Farroupilha-RS — A Serra Gaúcha ganhou mais soluções logísticas nesta semana. A RTE Rodonaves, um dos maiores grupos de transporte do país, inaugurou sua nova filial em Farroupilha, reposicionando sua operação regional e ampliando a capacidade de movimentação de cargas em 50%. A mudança, porém, vai muito além de um novo endereço: ela simboliza uma nova fase da empresa no Sul, marcada por expansão, renovação de frota, investimentos em energia limpa e um plano estratégico ambicioso para 2030.
A Frota News esteve na inauguração e conversou longamente com Régis Tiecher, CEO do grupo, que detalhou a estratégia por trás da nova unidade, os desafios do mercado e os próximos passos da empresa. E, como peça rara de memória corporativa, o fundador João Naves também compartilhou — em um depoimento emocionado — como começou a operação gaúcha há 22 anos, praticamente na raça.
Farroupilha: o novo coração logístico da Serra
A Rodonaves já operava na região, mas em uma estrutura menor, em Caxias do Sul. A decisão de migrar para Farroupilha foi fruto de uma análise minuciosa do território — e também de uma visão de experiência pessoal com a região de Tiecher, que é gaúcho e conhece profundamente o potencial industrial da Serra.
“Aqui é o grande hub central da região”, afirma o CEO, apontando para o cruzamento das rodovias RS-122 e RS-453, que passam em frente à nova unidade. “É o ponto ideal para receber e escoar carga.”
A nova filial passa a desempenhar duas funções ao mesmo tempo: atua como base de coleta e entrega para as principais cidades da Serra e, simultaneamente, como um centro de transferência de cargas, conectando a região serrana ao Vale dos Sinos, aos Campos de Cima da Serra, a Porto Alegre e até aos polos turísticos de Gramado e Bento Gonçalves. Com essa mudança, a Rodonaves se reposiciona em um ponto mais central e estratégico, reduzindo tempos de deslocamento e elevando de forma significativa a eficiência operacional.
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Capacidade ampliada e equipe em expansão
A operação anterior da Rodonaves na Serra Gaúcha movimentava entre 80 e 90 toneladas de carga por dia, mas a nova estrutura em Farroupilha eleva esse patamar para cerca de 120 toneladas diárias, um avanço de 50% na capacidade. O salto operacional acompanha o crescimento da demanda regional e a necessidade de uma infraestrutura mais robusta para atender a indústria, o varejo e o turismo da região.
O reforço também aparece no quadro de colaboradores. A empresa, que contava com cerca de 80 funcionários, passa imediatamente para 100 profissionais, com previsão de alcançar 150 até o fim do ano. “Estamos treinando equipes, reforçando o time comercial e preparando a transição completa para a nova unidade”, explica o CEO Régis Tiecher, destacando que a expansão exige qualificação contínua e integração entre as áreas.
Esse avanço está inserido em um investimento total de R$ 15 milhões, que inclui a construção da nova instalação em parceria com uma incorporadora local, além da renovação acelerada da frota. Nos últimos seis meses, a Rodonaves adquiriu mais de 200 caminhões novos e 110 implementos, alcançando uma frota própria com 98% de veículos Euro 5 e Euro 6, uma das mais modernas do país. Para 2024, a meta é incorporar entre 160 e 170 caminhões, combinando recursos do programa Mover Brasil e a tradicional estratégia de consórcios do grupo.
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Plano 2026–2030: crescer 15% ao ano
O Rio Grande do Sul representa hoje 12% a 13% da receita total da Rodonaves, mas cresce acima da média nacional. O grupo opera com seis empresas no ecossistema — transportes, carga dedicada, concessionárias Iveco, restauradora de veículos, corretora de seguros e serviços de frotas.
O plano estratégico 2026–2030 prevê crescimento composto de 15% ao ano, meta que já está sendo atingida em 2024.
“Estamos entregando 15% de crescimento acumulado. Investimentos como este aqui impulsionam ainda mais”, afirma Tiecher.
A saída da FedEx do país também abriu espaço para novos negócios. A Rodonaves absorveu entre 5% e 10% da carga compatível, sempre com cautela para evitar distorções de preço.
Frota mais jovem: um fundo para financiar agregados
Um dos maiores desafios do setor é a idade média elevada da frota de agregados. Na Rodonaves, a frota própria tem média de 4 anos, mas parceiros chegam a 12 anos, e agregados independentes, a 18 anos.
Para enfrentar o problema, o grupo prepara a criação de uma financeira própria, que permitirá repassar caminhões seminovos para parceiros com condições facilitadas e, com isso, reduzir a idade média dos caminhões e a eficiência operacional de ponta a ponta.
