Unidade em Guarulhos (SP) acumulou mais de 18,4 mil ensaios entre 2020 e 2026, ampliou infraestrutura laboratorial e passou a atender requisitos de certificação para diferentes mercados internacionais
O Centro Técnico Brasil (BTC) da Cummins completa 40 anos de atividades em engenharia, desenvolvimento e validação de motores em Guarulhos (SP). Criado em 1986 com os primeiros laboratórios de desenvolvimento e validação da empresa no Brasil, o centro evoluiu de processos predominantemente analógicos para uma estrutura voltada ao desenvolvimento, homologação, certificação e validação de tecnologias destinadas aos segmentos rodoviário, fora de estrada, geração de energia e aplicações industriais. A transformação acompanhou a evolução tecnológica dos motores, as exigências regulatórias e a ampliação da participação da unidade em programas globais da companhia.
Ao longo das quatro décadas, o BTC passou a atuar diretamente no desenvolvimento de novos produtos, validação de componentes, definição de calibrações, nacionalização de sistemas e construção de metodologias utilizadas em programas internacionais da Cummins. Segundo Raphael Lomonaco, líder do BTC da Cummins, a unidade tem como função antecipar desafios tecnológicos antes da chegada de novos produtos ao mercado.
“O Centro Técnico sempre esteve alguns anos à frente dos produtos que chegam ao mercado. Antes que um novo motor entre em produção, ele já passou por milhares de horas de desenvolvimento e validação aqui. Nossa missão sempre foi antecipar desafios e garantir que cada tecnologia esteja preparada para enfrentar as condições reais de operação”, afirma Lomonaco.
Eletrônica embarcada
A evolução da unidade acompanhou as mudanças na indústria automotiva, marcadas pela introdução da eletrônica embarcada, dos sistemas de controle de emissões, do pós-tratamento, da conectividade e das diferentes alternativas energéticas. Esse cenário exigiu laboratórios mais sofisticados, maior capacidade analítica e metodologias capazes de reproduzir condições reais de operação.
A experiência acumulada pelos profissionais também acompanhou esse processo. Marcelo Júlio Hernandes, operador de Dinamômetro Especialista Sr., acompanhou a transição dos processos analógicos para os sistemas digitais de aquisição de dados durante seus 40 anos de atuação na empresa. Já Paulo Macena, mecânico de Motores Especialista Sr. há 36 anos na Cummins, define o laboratório como um ambiente de aprendizagem prática, onde o conhecimento técnico é desenvolvido continuamente por meio da experimentação e da análise de resultados.
As condições operacionais encontradas no Brasil e em outros países da América Latina tiveram papel relevante na evolução das atividades do BTC. Fatores como altitude, topografia, clima, qualidade dos combustíveis, grandes distâncias percorridas e diferentes perfis de utilização contribuíram para o desenvolvimento de metodologias e soluções de engenharia posteriormente incorporadas a programas internacionais da Cummins.
A unidade também ampliou sua atuação para atender diferentes legislações ambientais e processos de certificação. Atualmente, o BTC possui competências para atuar em projetos voltados às legislações EURO III, EURO V e EURO VI, sustentadas pelas certificações internacionais R49.06, R85.05 e R24.05 junto ao Vehicle Certification Agency (VCA), do Reino Unido. O centro foi reconhecido pelo VCA como aderente aos requisitos da ISO 17025 e também atende aos requisitos da ISO 17034. Além disso, a estrutura foi preparada para conduzir ensaios conforme os requisitos das legislações norte-americanas EPA (Environmental Protection Agency) e CARB (California Air Resources Board).
Homologações e certificações
A expansão da engenharia está refletida no volume de atividades realizadas. Entre 2020 e 2026, o BTC contabilizou mais de 18,4 mil ensaios relacionados ao desenvolvimento, homologação, certificação, auditorias e programas de Conformidade de Produção. Entre 2021 e 2025, o volume anual de ensaios registrou crescimento aproximado de 300%. Desse total, 48% dos ensaios estiveram relacionados às exigências do Proconve e 43% às legislações EURO III, EURO V e EURO VI adotadas em diferentes mercados da América Latina.
Valdeci Nascimento, engenheiro da Qualidade Sr. com 41 anos de atuação na Cummins, destaca a integração entre as atividades de desenvolvimento e a produção seriada. “O trabalho não termina quando o teste acaba. O que aprendemos no desenvolvimento precisa chegar à produção de forma consistente para que o produto entregue, na aplicação, aquilo que foi validado pela engenharia. Acompanhar esse caminho, do laboratório até a produção em série, também mostra como o Centro Técnico passou a ter um papel cada vez mais integrado dentro da Cummins”, afirma.
Nos últimos cinco anos, aproximadamente US$ 6,2 milhões foram investidos na modernização da unidade. Os recursos foram direcionados à aquisição de equipamentos laboratoriais, ampliação da capacidade de ensaios, adequação às novas legislações, digitalização de processos, segurança operacional e preparação para futuras demandas regulatórias.
Atualmente, a infraestrutura inclui o Centro Piloto, voltado à validação de motores instalados em veículos e máquinas completos; o Laboratório de Mecânica Aplicada, dedicado a ensaios estruturais, fadiga, durabilidade, vibração e ruído; e o Laboratório de Desenvolvimento de Motores, responsável por ensaios de desempenho, consumo, emissões, certificação e homologação. A estrutura permite reproduzir condições severas de operação, incluindo simulações equivalentes a 5.200 metros de altitude e temperaturas de até -22 °C.
A modernização também incorporou iniciativas voltadas à eficiência energética e à redução do consumo de recursos. Entre elas estão a substituição do sistema de geração de água gelada do Laboratório de Desenvolvimento de Motores, que reduziu em 91% o consumo de energia desse processo, a instalação de uma usina solar fotovoltaica com 104 painéis e a adoção de dinamômetros regenerativos em quatro salas de testes. Um projeto em desenvolvimento prevê ainda a substituição do sistema de resfriamento da unidade por uma tecnologia com potencial para reduzir em até 70% o consumo de água.
Para Raphael Lomonaco, a evolução tecnológica do BTC ao longo de quatro décadas foi acompanhada pela formação e compartilhamento de conhecimento entre diferentes gerações de profissionais. “Equipamentos podem ser adquiridos e laboratórios podem ser modernizados. O conhecimento necessário para interpretar resultados, compreender o comportamento de um motor e transformar essas informações em engenharia é construído pelas pessoas ao longo do tempo. Essa experiência é o que permite ao BTC continuar evoluindo”, conclui.
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