segunda-feira, maio 20, 2024

Entrevista: Operação Mulher Motorista: Ipiranga rompe barreiras no transporte de combustíveis

A Ipiranga, uma das maiores empresas do setor de óleo e gás no Brasil, mostra comprometimento com a promoção da diversidade e da inclusão em um mercado tradicionalmente dominado por homens. Por isso, criou a “Operação Mulher Motorista”, um projeto que tem como objetivo recrutar, treinar e dar autonomia para as mulheres atuarem como motoristas de caminhões de combustível. Para isso, ela conta com a parceria da Fabet São Paulo, fundação de educação no transporte sem fins lucrativos que foi pioneira na criação de cursos para formação de mulheres como condutoras de caminhões.

Para conhecermos mais esta iniciativa, o Frota News entrevistou a vice-presidente de Pessoas e Sustentabilidade da Ipiranga, Luciana Domagala, que revelou em entrevista exclusiva os motivos, os desafios e os resultados dessa ação inovadora. Confira:

  1. Motivação e Propósito:

– Qual foi a principal motivação por trás da iniciativa “Operação Mulher Motorista Ipiranga”?

Luciana Domagala – Nossa principal motivação é a inserção de mulheres na indústria de óleo e gás por meio da educação e da qualificação, incluindo orientações de segurança, condição essencial para esse tipo de trabalho. O Operação Mulher Motorista Ipiranga amplia a oferta de mulheres qualificadas, tanto para nossos transportadores parceiros quanto para a própria Ipiranga, além de proporcionar um impacto positivo nas comunidades próximas das operações da Ipiranga e fortalecer nosso compromisso com política de diversidade e inclusão.

Um bom exemplo do nosso comprometimento é que essa política também se estende internamente, com várias ações afirmativas que visam a diversidade e inclusão na nossa estratégia de negócio. Atualmente, são 33% de mulheres em posições de alta liderança na Ipiranga. Nesse sentido, também realizamos o programa “Operação Mulher”, voltado para a formação de mulheres operadoras com apoio pedagógico do SENAI. Neste ano ocorreu a terceira edição do programa, com qualificação em Cubatão (SP), Duque de Caxias (RJ), Betim (MG), Canoas (RS) e Belém (PA). Em 2022, a Ipiranga realizou formações em Paulínia (SP) e Fortaleza (CE).

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– Como a inclusão de mulheres como motoristas de caminhão de combustível contribui para os objetivos de segurança e eficiência da Ipiranga?

Luciana Domagala – Segurança é um valor inegociável e integra todas as nossas ações.

As alunas foram qualificadas com base nas práticas do nosso Programa de Excelência no Transporte, o Mover, que incentiva as melhores práticas de segurança, nível de serviço, eficiência, estratégia e competitividade do mercado. Trata-se de uma formação que contempla tópicos teóricos importantes para a formação das motoristas, mas que inclui também aulas práticas com parceiro especialista, para que as profissionais da indústria de óleo e gás possam exercer o melhor trabalho possível. Queremos estabelecer novos patamares nas operações logísticas e isso começa na sala de aula.

Com o Operação Mulher Motorista, Ipiranga realiza um passo, mas temos clara consciência de que essa pauta é uma jornada e ainda temos um caminho a percorrer.

  1. Processo de Seleção e Treinamento:

   – Como foi o processo de seleção das 16 mulheres escolhidas para participar do curso?

Luciana Domagala – As inscrições foram feitas por um link externo e as candidatas passaram por um processo seletivo. Além de entrevista online, foi feita a avaliação psicológica e veicular na Fabet de forma presencial. As aulas começaram em outubro e terminaram em novembro de 2023. Ao todo foram recebidas mais de 80 inscrições e 100% das selecionadas completaram o curso. Há possibilidade de parte dessas formandas serem contratadas pelas transportadoras que prestam serviço para a Ipiranga, mediante disponibilidade

Ao final do curso, disponibilizamos os currículos para todos os nossos parceiros transportadores de São Paulo que realizam operação de entrega, para contratação desses mulheres que tiveram sólida formação para o segmento. Com eles, reforçamos a importância do programa e da geração de oportunidades.

   – Pode compartilhar detalhes sobre o treinamento oferecido pela Fabet São Paulo para preparar essas mulheres para as operações de transporte de combustível?

Luciana Domagala – O treinamento foi construído de acordo com as demandas de operações de transporte de produtos inflamáveis, considerando o desenvolvimento e aprimoramento das habilidades e competências técnicas e comportamentais.

