segunda-feira, abril 6, 2026

ABEIFA cresce 12 vezes acima do mercado e assume protagonismo na nova indústria automotiva

O balanço de 2025 apresentado pela ABEIFA (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores) revela mais do que um ano positivo: expõe uma mudança estrutural em curso no mercado automotivo brasileiro. Enquanto o mercado total avançou modestos 2,6%, as associadas da entidade cresceram 31,7%, ampliando participação, influência e protagonismo — especialmente na eletrificação.

O desempenho coloca a ABEIFA no centro das transformações que devem moldar o setor entre 2026 e 2030, período marcado por pressão regulatória, avanço tecnológico, entrada definitiva das marcas chinesas e mudança no comportamento do consumidor, como detalha o estudo apresentado pela Bright Consulting durante a coletiva.

Em 2025, as associadas da ABEIFA emplacaram 137.973 veículos, contra 104.729 no ano anterior. Nos importados, o avanço foi ainda mais expressivo: 36%, ampliando a participação da entidade para 27,2% do mercado total de importados.

Mas o dado mais simbólico está na eletrificação. Dos 285 mil veículos eletrificados vendidos no Brasil em 2025, 129 mil vieram das associadas da ABEIFA. Isso representa 45,3% de participação, consolidando a entidade como o principal vetor da transição energética no país.

Segundo a Bright Consulting, a eletrificação entrou em uma nova fase: deixou de ser aposta experimental e passou a ser infraestrutura de negócio. A queda acelerada do custo das baterias — de cerca de US$ 165/kWh para próximo de US$ 100/kWh — deve levar à paridade de preços entre veículos elétricos e a combustão já em 2026, especialmente nos segmentos compactos.

O futuro, no entanto, será eclético:
  • Híbridos leves e plenos (MHEV/HEV) ganham escala;
  • Plug-ins se consolidam no premium e no urbano;
  • Elétricos puros avançam nos centros urbanos;
  • Soluções como EREV surgem como ponte para mercados emergentes.
ABEIFA
Apresentação da Bright Consulting

Esse cenário favorece diretamente o perfil das marcas associadas à ABEIFA, que operam com portfólios mais tecnológicos e alinhados às novas exigências ambientais.

Caminhões mais tecnológicos, menos mecânicos: por que o setor de transporte vive um gargalo crítico, segundo a Scania

A força chinesa e o novo equilíbrio global

Outro ponto central do estudo é a consolidação da China como player sistêmico global. Em 2025, marcas chinesas já alcançaram 9,5% de participação no mercado brasileiro, com projeção de chegar a 18% até 2030, deixando definitivamente o status de “entrantes” para assumir papel de protagonistas.

ABEIFA
Fonte: Bright Consulting

Dentro da ABEIFA, essa presença é ainda mais evidente: a BYD respondeu por mais de 80% do volume da entidade em 2025. O dado reforça o peso das chinesas na eletrificação, mas também evidencia o desafio de diversificação e equilíbrio de portfólio entre as associadas.

Política automotiva: o jogo ficou mais caro e mais complexo

A coletiva também deixou claro que o ambiente regulatório será decisivo nos próximos anos. A combinação de:

  • Programa MOVER;
  • Reforma Tributária;
  • Retomada gradual do Imposto de Importação para eletrificados;
  • redefine custos, estratégias industriais e decisões de investimento.

De acordo com a Bright Consulting, veículos eletrificados importados como CBU ou SKD podem sofrer aumentos de até 8% nos preços finais com a elevação do Imposto de Importação para 35%. Por outro lado, projetos com 55% ou mais de conteúdo local tendem a ter impacto bem menor, criando uma pressão clara pela nacionalização produtiva.

Outro dado relevante para o setor de frotas: 47% dos emplacamentos em 2025 vieram de vendas diretas, movimento impulsionado por juros elevados e maior racionalidade do consumidor. O varejo tradicional recuou, enquanto empresas, locadoras e frotas corporativas sustentaram o crescimento do mercado.

Esse cenário reforça a importância de:
  • TCO (Custo Total de Propriedade);
  • Pós-venda;
  • Garantias estendidas;
  • Segurança ativa (ADAS);

que deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos na decisão de compra.

Importação oficial: de vilã a elo estratégico

Talvez a mensagem mais clara do estudo da Bright Consulting seja a redefinição do papel do importador. Longe de ser um obstáculo à indústria nacional, a importação oficial passa a ser vista como:

  • fronteira de inovação;
  • laboratório de novas tecnologias;
  • pré-industrialização de futuros projetos locais.

“Sem a pressão competitiva do importado, a indústria local perde referência de eficiência global”, aponta o estudo, defendendo a importação como parceira da modernização, e não como inimiga do desenvolvimento industrial brasileiro.

