quarta-feira, maio 22, 2024

Setor de patinete elétrica está em falência, revela CNN Brasil. As leis da física explicam!

Quem conhece as leis da física que fazem um veículo de duas rodas ficar em pé e fazer curvas, conhece os motivos que estão levando cidades pelo mundo, como nos Brasil, Estados Unidos, França, Itália, Holanda, entre outras, a proibirem o uso de patinete elétrica (com rodas pequenas). A consequência está sendo o início da falência de fabricantes.

Vale reforçar que estamos falando de patinetes com rodas de baixo diâmetro. Para se ter uma ideia, os scooters com rodas de até 12 polegadas (30,48 cm) já são considerados perigosos para curvas e superação de buracos e outras irregularidades do pavimento, bastante comuns no Brasil. Os scooter começam a ser mais seguros com rodas a partir de 14 polegadas (35,56 cm) de diâmetro. A palavra “scooter” é um estrangeirismo, mas bastante compreendido no Brasil, porém, ainda não há um consenso pelos gramáticos se é um artigo masculino ou feminino, portanto, podemos chamar de “a scooter” ou “o scooter”.

O exemplo de Paris

patinete elétrica
Apenas um exemplo de Paris, mas ocorre em muitas cidades do mundo

O exemplo de Roma, mas só pesquisar que há vários outros

patinete elétrico
Não importa a cidade, a lei da física é igual em todas

Os porquês, segundo as leis da física

Neste artigo, não entrarei na questão das empresas e nem citar os nomes delas, pois o foco é explicar os porquês de o veículo patinete ser inseguro. Quem quiser saber sobre as empresas, há reportagens nos principais canais de notícia geral, como a CNN Brasil. O Frota News tem como propósito usar a notícia para promover a educação no setor de mobilidade.

Aliás, foi a reportagem “Startup de patinetes elétricos está perto da falência” que eu assisti nesta semana na CNN Brasil (assisto todos os dias) que me inspirou escrever este artigo. Ele é sobre razões técnicas para aprofundar, tecnicamente, o tema, já que a CNN não é uma emissora especialidade em segurança na mobilidade viária e veicular. No entanto, sim no que chamamos de jornalismo “Hard News”, ou seja, notícias sobre temas gerais do dia a dia, com muito profissionalismo e com excelentes profissionais.

Repercutirei abaixo imagens com links para outras reportagens anteriores da CNN sobre o problema em Paris e Roma para quem quiser entender com mais profundidade sobre o assunto.

A CNN, mesmo não sendo especialista em segurança na mobilidade, ela produz excelentes reportagens sobre os problemas que ocorrem no mundo devido às consequências da mobilidade.

Segurança viária

No meu caso, além de quase 40 anos de experiência em reportagens sobre a mobilidade, principalmente de cargas e pessoas nas cidades e estradas, sou formado em Gestão em Segurança no Transporte pela Fabet São Paulo.

Saiba mais o curso:

Fabet-SP abre inscrições para 1ª edição do curso Gestão em Segurança de Transporte de 2024

Inclusive, indico este curso, extremamente profundo e com professores com doutorado e especialização em vários nichos do tema segurança e saúde no transporte (SST), como gestão do sono, leis da física, legislação do setor, tecnologias para segurança etc.

Inclusive, a Fabet já está com inscrição aberta para a primeira turma de 2024. É um curso intensivo que vale mais do que uma pós-graduação na área. Para se ter ideia, gestores de grandes embarcadores e fornecedores desses embarcadores já passaram pelo curso.

Com apoio da Fabet, como uma fundação de educação no transporte sem fins lucrativos, o Frota News tem a segurança na mobilidade como um dos seus principais valores.

As leis da física para veículos de duas rodas

Um veículo de duas rodas, como um patinete, uma bicicleta ou uma moto, se mantém em pé e faz curvas graças a algumas leis da física, como:

Efeito giroscópio: um giroscópio é um dispositivo que gira em torno de um eixo e mantém a sua orientação mesmo quando é inclinado. As rodas de um veículo de duas rodas funcionam como giroscópios, pois quando estão girando, elas criam uma força que as mantém na posição vertical.

Força centrípeta: a força centrípeta é a força que atua sobre um corpo em movimento circular, apontando para o centro da curva. Quando um veículo de duas rodas faz uma curva, ele precisa inclinar-se para dentro da curva para equilibrar a força centrípeta com a força da gravidade.

