O Brasil tornou-se um dos mercados prioritários para a expansão da DHL nas Américas. A avaliação é de Andrew Williams, CEO da divisão DHL Express Américas, que vê no país uma combinação de fatores estruturais — mercado interno robusto, diversificação industrial e novas oportunidades no comércio internacional — que justificam o aumento dos investimentos da empresa no território brasileiro.
Durante participação em um painel sobre perspectivas econômicas e logísticas na América Latina, o executivo afirmou que o Brasil foi classificado pela companhia como um “geographic tailwind market”, ou seja, um mercado com ventos favoráveis para crescimento de longo prazo.
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Segundo Williams, a estratégia da empresa não está baseada em ciclos econômicos curtos, mas em uma visão estrutural de desenvolvimento do país.
“O Brasil faz parte de um grupo de cerca de 20 países no mundo considerados estratégicos para nossa expansão. Nas Américas, apenas três estão nessa lista: Brasil, México e Colômbia”, afirmou.
Mudanças estruturais e novas cadeias globais
Para o executivo, o atual momento do Brasil coincide com transformações relevantes nas cadeias globais de produção e comércio. Entre elas, destaca-se o movimento de nearshoring e reorganização das cadeias de suprimentos, que tem levado empresas internacionais a diversificar suas bases produtivas.
“Estamos vendo mudanças estruturais que trazem vantagens competitivas para o Brasil. O país está recebendo novos investimentos e tem diversificado seus modais logísticos e suas cadeias de suprimento”, explicou.
Nesse cenário, a DHL pretende dobrar os investimentos no país, ampliando sua presença operacional e a capilaridade dos serviços.
Uma das iniciativas envolve a expansão da rede de atendimento. A empresa planeja ampliar o número de pontos de venda para cerca de 75 unidades, fortalecendo a cobertura nacional de serviços expressos, que já conta com mais de 500 lojas entre próprias e franquias.
Além disso, o transporte aéreo de cargas é apontado como uma das frentes de crescimento. “Vemos muitas oportunidades no transporte aéreo. Nossa expectativa é que o volume de carga aérea na região dobre até 2028”, disse o executivo.
Mercado interno e diversidade industrial
Outro fator que sustenta o otimismo da companhia é o perfil da economia brasileira, caracterizada por um mercado doméstico amplo e por uma base industrial diversificada. De acordo com Williams, essa diversidade abre oportunidades para serviços logísticos especializados em diferentes setores, como energia, saúde e tecnologia.
“O Brasil tem uma profundidade industrial importante em vários setores. Temos experiência global em áreas como combustíveis, saúde e tecnologia, e vemos espaço para crescer nesses segmentos no país”, afirmou.

O executivo também destacou o papel estratégico do Brasil como porta de entrada para a América do Sul, conectando fluxos comerciais regionais.
Potencial das pequenas e médias empresas
Apesar da relevância do país no comércio internacional, Williams observa que as exportações brasileiras ainda são fortemente concentradas em grandes corporações. Para a DHL, isso indica um grande potencial de crescimento entre pequenas e médias empresas (PMEs).
“Existem cerca de 2,1 milhões de pequenas e médias empresas no Brasil, mas apenas uma parcela muito pequena delas participa do comércio internacional”, afirmou.
Segundo ele, uma das missões da empresa é justamente ajudar essas companhias a acessar mercados globais. “Há uma grande oportunidade de apoiar essas empresas com serviços logísticos e orientação para que possam exportar mais”, acrescentou.
Apoio às empresas diante da complexidade do comércio global
Williams também destacou que o ambiente de comércio internacional tornou-se mais complexo nos últimos anos, marcado por mudanças regulatórias, novas tarifas e incertezas geopolíticas.
Nesse contexto, o papel das empresas de logística vai além do transporte. “Os clientes esperam que sejamos resilientes e que os ajudemos a navegar por essa complexidade”, afirmou.
De acordo com o executivo, a DHL tem investido em equipes especializadas para apoiar clientes na compreensão de regimes aduaneiros e regras comerciais em diferentes mercados.
Somente nos Estados Unidos, por exemplo, a companhia mantém cerca de 900 profissionais dedicados a questões relacionadas a regimes tarifários e regulatórios.
“O risco de erros em processos aduaneiros é grande quando as informações não estão corretas. Por isso, nossos clientes esperam que ofereçamos não apenas transporte, mas também conhecimento e orientação”, explicou.
Logística além de preço e velocidade
Segundo Williams, as prioridades dos clientes também mudaram nos últimos anos. Se antes as decisões logísticas eram guiadas principalmente por preço e rapidez, hoje fatores como dados, confiabilidade operacional e suporte especializado tornaram-se igualmente relevantes.
“Os clientes querem serviços que funcionem no dia a dia e dados que permitam tomar decisões melhores”, afirmou. Para o executivo, a combinação entre tecnologia, expertise regulatória e infraestrutura logística será fundamental para apoiar empresas brasileiras que desejam expandir sua atuação internacional.
“À medida que as empresas fortalecem seus mercados domésticos, elas também buscam parceiros que possam ajudá-las a se conectar com o mundo”, concluiu.
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