BMJ apresenta a visão de impacto do acordo Mercosul e União Europeia

ABEIFA
Apresentação da BMJ

O acordo entre o MERCOSUL e a União Europeia, assinado em 17 de janeiro após 26 anos de negociações, promete uma transformação profunda no setor automotivo brasileiro com a abertura gradual de mercado para veículos europeus1. Para veículos a combustão, o cronograma estabelece uma carência de seis anos com a alíquota atual de 35%, seguida por uma redução linear que culminará em tarifa zero no 15º ano2. O processo é acompanhado por uma quota de transição de 50 mil unidades anuais nos primeiros sete anos (sendo 32 mil para o Brasil) com tarifa reduzida de 17,5%, além de regras de origem que exigem um índice mínimo de 55% de componentes regionais para veículos e 50% para autopeças.

A transição energética também ganha destaque com prazos diferenciados para novas tecnologias: veículos elétricos e híbridos terão suas tarifas reduzidas a zero em 18 anos, começando com uma alíquota de 25% nos primeiros cinco anos4. Modelos a hidrogênio possuem um cronograma ainda mais extenso, de 25 anos, enquanto outras tecnologias alternativas podem levar até 30 anos para atingir a isenção total5555. Para proteger a indústria nacional de possíveis desequilíbrios, o acordo prevê salvaguardas que permitem retomar a alíquota de 35% por até cinco anos caso seja comprovado dano ao setor produtivo local.

Assista vídeo resumo da coletiva de imprensa:

Um novo centro de gravidade

Os dados apresentados pela ABEIFA e pela Bright Consulting convergem para uma mesma conclusão: o centro de gravidade do mercado automotivo brasileiro está se deslocando.

A eletrificação avança em múltiplos níveis, a China se consolida como potência industrial, o consumidor se torna mais racional e tecnológico, e a política automotiva passa a definir vencedores e perdedores.

Nesse novo cenário, a ABEIFA deixa de ocupar um espaço periférico e assume, cada vez mais, um papel estratégico na modernização da frota brasileira.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga, passageiro e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Monitoramento recente da CNT acende alerta no transporte: mais de 44% das transportadoras buscam motoristas

Não é novidade para os gestores de frotas que o transporte brasileiro convive com um gargalo que deixou de ser conjuntural e passou a comprometer a eficiência operacional das empresas: a escassez de motoristas profissionais. Em razão disso, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) tem feito um monitoramento mais frequente e, o mais recente, mostra que o problema se espalha por todos os segmentos e atinge níveis preocupantes. No transporte de cargas, 44,6% das empresas relatam vagas abertas para motoristas. No transporte urbano de passageiros, o índice sobe para 50,6%, enquanto no transporte rodoviário de passageiros alcança 55,6%.

Para gestores de frotas, operadores logísticos e transportadores, o dado revela mais do que dificuldade de contratação. Ele sinaliza risco à continuidade do serviço, aumento de custos e perda de competitividade em um setor já pressionado por combustível, manutenção, pedágios e exigências regulatórias.

Segundo a CNT, a falta de motoristas é resultado de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. Ajustes recentes na legislação, como mudanças no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), podem aliviar parte da pressão, mas não atacam a raiz do problema.

O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 aponta que a escassez de motoristas no Brasil não decorre apenas de um ciclo econômico desfavorável. Trata-se de um problema estrutural associado à baixa atratividade da profissão, à remuneração relativa pouco competitiva, às condições de trabalho desgastantes, à alta rotatividade e à imagem negativa da ocupação, especialmente entre os mais jovens.

Esse diagnóstico ajuda a explicar por que, mesmo em momentos de desaceleração econômica, as empresas seguem com dificuldade para preencher vagas.

Exigências elevadas, atratividade baixa

Do ponto de vista conjuntural, a CNT destaca fatores que agravam o cenário: a alta responsabilidade envolvida na função, os desafios diários do trânsito, os riscos à segurança pessoal e patrimonial e a exigência de qualificações específicas, como CNH nas categorias D ou E e cursos especializados.

Para o gestor de frota, o resultado é um mercado de trabalho cada vez mais restrito. Profissionais habilitados tornam-se disputados, elevando custos de contratação e pressionando salários, sem que isso, necessariamente, se traduza em maior retenção no médio prazo.

Mudanças na CNH: alívio parcial

O governo federal aposta em alterações recentes no processo de habilitação como parte da solução. Medidas implementadas pelo Ministério dos Transportes, como o fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas, têm como objetivo reduzir o custo de entrada na profissão e acelerar a formação de novos motoristas de caminhão e ônibus.

A resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) também prevê a oferta de cursos com custos reduzidos ou gratuitos por meio do Sest/Senat, ampliando o acesso para trabalhadores de menor renda.

Na avaliação da CNT, essas iniciativas são positivas, desde que não comprometam a segurança.

Formação existe, retenção não

Um dos pontos centrais do debate é que o Brasil até consegue formar motoristas, mas não consegue mantê-los na atividade. Em janeiro de 2024, uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social e a CNT passou a capacitar inscritos no Cadastro Único interessados em obter habilitação profissional. A iniciativa mira um déficit estimado em 1,5 milhão de motoristas profissionais no país.

O programa oferece cursos profissionalizantes, possibilidade de contratação imediata, salários médios acima de R$ 3 mil e benefícios formais, como FGTS e plano de saúde. Ainda assim, o desafio permanece: competir com outros setores da economia que disputam esses mesmos profissionais.

