sábado, maio 25, 2024

Atualizado e ampliado: Mercedes-Benz eleva os padrões em semipesados, pesados e extrapesados

A Mercedes-Benz inicia o ano de 2024 com uma série de inovações em sua linha de produtos, trazendo atualizações nos modelos semipesados, pesados e extrapesados, nas séries Atego, Arocs e Actros. As novidades visam oferecer mais desempenho, conforto, segurança e eficiência aos clientes, atendendo às diversas demandas do transporte rodoviário, urbano, fora de estrada e vocacional.

Atego: o caminhão versátil e robusto

O destaque entre os lançamentos é o Atego, que recebeu o maior volume de atualizações, abrangendo desde o design da cabine até o trem de força. O Atego é um caminhão versátil e robusto, que se adapta a diferentes aplicações, como distribuição, coleta de lixo, bombeiro, construção civil, agropecuária e madeira.

A mudança mais notável é no design da cabine dos modelos urbanos/rodoviários. A nova cabine do Atego traz a grade frontal característica do Actros e do Arocs. Além disso, o Atego urbano/rodoviário traz melhorias aerodinâmicas no defletor, um novo spoiler frontal e para-choque com acabamento em termoplástico, proporcionando um design mais limpo.

Na iluminação, os faróis modulares do Mercedes-Benz Atego, semelhantes aos da linha Accelo, o caminhão leve da Mercedes-Benz, permitem a substituição individual dos módulos, favorecendo a intercambialidade de peças e reduzindo os custos de manutenção. A linha Atego também oferece opções como suspensão pneumática e cabines com teto alto ou baixo.

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Para aplicações fora de estrada, como no transporte de cana e madeira, o Atego off-road adota um visual mais robusto, alinhado com a linha extrapesada Arocs, incluindo um para-choque com estrutura metálica tubular, que protege o veículo contra impactos e facilita o acesso ao motor.

Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, ressalta que o design robusto da versão off-road, como parte do pacote de robustez, está disponível como opcional para os modelos urbanos, rodoviários e vocacionais.

O Atego vocacional se destaca no trem de força, com a introdução da transmissão automática Allison de S3000 P de 6 velocidades e o eixo traseiro Meritor 25.168 de uma velocidade com bloqueio de diferencial, que proporcionam mais agilidade e segurança nas operações. Os modelos vocacionais incorporam sistemas de freios além do ABS obrigatório por lei, como ASR, ESP e ESS, que aumentam a estabilidade, a tração e a frenagem do veículo.

O modelo Atego 1733, destinado a bombeiros, vem equipado com o motor OM 926 LA de 6 cilindros e 321 cv de potência.

A linha 2024 do Atego inclui ainda a versão compactador de lixo, identificada como 1729, com opções de entre eixos ajustadas para diferentes tamanhos de compactadores, de 15 a 19 metros cúbicos.

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Arocs para operações severas

O Arocs, o caminhão extrapesado que substituiu o Axor na Europa em 2012, mostra-se competente para isso também no Brasil. O modelo recebeu novidades na linha 2024, reforçando sua presença nos segmentos de cana-de-açúcar, madeira, mineração e construção pesada.

O modelo Arocs 3353 6×4, equipado com o motor OM 471 LA de 530 cavalos, é o novo integrante da família, estando homologado para tracionar composições de até 91 toneladas de PBTC e CMT de 150 toneladas. Este modelo é ideal para o transporte de cargas volumosas e pesadas, com alto desempenho, durabilidade e segurança.

A linha Arocs agora também inclui cabine leito e a opção de air bag para a versão 3351 6×4, que traz mais conforto e proteção aos motoristas.

O Arocs se destaca pela sua robustez e resistência, com um chassi reforçado, uma suspensão dianteira parabólica, um eixo dianteiro com capacidade de 9 toneladas, um eixo traseiro com capacidade de 26 toneladas e uma caixa de câmbio automatizada PowerShift 3 de 12 velocidades. O Mercedes-Benz Arocs também possui sistemas de assistência ao motorista, como o controle de cruzeiro adaptativo (ACC), o assistente de frenagem ativo (ABA), o assistente de partida em rampa (HSA) e o assistente de faixa de rolamento (LKS), que aumentam a segurança e a eficiência nas operações.

Actros

O Actros é o caminhão pesado mais inovador e tecnológico do Brasil por tornar sistemas auxiliares de segurança de série, e não opcionais como era o padrão no mercado brasileiro. A linha ganhou um novo modelo neste ano, o Actros 2553 6×2, projetado para atender ao transporte com semirreboques de 4 eixos, que permitem uma maior capacidade de carga. Com um motor OM 471 LA de 530 cv, este modelo traz inovações como para-lama tripartido, tacógrafo 2.0 com dados básicos abertos, geladeira de série para todas as configurações com cabina Top Space, 5ª roda reforçada e pneus Michelin.

O Mercedes-Benz Actros é um caminhão que oferece o máximo de conforto, segurança e conectividade aos motoristas, com uma cabine espaçosa, ergonômica e silenciosa, equipada com ar-condicionado digital, painel digital, volante multifuncional, banco com suspensão pneumática, cama king size, cortinas, tomadas, porta-objetos e muito mais. O Actros também possui o sistema multimídia MBUX, que permite o acesso a diversas funções do veículo, como navegação, câmera, telefone, rádio e aplicativos, por meio de uma tela sensível ao toque, um botão giratório ou comandos de voz.

Tecnologia avançada

O Actros também se destaca pela sua tecnologia embarcada, que inclui o MirrorCam, um sistema de câmeras que substitui os retrovisores convencionais, proporcionando uma melhor visibilidade e aerodinâmica; o Sideguard Assist, um sistema de alerta de ponto cego, que auxilia o motorista nas manobras e mudanças de faixa; o PPC, um sistema de controle de cruzeiro preditivo, que utiliza dados de GPS e topografia para otimizar o consumo de combustível; e o Fleetboard, um sistema de gestão de frotas, que monitora o desempenho, a localização e a manutenção dos veículos.

O Mercedes-Benz Actros também possui um motor potente e econômico, com tecnologia BlueTec 6, que utiliza o Arla 32 para reduzir as emissões de NOx; uma caixa de câmbio automatizada PowerShift 3 de 12 velocidades, que oferece trocas rápidas e suaves; e um eixo traseiro.

Qual o futuro do motor a combustão? Longo!

A necessidade de utilizar novas tecnologias para reduzir a dependência do petróleo já foi compreendida. Para isso, a indústria automotiva, sob pressão de alguns segmentos da sociedade, investiu muito no desenvolvimento e produção de veículos elétricos. Porém, a transição energética é como um quebra-cabeça de milhares de peças em montagem. E ainda faltam muitas peças. Nesse quebra-cabeça tem a parte dos veículos elétricos que precisa de peças muito caras e o dinheiro está acabando. Então, a indústria de motores tradicionais, como FPT Industrial, Cummins, Volvo e outras, então renovando as peças que já possuem para a parte dos motores a combustão do quebra-cabeça. Conheça esses desenvolvimentos!

Uma das formas de melhorar o desempenho dos motores a combustão é aumentar a sua eficiência energética, ou seja, a capacidade de transformar o combustível em energia útil para o veículo. Isso está sendo feito ano após ano, principalmente, com a evolução das legislações de emissões, como as fases atuais Proconve P8/L7 (Brasil), Euro 6 (Europa) e MAR-I/Tier 4 (Estados Unidos).

Biocombustíveis

Outra forma é tipo de combustível utilizado nesses motores e, neste campo, o Brasil leva uma vantagem gigantesca no mundo. Temos etanol, biometano e biodiesel. Com exceção do etanol, o Brasil está atrasado, mas começando a ficar consciente do potencial que tem para transformar a nossa produção de biodiesel de primeira geração em um biodiesel de segunda geração; para aumentar a produção de biometano e, em breve, para produção de hidrogênio e HVO. Este último é um biodiesel feito a partir de óleos vegetais ou de resíduos e gorduras animais, hidrogenados em condições controladas de pressão e temperatura. O HVO é o melhor tipo de biodiesel entre os tipos produzidos no mundo.

Segundo a FPT Industrial, além disso, há hibridização, ou seja, na combinação de motores a combustão com motores elétricos, para otimizar o uso da energia e reduzir ainda mais o impacto ambiental.

Biometano

O gás biometano é um biocombustível produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como o lixo, o esgoto e o esterco. Ele tem a mesma composição química do gás natural. No entanto, renovável e neutro em emissões de CO₂, ao aproveitar o carbono que já estava no ciclo biológico. Ele pode ser usado em motores a gás natural, sendo mais silenciosos e menos poluentes do que os motores a diesel.

