A Fenatran começa muito antes da Fenatran

Para quem acompanha o setor de transporte, logística e veículos comerciais, a Fenatran não começa quando os portões do São Paulo Expo se abrem. Ela começa bem antes

Começa nas agendas que vão se formando ao longo dos meses, nas coletivas de imprensa, nos encontros com executivos, nos pré-lançamentos, nas apresentações reservadas e até naquela conversa de corredor que, muitas vezes, entrega uma pista sobre o que uma montadora, fabricante de componentes ou empresa de tecnologia está preparando para apresentar ao mercado.

É assim que nós, jornalistas que cobrimos esse universo, começamos a construir o quebra-cabeça da maior feira do setor na América Latina.

E 2026 promete um quebra-cabeça particularmente grande.

Em sua 25ª edição, a Fenatran será realizada de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, reunindo mais de 700 marcas expositoras — 100 delas estreantes — e com expectativa de receber mais de 70 mil visitantes. A área de exposição ultrapassa os 100 mil metros quadrados.

Mas os números são apenas uma parte da história.

O que chama a atenção nesta edição é a dimensão das transformações que chegam à feira. A presença chinesa, por exemplo, ganhou um peso inédito: BYD, Foton, JAC, Sany, Sinotruk e XCMG colocam seis marcas de origem chinesa ou de grupos chineses no tabuleiro das fabricantes de veículos comerciais.

É um movimento que ajuda a explicar por que a Fenatran de 2026 chega cercada de expectativas. Há uma indústria tradicional se movimentando, novas tecnologias ganhando espaço, eletrificação, gás, biometano, conectividade, gestão de frotas e, principalmente, uma disputa cada vez mais intensa pela atenção — e pelo investimento — dos transportadores.

E é justamente antes de tudo isso acontecer que começam a aparecer os primeiros sinais.

O que acontece antes da feira

Na cobertura jornalística, os meses que antecedem a Fenatran são quase uma prévia daquilo que será encontrado nos pavilhões.

Um lançamento apresentado semanas antes pode ser o primeiro capítulo de uma estratégia maior. Uma mudança anunciada por um executivo pode ganhar outra dimensão quando colocada lado a lado com aquilo que outros fabricantes estão preparando. Uma coletiva aparentemente isolada pode revelar uma tendência que, algumas semanas depois, estará espalhada por diversos estandes.

Por isso, acompanhar a Fenatran também significa acompanhar o caminho que leva até ela.

E foi nesse caminho que começamos nossa agenda de 2026.

Um dos primeiros movimentos importantes veio com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que prepara um grande lançamento para esta edição da feira. Antes mesmo de o produto ocupar seu espaço no São Paulo Expo, porém, começam a surgir informações, expectativas e conversas que ajudam a entender o que a marca pretende colocar no centro das atenções.

É esse tipo de bastidor que interessa.

Não apenas o caminhão que será apresentado, mas o contexto em que ele chega, a estratégia da fabricante e aquilo que o lançamento pode representar para um mercado que passa por uma transformação acelerada.

E a Cummins entrou nessa história

Na semana passada, outro encontro ajudou a abrir oficialmente, para nós, essa agenda mais intensa de eventos do segundo semestre.

A Cummins reuniu imprensa e executivos para celebrar seu aniversário e, embora o encontro não tenha sido organizado como um evento de pré-Fenatran, ele acabou cumprindo um papel importante nesse calendário que começa a ganhar velocidade.

Esses encontros têm um valor que vai além do anúncio de produtos.

São oportunidades para ouvir os porta-vozes das empresas, entender suas prioridades, perceber como os executivos estão enxergando o mercado e, principalmente, captar aquilo que não necessariamente aparece em um comunicado oficial.

É nesse contato que muitas das histórias que chegarão à Fenatran começam a ser construídas.

A feira que começa antes

A Fenatran 2026 terá uma dimensão que vai muito além dos pavilhões.

A própria organização já confirma uma programação que envolve toda a cadeia do transporte rodoviário de cargas e da logística, além de uma área externa ampliada e do Fenatran Experience, que permitirá aos visitantes experimentar caminhões de diferentes fabricantes e tecnologias.

Na última edição, o evento registrou mais de 74 mil visitantes e R$ 15 bilhões em negócios gerados, segundo os números divulgados pela organização.

É por isso que, para quem está do lado de cá dos estandes, a feira não começa em novembro.

Ela começa agora.

Começa quando os fabricantes chamam a imprensa para conversar. Quando um executivo antecipa uma estratégia. Quando um novo produto aparece pela primeira vez. Quando uma empresa comemora uma data importante e aproveita o encontro para falar sobre seus próximos passos.

E é desses pedaços que vamos montar, ao longo das próximas semanas, aquilo que o leitor encontrará na Fenatran.

Neste espaço, portanto, a proposta é abrir um pouco essa cortina.

Mostrar os bastidores da cobertura, os encontros que antecedem a feira, os lançamentos que começam a ser desenhados e as conversas com quem está ajudando a definir os rumos do transporte e da logística no Brasil.

Porque, para quem acompanha o setor de perto, a Fenatran começa muito antes da Fenatran.

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Filipi Cândido
Filipi Cândidohttps://www.frotanews.com.br
Jornalista e diretor de inteligência de mercado na Frota News, com mais de 10 anos de atuação na construção e posicionamento de marcas em diferentes setores da economia. Ao longo da trajetória, esteve à frente de operações e estratégias nos segmentos de hotelaria e mercado de luxo, com passagens por grupos como LVMH — atuando em marcas como Dior e Guerlain — além do grupo Percassi e de uma experiência internacional como consultor de tendências para grandes marcas de wellness da China. Essa vivência consolidou uma visão integrada sobre comportamento, experiência e geração de valor. Atualmente, atua no setor automotivo e de veículos pesados, com foco em frotas, mobilidade e logística, liderando a produção de conteúdo e estratégias que conectam inteligência de mercado a oportunidades reais de crescimento. Nos últimos anos, aprofundou sua atuação em sustentabilidade e ESG, acompanhando de perto as transformações da indústria e traduzindo esses movimentos em análises que impactam diretamente o posicionamento e a competitividade das marcas.
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