Competição intersetorial e perda de talentos

Motoristas com CNH D ou E são cada vez mais atraídos por segmentos como mineração, construção pesada e agronegócio, que oferecem maior previsibilidade de jornada, melhor infraestrutura e, em alguns casos, menor exposição a riscos. No transporte urbano e rodoviário, a migração também ocorre para atividades alternativas, inclusive fora do setor, em busca de melhor qualidade de vida.

No transporte de longa distância, os obstáculos são conhecidos: roubo de cargas, infraestrutura rodoviária precária, longos períodos longe da família e pressão constante por prazos.

O que o setor defende

A CNT reforça que a solução passa por um conjunto de medidas: ajustes regulatórios, ampliação do acesso à qualificação, mas, sobretudo, melhoria das condições de trabalho. A entidade destaca que a demanda por motoristas é nacional, não restrita a grandes centros, e que a qualificação precisa ser contínua, acompanhando a evolução tecnológica dos veículos e das operações logísticas.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de cargas, passageiros e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Toyota anuncia Ricardo Castellani como novo Gerente Geral de Comunicação no Brasil

A Toyota do Brasil anuncia Ricardo Castellani como novo Gerente Geral de Comunicação, responsável pelos projetos e atividades de comunicação corporativa da Toyota, Lexus, Gazoo Racing e KINTO no Brasil, incluindo relacionamento com imprensa, reputação, comunicação institucional e interna. Castellani se reportará diretamente a Evandro Maggio, presidente da companhia.

Formado em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e especializações em Comunicação pela Aberje/Eseg e PUCRS, o executivo traz mais de 20 anos de experiência em comunicação corporativa e sustentabilidade – metade no setor automotivo –, em empresas nacionais e internacionais.

Chego à Toyota com entusiasmo para contribuir positivamente com a reputação de uma companhia que é referência global em mobilidade, inovação, qualidade e sustentabilidade. Fortaleceremos ainda mais o diálogo institucional com todos os nossos públicos, sempre com base na transparência, respeito e ética, valores inegociáveis para a companhia”, afirma Castellani.

Roberto Braun, até então Diretor de Comunicação, passa a se dedicar integralmente à Presidência da Fundação Toyota do Brasil, mantendo-se como porta-voz da companhia para temas ESG, em especial mobilidade sustentável, e com o objetivo de ampliar e reforçar ainda mais as ações socioambientais da fundação no País.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga, passageiro e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Selo de Segurança Euro NCAP: Cinco estrelas expõem quem lidera e quem precisa evoluir no transporte pesado

A mais recente rodada de avaliações do Euro NCAP para caminhões traz sinais claros de amadurecimento tecnológico — e também de pressão crescente sobre fabricantes e operadores. Em um cenário de maior exigência regulatória, tráfego mais denso e metas de segurança cada vez mais rigorosas, a Scania se destaca ao conquistar cinco estrelas com sua nova Série L, enquanto a Volvo consolida uma sequência de resultados máximos. Ford e Iveco, por sua vez, mostram avanços, mas ainda têm espaço relevante para evoluir.

Scania Série L: segurança como pilar de projeto

Avaliada na configuração rígida 6×2, com carroceria compactadora de resíduos e trem de força elétrico de 270 kW, o Scania Série L recebeu elogios do Euro NCAP nas categorias Direção Segura e Prevenção de Colisões, além do selo CitySafe — voltado a operações urbanas.

O diferencial está na combinação entre design e tecnologia. A cabine baixa amplia a visibilidade direta do motorista, reduzindo riscos em cruzamentos, faixas de pedestres e áreas de coleta. Para mitigar pontos cegos, entram em cena sistemas de monitoramento por câmeras, que garantem visão contínua ao redor do veículo.

No pacote de assistência ao motorista, a Scania disponibiliza como opcional um conjunto completo de tecnologias voltadas para aumentar a segurança e a eficiência em operações de “para-e-anda”, incluindo o sistema de frenagem autônoma de emergência (AEB) com monitoramento de curvas próximas, alerta de abertura de portas para ciclistas, controle de limite de velocidade integrado à geolocalização e conformidade com os requisitos de segurança pós-colisão estabelecidos pelo Euro NCAP.

Euro NCAP
Fonte: Euro NCAP

Para operações de limpeza urbana, coleta e serviços municipais — onde o risco de acidentes com pedestres e ciclistas é elevado — a Série L sinaliza uma mudança de patamar. Embora o investimento inicial seja maior, o potencial de redução de sinistros, afastamentos e custos com seguros tende a compensar no médio prazo.

Volvo FH: consistência e segurança sem concessões

O Volvo FH mantém a classificação cinco estrelas e o selo CitySafe, juntando-se ao FM e ao

Euro NCAP
Fonte: Euro NCAP

FH Aero. Com isso, a Volvo se posiciona como única fabricante com toda a linha apta ao nível máximo de segurança.

Voltado a operações de longa distância, o FH reforça a estratégia histórica da marca: não tratar segurança como opcional, mas como atributo central do produto. Para frotistas rodoviários, isso significa previsibilidade, facilidade de padronização e alinhamento com políticas ESG e de compliance.

Iveco S-WAY: evolução gradual

Euro NCAP
Fonte: Euro NCAP

O Iveco S-WAY, antes avaliado com uma estrela, avançou para duas estrelas nas versões 4×2 Tractor e 6×2 Rigid a diesel. O modelo agora atende à GSR2 e incorpora Controle de Cruzeiro Adaptativo.

Ainda assim, o Euro NCAP destaca a necessidade de melhorias mais profundas na proteção de pedestres e ciclistas. A abordagem permanece fortemente orientada ao uso rodoviário, o que limita seu desempenho em cenários urbanos.

Euro NCAP
Fonte: Euro NCAP

A importância do Euro NCAP para o mercado

A Euro NCAP (Programa Europeu de Avaliação de Carros Novos) é mantida por um consórcio que reúne instituições públicas, laboratórios independentes, clubes automotivos e organizações de consumidores de diversos países europeus. Entre os principais apoiadores estão a Comissão Europeia, governos nacionais, centros de pesquisa como o Thatcham Research e o ADAC, além de entidades como o ANWB e o ÖAMTC. Juntos, esses parceiros garantem a independência e a credibilidade dos testes de segurança veicular, promovendo melhorias contínuas na proteção de motoristas, passageiros e demais usuários das vias.

Introduzido em 2024, o programa de testes SAFER TRUCKS foi o primeiro dos protocolos de teste do Euro NCAP a adotar uma nova estrutura, chamada Estágios de Segurança do Euro NCAP, que mede a segurança do veículo em todo o ciclo de vida de um acidente: Direção Segura, Prevenção de Colisões e Segurança Pós-Colisão. Além de dar a cada caminhão uma classificação de até cinco estrelas, incluiu um credenciamento CitySafe adicional. 

Para operadores e gestores de frota, a decisão de compra passa a envolver não apenas TCO e eficiência energética, mas também níveis de segurança certificados, impacto em seguros, reputação e conformidade regulatória. Em um contexto de altos índices de colisões fatais envolvendo caminhões, equipar a frota com veículos mais seguros deixa de ser diferencial e se torna necessidade operacional.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de cargas, passageiros e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

BNDES acelera transição energética e logística de baixo carbono com recorde de investimentos em 2025

O ano de 2025 marca um ponto de inflexão na política de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a transição energética e a modernização da matriz de transportes no Brasil. Com R$ 6,4 bilhões aprovados para a produção de biocombustíveis, o banco alcançou o maior volume de recursos já destinado ao setor desde 2010, quando os aportes somaram R$ 4,8 bilhões.

O volume aprovado em 2025 integra uma trajetória de retomada iniciada em 2023. Nos últimos três anos, o banco já aprovou R$ 13,3 bilhões para projetos ligados a biocombustíveis, cifra 204% superior ao total registrado entre 2019 e 2022. A diversificação das iniciativas financiadas — que incluem etanol de milho, etanol de trigo e biometano — indica uma mudança estrutural na estratégia do banco, alinhada tanto à agenda climática quanto à competitividade da indústria nacional.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o reforço no apoio aos biocombustíveis é estratégico para o enfrentamento das mudanças climáticas, mas também para o desenvolvimento econômico regional. Na prática, trata-se de estimular cadeias produtivas que agregam valor a grãos antes majoritariamente destinados à exportação in natura. Como explica Mauro Mattoso, chefe do departamento do complexo agroalimentar e de biocombustíveis do banco, a produção de etanol a partir do milho e do trigo cria indústrias locais, gera empregos e renda e fortalece economias regionais, especialmente no Centro-Oeste.

Ferrovia ganha protagonismo com locomotivas híbridas

Outro movimento relevante em 2025 é o financiamento de R$ 350 milhões, via Fundo Clima, aprovado para a Rumo adquirir seis locomotivas híbridas e pelo menos 160 vagões-tanque. O projeto tem como foco a expansão da logística de biocombustíveis — especialmente o etanol de milho — no Centro-Oeste e ampliará em 928 mil m³ por ano a capacidade de transporte da empresa, um crescimento de 32% em relação ao volume movimentado em 2024.

As locomotivas híbridas combinam motor a combustão interna e motor elétrico, operando de forma integrada para aumentar a eficiência energética. O sistema permite que o motor a combustão funcione em regimes mais eficientes, enquanto o motor elétrico reduz picos de consumo e aproveita a energia gerada pela frenagem regenerativa. Na avaliação do BNDES, trata-se da alternativa tecnológica mais viável para a descarbonização da matriz ferroviária no curto e médio prazos, sobretudo por demandar menor custo de implementação e menor dependência de obras civis complexas.

Natália Marcassa, vice-presidente da Rumo, destaca que investir em ferrovias é essencial para avançar na descarbonização da matriz de transportes brasileira no longo prazo.

Renovação de frotas urbanas também avança

A atuação do BNDES em 2025 não se limita ao transporte de cargas. No âmbito do Novo PAC, o banco aprovou R$ 264 milhões para que o Município de Salvador adquira 226 ônibus a diesel Euro 6, destinados ao transporte coletivo urbano. A operação permitirá a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos, com melhor desempenho energético e menores emissões de poluentes.

Com 1,2 milhão de passageiros transportados diariamente, o sistema de ônibus da capital baiana será diretamente impactado pela renovação da frota. Para o setor de transporte, o projeto reforça a relevância dos padrões Euro 6 como solução de transição, especialmente em cidades que ainda não dispõem de infraestrutura para eletrificação em larga escala.

O financiamento integra o programa Novo PAC – Refrota, que apoia a aquisição de ônibus elétricos, sistemas de recarga, veículos Euro 6 e sistemas sobre trilhos. Na avaliação do governo federal, trata-se de uma política que combina melhoria dos serviços públicos, ganhos ambientais e impacto direto na qualidade de vida da população.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de cargas, passageiros e logística:

➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

 

KAMAZ-master reafirma hegemonia entre os caminhões e Ford Racing faz história com duplo pódio no Dakar 2026

0

O Rally Dakar 2026 chegou ao fim reforçando duas narrativas centrais da edição: a manutenção da supremacia da equipe russa KAMAZ-master na categoria caminhões e a consolidação da Ford Racing como uma das forças emergentes — e já protagonistas — do rally-raid mundial. Em um dos Dakars mais competitivos dos últimos anos, a combinação entre tradição, evolução técnica e estratégia foi decisiva para definir os vencedores na Arábia Saudita.

Domínio russo segue intacto entre os caminhões

Na categoria caminhões, a KAMAZ-master voltou a demonstrar por que é referência histórica no Dakar. Dmitry Sotnikov conquistou o título após uma campanha marcada por regularidade, leitura precisa do terreno e gestão eficiente do equipamento ao longo das duas semanas de prova. O domínio foi ainda mais evidente com a segunda colocação de Eduard Nikolaev, garantindo a dobradinha da equipe russa no topo da classificação geral.

O pódio foi completado pelo experiente Ales Loprais, da Instaforex Loprais Praga, que conseguiu resistir ao ritmo intenso imposto pelos KAMAZ e assegurou mais uma presença entre os três primeiros em sua carreira no Dakar. Mesmo diante da hegemonia russa, a disputa mostrou alto nível técnico e confirmou a competitividade do grid de caminhões em 2026.

Ford Racing brilha em um Dakar histórico

Se entre os caminhões a história foi de continuidade, em outra categoria o Dakar 2026 ficou marcado pela ascensão definitiva da Ford Racing. A marca encerrou a prova com um duplo pódio histórico e seis vitórias em etapas, resultados que confirmam a maturidade e a robustez do programa Ford Raptor T1+ na mais dura competição off-road do planeta.

A edição deste ano foi considerada uma das mais disputadas da história recente do rali: dez pilotos diferentes, representando cinco fabricantes, venceram etapas individuais — um reflexo do equilíbrio técnico e do alto nível de preparação das equipes.

O sprint final, com 105 quilômetros decisivos, coroou a consistência da Ford. Mattias Ekström e o navegador Emil Bergkvist venceram a última especial e garantiram o terceiro lugar na classificação geral. Foi o segundo pódio consecutivo da Ford no Dakar, com Ekström somando quatro vitórias em etapas e se destacando especialmente na segunda semana, quando ritmo e navegação fizeram a diferença.

Emoção e superação no segundo lugar

Logo à frente, Nani Roma e o navegador Alex Haro protagonizaram um dos resultados mais simbólicos do Dakar 2026. A dupla conquistou o segundo lugar na geral, garantindo o primeiro pódio de Roma na prova em sete anos — e o primeiro desde seu retorno às competições após a recuperação de um câncer. A performance consistente ao longo do rali e a confirmação do resultado na etapa final transformaram o feito em um dos momentos mais emocionantes desta edição.

Carlos Sainz e Lucas Cruz, também pela equipe oficial da Ford, terminaram o Dakar na quinta colocação após duas semanas extremamente exigentes. Já Mitch Guthrie Jr. e Kellon Walch tiveram desempenho de destaque, com vitória em uma etapa e múltiplos pódios parciais, reforçando a profundidade e a competitividade do time.

Programa amadurece e clientes também se destacam

Um dos marcos do Dakar 2026 para a Ford foi a ampliação do programa para além da equipe de fábrica. Pela primeira vez, a Ford Raptor T1+ foi fornecida a equipes clientes — e os resultados confirmaram a solidez do projeto. Romain Dumas e Martin Prokop registraram segundos lugares em etapas, enquanto, em várias especiais, o pódio foi composto exclusivamente por veículos Ford, evidenciando consistência, confiabilidade e desempenho em diferentes condições.

“O Dakar é o campo de provas definitivo, não apenas para a velocidade pura, mas para a durabilidade, o trabalho em equipe e a confiabilidade do veículo”, afirmou Mark Rushbrook, diretor global da Ford Racing. “Sair do Dakar com um pódio duplo, múltiplas vitórias em etapas e pódios formados apenas por Fords, além de resultados sólidos tanto das equipes oficiais quanto de clientes, diz muito sobre o quanto este programa evoluiu.”