O hidrogênio é um combustível que pode ser obtido a partir da eletrólise da água. Para isso, precisa usar energia elétrica, um processo que pode parecer simples, mas para produção em grande volume necessita de altos investimentos. O hidrogênio é considerado o combustível mais limpo do mundo, pois sua queima produz apenas água como emissão no meio ambiente.

A grande aposta no uso do hidrogênio é para produção de energia elétrica para baterias por meio de célula de combustível. No entanto, esta parte do quebra-cabeça também está custando muito cara. Por isso, que Cummins, FPT Industrial e Volvo estão investindo para lançar motores a combustão movidos a hidrogênio. Isso para veículos pesados por haver outros fabricantes desenvolvendo o mesmo tipo de motor para automóveis.

Ele pode ser usado em motores a combustão, com algumas modificações. Ou em células a combustível, que geram eletricidade a partir da reação do hidrogênio com o oxigênio. No entanto, o hidrogênio ainda enfrenta desafios como o alto custo de produção, o baixo rendimento energético e a falta de infraestrutura de distribuição.

Os motores

No Brasil, a Scania ainda é a única que produz alguns modelos de caminhões com motor a gás de última geração. Ademais, eles podem ser abastecidos com o biometano. Na falta deste, com o gás mais antigo e pouco menos poluente em relação ao diesel, o GNV (Gás Natural Veicular). A Iveco também vai produzir no Brasil o cavalo mecânico S-Way 460 NG 6×2.

A Cummins desenvolve soluções para essas tendências, como a célula de combustível e motores a combustão alimentados por biometano e hidrogênio. Motores de combustão interna a hidrogênio X15H já estão em teste em operações reais nos Estados Unidos para o lançamento em breve. O mesmo motor conta com a versão a biometano, o X15N.

Para o agronegócio, a FPT Industrial tem desenvolvido motores para máquinas agrícolas. Um exemplo disso é o trator New Holland T6 Methane Power, que utiliza o motor N67 NG da FPT Industrial. Esse motor tem um desempenho equivalente ao de um motor diesel, mas com uma redução de até 80% nas emissões poluentes. A Mercedes-Benz ainda não acredita no biometano.

Na Itália, a FPT Industrial colabora com a vinícola Fontanafredda para alcançar a primeira safra de vinho Barolo com zero emissão até 2025. Para isso, os tratores New Holland TK são equipados com o motor F28 NG da FPT Industrial, que também funciona com biometano.

A Volvo, líder na produção de caminhões elétricos no Ocidente, também trabalha com a oferta da opção de caminhões movidos a gás. Além disso, ela desenvolve as opções a hidrogênio com motor a combustão e célula de combustível.

Conclusão

Apesar do potencial do Brasil para liderar a transição energética, mas, por problemas políticos, somos líder em atraso e lentidão. No entanto, não precisamos continuar lentos. A Mercedes-Benz investiu na produção de ônibus elétrico. E um segmento com chance de ter compradores, pois envolve dinheiro público dos impostos pagos pelo contribuinte.

Os investimentos estão chegando, mesmo com a nossa insegurança jurídica. Considerando a produção nacional, mesmo que com alto índice de conteúdo importado, a Scania fez a parte dela. Isso em termos de caminhões a gás, e a Volkswagen Caminhões e Ônibus, em elétricos. A Volvo já vende o FM Electric e se prepara para a produção no Brasil. Da mesma forma, a Mercedes-Benz já produz o ônibus elétrico com alto índice de nacionalização. Isso, graças à parceria com a BorgWarner, que nacionalizou a produção de sistemas elétricos e baterias mais leves.

A indústria de biodiesel, apesar de ser pioneira e referência, estagnou enquanto muitos países evoluíram para o biodiesel de segunda geração e HVO. O lado bom de tudo isso, ainda há um gigantesco mercado virgem para ser explorado.

 

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Sou jornalista no setor da mobilidade desde 1988, com atuações em jornais, nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, como editor da revista Transporte Mundial entre 2002 e maio de 2023, e com experiência em cobertura na área de transporte no Brasil e em cerca de 30 países. Representante do Brasil como membro associado do ITOY (International Truck of the Year), para troca de experiências e conteúdos jornalísticos. Mais, recente começou como colaborador do corpo docente na Fabet (entidade educacional sem fins lucrativos).
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