Fabricantes de aditivos orientam transportadores sobre limpeza do sistema de arrefecimento e cuidados com o radiador para evitar paradas não planejadas
Em frotas de caminhões que rodam longas distâncias, o sistema de arrefecimento atua como um “seguro” contra a perda de desempenho, consumo elevado e danos graves ao motor, especialmente em cenários de alta carga térmica, relevo acidentado e clima quente. Falhas como vazamentos, incrustações internas, fluido contaminado ou aditivo fora de especificação podem levar ao superaquecimento e provocar desde perda de potência até empeno de cabeçote, que implica paradas prolongadas e altos custos de reparo.
A Frota News recebeu um orientações da Tirreno, marca da Moove, e também pesquisou outras fontes da indústria. Segundo fabricantes de aditivos e especialistas em manutenção, muitos problemas começam em pequenos vazamentos não identificados, complementos frequentes de fluido e uso de água de torneira, que acelera corrosão e formação de depósitos no radiador e no bloco.
Passo 1 – Inspeção visual e esgotamento
O primeiro passo do procedimento recomendado pela Tirreno é a inspeção visual detalhada, sempre com o motor completamente frio. Devem ser verificados mangueiras, abraçadeiras, conexões, reservatório de expansão e o próprio radiador, em busca de sinais de vazamento, trincas, ressecamento de borrachas ou marcas de fluido no chão e na parte inferior do veículo.
Confirmada a integridade básica, o sistema deve ser esgotado pela válvula de drenagem ou pelo ponto de sangria, coletando o fluido antigo para descarte ambientalmente correto. Em seguida, faz-se uma lavagem inicial apenas com água limpa para remover sujeiras superficiais e parte dos resíduos solúveis, preparando o circuito para a ação do produto desincrustante.
Passo 2 – Limpeza química com desincrustante
Na etapa de limpeza interna, a Tirreno orienta o uso de um desincrustante específico para sistema de arrefecimento, formulado para remover depósitos, ferrugem e contaminações sem danificar componentes. O produto precisa atuar na descontaminação do sistema, ajudando a desprender incrustações no radiador, galerias do motor e demais passagens por onde circula o fluido.
Para veículos pesados, a própria ficha técnica das marcas indicam completar o sistema com água limpa e utilizar um frasco de 500 ml para cada 10 litros de água. Com o sistema cheio, o motor deve ser ligado e mantido em temperatura de funcionamento por no mínimo 15 a 20 minutos, tempo necessário para que o produto circule por todo o circuito e promova a limpeza em fluxo.
Passo 3 – Enxágue até a água sair limpa
Concluído o ciclo de limpeza química, o sistema é novamente esvaziado para drenar o fluido contaminado e as impurezas removidas das paredes internas. A recomendação é realizar enxágues sucessivos com água limpa até que o fluxo saia visualmente transparente, sem partículas ou coloração alterada, indicando que o radiador e as galerias estão livres de resíduos do antigo fluido e do desincrustante.
Dependendo do nível de sujidade inicial, o processo de aplicação do limpa-radiador e enxágue pode ser repetido duas ou três vezes, sempre respeitando os tempos de circulação, até atingir um padrão aceitável de limpeza. Essa etapa é crítica para evitar que resíduos químicos ou sólidos remanescentes prejudiquem a eficiência térmica do novo fluido ou gerem pontos de corrosão e obstrução em curto prazo.
Passo 4 – Aplicação do aditivo correto
Com o sistema limpo, entra em cena o reabastecimento definitivo com fluido de arrefecimento dentro das especificações do fabricante do veículo. A Tirreno reforça que o gestor de frota deve seguir a proporção e o tipo de aditivo (orgânico, híbrido, pronto para uso ou concentrado) indicados no manual do caminhão, respeitando normas como a ABNT NBR 13705 para aditivos concentrados à base de monoetilenoglicol.
Papel da água desmineralizada na mistura
Um ponto sensível nas recomendações da Tirreno é o uso de água desmineralizada na diluição de aditivos concentrados, em vez de água de torneira. A água comum contém sais e minerais que tendem a formar incrustações dentro do radiador, dutos e camisa d’água, reduzindo a seção de passagem, prejudicando a troca de calor e acelerando processos de corrosão nas superfícies metálicas.
Já a água desmineralizada reduz drasticamente a presença desses elementos, contribuindo para manter o sistema limpo por mais tempo e potencializando a ação dos inibidores de corrosão presentes no aditivo. Em sistemas que trabalham por longos períodos sob alta carga térmica, como caminhões rodoviários, essa combinação é decisiva para preservar bombas d’água, válvulas termostáticas e radiadores, além de evitar falhas catastróficas por perfurações internas.
Manutenção preventiva x “tapa-buraco” na estrada
Conteúdos técnicos da própria Tirreno lembram que, em sistemas íntegros, o consumo anual de aditivo para simples reposição é muito baixo, e quedas constantes no nível de fluido são um indicativo de vazamento que deve ser investigado. Normalizar complementos frequentes com qualquer tipo de fluido ou mesmo com água pura é um erro que pode mascarar problemas maiores e acelerar danos internos ao motor.
Para frotas, a recomendação é tratar a manutenção do sistema de arrefecimento dentro de um plano preventivo, atrelado a quilometragem ou horas de uso, e não apenas reagir a falhas ou alertas de temperatura no painel. Esse planejamento permite programar paradas em momentos de menor impacto operacional, reduzir ocorrência de panes em rota e garantir maior previsibilidade de custos com componentes e fluido de arrefecimento.
Outras marcas e opções de produtos no mercado
Embora a pauta para este guia prático teve a Tirreno como a principal fonte, entre outras, o mercado brasileiro conta com uma ampla oferta de aditivos de arrefecimento e limpa-radiador voltados a veículos leves e pesados. Fabricantes como Paraflu/Totalflux, Magneti Marelli (Marelli Cofap Aftermarket), Wurth, LGM Aditivos, Innove Química (linha Radiclean) e Onyx Automotivo oferecem fluidos, aditivos concentrados e soluções de limpeza com foco em proteção contra corrosão, estabilidade térmica e maior vida útil do sistema de refrigeração.
Guias comparativos de consumo e testes independentes citam regularmente marcas como Paraflu, Wurth, Bardahl, Proauto e outras ao lado da própria Tirreno, o que mostra um mercado pulverizado e com diferentes faixas de preço e tecnologia em aditivos para radiador (orgânicos, híbridos, prontos para uso ou concentrados). Nesse contexto, a recomendação para frotistas é seguir as especificações do manual do fabricante do veículo, observar normas técnicas aplicáveis, como a ABNT NBR 13705 para aditivos concentrados, e priorizar produtos homologados pela montadora, independentemente da marca escolhida.
- Veja também:
- Parceiros para a Yokohama
A Interfit, parte da Yokohama TWS, quer ampliar sua presença no Brasil com a expansão de sua rede e do modelo Interfit Partner, que certifica parceiros locais. A empresa, que já opera oito unidades no país — incluindo novas bases em Feira de Santana (BA) e Goiânia (GO) —, segundo Alessandro Sacco, diretor Comercial da Yokohama TWS América do Sul, reforça sua proximidade com polos logísticos e industriais. Na Intermodal South America 2026, apresentará seu portfólio de soluções voltadas de equipamentos para atender operações de alta demanda. - Scania traz Eronildo Barros de volta ao Brasil para liderar maior mercado global da marca
- Montagem segura de pneu na roda
O lubrificante para pneus de caminhão, pouco conhecido fora das oficinas, é fundamental para a montagem segura de rodas em veículos pesados, ajudando a evitar acidentes como os recentes casos de desprendimento de rodas registrados no Sul e Sudeste. O produto reduz esforço físico, facilita o encaixe dos pneus, preserva talões e rodas e pode ser usado concentrado ou diluído. A matéria também traz boas práticas de montagem, como inspeção prévia, uso de lubrificantes adequados, torque correto e verificação pós‑montagem, além de listar as principais marcas disponíveis no Brasil, entre elas Tirreno, Cadium, Muriel, Montatire e opções importadas distribuídas pela Atar e pela Würth.
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast



