Entrevista: Ultragaz projeta expansão de postos de biometano em rodovias para a frota pesada

Em entrevista à Frota News, Guilherme Darezzo, Vice-Presidente de Mercados da Ultragaz, detalha o plano de expansão off-grid da companhia, investimentos por unidade, tecnologia proprietária de abastecimento rápido e a aposta na descarbonização dos corredores logísticos

Com a crescente demanda do setor de transporte rodoviário de cargas por soluções de menor impacto ambiental, a Ultragaz avança em sua estratégia de transição energética no Brasil. A companhia iniciou a operação de postos de biometano voltados a veículos pesados e traçou uma meta ambiciosa: expandir a infraestrutura de abastecimento ao longo dos principais corredores logísticos do País.

Em entrevista à Frota News, Guilherme Darezzo, Vice-Presidente de Mercados da Ultragaz, detalhou o modelo de negócios off-grid da empresa, o investimento estimado entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões por posto, o foco na descarbonização de operações ligadas à exportação e o impacto da tecnologia patenteada de abastecimento rápido desenvolvida pela companhia.


Como está estruturada a rede de postos da Ultragaz e qual é o plano de expansão para postos de rodovia?

Guilherme Darezzo: Hoje temos seis postos operacionais. Três estão instalados em garagens de transportadoras e outros três em áreas internas de embarcadores, atendendo tanto as frotas quanto as operações industriais. Este mais recente é o nosso primeiro posto instalado diretamente em rodovia.

Estamos estudando os principais corredores logísticos do Brasil e conversando diretamente com os clientes para identificar onde a infraestrutura é necessária. Nosso plano prevê a abertura de mais de 20 postos em rodovias nos próximos três anos. Ainda não há um número fechado, porque o ritmo de expansão depende da demanda dos embarcadores e transportadores.

O foco inicial está nos corredores do Sul e Sudeste, especialmente nas rotas de acesso ao Porto de Santos, ao Rio de Janeiro e a Belo Horizonte, regiões que concentram grande volume de cargas destinadas à exportação.


O posto de rodovia altera a dinâmica de acesso ao biometano em relação ao modelo de garagem?

Guilherme Darezzo: Sim. O posto interno, voltado para garagens privadas, atende acordos específicos com grandes clientes ou embarcadores. Já o posto de rodovia democratiza o acesso ao biometano, permitindo que transportadores de menor porte também abasteçam seus caminhões sem a necessidade de investir em uma estrutura própria dentro das garagens.


Qual é o valor estimado de investimento por unidade e a previsão dos próximos locais?

Guilherme Darezzo: O investimento em cada posto varia entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões. O aporte é realizado integralmente pela Ultragaz. Trabalhamos em parceria com proprietários de postos e áreas rodoviárias, mas a responsabilidade pela infraestrutura e pela central de compressão e descompressão é nossa.

Ainda não há datas definidas para cada novo ponto, mas as negociações mais avançadas para as próximas inaugurações estão concentradas na BR-101, conectando a malha logística às operações do Sul do País.


A escolha da Rodovia dos Bandeirantes para o primeiro posto seguiu quais critérios?

Guilherme Darezzo: A Rodovia dos Bandeirantes é um dos principais eixos de escoamento do Brasil. Ao mapearmos as rotas dos nossos clientes, identificamos forte potencial de adesão ao biometano no trecho entre o interior paulista e o Porto de Santos, especialmente para cadeias ligadas à exportação, como a de suco de laranja e outros granéis.

A localização foi definida para atender clientes já contratados que transitam diariamente pela região, incluindo operações ligadas a empresas como Natura, PepsiCo, Toyota e Copercarga.


edição 58
Edição 58
Como funciona o suprimento de biometano da Ultragaz para sustentar essa rede?

Guilherme Darezzo: A Ultragaz atua conectando oferta e demanda, utilizando o seu know-how logístico acumulado ao longo de mais de 90 anos de atuação.

Atualmente, temos cerca de 700 mil metros cúbicos por dia de biometano contratados junto a fornecedores distribuídos em 15 polos pelo País. Hoje comercializamos aproximadamente 150 mil metros cúbicos por dia, o que garante estabilidade de suprimento para sustentar nosso plano de expansão nos próximos três anos.

Nossos fornecedores estão distribuídos em três grandes rotas de produção: aterros sanitários, como os de Caieiras (Região Metropolitana de São Paulo), Rio de Janeiro e interior de São Paulo; setor sucroenergético; e resíduos provenientes da indústria e do agronegócio.


A operação de vocês independe da rede de distribuição por tubulação?

Guilherme Darezzo: Exatamente. Nossa operação é totalmente off-grid. Como não possuímos concessão estadual para distribuição de gás canalizado, como Comgás ou Gasmig, atuamos como uma empresa privada em regime de livre concorrência em todo o território nacional. Transportamos e descomprimimos o gás diretamente nos pontos de consumo.

Para isso, contamos com uma tecnologia proprietária desenvolvida pela nossa equipe de engenharia em Caxias do Sul (RS). O sistema possui patente registrada e reduz significativamente o consumo de energia elétrica na compressão, passando de 400 kVA para apenas 40 kVA de potência instalada. Além disso, garante agilidade no abastecimento de veículos pesados.


Como a Ultragaz enxerga o papel do biometano no cenário geral da matriz de transporte no Brasil?

Guilherme Darezzo: O Brasil possui uma frota superior a 2 milhões de caminhões e aproximadamente 2,5 mil deles operam com gás natural veicular ou biometano.

A transição energética não acontecerá por meio de uma única tecnologia. Haverá complementaridade entre biometano, eletrificação, gás natural e alternativas de diesel de baixa emissão.

Nosso papel é fornecer uma solução de descarbonização com viabilidade técnica e econômica. Em cada projeto implantado buscamos equilibrar a oferta com contratos firmados que garantam o retorno do investimento realizado. Além disso, entregamos aos clientes relatórios consolidados que comprovam a redução da pegada de carbono de suas operações.


Destaque

“O posto de rodovia democratiza o acesso ao biometano, permitindo que transportadores de menor porte também consigam abastecer seus caminhões sem a necessidade de investir em estrutura própria.”
Guilherme Darezzo, Vice-Presidente de Mercados da Ultragaz.

- PUBLICIDADE -
- PUBLICIDADE -
Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
- Publicidade -
- Publicidade -

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Últimas notícias
você pode gostar:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui