domingo, maio 19, 2024

Resiliência para mudança de tecnologia: de petróleo para energia renovável

Desde a invenção da roda, a mudança de tecnologia era com intervalos de tempos confortáveis e suficientes para adaptação. Registros apontam que a roda foi inventada há 4 milênios a.C. Dizem também que a roda não foi inventada, mas copiada. Um primata viu um coco cair da árvore e apenas teve um insight. Isso é história. A realidade atual é que as mudanças tecnológicas não nos permitem ficar sem se atualizar de um dia para o outro. E para se adaptar às mudanças é necessária muita resiliência.

Na semana passada, comprei um aparelho de telefone fixo em um supermercado. O aparelho é igual ao de décadas atrás. Difícil de achar, pois, mesmo muito barato, R$ 39,90, ninguém quer mais. Já o meu celular, comprado há menos de um ano, já está ultrapassado para o hoje. Então, comece a aceitar essa grande mudança: o veículo com motor movido por combustível fóssil é como o aparelho de telefone fixo e o celular é como o veículo elétrico.

Porém, a maior dificuldade, inclusive para países ricos, é a quantia de dinheiro envolvida. O veículo tradicional vai custar cada vez menos e desvalorizar menos. O veículo elétrico de hoje vai ser ultrapassado amanhã e vai desvalorizar mais por, como ocorreu com os telefones celulares, ficará muito obsoleto rapidamente.

Grandeza de valores

Para ainda usar o celular como analogia, limitada, temos aparelhos de smartphone entre R$ 200 e R$ 15 mil. Os carregadores de celulares vem com o aparelho e podem ser ligados em tomadas comuns, residenciais. E mesmo que precise comprar um carregador de celular, ele custa entre R$ 50 e R$ 150 reais.

Aqui começa o buraco negro nesta analogia. Os veículos elétricos variam entre R$ 146 mil e R$ 2 milhões considerando as tecnologias atuais. Um caminhão pesado movido a hidrogênio pode ultrapassar os R$ 3 milhões. Parece que a conversa começou a ficar mais elitista? Ainda não falamos dos valores dos carregadores rápidos. A conta vai aumentar e esperamos que abaixe um pouco com o ganho de escala. Temos que esperar para ver.  

Sobre carregadores, podemos comprar o de celular por valores entre R$ 50 e R$ 150 reais. O carregador para veículo elétrico parte de R$ 7 mil no Mercado Livre. No Ali Express, desde que possa esperar alguns meses, encontra a partir de R$ 1.300. Mas são carregadores de baixíssima capacidade, que podem levar mais de 12 horas para carregar uma bateria pequena. Mas temos sistemas eficientes, como os da ABB e Siemens, por R$ 300 mil (incluindo a construção da infraestrutura de instalação), que vai recarregar a bateria em minutos. Precisava custar tão caro?

Além do elétrico puro

Porém, temos que fazer essa transição tecnológica, não só para o elétrico, pois temos no radar biometano, HVO, hidrogênio verde, entre outras tecnologias. Vale lembrar que a célula de combustível também utiliza eletricidade, mas não tem nada a ver com o elétrico como conhecemos. Mesmo assim, devido à dependência de muitos componentes importados, um caminhão a gás hoje custa de 40% a 50% mais caro do que o mesmo modelo a diesel.

mudança de tecnologia
Mudança de tecnologia: Iveco S-Way movido a gás será uma das opções

Alguém vai ter que pagar esta conta financeira. Ainda falaremos da conta intelectual.

Há grandes empresas querendo pagar esta conta, todas com compromissos com a redução de GEE (gases que provocam o efeito estufa, como o CO₂), com o Pacto de Paris, entre outros compromissos com investidores e clientes. Os pagantes de impostos também fazem parte da lista dos pagantes da conta, mesmo que inconscientemente.

 Agora vamos falar sobre a conta intelectual, pois as pessoas vão ter que construir novos conhecimentos ou contratar quem tem tais conhecimentos.

Alguns transportadores já começam a experimentar caminhões elétricos para fazer o cálculo de TCO, como é o caso da Braspress com este VW e-Delivery

Precisamos conhecer mais

Abaixo, vou deixar, neste artigo, apenas algumas perguntas sobre o conhecimento básico, mas necessário, sobre os veículos elétricos. Como missão, vamos responder às perguntas em próximos artigos no Frota News de forma contínua sobre a mudança de tecnologia:

Qual é o principal componente de um veículo elétrico? E qual é mais instável?

Esta resposta é fácil. A bateria. No entanto, qual bateria? A mais comum é a de lítio (Li-íons). Por que os especialistas não estão felizes com a dependência do lítio, além do seu alto custo e impacto negativo ambiental?

Sabia que é possível dobrar a autonomia dos caminhões?

mudança de tecnoloiga
A Plug.in é uma startup que consegue dobrar a autonomia dos caminhões, como o modelo desta foto, que teve a autonomia ampliada de 200 km para 400 km

Quais tecnologias que estão para chegar em termos de bateria, a curto, médio e longo prazo? O que sabemos sobre sódio sólido? E o nióbio? Existem mais de U$ 400 bilhões investidos para o desenvolvimento de baterias mais baratas, mais leves, menores, com carregamento rápido e maior durabilidade em termos de autonomia e vida útil. Tudo sem esquecer da reciclagem. Os U$ 400 bilhões investidos ainda não deram a resposta que gostaríamos, mas versões intermediárias, melhores do que as atuais, estão chegando.

Portanto, é muito importante saber sobre isso. A chegada de uma nova tecnologia faz a anterior perder valor mais do que a substituição do iPhone A pelo B. Quando o assunto é veículo, a diferença ultrapassa a cada de centenas de milhares de dólares, e não mil dólares como ocorre com os celulares.

Qual a diferença entre um carregador veicular elétrico AC para um DC? Quantos kW são necessários para o seu desejo de tempo para recarga da bateria?

Mudança contínua

Para não me alongar muito, paro por aqui, pois ainda há muitas questões a serem discutidas sobre mudança de tecnologia. Mas tenha certeza, há bastante investimento em pesquisas que vão nos trazer as respostas. Mas esteja preparado para muitas mudanças renovadoras e contínuas para esta transição necessária para a mobilidade de pessoas e cargas, e, como mídia jornalística, é nosso papel fazer perguntas e trazer as respostas na medida que vão surgindo.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Sou jornalista no setor da mobilidade desde 1988, com atuações em jornais, nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, como editor da revista Transporte Mundial entre 2002 e maio de 2023, e com experiência em cobertura na área de transporte no Brasil e em cerca de 30 países. Representante do Brasil como membro associado do ITOY (International Truck of the Year), para troca de experiências e conteúdos jornalísticos. Mais, recente começou como colaborador do corpo docente na Fabet (entidade educacional sem fins lucrativos).
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