4×2 e 6×2. Atende às normas ECE R66.02/SABS, garantindo maior segurança com estrutura resistente a capotamentos.

O primeiro G8 australiano é um Paradiso G8 1300 que foi adquirido pelo operador Australia Wide Coaches. Com 15 metros de comprimento, chassi Volvo e volante posicionado à direita, o modelo conta com sistema de ar-condicionado com aquecimento, sanitário, carregadores USB-C, cafeteira e faróis Full LED.

O lançamento oficial ocorreu em 18 de setembro, no espaço The Timber Yard, em Port Melbourne, e reuniu mais de 200 líderes do setor de transporte australiano, além de executivos das companhias.

Como funciona a tecnologia do Iveco Hybrid a gás? Ela seria boa para o Brasil? 

O Iveco Urbanway Hybrid CNG se mostra alternativa interessante ao diesel e ao 100% a bateria elétrica pela viabilidade econômica e de infraestrutura possível. Ele combina a eficiência do motor a gás natural com o reforço da propulsão elétrica. Ao contrário dos sistemas “full hybrid”, este modelo da Iveco adota uma arquitetura mild hybrid de 48V, uma abordagem mais simples e eficiente, que reduz o custo total de propriedade e o peso do veículo. 

Essa solução tecnológica já é amplamente adotada pela indústria automobilística de veículos leves, especialmente em modelos movidos a gasolina ou etanol. Um exemplo é a Stellantis, que priorizou essa tecnologia em veículos como Fiat Pulse, Fastback, Peugeot 208 e 2008, com planos de expandi-la para outros modelos das marcas do grupo. Embora não seja considerada a solução definitiva, representa uma alternativa viável e acessível, permitindo que os consumidores iniciem a transição energética. 

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Se em veículos leves a questão do uso de soluções híbridas está mais evoluída, em veículos pesados, as primeiras estão surgindo em devem ser conhecidas, como já divulgamos o projeto interessante da Marcopolo com o Volare Attack 9 Hybrid e o da Scania com a DHL. Voltando ao ônibus híbrido da Iveco, vamos conhecê-lo melhor.  

Arquitetura e componentes principais 

A tecnologia híbrida do Urbanway está integrada diretamente ao seu trem de força, trabalhando em conjunto com o motor a gás. Os componentes-chave são: 

Motor a gás: O coração a combustão do veículo é o motor FPT Cursor 9 NG. Este motor de 8,7 litros, com potências que variam de 310 hp a 360 hp, utiliza gás natural comprimido (GNC), preferencialmente biometano, como combustível. Para atender à norma de emissões Euro VI-e, ele emprega uma tecnologia de combustão estequiométrica e um catalisador de três vias, um sistema mais simples e limpo que não requer a adição de reagentes como ureia (AdBlue, equivalente ao nosso Arla 32) ou sistemas complexos de recirculação de gases de escape (EGR), comuns em motores a diesel.  

A versão de 18 metros do ônibus é equipada com 10 tanques de GNC, totalizando uma capacidade de 1.550 litros para longas autonomias. 

Motor elétrico e bateria: O sistema elétrico opera em baixa voltagem (48V), utilizando uma bateria LTO (Lítio Titanato) instalada no teto do veículo. Esta bateria é conhecida por sua durabilidade e capacidade de carregamento e descarregamento rápido. O motor elétrico/gerador de 35 kW (pico) atua em três funções principais: 

  1. Motor de arranque: Liga o motor a GNC de forma silenciosa e instantânea.
  2. Gerador de energia: Converte a energia cinética da frenagem em eletricidade.
  3. Reforço (Boost): Fornece um torque adicional para auxiliar o motor a combustão durante a aceleração. 

Transmissão: A transmissão Voith DIWA NXT é o elemento que conecta o motor a combustão e o motor elétrico às rodas. Ela é o cérebro da operação híbrida, gerenciando o fluxo de energia e permitindo a transição entre os diferentes modos de operação. 