Contraesterço: é a técnica de virar levemente o guidão para o lado oposto da curva, fazendo com que o veículo se incline para o lado desejado. Essa é uma forma de usar o efeito giroscópio para controlar a direção do veículo.

A influência do tamanho da roda

Essas leis da física funcionam melhor com rodas maiores e são de pouco eficiência em rodas menores. E ainda não há tecnologias que consegue anular as leis da física, exceto em ambientes controlados, como laboratórios. Portanto, o que sobrou para as prefeituras de diversas cidades é a criação de leis que proíbem esses patinetes elétricos em vias públicas, e a educação dos usuários. Esses veículos chegavam a quase 25 km/h sem capacidade técnica nenhuma de desviar de um obstáculo, seja pedestre, outro veículo ou buraco.

Lógico que as informações acima não esgotam o assunto. Há formação científica. Eu tive oportunidade de fazer em pilotagem de moto e longa, também como diretor de redação da Revista Motociclismo, e por professores altamente capacitados, inclusive, os mesmos que treinam os policiais de motos Triumph Tiger utilizadas pela Rota (sigla para Rotas Ostensivas Tobias de Aguiar, a tropa de elite da Polícia Militar do Estado de São Paulo). Este treinamento já salvou a minha vida, então, invista em treinamento com profissionais qualificados.

A diferença da teoria e da prática baseada em ciência

Lógico que os patinetes elétricos são, teoricamente, uma excelente ideia como veículos de mobilidade individual. Sem conhecimento das leis da física, se tornaram populares em muitas cidades do Brasil e do mundo. Principalmente devido às empresas de locação, essas que agora estão em falência. Eles oferecem uma alternativa de transporte rápido, barato e ecológico. Porém, nada disse não vale apena se não houver segurança.

O mundo está cheio de exemplos de ideias, teoricamente boas, mas uma tragédia, na prática. A ideia da empresa Lamia de economizar em combustível ao colocar a quantidade exata para o voo que transportaria os jogadores do time Chapecoense para o final da Copa Sul-Americana e caiu na Colômbia por falta de combustível.

Conforme o artigo 180 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), parar o veículo por falta de combustível é uma infração média. Portanto, gera multa e quatro pontos na carteira de habilitação. Além disso, o veículo fica sujeito à remoção pelo órgão de trânsito competente. A parada por falta de combustível é considerada uma falha do condutor, que deve planejar o abastecimento do veículo antes de iniciar a viagem. Essa situação pode causar transtornos ao trânsito, colocando em risco a segurança dos demais usuários da via. É óbvio que as normas do setor de aviação são mais rigorosas do que as do CTB.

Segurança para todos os tipos de veículos

Voltando a segurança na mobilidade em geral, temos uma engenharia avançada. Independentemente do tipo de veículo, o Brasil conta com organizações sem fins lucrativos. A fim de educar e auxiliar os órgãos públicos e cidades no desenvolvimento da segurança viária e veicular. Além da Fabet, já citada como referência em educação, temos a SAE, a AEA, o conjunto CNT, Sest Senat, para ficar apenas em alguns exemplos.

Esses fatores podem explicar por que as empresas fabricantes de patinetes elétricos estão falindo. Além disso, por que algumas cidades estão proibindo este tipo de veículo por questões de segurança.

Portanto, o patinete pode ser um veículo útil para ambientes controlados, como pátios de empresas, estacionamentos etc. e não em vias públicas. O condutor precisa ser treinado. Utilizar os equipamentos de segurança. Além disso, saber que a velocidade é limitada a 10 km/h, e o pavimento tenha qualidade para a segura rolagem das rodas pequenas. A obrigação desse cuidado é de todos os gestores da empresa. Desde o CEO, mais o gestor de frota, RH, treinamento, gestor de SST e SSMA. Até chegar ao usuário do veículo, seja uma patinete, seja um caminhão ou um avião.

Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Sou jornalista no setor da mobilidade desde 1988, com atuações em jornais, nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, como editor da revista Transporte Mundial entre 2002 e maio de 2023, e com experiência em cobertura na área de transporte no Brasil e em cerca de 30 países. Representante do Brasil como membro associado do ITOY (International Truck of the Year), para troca de experiências e conteúdos jornalísticos. Mais, recente começou como colaborador do corpo docente na Fabet (entidade educacional sem fins lucrativos).
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