Frota conectada, dados desconectados é o novo desafio da gestão de frotas no Brasil

Com a frota cada vez mais conectada, o desafio é transformar dados dispersos em eficiência real

Por Paulo Guimarães, CEO da MaxiFrota

A gestão de frotas no Brasil vive um momento de contradição. Nos últimos anos, empresas com veículos próprios ou terceirizados passaram a adotar, quase simultaneamente, sistemas de telemetria, controle de abastecimento, gestão de manutenção, gestão de pedágios e análise de comportamento do condutor. O resultado é uma frota mais monitorada do que em qualquer outro momento da história recente. Só que, na prática, boa parte dos gestores continua sem uma resposta simples e rápida para uma pergunta básica: por que este veículo está custando mais do que deveria?

A resposta, quase sempre, está espalhada. Uma parte em uma plataforma de telemetria, outra em um sistema de abastecimento, outra em uma planilha de manutenção e outra ainda na cabeça de quem acompanha a operação todos os dias.

O paradoxo da digitalização

Isso configura o que passo a chamar de, quanto me refiro a este setor, de paradoxo da digitalização de frotas: quanto mais tecnologia é incorporada à operação, maior é o risco de fragmentação da informação. A empresa investe para ganhar eficiência, mas termina com múltiplos fornecedores, logins e bases de dados que não conversam entre si.

O problema deixou de ser a falta de informação. Passou a ser a dificuldade de conectá-la.

Um exemplo ilustra bem a questão. Um veículo passa a apresentar consumo de combustível acima da média. Para investigar a causa, o gestor pode precisar consultar uma plataforma para checar abastecimentos, outra para analisar a rota percorrida e uma terceira para revisar o histórico de manutenção, muitas vezes cruzando tudo manualmente em planilhas. Cada sistema, isoladamente, cumpre bem sua função. O problema aparece quando a decisão depende da combinação dessas informações. E, na gestão de frotas, ela quase sempre depende: o aumento no consumo pode estar relacionado ao preço pago no posto, ao comportamento de condução, à rota, ao tempo em marcha lenta ou a uma necessidade de manutenção do próprio veículo.

Quando esses dados permanecem isolados, identificar a relação entre eles consome tempo, atrasa decisões e compromete a visão de conjunto da operação. Por isso, ter mais dados já não significa, necessariamente, ter mais inteligência.

De uma década somando ferramentas para uma nova fase: integrar

Durante anos, a evolução tecnológica das frotas seguiu um padrão: surgia uma necessidade, chegava uma nova ferramenta especializada para atendê-la. Esse ciclo foi essencial para digitalizar processos antes manuais e ainda está em curso em muitas operações.

O setor entra agora em uma segunda etapa de maturidade, marcada não pela chegada de novas tecnologias, mas pela integração das que já existem. Abastecimento, manutenção, telemetria, e despesas deixam de ser tratados como universos independentes e passam a compor uma visão única da frota.

Isso não significa que as empresas precisem substituir todos os fornecedores por um único fornecedor, porque pode ser um movimento caro, arriscado e, na maioria dos casos, dispensável. O passo mais relevante é outro: construir ambientes capazes de receber, organizar e relacionar dados vindos de diferentes tecnologias, preservando soluções especializadas já validadas pela operação.

APIs, integrações entre plataformas e arquiteturas mais abertas ganham espaço exatamente por isso: permitem manter o que já funciona e, ao mesmo tempo, reduzir os silos de informação. A consolidação, portanto, deve acontecer principalmente na camada de dados e de gestão, não necessariamente na camada de fornecedores.

O valor não está no dado isolado, está na relação entre os dados

Essa mudança também redefine o papel dos sistemas de gestão de frota. Eles deixam de ser apenas o lugar onde o gestor consulta números e passam a funcionar como uma camada capaz de contextualizá-los.

Um veículo que rodou mais quilômetros do que o planejado e, no mesmo período, apresentou aumento no consumo de combustível gera, isoladamente, duas informações. Cruzadas com a rota executada, elas podem revelar um desvio operacional que passaria despercebido em uma análise separada.

O mesmo raciocínio vale para outras combinações: dados de quilometragem da telemetria alimentando o planejamento de manutenção; abastecimento analisado junto com localização, perfil de condução e características do veículo; custos associados a centros de resultado, rotas ou unidades da empresa. É nesse cruzamento, e não no dado isolado, que a informação se transforma em inteligência para a tomada de decisão.

O próximo capítulo da gestão de frotas provavelmente não será escrito pela quantidade de softwares disponíveis no mercado, mas pela capacidade das empresas de transformar essas ferramentas em um ecossistema coeso. Quanto maior e mais complexa a operação, menor tende a ser a eficiência de tratar combustível, manutenção, localização, condutores e custos como assuntos separados.

Depois de uma década conectando veículos, cartões, equipamentos e sistemas, o próximo grande desafio da gestão de frotas será conectar os próprios dados. É provavelmente aí que está a diferença entre uma frota simplesmente digitalizada e uma frota verdadeiramente inteligente.

Sobre a MaxiFrota

A MaxiFrota é uma empresa brasileira especializada em tecnologia para gestão de frotas, com soluções voltadas à eficiência operacional, controle de custos e gestão de despesas. Com tecnologia própria desenvolvida internamente, sua plataforma integra diferentes frentes da operação, como abastecimento e manutenção, e permite a configuração de regras, relatórios e funcionalidades de acordo com as necessidades de cada frota. A empresa conta com uma rede de mais de 13 mil postos credenciados em todo o país e atende organizações públicas e privadas de diferentes segmentos e portes, apoiando gestores na tomada de decisões baseada em dados, prevenção de desvios e maior previsibilidade dos custos operacionais.

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