Descarte correto ainda é desafio no país, mas iniciativas de educação e logística reversa ampliam a reciclagem de lixo eletrônico
Em um mundo onde se fala cada vez mais sobre transição energética, descarbonização e redução de emissões, existe uma discussão igualmente importante que nem sempre recebe a mesma atenção: a forma como consumimos e descartamos os equipamentos eletrônicos que fazem parte do nosso dia a dia. Afinal, o que acontece com uma televisão antiga, um computador quebrado, um rádio sem conserto ou aquele celular esquecido na gaveta? Você sabe qual é o destino correto desses produtos?

Para entender melhor os desafios da logística reversa e o papel da reciclagem de eletroeletrônicos no Brasil, a Frota News conversou com Bruno Serafini, analista institucional da ABREE. Confira a entrevista a seguir e o vídeo neste link..
Frota News: Como funciona o financiamento da associação?
Bruno Serafini: A ABRE é uma entidade sem fins lucrativos. Os custos operacionais são financiados pelas empresas associadas de forma proporcional ao volume de produtos que cada uma coloca no mercado. Quem comercializa mais produtos contribui mais, enquanto quem comercializa menos contribui proporcionalmente menos.
Frota News: Com o aumento da eletrificação e da presença de equipamentos eletrônicos nas residências, como conscientizar a população sobre o descarte correto desses produtos?
Bruno Serafini: Esse é, sem dúvida, o maior desafio do setor atualmente. A ABRE acredita que a educação é o principal caminho. Desenvolvemos iniciativas como o ABRE para Educação e o ABRE Pro Novo, além de parcerias como a realizada com o Iberê, do Manual do Mundo, mostrando todo o processo de coleta e logística reversa.
Nosso objetivo é conscientizar a população sobre a importância de descartar eletroeletrônicos nos pontos de coleta adequados, e não no lixo comum. Esse trabalho tem apresentado resultados: a cada ano aumentamos o volume de resíduos coletados e ampliamos as campanhas realizadas em parceria com prefeituras. É um trabalho contínuo, mas que vem trazendo resultados importantes para a conscientização da sociedade.
A discussão sobre descarbonização e sustentabilidade vai muito além da indústria, dos veículos eletrificados ou das grandes empresas. Ela também começa dentro de casa, nas pequenas atitudes do dia a dia.
O descarte correto de eletroeletrônicos, eletrodomésticos, pilhas, baterias e outros equipamentos tecnológicos é uma responsabilidade compartilhada. Cada produto destinado aos pontos de coleta adequados representa menos resíduos descartados de forma irregular, mais materiais retornando à cadeia produtiva e menores impactos ao meio ambiente.
Criar essa cultura de responsabilidade é um dos grandes desafios da logística reversa no Brasil. Mais do que ampliar a infraestrutura de coleta, é necessário conscientizar a população de que a sustentabilidade depende da participação de todos. Afinal, cada escolha individual tem reflexos coletivos.
Quando falamos em um futuro mais sustentável, é importante lembrar que a descarbonização também passa pelos hábitos que cultivamos dentro de nossas casas. O cuidado com o destino dos resíduos eletrônicos é um gesto simples, mas que contribui diretamente para a preservação dos recursos naturais e para a construção de uma economia cada vez mais circular.

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