“O agregado não tem garantia suficiente para financiar um caminhão novo junto aos bancos. Queremos apoiar quem trabalha com a gente”, explica o CEO.
O fundo deve operar com cerca de R$ 100 milhões, somando recursos próprios e linhas do Mover Brasil.
Transição energética: biodiesel, biometano e gás natural
A crise de abastecimento que atingiu o Sul no início do ano acelerou um movimento que já vinha sendo estudado pela Rodonaves: a diversificação da matriz energética da frota. A empresa decidiu intensificar testes e ampliar alternativas ao diesel fóssil, buscando mais segurança operacional, menor volatilidade de custos e soluções alinhadas às demandas ambientais de seus clientes.
Entre as iniciativas, destaca-se o uso do biodiesel B100 de segunda geração (BeVante produzido pela gaúcha Be8), que vem sendo testado há um mês em caminhões pesados e médios.
A nova filial de Farroupilha contará com um posto interno de 15 mil litros dedicado exclusivamente ao combustível, permitindo abastecimento 100% renovável. Inicialmente, isso representará cerca de 2% do consumo total da empresa, percentual que deve crescer conforme os testes avancem e a operação se estabilize.
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Paralelamente, a Rodonaves incorporou sete caminhões a gás — quatro Iveco e três Scania — para avaliar desempenho, manutenção e viabilidade econômica. Os primeiros resultados mostram um custo por quilômetro rodado significativamente menor: entre R$ 2,20 e R$ 2,30, contra R$ 3,10 a R$ 3,20 do diesel. “Tem cliente exigindo soluções mais verdes. Estamos aprendendo a operar e vamos expandir conforme os resultados”, afirma o CEO Régis Tiecher. A meta inicial é que 5% de todo o consumo energético da empresa venha de fontes não fósseis, consolidando uma frota mais limpa e preparada para o futuro.
Mercado desafiador, mas com oportunidades
Tiecher reconhece que o varejo desacelerou nos últimos meses, mas afirma que a Rodonaves cresce acima do mercado por ganho de eficiência e aumento de participação nos clientes atuais.
“Alguns setores caíram, mas nós crescemos. É serviço, é atendimento, é performance”, resume.
A empresa monitora 23 segmentos e tem forte presença em autopeças, onde detém 14% a 15% de market share, sendo líder nacional.
A saga gaúcha da Rodonaves: como João Naves construiu a operação “na raça” há 22 anos
A história da Rodonaves no Rio Grande do Sul não começou com planejamento estratégico, consultorias ou estudos de mercado. Começou com um Gol (não é sobre futebol) sem direção, 21 visitas em dois dias e uma dose generosa de coragem.
Quem conta é o próprio fundador, João Naves, em um depoimento que mistura simplicidade, intuição e persistência — ingredientes que moldaram a cultura da empresa.
“Eu vim para o Sul sem projeto nenhum. Avisei alguns clientes e, em dois dias, marcaram 21 visitas. Eu tinha um Gol sem direção, um carro velho, mas fiz todas as visitas e fiquei animado com a recepção.”
Mesmo sem estrutura, João decidiu que abriria uma operação no estado:
“Cheguei e falei: dentro do mês eu ponho caminhão aqui.”
O primeiro parceiro indicado estava quebrado. João, então, colocou dois caminhões próprios para atender a região — inclusive realizando entregas atrasadas do antigo operador.
A recepção não foi fácil:
“Quando abrimos o nome aqui, muitos diziam: ‘mais um aventureiro que vai quebrar’. Outros falavam que não tinha carga para subir para São Paulo. Mas eu dizia: eu não trabalho assim.”
A persistência venceu. João comprou a pequena empresa local que não conseguia mais operar e, pouco depois, trouxe sua filha e o genro para administrar a filial.
“Foram dois anos colocando dinheiro e frota aqui. Mas eu acreditava. Nunca deixei de acreditar.”
A expansão veio rápido: Novo Hamburgo, Santa Maria e outras cidades. Em pouco tempo, a Rodonaves já movimentava 10 unidades em dois meses, e o fluxo diário passou a ser de 5 caminhões descendo e 5 subindo — hoje são 20 por dia.
João encerra com a filosofia que guiou sua vida e a empresa:
“Meu pai dizia: oportunidade o ser humano não pode perder, porque ela pode vir uma vez só. Se você tem garra e trabalha, dá certo.”
Saiba mais:
Frota Delas: O olhar para o futuro e o exemplo do Grupo Rodonaves
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Sou a Amanda Da Silva, e quero parabenizar você pelo seu
artigo escrito, muito bom vou acompanhar o seus artigos.