O curso contemplou vários módulos, como legislação, responsabilidade civil, segurança veicular, condução responsável, mecânica, entre outros. Também foram incluídas oficinas sobre autogestão financeira, meio ambiente, atendimento ao cliente, ciclos de prática supervisionada e manobras com veículos próprios para o programa. Foram mais de 10 professores especialistas envolvidos no processo de desenvolvimento dessas mulheres.

Ao final do curso, os currículos das alunas são enviados para todos os parceiros transportadores de São Paulo que realizam operação de entrega
  1. Desafios e Oportunidades:

   – Quais são os desafios específicos enfrentados por mulheres que buscam se tornar motoristas de caminhão de combustível?

Luciana Domagala – Durante o curso, em rodas de conversas promovidas com as alunas, elas apontaram como o principal desafio a falta de oportunidades no mercado de trabalho por conta da inexperiência. Além de formação teórica e prática, nosso programa possibilita que transportadoras parceiras da Ipiranga recebam diretamente os currículos das formandas, como forma de contribuir para a superação desse obstáculo para a empregabilidade das mulheres.

A cultura masculina no setor de transportes também pode dificultar a aceitação e a integração das mulheres. Além disso, desafios como a segurança pessoal, o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal – muitas são casadas e cuidam dos filhos –, o acesso à formação e ao emprego e a falta de representação são outros desafios a serem superados.

 – Como a Ipiranga e a Fabet abordam esses desafios e criam oportunidades para o sucesso das mulheres nesse setor?

Luciana Domagala – Ao criar o programa Operação Mulher Motorista, a Ipiranga busca mostrar que é possível criar um ambiente mais inclusivo e quebrar os estereótipos de gênero, que são recorrentes no setor de transporte de carga. A presença de condutoras mulheres capacitadas e certificadas reforça a ideia de que conduzir um transporte é uma habilidade individual e corrobora para a comprovação de que as habilidades técnicas e operacionais não estão relacionadas ao gênero.

Além da capacitação técnica nas melhores práticas do mercado, baseadas no nosso Programa de Excelência no Transporte, as alunas também receberam qualificações como: desenvolvimento de currículos, posicionamento no dia a dia de trabalho e em entrevistas, ética e integridade, além do papel de motivar e contribuir para o desenvolvimento de outras mulheres, conseguindo, assim, buscar suas próprias oportunidades.

  1. Impacto na Indústria e Comunidade:

   – Como a presença de mulheres motoristas impacta a indústria de transporte de combustível?

Luciana Domagala – A diversificação da força de trabalho é um benefício muito grande, uma vez que a inclusão de mulheres traz perspectivas, habilidades e experiências diferentes para o setor. O aumento do número de profissionais disponíveis é crucial para lidar com os desafios operacionais e logísticos, além de melhorar a eficiência e a capacidade de atender à crescente demanda por serviços de transporte de combustível. Dentro do mapeamento feito para o desenvolvimento do curso, um dos pontos levantados é a demora da reposição de motoristas por falta de profissionais no mercado. A partir do momento que qualificamos mulheres, ampliamos o número de profissionais e conseguimos aumentar a oferta às vagas.

   – Há uma conscientização ou mudança de percepção na comunidade em relação às mulheres como condutoras de veículos de carga?

Luciana Domagala – Se observarmos o público direto e que mais apresenta a necessidade dessa demanda, os transportadores, eles reconhecem a importância da geração de oportunidades para as mulheres e como isso aumenta positivamente as ofertas de profissionais no mercado. Quando observamos o setor de transporte de combustíveis, fica evidente a necessidade de profissionais capacitados, por conta de diversos fatores, sendo a segurança o principal. Nosso programa possibilitou a qualificação completa de profissionais que ainda não tinham tido a sua primeira experiência.

  1. Colaboração entre Ipiranga e Fabet:

– Como a parceria entre a Ipiranga e a Fabet foi estabelecida para o desenvolvimento desse programa?

Luciana Domagala – A Fabet é uma instituição renomada e especializada na formação de profissionais para o setor de transportes. Para a nossa primeira turma, buscamos essa parceria. Sobretudo, levando em consideração a expertise deles no desenvolvimento e na qualificação de profissionais.

Temos na Ipiranga a preocupação genuína em promover o desenvolvimento das comunidades onde estamos inseridos e promover a empregabilidade de mulheres. Por isso, reconhecemos a importância da capacitação desse público específico e o incentivo a inclusão feminina no setor.

Acreditamos que esta iniciativa vai inspirar outras organizações a fim de investir no desenvolvimento de mais mulheres e contribuir para novas oportunidades de trabalho, geração de renda e desenvolvimento local.

 – Em que medida a Ipiranga está envolvida no processo de formação e apoio contínuo para as mulheres motoristas?