Modos de operação e lógica do sistema 

O Sistema de gerenciamento de energia (EMS) controla a operação do ônibus, otimizando o consumo de combustível e reduzindo as emissões. Os principais modos de operação são: 

Modo de frenagem e desaceleração: Durante a frenagem, o motor elétrico/gerador entra em ação para converter a energia cinética em eletricidade. Essa energia é armazenada na bateria LTO, processo conhecido como frenagem regenerativa. 

Modo de reforço (Boost): Em acelerações e saídas de paradas, o motor elétrico fornece torque adicional para auxiliar o motor a GNC. Isso não apenas melhora o desempenho do veículo, mas também permite que o motor a combustão opere em uma faixa de rotação mais eficiente. 

Modo stop & start: Quando o ônibus para em pontos ou semáforos — chamado de farol em São Paulo, sinal no Rio, sinaleira no Sul —, o motor a GNC desliga automaticamente, eliminando ruído e emissões. O motor elétrico, alimentado pela bateria, mantém os sistemas auxiliares (como ar-condicionado e direção hidráulica) em funcionamento. 

Modo arrive & go: Este é o modo mais notável do sistema. O motor a GNC desliga e o ônibus se move exclusivamente com o motor elétrico quando se aproxima ou se afasta das paradas, em velocidades abaixo de 20 km/h. Isso resulta em uma experiência mais silenciosa e livre de emissões em áreas de alta circulação de pedestres. 

Vantagens e Benefícios 

O Urbanway Hybrid CNG oferece vantagens significativas em comparação com as versões tradicionais. Graças à tecnologia híbrida, a redução de emissões de CO2 chega a 23% abastecido com GNC de origem fóssil e a até 80% quando o veículo é abastecido com biometano. O sistema mild hybrid também proporciona uma economia de combustível substancial, contribuindo para uma redução de até 15% no custo total de propriedade (TCO) em relação à geração anterior de ônibus híbridos completos (full hybrid). 

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Caminhoneiros do Brasil: um livro, um documentário e centenas de histórias na bagagem

Em comemoração ao centenário da marca e com o objetivo de valorizar ainda mais os caminhoneiros — clientes fundamentais para seus produtos —, a Mobil Delvac lançou o projeto cultural “Caminhoneiros do Brasil”, iniciativa que resultou na publicação de um livro e na produção de um documentário que retratam a realidade desses profissionais. A estreia do projeto aconteceu no dia 18 de setembro, no Posto Graal 56, reconhecido pela acolhida aos trabalhadores do transporte rodoviário de carga, e contou com a cobertura da Frota News. 

O evento contou com a participação de dezenas de caminhoneiros, que receberam exemplares do livro, além de outros brindes. Os jornalistas Pedro Trucão e Paula Toco, do Programa Pé na Estrada, garantiram a interatividade entre todos e realizaram a distribuição de diversos litros de óleo aos participantes. As atividades promoveram intensa troca de experiências e conhecimento entre os profissionais, fortalecendo o reconhecimento e a valorização da categoria. 

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A iniciativa contou ainda com a participação dos Caminhoneiros Surdos do Brasil (CBS), entidade que representa um grupo de profissionais do volante frequentemente negligenciado nas ações do setor. O envolvimento da CBS evidencia a preocupação do projeto em dar visibilidade à diversidade que compõe a categoria, destacando histórias e desafios pouco conhecidos pelo público em geral. Este tema será abordado de forma mais aprofundada em futuros artigos da Frota News, que pretende trazer relatos e informações relevantes sobre a atuação dos caminhoneiros surdos no país. 

Caminhoneiros do Brasil
A transformação da realidade dos caminhoneiros em cultura

Durante a celebração do projeto, a coordenadora de marketing B2B da Mobil Delvac, Renata Vitiello, em entrevista ao Frota News, compartilhou detalhes sobre a iniciativa. Segundo ela, a marca celebra 100 anos no Brasil e no mundo, e o projeto “Caminhoneiros do Brasil” é uma das iniciativas que buscam valorizar a profissão e foi construída em parceria com a produtora Barro de Chão. A partir desta estreia, vai para uma rodada itinerante pelo país para exposições e exibições. A iniciativa foi viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura, vai além de uma simples homenagem: trata-se de um importante registro social sobre o cotidiano dos caminhoneiros brasileiros. 

