O destino do lixo eletrônico no Brasil: como a ABREE estrutura a logística reversa e impulsiona a economia circular

Descarte correto ainda é desafio no país, mas iniciativas de educação e logística reversa ampliam a reciclagem de lixo eletrônico

Em um mundo onde se fala cada vez mais sobre transição energética, descarbonização e redução de emissões, existe uma discussão igualmente importante que nem sempre recebe a mesma atenção: a forma como consumimos e descartamos os equipamentos eletrônicos que fazem parte do nosso dia a dia. Afinal, o que acontece com uma televisão antiga, um computador quebrado, um rádio sem conserto ou aquele celular esquecido na gaveta? Você sabe qual é o destino correto desses produtos?

Os eletroeletrônicos não devem ser descartados no lixo comum, pois contêm materiais que podem causar danos ambientais e componentes que podem ser reaproveitados por meio de reciclagem especializada. A legislação brasileira determina regras específicas para o descarte desses produtos, distribuindo responsabilidades entre fabricantes, importadores, comerciantes, consumidores e empresas encarregadas da destinação final dos resíduos.

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Nesse cenário, a ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos – atua estruturando e operando o sistema de logística reversa no país. A entidade conecta indústria, varejo e consumidores, garantindo que os equipamentos descartados tenham destino ambientalmente adequado. Reunindo grandes fabricantes e importadoras, a ABREE coordena uma rede nacional de pontos de recebimento que permite o descarte gratuito de produtos em fim de vida útil, encaminhando-os para desmontagem, reciclagem e reaproveitamento, evitando que resíduos poluentes cheguem a aterros ou ao meio ambiente.

O relatório Global E-waste Monitor, ligado à ONU, mostra que o Brasil produz cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, ocupando a quinta posição entre os maiores geradores do mundo. Apesar do volume expressivo, apenas uma pequena parte desses resíduos recebe tratamento adequado. 

lixo eletrônico
Bruno Serafini, analista institucional da ABREE

Para entender melhor os desafios da logística reversa e o papel da reciclagem de eletroeletrônicos no Brasil, a Frota News conversou com Bruno Serafini, analista institucional da ABREE. Confira a entrevista a seguir e o vídeo neste link..

Frota News: Como funciona o financiamento da associação?

Bruno Serafini: A ABRE é uma entidade sem fins lucrativos. Os custos operacionais são financiados pelas empresas associadas de forma proporcional ao volume de produtos que cada uma coloca no mercado. Quem comercializa mais produtos contribui mais, enquanto quem comercializa menos contribui proporcionalmente menos.

Frota News: Com o aumento da eletrificação e da presença de equipamentos eletrônicos nas residências, como conscientizar a população sobre o descarte correto desses produtos?

Bruno Serafini: Esse é, sem dúvida, o maior desafio do setor atualmente. A ABRE acredita que a educação é o principal caminho. Desenvolvemos iniciativas como o ABRE para Educação e o ABRE Pro Novo, além de parcerias como a realizada com o Iberê, do Manual do Mundo, mostrando todo o processo de coleta e logística reversa.

Nosso objetivo é conscientizar a população sobre a importância de descartar eletroeletrônicos nos pontos de coleta adequados, e não no lixo comum. Esse trabalho tem apresentado resultados: a cada ano aumentamos o volume de resíduos coletados e ampliamos as campanhas realizadas em parceria com prefeituras. É um trabalho contínuo, mas que vem trazendo resultados importantes para a conscientização da sociedade.

A discussão sobre descarbonização e sustentabilidade vai muito além da indústria, dos veículos eletrificados ou das grandes empresas. Ela também começa dentro de casa, nas pequenas atitudes do dia a dia.

O descarte correto de eletroeletrônicos, eletrodomésticos, pilhas, baterias e outros equipamentos tecnológicos é uma responsabilidade compartilhada. Cada produto destinado aos pontos de coleta adequados representa menos resíduos descartados de forma irregular, mais materiais retornando à cadeia produtiva e menores impactos ao meio ambiente.

Criar essa cultura de responsabilidade é um dos grandes desafios da logística reversa no Brasil. Mais do que ampliar a infraestrutura de coleta, é necessário conscientizar a população de que a sustentabilidade depende da participação de todos. Afinal, cada escolha individual tem reflexos coletivos.

Quando falamos em um futuro mais sustentável, é importante lembrar que a descarbonização também passa pelos hábitos que cultivamos dentro de nossas casas. O cuidado com o destino dos resíduos eletrônicos é um gesto simples, mas que contribui diretamente para a preservação dos recursos naturais e para a construção de uma economia cada vez mais circular.

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Filipi Cândido
Filipi Cândidohttps://www.frotanews.com.br
Jornalista e diretor de inteligência de mercado na Frota News, com mais de 10 anos de atuação na construção e posicionamento de marcas em diferentes setores da economia. Ao longo da trajetória, esteve à frente de operações e estratégias nos segmentos de hotelaria e mercado de luxo, com passagens por grupos como LVMH — atuando em marcas como Dior e Guerlain — além do grupo Percassi e de uma experiência internacional como consultor de tendências para grandes marcas de wellness da China. Essa vivência consolidou uma visão integrada sobre comportamento, experiência e geração de valor. Atualmente, atua no setor automotivo e de veículos pesados, com foco em frotas, mobilidade e logística, liderando a produção de conteúdo e estratégias que conectam inteligência de mercado a oportunidades reais de crescimento. Nos últimos anos, aprofundou sua atuação em sustentabilidade e ESG, acompanhando de perto as transformações da indústria e traduzindo esses movimentos em análises que impactam diretamente o posicionamento e a competitividade das marcas.
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