Segundo Rushbrook, o desempenho também serve como motivação extra: “Estamos orgulhosos, mas o Dakar deixa claro o que é necessário para vencer. Este resultado nos deixa ainda mais focados no próximo passo. Estamos comprometidos e continuaremos lutando para chegar ao degrau mais alto desta corrida.”

Base sólida para o futuro

Após o terceiro lugar em 2025 e agora com o segundo e o terceiro lugares em 2026, a Ford Raptor T1+ se consolida como uma das principais forças do rally-raid mundial. Com resultados consistentes tanto das equipes oficiais quanto dos clientes, a Ford Racing deixa o Dakar 2026 com fôlego renovado e uma base clara para a sequência da temporada do Campeonato Mundial de Rally-Raid.

Enquanto a KAMAZ-master segue como referência absoluta entre os caminhões, a edição de 2026 ficará registrada como o Dakar em que a Ford confirmou que seu investimento pesado no off-road começa a render frutos em nível global.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de cargas, passageiros e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Com avanço no mercado em 2025, BYD acelera construção de nova fábrica de chassis elétricos em SP

A BYD encerrou 2025 como a terceira maior fornecedora de chassis de ônibus elétrico para o transporte público brasileiro, com 195 unidades emplacadas e 22,5% de participação no mercado, atrás apenas de Mercedes-Benz e Eletra. Impulsionada pelo avanço da eletromobilidade e pela demanda crescente de frotas urbanas, a fabricante acelera agora a construção de uma nova fábrica de chassis elétricos em São Paulo, projeto que ampliará a capacidade produtiva do País.

A unidade em implantação tem 180 mil m², consolidando-se como a maior estrutura da empresa dedicada à produção de chassis de ônibus elétricos fora da China. O projeto representa uma expansão expressiva em relação à planta atual de Campinas, que ocupa cerca de 7 mil m² e opera desde 2015.

A previsão é que a nova fábrica esteja em plena operação em até três anos, com capacidade para produzir até 7 mil chassis por ano — um salto significativo diante das cerca de 600 unidades fabricadas na última década. O foco, além do mercado brasileiro, é a exportação para os demais países da América do Sul.

Para evitar gargalos durante o período de transição, a BYD planeja instalar uma planta temporária na região de Campinas. A meta é entregar 1.200 chassis já em 2026, garantindo continuidade no atendimento às prefeituras e operadores de transporte que vêm ampliando a adoção de ônibus elétricos.

Maior competitividade

A expansão industrial também terá impacto direto na geração de empregos. Enquanto a unidade de Campinas emprega entre 80 e 100 trabalhadores, a nova fábrica paulista deve reunir 700 a 800 colaboradores.

Para o setor de transporte público, a nova planta paulista representa um avanço na oferta de ônibus elétricos nacionais, reduzindo prazos de entrega, ampliando a competitividade e fortalecendo a cadeia de mobilidade sustentável no País.

Diferemente no mercado de ônibus urbano a diesel, do qual dois fabricantes são fornecedores de quase 80% da demanda, no segmento de ônibus elétricos, o número de concorrentes é cinco vezes maior. Além da BYD, há Eletra, Mercedes-Benz, Marcopolo — que possui o Attivi Integral além de carroceria para os chassis de outras marcas —, Volvo, Volkswagen, Scania, Ankai e Higer.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga, passageiro e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

DHL Supply Chain aposta em 75 caminhões Mercedes-Benz Euro 6 para reduzir emissões no Brasil

A decisão da DHL Supply Chain de ampliar e renovar sua frota própria no Brasil com 75 novos caminhões Mercedes-Benz vai além de uma simples atualização de ativos. A aquisição inclui 25 cavalos mecânicos pesados Actros 2045, 40 caminhões semipesados Atego 2429 6×2 e 10 caminhões médios Accelo 1117, todos comercializados pelo concessionário Pirasa, de Campinas (SP). Os veículos passam a operar em diferentes perfis logísticos da DHL Supply Chain no País, reforçando uma frota que já conta com cerca de 300 caminhões Mercedes-Benz.

Segundo Esteban Kinjo Escobar, diretor sênior de Transporte da DHL Supply Chain no Brasil, a atualização da frota visa atender à norma Proconve P8 (Euro 6) e padronização da frota. “Com essas aquisições, cerca de 300 caminhões da nossa frota própria são Mercedes-Benz, um parceiro local e global da DHL”, afirma o executivo.

“A escolha da DHL Supply Chain pelo Actros, Atego e Accelo nos traz orgulho e satisfação. Isso demonstra a aprovação criteriosa de uma empresa extremamente profissional quanto à qualidade, confiabilidade, eficiência e rentabilidade entregues pelos caminhões da nossa marca para o especializado transporte de alto valor agregado”, diz Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil.

A renovação com modelos mais novos e menos poluentes também se conecta diretamente aos investimentos da DHL Supply Chain em transportes para a indústria de saúde, segmento que exige alto nível de confiabilidade, rastreabilidade e conformidade ambiental.

O Proconve P8 (Euro 6) representa um salto significativo em relação ao P7 (Euro 5), reduzindo drasticamente emissões de poluentes como NOx e material particulado, além de exigir tecnologias mais avançadas de controle.

Comparativo de Emissões: Proconve P7 (Euro 5) vs P8 (Euro 6)

Aspecto Proconve P7 (Euro 5) Proconve P8 (Euro 6)
Entrada em vigor no Brasil 2012 2023
Redução de NOx (óxidos de nitrogênio) Limite em torno de 2,0 g/kWh Aproximadamente 0,4 g/kWh (redução de ~80%)
Material particulado (MP) 0,03 g/kWh 0,01 g/kWh (redução de ~66%)
Tecnologias exigidas EGR (recirculação de gases), catalisador de oxidação SCR (redução catalítica seletiva), filtro de partículas (DPF), sensores avançados
Impacto visual (fumaça preta) Ainda presente em alguns veículos Praticamente eliminada
Consumo de combustível Menor uso de Arla 32 (ureia) Maior uso de Arla 32, mas compensado por eficiência energética
Custo inicial Mais baixo Mais alto devido à tecnologia embarcada
Benefício ambiental Redução parcial de poluentes Redução significativa, melhora da qualidade do ar e saúde pública

 

Esse movimento no Brasil dialoga com uma estratégia global muito mais ampla. Em janeiro de 2026, o DHL Group detalhou avanços relevantes em sua jornada rumo ao net-zero até 2050. Entre os marcos estão o maior acordo de combustível de aviação sustentável (SAF) já firmado pela companhia nos Estados Unidos, parcerias para uso de biocombustíveis no transporte marítimo, testes com caminhões a hidrogênio no Oriente Médio, forte avanço da eletrificação da última milha na Alemanha e investimentos em armazenagem abastecida por energia solar na Ásia.

Embora a realidade brasileira ainda imponha limites à adoção em larga escala de tecnologias como hidrogênio e eletrificação pesada, a renovação da frota rodoviária com veículos mais eficientes e menos poluentes é, hoje, uma das formas mais realistas de reduzir emissões no curto e médio prazo.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga, passageiros e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Ônibus elétricos fecham 2025 em forte alta, com destaques para Eletra e Mercedes-Benz

O mercado brasileiro de ônibus elétricos encerrou 2025 com um avanço expressivo. Dados acumulados da Fenabrave (associação dos distribuidores de veículos) indicam que foram 849 veículos elétricos emplacados entre janeiro e dezembro, um crescimento de 170,38% em relação a 2024, quando o setor registrou 314 unidades. Este volume já representa 3,5% do total de lincenciamento de ônibus, sinalizando o início de uma escala operacional no transporte coletivo urbano.

Para gestores de frotas de coletivos urbanos, o dado é relevante porque indica a maturação de processos de contratação, financiamento e infraestrutura ao longo do segundo semestre, com entregas concentradas no fechamento do ano.

No acumulado de 2025, a liderança do mercado ficou com a Eletra, responsável por 287 ônibus elétricos emplacados. Em seguida aparecem Mercedes-Benz (222 unidades), BYD (195), Volkswagen Caminhões e Ônibus (55), Higer (29), Volvo (22), Marcopolo (10), Ankai (9) e Scania (1), formando um mercado competitivo entre fabricantes nacionais e internacionais.

Do ponto de vista do operador, a consolidação de fornecedores com base produtiva no Brasil (Eletra, Mercedes-Benz, Marcopolo e Volkswagen) tem impacto direto em pós-venda, disponibilidade de peças, suporte técnico e previsibilidade de custos, fatores críticos para a viabilidade da frota elétrica em operação diária.

Cadeia local e financiamento ganham importância

O crescimento do mercado em 2025 também está ligado ao fortalecimento da cadeia produtiva nacional, incluindo fornecedores de motores, inversores e baterias instalados no País, como é o caso da BorgWarner que montou uma fábrica em Piracicaba, para fornecer sistemas de baterias, como os já utilizados nos ônibus elétricos Mercedes-Benz eO500U.

  • Saiba mais: A Frota News conta com uma seção dedicada ao tema descarbonização das frotas com mais de 200 artigos publicados: Frota Sustentável

No campo institucional, programas federais e multilaterais têm papel central. O Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), por exemplo, prevê R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros entre 2024 e 2028, destinados a empresas que investirem em pesquisa, desenvolvimento e novas rotas tecnológicas. A habilitação de fabricantes ligados ao segmento de ônibus elétricos amplia a capacidade de inovação local e tende a acelerar a oferta de novos modelos.

Além disso, o Ministério das Cidades sinaliza a expansão de corredores de alta capacidade eletrificados, como os BRTs metropolitanos, o que pode gerar encomendas em escala e dar maior previsibilidade ao mercado nos próximos anos.