As histórias por trás da carga 

O cerne do projeto reside nas centenas de entrevistas realizadas com caminhoneiros de diferentes regiões do Brasil. Esses depoimentos ultrapassam a simples descrição da rotina de trabalho e revelam aspectos culturais, emocionais e humanos presentes na vida nas estradas. As narrativas trazem relatos de sacrifícios, sonhos e mostram a conexão profunda desses profissionais com o país que ajudam a movimentar. A iniciativa registra e preserva as vozes e os rostos daqueles que, quilômetro após quilômetro, asseguram o abastecimento nacional. 

O conteúdo coletado foi transformado em três formatos distintos e acessíveis: 
  • Livro: Uma obra que reúne os relatos e as fotografias, servindo como um documento que preserva as memórias e a cultura da categoria. 
  • Documentário: Um filme que dá vida às histórias, permitindo que o público ouça as vozes e sinta a emoção dos caminhoneiros. 
  • Exposição fotográfica itinerante: Uma mostra que leva as imagens e as histórias a diferentes cidades, com o objetivo de aproximar a sociedade da realidade desses profissionais. A primeira exposição acontece em um posto de rodovia de São Paulo e, em seguida, seguirá um circuito por outras localidades. 

Um reconhecimento necessário 

A falta de mão de obra, as longas jornadas e os riscos nas estradas são desafios diários para a categoria. O projeto “Caminhoneiros do Brasil” é um passo importante para chamar a atenção para essas questões, ao mesmo tempo que destaca a dignidade e a importância da profissão. Mais do que parceiros na estrada, como destaca Marília Goldschmidt, gerente executiva de marketing da Mobil, os caminhoneiros são parte da história da empresa, que há mais de um século atua no segmento de transportes. 

 

Rodobens projeta expansão no agro e aposta em digitalização de frotas, diz José Reche

Com 75 anos de presença no Brasil, a Rodobens se consolidou como a maior rede de concessionárias Mercedes-Benz no segmento de veículos comerciais. São 25 casas  distribuídas nas principais rotas do transporte rodoviário de cargas e passageiros, com forte atuação no agro, na logística e soluções de mobilidade urbana. 

Para entender como a companhia enxerga o mercado de caminhões, ônibus e vans, a Frota News conversou com José Reche, diretor de Veículos Comerciais da Rodobens. Na entrevista a seguir, ele fala sobre a participação de mercado, os desafios no segmento pesado, o lançamento do caminhão Axor, o futuro dos ônibus elétricos, a versatilidade da Sprinter, o impacto da agenda ESG e a necessidade urgente de qualificar mão de obra para o setor. 

Estrutura e representatividade

Frota News – Qual é hoje o tamanho da rede Rodobens no segmento de veículos comerciais? 

José Reche – Nós somos a maior rede de concessionários Mercedes-Benz do Brasil. Temos 25 casas distribuídas pelo Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, acompanhando as principais rotas de grãos e de mineração. Atendemos caminhões, ônibus e vans, com centros especializados para cada linha. Essa estrutura representa cerca de 21% do varejo Mercedes em 2025, e acreditamos chegar a 22% até o fim do ano. 

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Pós-venda e oficinas dedicadas

Frota News – O pós-venda é apontado como diferencial da Rodobens. Como ele está estruturado? 

José Reche – Hoje contamos com 16 oficinas dedicadas dentro de clientes, chamadas MDW. São nove para caminhões, duas para vans e quatro para ônibus. A vocação é muito forte para o agro: atendemos grandes transportadores de grãos, usinas de cana e também operações urbanos, como em Rio Preto e Salvador. Além disso, temos parcerias em mineração, inclusive oficinas voltadas ao transporte de funcionários. 

 Vocação para o agro

Frota News – O agronegócio responde por 40% das vendas da Mercedes no Brasil. Essa proporção se reflete também na Rodobens? 

José Reche – Estamos muito próximos disso. O agro tem enorme peso na nossa operação. Nossas oficinas dentro de clientes são, em grande parte, voltadas a transportadores de grãos e usinas de cana. Mesmo quando atendemos operadores logísticos que não transportam grãos diretamente, muitos movimentam insumos agrícolas. 

 Mercado de pesados

Frota News – O mercado de caminhões pesados vem passando por retração. Como a Rodobens sente esse cenário? 

José Reche – O mercado está mais desafiador e requer criatividade. Não é um problema só da Rodobens, mas do segmento de pesados em geral. No entanto, conseguimos compensar parte da retração com outros setores, como a distribuição de bebidas e a logística porta a porta. Ainda assim, sabemos que há grande potencial de crescimento no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. 

Crescimento em pneus

Frota News – A Rodobens também é referência em pneus. Qual o balanço de 2025? 

José Reche – Nós somos o maior revendedor autorizado Michelin do Brasil. É uma parceria de mais de 40 anos. Em 2025 crescemos 9,2% em relação a 2024, mesmo em um cenário difícil para os pesados. Isso mostra a força da diversificação. 

O novo caminhão Axor 

Frota News – Como a chegada do Axor pode impactar o mercado e os resultados da Rodobens? 

José Reche – O Axor preenche uma lacuna importante da Mercedes-Benz. É um caminhão competitivo em preço e robustez, voltado a operações de porta-contêiner e carga fracionada. Em 2025, a produção ainda é modesta, mas em 2026 teremos maior volume e poderemos disputar com mais força o segmento que havia ficado descoberto quando saímos do Axor direto para o Actros. 

Leia mais sobre o Axor:

Novo Mercedes-Benz Axor Euro 6 mira segmento de pesados de entrada a partir de R$ 698 mil

Financiamento e novos perfis de compra

Frota News – Como está o mix de financiamento atualmente: Finame, consórcio e recursos próprios? 

José Reche – O consórcio representa de 10% a 12% dos negócios. O Finame segue relevante, mas percebemos crescimento nas compras com recursos próprios, especialmente de transportadoras globais. Muitas empresas dos EUA e da China trazem capital externo, o que aparece para nós como pagamento à vista, mas é, na prática, um financiamento realizado no país de origem.  

ESG e geopolítica

Frota News – As grandes transportadoras globais pressionam pela agenda ESG. Como isso se reflete no Brasil? 

José Reche – Em 2024 havia um apelo maior pela transição energética. Mas em 2025 vemos cautela. A geopolítica pesa: risco de falta de gás na Europa, excesso de diesel russo no mercado… Tudo isso trava decisões. Não é que o ESG tenha parado, mas há prioridades mais urgentes. O setor espera um cenário mais claro para retomar investimentos em gás, biometano e até elétricos com mais força. 

Falta de mão de obra

Frota News – A Confederação Nacional da Indústria projeta déficit de 3 milhões de profissionais em logística até 2027. Como a Rodobens enfrenta esse desafio? 

José Reche – Sentimos isso na prática. Só em 2025 contratamos 220 pessoas para reforçar o pós-venda, mas é muito difícil encontrar técnicos qualificados em diagnóstico, elétrica e mecânica. Por isso, reestruturamos nossa universidade corporativa. Antes voltada a cursos comerciais, agora passa a oferecer formação em mecânica e elétrica. É um equilíbrio difícil porque também formamos mão de obra que pode migrar para concorrentes, mas não há alternativa. 

Treinamento digital de motoristas

Frota News – Um dos pontos críticos é a adaptação rápida de motoristas a diferentes marcas de caminhões. Como lidar com isso? 

José Reche – É uma realidade. Muitas vezes um motorista de Scania precisa assumir um Mercedes, ou vice-versa, sem tempo para treinamento. Defendemos o uso de tecnologia embarcada para oferecer pílulas digitais de conhecimento: tutoriais básicos no painel multimídia, ensinando torque, troca de marchas ou ajustes eletrônicos. Isso daria mais segurança e eficiência para as frotas. 

