O mercado brasileiro de veículos pesados encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com sinais mistos, conforme aponta a Anfavea (associação das montadoras). Se por um lado o volume total de caminhões (30.700 unidades) registrou uma queda de 17,2% em comparação ao mesmo período de 2025, por outro, tecnologias sustentáveis e segmentos específicos de carga começam a desenhar uma nova dinâmica para as frotas nacionais.
O dado mais expressivo do relatório da entidade é o avanço da eletromobilidade. Entre janeiro e abril de 2026, o licenciamento de caminhões e ônibus elétricos cresceu 30,1%, saltando de 236 unidades em 2025 para 307 unidades este ano. Apenas em abril, o volume de elétricos (127 unidades) foi mais que o dobro do registrado no mesmo mês do ano anterior.
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Já os veículos movidos a gás mantêm uma trajetória de estabilidade com viés de alta, somando 236 unidades no acumulado (+1,3%). Enquanto isso, o diesel, que ainda domina 98,6% do mercado, viu seu volume cair 17,3% no quadrimestre, refletindo a retração geral das vendas.
Caminhões médios: O ponto fora da curva
Em um cenário onde quase todas as categorias de peso operam no “vermelho”, os caminhões médios surgem como o grande destaque positivo. Foi a única categoria a registrar crescimento nas vendas acumuladas, com uma alta de 29,2% em relação ao início de 2025.
Em contrapartida, outros segmentos enfrentam desafios severos: Semileves: -45,8%; leves: -41,1%; e pesados: -23,2% (apesar da queda, continua sendo o maior volume absoluto com 13.320 unidades).
No campo da produção, o destaque de recuperação vai para os cemileves, que registraram um salto de 31,6% na fabricação acumulada, totalizando 296 unidades produzidas para abastecer o mercado.
Ranking de marcas e lideranças segmentadas
O embate entre as montadoras segue acirrado. No volume total de caminhões, a Volkswagen Caminhões e Ônibus mantém a dianteira no quadrimestre, mas a disputa pelo topo é definida por detalhes:
- Volkswagen CO: 8.155 unidades
- Mercedes-Benz: 7.771 unidades
- Volvo: 5.605 unidades
Contudo, quando o recorte foca exclusivamente em caminhões pesados, a Volvo consolida sua hegemonia. A marca sueca liderou o segmento tanto em abril (1.217 unidades) quanto no acumulado do ano (4.429 unidades), seguida pela Mercedes-Benz (2.725) e Scania (2.585).

Ônibus em recuperação nas exportações
O segmento de chassis para ônibus apresentou um forte sopro de otimismo no comércio exterior. Em abril, as exportações de ônibus saltaram 44,1% em relação a março. No mercado interno, o mês de abril também foi positivo, com crescimento de 4,6% nas vendas sobre o mês anterior, sinalizando uma tentativa de retomada para o restante do semestre.
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