Luciana Domagala – Ao lado da Fabet, certamente, somos pioneiros na realização de uma capacitação para mulheres motoristas no transporte de combustíveis 100%. O projeto é financiado pelo embarcador, além de sermos os primeiros a fornecer bolsa-auxílio às alunas em uma capacitação como essa.

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  1. Feedback e Resultados Iniciais:

   – Quais são os primeiros resultados ou feedback observados desde o início do curso “Formação de Mulheres Condutoras”?

Luciana Domagala – Já tivemos a contratação de 25% das alunas formadas. Os retornos foram positivos. Além disso, com relatos de ser uma experiência de aprendizado com foco na prática.

– Como a Ipiranga planeja medir o sucesso a longo prazo desse projeto?

Luciana Domagala – A Ipiranga acompanha a taxa de formação das mulheres e de empregabilidade – medidas por meio da avaliação de impacto do projeto –, e mensura o quanto o programa contribui para melhoria do ambiente inclusivo interno na companhia. É importante, certamente, pontuar também a importância da inserção de mais mulheres no setor de óleo e gás. O setor se tornará mais diversificado, por certo, abrirá mais oportunidades e o resultado será evidente.

  1. Possíveis Expansões e Futuro:

   – Existem planos para expandir o programa para incluir mais mulheres no futuro?

Luciana Domagala – Sim, a Ipiranga tem a expectativa de lançar outra edição do Operação Mulher Motorista.

– A Ipiranga tem planos de implementar iniciativas semelhantes em outras áreas ou setores da empresa?

Luciana Domagala – Na Ipiranga, temos o compromisso com o apoio ao desenvolvimento de comunidades onde estamos presentes. Certamente, inclui diversas ações afirmativas que visam a diversidade e inclusão em nossa estratégia de negócio. A fim de contribuir para o desenvolvimento local, temos hoje 22 projetos sociais próprios e incentivados em todo o país, voltados para educação e geração de renda.

Um exemplo de iniciativa semelhante é o Operação Mulher. Por certo, neste temos o propósito de ampliar a empregabilidade de mulheres no setor. Temos um programa desenvolvido em parceria com o SENAI a fim de promover a formação de operadoras de produção. Mais do que formar pessoas para a nossa própria empresa, estamos formando mulheres no entorno das nossas operações. Dessa forma, ampliamos a oferta de profissionais qualificadas para o mercado de trabalho local. Até o momento, tivemos três edições do programa em sete cidades. Recebemos mais de 2.000 inscrições para 140 vagas a fim de formamos 113 novas profissionais.

  1. Engajamento e Apoio:

   – Como a equipe da Ipiranga está apoiando ativamente as mulheres motoristas no dia a dia?

Luciana Domagala – Além dos programas voltados para mulheres já mencionados, Ipiranga, certamente, trabalha para apoiar profissionais do setor. Há 16 anos desenvolve o Saúde na Estrada, por certo, a maior ação nacional itinerante de saúde e responsabilidade social do país com mais de 700 mil atendimentos. Ademais, a iniciativa já rodou cerca de 625 km e passou por mais de 200 municípios, em 22 estados. Houve a realização de 56 mil exames de glicemia, 15 mil bioimpedâncias. Além disso, o envolvimento de mais de 50 mil profissionais voluntários da área da saúde.

Durante a pandemia, houve distribuição de kits de higiene. Além disso, a realização de testes rápidos e aplicação de vacinas. Ainda na pandemia, a Ipiranga, por meio do Saúde na Estrada, ofereceu cerca de 4 milhões de refeições. Foi em uma ação a fim de de troca do Km de Vantagens Caminhoneiro.

   – Há iniciativas de conscientização e engajamento para promover a diversidade e inclusão no setor de transporte de combustível?

Luciana Domagala – Nossos parceiros transportadores contribuíram para a construção do programa. Eles disponibilizam, sobretudo, dados e participam de rodas de conversas, trazendo suas principais percepções sobre o tema. Durante os últimos anos, trabalhamos em conjunto em ações com foco na diversidade e inclusão. Ademais, por meio de webinares, cujo principal objetivo é mostrar o papel da liderança na criação de um time diverso e inclusivo. Nessas sessões, não só a Ipiranga tem momento de fala (com times internos e especialistas), mas os próprios transportadores trazem cases de sucesso.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Sou jornalista no setor da mobilidade desde 1988, com atuações em jornais, nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, como editor da revista Transporte Mundial entre 2002 e maio de 2023, e com experiência em cobertura na área de transporte no Brasil e em cerca de 30 países. Representante do Brasil como membro associado do ITOY (International Truck of the Year), para troca de experiências e conteúdos jornalísticos. Mais, recente começou como colaborador do corpo docente na Fabet (entidade educacional sem fins lucrativos).
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