Ônibus urbanos e elétricos

Frota News – Como vocês avaliam o mercado de ônibus urbanos, especialmente com a chegada dos elétricos? 

José Reche – O diesel hoje concentra 90% do mercado em poucos players. Mas o elétrico já atrai até nove competidores. Por isso contratamos um gerente-geral focado exclusivamente em soluções de mobilidade de passageiros. Apostamos em grandes capitais como São Paulo, Salvador, Recife e Belém, que têm vocação para adotar a tecnologia. Queremos oferecer veículo e suporte técnico completo.  

Sprinter e personalização

Frota News – E quanto à linha Sprinter, qual a estratégia? 

José Reche – A Sprinter é extremamente versátil. Temos versões customizadas para transporte de funcionários na mineração, operações urbanas e até agro. Criamos centros especializados em vans e um atendimento pós-venda dedicado para cada tipo de cliente. A personalização é o caminho. 

Perspectivas

Frota News – Para fechar, quais são os próximos passos da Rodobens? 

José Reche – Vamos consolidar o crescimento no varejo Mercedes, investir em digitalização e fortalecer o pós-venda. Nosso foco é oferecer soluções completas em caminhões, ônibus e vans, sempre próximos ao cliente e preparados para o futuro da mobilidade. 

Leia a revista digital:

edição 51
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Reforma tributária: o que realmente se esconde por trás do “Imposto do Pecado”?

Ninguém está seguro de que Brasília está fazendo uma reforma tributária ou somente empurrou o problema para as próximas gerações, aumentando o chamado “Custo Brasil” vai aumentar. Nenhum setor da economia está satisfeito e compreendeu o que é a reforma, e se realmente é uma reforma. Nas redações dos meios de comunicação chegam, constantemente, comunicados que confirmam isso. O mais recente veio da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A entidade divulgou um comunicado demonstrando grande preocupação, principalmente, com o chamado “Imposto Seletivo”.   

Leia o comunicado na íntegra: 

O Imposto Seletivo é um dos temas que mais preocupa o setor automotivo neste momento, trazendo grande grau de imprevisibilidade para fabricantes, fornecedores, distribuidores e toda a cadeia. “Se algo tem tirado nosso sono é esse tributo, previsto no âmbito da Reforma Tributária a partir de janeiro de 2027”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). 

“Estamos a menos de um ano e meio do início da vigência das novas regras e ainda não temos ideia da carga tributária que incidirá sobre os nossos produtos. Ao fim, podemos ter aumento de carga de impostos para os automóveis, o que não era a proposta original do governo”, alertou o dirigente. 

 A declaração de Calvet foi feita durante o painel de encerramento do ABX25, evento promovido pela Automotive Business no São Paulo Expo, e endossada pelos outros palestrantes, todos CEOs de grandes empresas: Rafael Chang, da Toyota América Latina, Ciro Possobon, da Volkswagen Brasil, Mauro Correia, da HPE, e Martin Galdeano, da Ford América do Sul, além de Diego Fernandes, COO da GWM Brasil. 

O Imposto Seletivo deverá incidir de forma complementar a outros tributos sobre automóveis de todos os tipos de motorização, o que, segundo a Anfavea, terá potencial para afastar compradores de modelos novos, prolongando o uso de modelos com maior tempo de rodagem, menos seguros e mais poluentes – totalmente na contramão da atual política industrial do próprio governo federal, o Mover, que incentiva investimentos em produtos cada vez mais limpos e com itens de segurança de última geração. 

Calvet também destacou a necessidade de avançar rapidamente nas regulamentações do programa Mover. “Temos uma grande lista de normas a serem publicadas. O Mover ainda não é o grande marco, porque ainda não foram concluídas todas as regulamentações. Previsibilidade era e segue sendo a palavra-chave.” 

Apesar do atual cenário adverso, nenhuma empresa sinalizou até o momento algum tipo de revisão dos investimentos, estimados em R$ 190 bilhões na soma de fabricantes e fornecedores. “Nosso setor é resiliente. Batemos em agosto o recorde de emplacamentos de novas tecnologias, 11% do mercado interno, sendo que um quarto desse montante já é composto por veículos fabricados no Brasil”, finalizou o presidente da Anfavea. 