A diretora-presidente da Eletra Industrial, Milena Braga Romano, prevê crescimento da marca para 2026, não apenas pelas unidades já encomendadas e o cenário da eletrificação no Brasil, mas por novidades recém-apesentadas e outras que vão surgir ainda.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga, passageiros e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Caminhões mais tecnológicos, menos mecânicos: por que o setor de transporte vive um gargalo crítico, segundo a Scania

Quando se fala em futuro do transporte, o debate costuma girar em torno de caminhões conectados, eletrificação, descarbonização e inteligência embarcada. Mas há uma pergunta incômoda que gestores de frotas começam a fazer com mais frequência — e que ainda recebe menos atenção do que deveria: quem vai manter esses veículos rodando?

Este artigo nasce a partir da inspiração de artigo publicado pela Scania no portal Jornada Scania. A diferença é que a Frota News pode fazer mais questionamentos do que uma mídia institucional e limitada por não ter obrigação de seguir o Código de Édica do Jornalismo.

A profissão de mecânico de veículos pesados passa por uma transformação silenciosa e profunda. O antigo estereótipo do profissional focado apenas em manutenção mecânica já não existe. Hoje, esse papel é ocupado por um técnico altamente especializado, que lida com eletrônica, sistemas digitais, diagnósticos remotos e softwares embarcados. E é justamente aí que surge um gargalo crítico para o setor de transporte e logística no Brasil.

Falta mecânico no mercado?

A resposta curta é: sim, falta — e a tendência é de agravamento. Segundo estimativas do setor, há cerca de 500 vagas abertas para mecânicos de veículos pesados no Brasil só nas redes de fabricantes de caminhões pesados. Só na rede Scania, que mantém aproximadamente 1.300 mecânicos em operação, a demanda é constante: nas chamadas Casas Scania Cativas, são 217 profissionais, com uma média de 20 vagas abertas todos os meses.

Para o gestor de frotas, isso se traduz em um risco direto à operação. Menos profissionais qualificados significam mais tempo de veículo parado, maior custo de manutenção, dificuldade em cumprir SLAs e impacto direto na disponibilidade da frota.

Por que está cada vez mais difícil encontrar mecânicos qualificados?

O problema não é pontual — é estrutural. Vários fatores se somam:

  • Menos jovens entrando no mercado de trabalho: o crescimento da população economicamente ativa desacelera, reduzindo a base de novos profissionais.
  • Concorrência com outras carreiras: áreas percebidas como mais “digitais” ou com possibilidade de trabalho remoto atraem as novas gerações.
  • Mudança no perfil dos jovens: propósito, aprendizado contínuo e condições de trabalho pesam mais do que estabilidade tradicional.
  • Limitação das escolas técnicas: muitos cursos não abrem turmas por falta de alunos e não conseguem atender à demanda crescente.
  • Aumento da complexidade dos caminhões: experiência prática, sozinha, já não é suficiente.
  • Produção de conteúdo para redes sociais tem gerado melhor rendimentos do que o mundo real. E a própria indústria automotiva patrocina a indústria das redes sociais.

O resultado é um descompasso claro entre a velocidade da evolução tecnológica da frota e a capacidade do mercado de formar profissionais aptos a lidar com essa complexidade.

O perfil do mecânico mudou — e isso afeta diretamente a frota

Hoje, o caminhão é um ativo tecnológico. Sistemas eletrônicos, sensores, telemetria, diagnósticos avançados e integração digital fazem parte da rotina. Isso muda completamente o perfil do profissional necessário para manter esse ativo disponível.

Não se trata mais apenas de “saber consertar”. Trata-se de interpretar dados, diagnosticar falhas complexas, seguir protocolos de segurança e entender sistemas que se atualizam constantemente. Um conhecimento que era suficiente ontem pode estar obsoleto em poucos meses.

Para as empresas, isso cria um dilema: colocar um profissional sem formação adequada em um caminhão de alta tecnologia representa risco operacional e financeiro.

A experiência prática ainda conta? Sim — mas não sozinha

A vivência de oficina continua importante, mas já não sustenta a carreira por si só. A exigência mínima hoje passa por formação técnica estruturada, somada a capacitações contínuas. Existe uma lacuna clara entre o que o mercado precisa e o que está disponível em termos de qualificação.

Essa lacuna ajuda a explicar por que, mesmo com vagas abertas, muitas empresas não conseguem contratar.

Esse cenário valoriza a profissão?

Do ponto de vista econômico e estratégico, a resposta é positiva. Quanto maior a especialização, maior o valor desse profissional. A tendência é de valorização salarial, pacotes de benefícios mais atrativos e maior reconhecimento interno nas operações de transporte.

Para o gestor de frotas, isso significa que o mecânico deixa de ser apenas um custo operacional e passa a ser um ativo estratégico, tão relevante quanto o próprio veículo.

Como a indústria começa a reagir a esse desafio

Diante desse cenário, montadoras como a Scania vêm adotando uma abordagem mais ampla de formação. O foco não está apenas nas escolas técnicas tradicionais, mas também em: Jovens do ensino médio, escolas públicas, comunidades de baixa renda, pessoas em situação de vulnerabilidade e refugiados e públicos que, muitas vezes, nem conhecem essa carreira

A lógica é clara: ampliar o funil de entrada, formar desde a base e, ao mesmo tempo, atualizar quem já está no mercado.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast