Setor de operadores logísticos registra avanço na integração de modais, expansão territorial e geração de empregos, segundo novo Perfil dos OLs no Brasil
Os Operadores Logísticos (OLs) movimentaram R$ 247 bilhões em 2025, quando ampliaram a oferta de serviços multimodais e alcançaram a maior presença territorial no País, conforme revela a nova edição do estudo Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil. O levantamento, realizado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) a pedido da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), foi divulgado neste mês de setembro e mostra que 20% das cargas processadas passaram por dois ou mais modais, em um contexto de busca por maior eficiência na matriz de transportes. O mapeamento, conduzido a cada dois anos, detalha como o setor evolui, por que a multimodalidade ganha espaço e de que forma os operadores estruturam suas operações.
O estudo aponta que 31% dos OLs já oferecem serviços envolvendo mais de um modal, índice que chega a 44% entre os grandes operadores. A pesquisa também indica que, apesar do avanço, a multimodalidade ainda enfrenta barreiras de infraestrutura, disponibilidade de ativos e integração regulatória. Em termos de carga, 80% das operações seguem concentradas em apenas um modal, enquanto 17% utilizam dois e 3% três ou mais. O rodoviário permanece dominante, presente em 94% das operações, seguido pelo aéreo nacional (21%), aéreo internacional (8%), marítimo internacional (7%), cabotagem (7%), ferroviário (5%) e hidroviário (3%).

O setor reúne cerca de 1.500 operadores, número 15% superior ao registrado na edição anterior. O faturamento cresceu 18% e 64% das empresas ampliaram sua área de atuação. Os 32 associados da ABOL somam R$ 45 bilhões em receita, o equivalente a 18% do mercado, enquanto 17% dos maiores OLs concentram 77% do faturamento total. A abrangência territorial também avançou: 31% atuam nas cinco regiões brasileiras e 31% oferecem logística internacional. O Sudeste concentra 98% das instalações, seguido pelo Sul (79%), revertendo tendência de crescimento antes observada no Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
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A diversidade de segmentos atendidos reflete a capilaridade do setor. Em 2025 e 2026, automotivo e autopeças (69%), cosméticos (62%) e eletroeletrônicos (59%) lideraram a demanda por serviços logísticos, substituindo o mercado de bebidas, que ocupava a primeira posição em edições anteriores. A pesquisa também mostra que operadores multimodais atendem, em média, 12 estados e 11 setores econômicos, enquanto os não multimodais alcançam 10 estados e sete segmentos.
A geração de empregos acompanhou a expansão. Em 2025, os OLs foram responsáveis por 983 mil postos diretos e 2,8 milhões considerando empregos indiretos e cadeias periféricas, o equivalente a 2,7% da população ocupada no Brasil. A arrecadação tributária somou R$ 57 bilhões, sendo R$ 8,5 bilhões provenientes dos associados da ABOL. Cerca de 70% dos operadores registraram crescimento de receita e carteira de clientes, acompanhado por contratações e novos investimentos. A margem de lucro, porém, avançou em ritmo inferior ao faturamento, pressionada principalmente pelos custos com combustíveis: 44% reajustaram preços abaixo da alta das despesas e apenas 34% conseguiram repasse similar ou superior.
Os investimentos se concentraram em softwares (83%) e modernização de instalações (78%). A frota passou a ser foco de 64% das empresas, seja por aquisição ou leasing. Na área de pessoas, 89% investiram em qualificação, embora o valor médio por funcionário tenha diminuído em relação a 2024. A contratação via CLT permanece predominante, representando 80% das relações de trabalho.
A pesquisa também avaliou os principais entraves à multimodalidade. Ferrovias e hidrovias receberam as piores notas de infraestrutura, com médias de 3,2 e 3,4 em escala de zero a dez. Nos terminais, barreiras regulatórias foram apontadas como gargalos em unidades aéreas, portuárias e alfandegárias, enquanto a baixa disponibilidade foi o principal problema nos terminais ferroviários e hidroviários. Em relação à habilitação como Operador de Transporte Multimodal (OTM), emitida pela ANTT, 38% possuem o registro, mas 21% ainda não operam efetivamente com mais de um modal.
Para a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha, os resultados reforçam a necessidade de integração entre infraestruturas e políticas públicas. Segundo ela, “o Brasil ainda pensa muito em modais e pouco em logística integrada. Os dados mostram que precisamos mudar essa lógica. Não basta ter rodovia, ferrovia, hidrovia, porto e aeroporto, é preciso que essas infraestruturas se conectem de forma eficiente. Os Operadores Logísticos estão justamente no centro dessa integração por enxergar toda a cadeia. Por isso, ampliar a multimodalidade não é apenas uma agenda do nosso setor, mas uma agenda de produtividade e competitividade para o País”.
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