Conheça o novo eixo autodirecional AXYS4 da Suspensys para veículos pesados

A Suspensys, empresa da Randoncorp, lançou o eixo autodirecional AXYS4 com suspensão pneumática. O produto conta com novas bolsas pneumáticas e barra de ligação otimizada. “A linha AXYS nasce de um novo projeto, que vai além da engenharia do produto. É uma nova geração pensada para atender às demandas reais das estradas brasileiras”, afirma o diretor-executivo da Suspensys, Ricardo Barion. 

O nome da nova família faz referência direta ao “eixo”, tanto do ponto de vista técnico (derivado do inglês axle ou axis) quanto simbólico, aliado ao sufixo YS, de Suspensys, e ao número 4, que destaca a inovação permitida pela nova legislação e a posição técnica do produto como um 4º eixo. A estratégia de nomeação também prepara terreno para os próximos lançamentos da linha, que vai unificar toda a gama pneumática da marca sob uma arquitetura clara, robusta e de fácil identificação no mercado. 

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TranspoSul — Em parceria com a concessionária Volvo Dipesul, a Volvo do Brasil estará em mais uma edição da Transposul, considerada a maior feira de transporte e logística do Sul do Brasil, que acontece de 23 a 26 de setembro, em Porto Alegre (RS). No evento, estarão expostos os modelos FH 540 6×4, FH 500 6×2 e VM 360 8×2. Além disso, haverá uma área dedicada aos Seminovos Volvo. 

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Nacionalização de componentes — A ZF anunciou a nacionalização da produção da Unidade de Controle Eletrônico (ECU) para sistemas de freios de veículos comerciais. Produzida na planta de Limeira (SP), a ECU permite funções avançadas de segurança, como controle eletrônico de estabilidade (ESC), ABS, assistente de partida em rampa e controle de tração, sendo o ESC obrigatório em veículos pesados desde o início de 2025. A iniciativa fortalece a cadeia produtiva local, amplia a competitividade das montadoras, elimina processos de homologação de tecnologias importadas e garante maior índice de nacionalização.  

Antecipação de insumos na Zona Franca de Manaus abre oportunidades logísticas

O Polo Industrial de Manaus (PIM) está se preparando para atravessar a estiagem amazônica de 2025 sem comprometer suas linhas de produção. A estratégia tem sido antecipar a importação de insumos, evitando gargalos logísticos que nos últimos dois anos afetaram a navegação nos rios da região. Esse movimento, embora motivado por um desafio local, abre uma janela de oportunidades para operadores de transporte e logística em outras partes do Brasil, já que a demanda por alternativas de escoamento e abastecimento tende a se intensificar.

Segundo o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), o faturamento da Zona Franca de Manaus (ZFM) já alcançou R$ 99 bilhões no primeiro semestre de 2025, alta de quase 14% em relação ao ano anterior. A previsão é de que o faturamento anual chegue a R$ 240 bilhões, impulsionado por setores como motocicletas, eletroeletrônicos, ar-condicionado e plásticos. Para atender a esse ritmo de crescimento e reduzir riscos, as empresas têm buscado maior previsibilidade na cadeia de suprimentos, o que exige operações mais ágeis e diversificadas de transporte.

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Expansão da demanda logística nacional

A antecipação de importações já trouxe reflexos: somente em julho, as compras externas da ZFM cresceram 27%, movimentando quase US$ 1,4 bilhão, segundo o Painel Econômico do Amazonas. Essa concentração de cargas amplia as possibilidades de atuação de transportadores rodoviários e operadores multimodais em estados como Pará, Rondônia, Acre, além das rotas de integração com o Sudeste e o Nordeste.

Com as dificuldades fluviais previstas para os próximos meses, cresce a importância de corredores alternativos – como a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, e a BR-174, em direção a Roraima e Venezuela – além do uso de centros de distribuição em estados vizinhos para armazenagem estratégica. Para transportadoras e operadores logísticos de todo o Brasil, isso significa novas demandas por frota dedicada, soluções intermodais e gestão de estoques.

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Confiança empresarial reforça projeções

O cenário de otimismo também ajuda a sustentar esse movimento. O Índice de Confiança do Empresário Industrial no Amazonas (ICEI-AM) marcou 61,48 pontos em julho, bem acima da média nacional de 46,1 pontos, apurada pela CNI. A leitura do CIEAM é que a confiança do empresariado local está apoiada não apenas na retomada das importações, mas também na estabilidade logística construída ao longo dos últimos dois anos de estiagens severas.

Para André Ricardo Costa, Coordenador de Indicadores do CIEAM, esse contexto projeta um segundo semestre de expansão econômica, no qual a logística será peça-chave. “O setor industrial demonstra capacidade de adaptação, assegurando cadeias produtivas mesmo diante de riscos. Esse movimento reforça a confiança no desempenho do Amazonas e abre espaço para parcerias estratégicas com operadores logísticos em todo o país”, afirma.

Oportunidade para operadores de transporte

Diante desse cenário, os operadores de transporte e logística podem enxergar na Zona Franca de Manaus um mercado em ascensão, disposto a investir em soluções integradas que garantam agilidade, redução de custos e resiliência. A antecipação de insumos, ao invés de ser apenas uma medida preventiva, está se transformando em uma alavanca para ampliar redes de distribuição, consolidar rotas alternativas e criar novas oportunidades de negócios em todo o território nacional.

 

Marcopolo sobe 29 posições no Ranking Valor 1000 das maiores empresas do País

A Marcopolo ocupa a 158ª posição no ranking geral do Valor 1000, que elenca as 1.000 maiores empresas do país. O levantamento é realizado pelo jornal Valor Econômico em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. Segundo a fabricante, o destaque no ranking é resultado do crescimento contínuo no mercado brasileiro e da expansão global na oferta de soluções em mobilidade. O avanço representa uma subida de 29 posições em relação ao estudo anterior. 

“Nossa estratégia de expansão e diversificação dos negócios, tanto no Brasil quanto no exterior, aliada ao foco em inovação, tecnologia e capacitação profissional, tem nos proporcionado resultados expressivos ano após ano”, afirma André Vidal Armaganijan, CEO da Marcopolo. 

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Vipal Borrachas

A Vipal Borrachas é outro destaque do setor automotivo, figurando entre as 1.000 maiores empresas do país e conquistando o primeiro lugar na categoria Plásticos e Borrachas. “Estar novamente no ranking Valor 1000 é motivo de orgulho e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido”, ressalta Renan Batista Patricio Lima, CEO da Vipal Borrachas. 

Segundo Lima, a companhia, que completa 52 anos, tem buscado evoluir acompanhando as transformações do mercado global. “Para os próximos anos, nosso foco está em aprimorar o modelo de gestão, com governança atualizada e transparente. Queremos manter o crescimento de forma sustentável sem perder os valores que nos trouxeram até aqui”, destaca o executivo. 

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Total Express

Na categoria Logística, a Total Express foi um dos destaques do ranking Valor 1000, figurando entre as dez primeiras em indicadores como rentabilidade, evolução da receita líquida e cobertura de juros. No ranking geral, a empresa ocupa a 594ª posição, com receita líquida de R$ 1,75 bilhão em 2024, crescimento de 4,9% em relação ao ano anterior. 

Critérios do ranking

De acordo com a organização do prêmio Valor 1000, a análise das empresas considera seis indicadores contábeis e financeiros, como receita líquida, evolução média da receita nos últimos cinco anos, nível de endividamento e capacidade de pagamento de juros, além das práticas ESG. Dessa forma, as líderes setoriais se destacam não apenas pelos resultados financeiros, mas também pelo compromisso com questões ambientais, sociais e de governança. 

Na 25ª edição do Valor 1000, as 1.000 maiores empresas registraram receita líquida conjunta de R$ 7,9 trilhões em 2024, representando crescimento nominal de 8,2% em relação a 2023.