Em entrevista exclusiva, André Garcia, gerente executivo de Estratégia e Gestão de Produto da Unidade de Motores da Cummins Brasil, traça um panorama completo sobre os aportes no Proconve P8, os desafios dos testes em mundo real, a prontidão de calibração para novas normas e os caminhos da descarbonização
A maior transformação da história e os aportes do Euro 6
“O Proconve P8 exigiu um desafio gigante. É a maior transformação tecnológica da nossa história no Brasil. Foram mais de R$ 170 milhões investidos, mais de 100 engenheiros dedicados exclusivamente ao projeto e mais de 12 milhões de quilômetros de testes acumulados” — comentou André Garcia.
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Redução drástica de poluentes: Queda de até 80% na emissão de óxidos de nitrogênio (NOx) e redução de 50% nas partículas de fuligem em comparação à fase Proconve P7 (Euro 5).
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Ganho em consumo de combustível: Economia de até 10% no consumo de diesel, dependendo da aplicação e severidade da rota.
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Durabilidade e manutenção: Aumento dos intervalos de manutenção preventiva e maior vida útil do trem de força.
Engenharia de precisão: O que muda sob o capô
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Eletrônica avançada: Módulos de processamento com capacidade computacional superior, garantindo leitura e gestão de dados em tempo real com maior velocidade.
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Sistema de injeção e sobrealimentação: Turbinas otimizadas e sistemas de injeção atuando sob pressões substancialmente mais elevadas, assegurando a queima ideal do combustível no interior da câmara de combustão.
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Pós-tratamento integrado: A combinação do sistema SCR (Selective Catalytic Reduction) com o DPF (Diesel Particulate Filter) para capturar fuligem e neutralizar gases nocivos na exaustão.
O desafio do mundo real e a Conformidade em Serviço (ISC)
“Na sala de teste, você controla rigorosamente a temperatura ambiente, a rotação e a carga do motor. No mundo real, o veículo enfrenta variações térmicas extremas, trânsito urbano travado e severidades imprevisíveis. O Euro 6 veio para garantir que o controle de emissões funcione perfeitamente fora do laboratório“, explicou Garcia.
O futuro do Proconve: A transição para a Fase E e o “Ciclo Frio”
Enquanto a frota nacional se consolida no Proconve P8 (equivalente ao Euro 6 Fase C europeu), os debates regulatórios entre o governo e a indústria de veículos pesados já miram a adoção da Fase E do Euro 6.
A grande inovação técnica da Fase E reside na contabilização das emissões registradas durante o “ciclo frio” do motor. Por ser uma máquina térmica, o motor a combustão e o catalisador dependem do aquecimento ideal para alcançar a máxima eficiência de conversão de gases. Na Fase E, a medição começa no exato instante do dar da partida, cobrindo o período em que o sistema ainda está frio.
“Essa fase impacta diretamente operações urbanas e severas, como ônibus urbanos e caminhões vocacionais de distribuição ou construção (betoneiras e coletores de lixo), que operam com paradas constantes ou longos períodos em marcha lenta“, ressaltou o executivo.
Zero impacto físico para os motores Cummins
“Quando a Cummins desenvolveu a arquitetura dos seus motores Euro 6 lançados em 2023, nós já projetamos um sistema capaz de atender da Fase A até a Fase E. Quando o Brasil migrar para a Fase E, os motores Cummins não precisarão de trocas de pós-tratamento, novos filtros ou alterações físicas complexas no motor; a evolução será feita exclusivamente via calibração de software do módulo de controle” — garantiu André Garcia.
Matriz energética: O caminho pragmático da descarbonização
Frente às demandas de transportadores por soluções que reduzam o impacto de caminhões vocacionais parados em marcha lenta — como betoneiras de concreto que mantêm o motor ligado por horas apenas para girar o balão de carga — Garcia abordou a visão da marca para a eletrificação e novas matrizes.
A Cummins adota uma abordagem “agnóstica”, desenvolvendo plataformas multi-combustíveis que abrangem diesel de alta eficiência, biometano, etanol, sistemas híbridos, eixos elétricos (e-axles) e célula de combustível a hidrogênio.
“Cada segmento e aplicação possui uma necessidade operacional e uma disponibilidade de fonte energética distinta. A grande barreira para a adoção em massa de novas tecnologias elétricas ou alternativas em aplicações severas ainda é a maturidade do sistema, a durabilidade comprovada para não parar o cliente e a disponibilidade de infraestrutura de abastecimento”, concluiu André Garcia.
A visão apresentada pelo executivo consolida o motor a diesel de última geração como a espinha dorsal do transporte de cargas nacional nos próximos anos, evoluindo em sincronia com biocombustíveis e abrindo espaço gradativo para a eletrificação em aplicações vocacionais e urbanas sob medida.


