Setor busca atrair a Geração Z para reverter crise de motoristas no transporte rodoviário

O transporte rodoviário de cargas enfrenta uma crise demográfica que ameaça a renovação da força de trabalho no país. Segundo a pesquisa “Perfil e Preferências dos Caminhoneiros”, divulgada em 2025 pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), a idade média dos motoristas profissionais brasileiros chegou a 45,3 anos. Apenas 9,5% dos profissionais têm menos de 30 anos, enquanto 12,9% já ultrapassaram os 60 anos. O debate, agora, foca nos desafios de atrair a Geração Z para o setor.

A falta de jovens na profissão é explicada por fatores identificados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT). Entre os principais motivos de desinteresse estão o preconceito contra a categoria (70%), as baixas remunerações (58%) e as condições de trabalho desfavoráveis (51%).

Leia também:

O impacto da escassez já é sentido nas operações. De acordo com a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), 88% das empresas do setor enfrentam dificuldades para contratar motoristas e agregados, o que resulta em frota ociosa, limitações na expansão logística e maior pressão sobre a produtividade. A entidade aponta a falta de profissionais como a segunda principal barreira ao crescimento do setor.

Diante desse cenário, a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) defende que a renovação da mão de obra seja tratada como prioridade. A entidade identifica a Geração Z — nascida entre 1997 e 2012 — como público estratégico para reverter a tendência de envelhecimento.

Para Carlos Panzan, presidente da FETCESP, a imagem do setor ainda não reflete sua realidade atual. “Muitas pessoas ainda enxergam o setor apenas pela imagem tradicional do caminhão na estrada, sem perceber a evolução tecnológica e profissional que ocorreu nos últimos anos”, afirma. Ele destaca que as empresas já oferecem salários competitivos, benefícios estruturados e operações altamente profissionalizadas, mas reconhece que essa transformação precisa ser comunicada de forma mais clara aos jovens.

A qualificação profissional é apontada como elemento essencial para atrair novos talentos. O setor vive uma fase de modernização que exige operadores preparados para lidar com tecnologias avançadas e novas funções na cadeia logística. Nesse processo, o SEST SENAT desempenha papel estratégico ao investir em formação técnica, saúde, bem-estar e desenvolvimento humano.

Panzan, que também preside o Conselho Regional do SEST SENAT, reforça a importância da entidade na aproximação com as novas gerações. “O SEST SENAT realiza um trabalho extremamente importante ao investir em capacitação profissional, tecnologia, segurança e qualidade de vida”, afirma.

Para a FETCESP, a chave para atrair a Geração Z está em tornar mais visível a modernização já presente no transporte rodoviário de cargas. Hoje, a operação envolve caminhões conectados, rastreamento em tempo real, telemetria, inteligência logística e gestão digital de frota — características valorizadas pelo público jovem, que busca ambientes tecnológicos, mobilidade e oportunidades de crescimento profissional.

A entidade defende que comunicar essa transformação de forma mais assertiva é fundamental para reposicionar a profissão e aproximar os jovens de uma carreira que se tornou mais técnica, conectada e estruturada.

➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInTikTokInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Leia mais:

  • Melhor frota comercial
    A operação brasileira de frotas da ADAMA alcançou projeção internacional ao conquistar o 10º lugar no ranking 100 Best Commercial Fleets in the Americas 2026, promovido pela NAFA Fleet Management Association, reconhecimento que consolida o avanço da companhia em segurança, tecnologia e gestão estratégica. O resultado se soma ao histórico recente da empresa no País: em 2025, a ADAMA já figurava entre as melhores frotas brasileiras no prêmio do Instituto PARAR, quando Anna Paula Mendes, coordenadora de Frotas da ADAMA Brasil, foi eleita a Melhor Gestora de Frotas do Brasil, o que a levou a representar a operação nacional na etapa internacional do NAFA 2026 Institute & Expo, em Cleveland (EUA). Um dos diferenciais destacados é o modelo de segurança veicular baseado em educação, prevenção e uso inteligente de dados, priorizando o reconhecimento de boas práticas e o engajamento dos condutores. Segundo Anna Paula, a gestão de frotas no agro exige adaptação constante e uma cultura sólida de direção responsável, reforçada pelo uso crescente de telemetria e monitoramento para antecipar riscos e orientar decisões. No evento nos Estados Unidos, temas como inteligência artificial, telemetria avançada, gestão orientada por dados e transição energética dominaram os debates, refletindo mudanças que vêm transformando operações de frotas em toda a América.
- PUBLICIDADE -
Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
- Publicidade -
- Publicidade -

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Últimas notícias
você pode gostar:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui