Por que a colisão entre dois helicópteros não é fatalidade e choca mais do que a de dois caminhões

A colisão entre dois helicópteros sempre causa mais comoção do que um acidente entre caminhões. Há razões óbvias para isso — o inusitado, o impacto visual, a sensação de que “não deveria acontecer”. Mas este artigo não é sobre a espetacularização de tragédias. É sobre o fato de que elas não deveriam existir.

A perda de vidas é sempre devastadora. O que mais choca, porém, é saber que muitas dessas tragédias eram evitáveis. E mais grave ainda é ouvir o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, minimizar o ocorrido chamando-o de “fatalidade”.

Fatalidade, prefeito, foi o que aconteceu em 1815 na ilha de Sumbawa, na Indonésia, quando o vulcão Tambora entrou em erupção e matou cerca de 92 mil pessoas. Aquilo era imprevisível, incontrolável, inevitável.
Acidentes aéreos e rodoviários não são.

Espero que o “had news” reflita sobre isso em vez de tratar o tema como fatalidade. Não é fatalidade.

Escrevemos diariamente sobre tecnologias de rastreamento, telemetria, roteirização, prevenção. Uma colisão entre aeronaves era imaginável há 100 anos — imagine em 2026. Tratar uma tragédia como essa como “fatalidade” é, no mínimo, ignorância. No máximo, falta de caráter.

A tragédia já aconteceu. Agora, o mínimo que se espera é humildade para reconhecer falhas e corrigir processos, para que novas mortes não ocorram — como acontece todos os dias no asfalto brasileiro por má gestão, falta de fiscalização e descaso com a segurança.

Esta tragédia, como tantas outras, tem a ver com gestão. Não é premonição dizer que novas encostas no Rio de Janeiro vão ceder. É apenas constatar o óbvio: quando o poder público trata o previsível como inevitável, o resultado é sempre o mesmo — vidas perdidas que poderiam ter sido salvas.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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