segunda-feira, abril 6, 2026

Grupo Veno rompe tradição e aposta em 190 Iveco S-Way

Com quase quatro décadas de atuação no transporte rodoviário, o Grupo Veno, tradicionalmente associado à operação com caminhões Volvo, anuncia uma aquisição de 190 unidades do Iveco S-Way 6×4, sinalizando não apenas uma renovação de frota, mas um teste em larga escala de uma nova marca em operações severas.

Com sede no Espírito Santo, o Grupo Veno é resultado da união entre Transilva, DTL e Codepe, formando um portfólio diversificado que atende desde o transporte de veículos até operações especializadas. Hoje, o grupo atua no Brasil e no Mercosul, estruturado em cinco unidades de negócio: Transporte de veículos, carga geral, contêineres, máquinas e equipamentos especiais, logística integrada e armazenagem.

Um dos principais diferenciais do grupo é a infraestrutura logística. Na região da Grande Vitória (ES), o Veno opera uma área de aproximadamente de 1 milhão de metros quadrados, voltada à armazenagem, movimentação portuária e operações aduaneiras. A frota própria é monitorada 24 horas por satélite com tecnologia própria, a partir de um Centro de Controle Geral localizado na matriz, o que evidencia o nível de exigência em confiabilidade, rastreabilidade e continuidade operacional.

A entrada da Iveco em uma frota historicamente Volvo

As imagens institucionais e o histórico operacional do Grupo Veno sempre mostraram forte presença de caminhões Volvo, marca reconhecida por robustez e aceitação em operações pesadas. A decisão de experimentar a Iveco, portanto, não é trivial.

Segundo o comunicado da montadora de origem italiana e atualmente pertecente ao capital indiano, Transilva e Gepax — empresas do grupo — adquiriram juntas 190 unidades do Iveco S-Way 6×4, sendo 145 para a Transilva e 45 para a Gepax. Trata-se de uma das maiores vendas do modelo no país e um marco relevante para da Iveco financiar a produção do modelo em Sete Lagoas (MG) e manter seus fornecedores e fluxo de caixa.

Como o comunicado não informa sobre valores envolvidos e outras informações sobre a negociação, a equipe da Frota News fez pesquisa com outras fontes de informações, como a Fundação Instituto de Pesquisas Aplicadas Econômicas, responsável pela elaboração da Tabela FIPE, que faz a formação do preço médio dos veículos comercializados no Brasil.

Se a negociação tivesse como base os preços médios da Tabela FIPE, a escolha do Grupo Veno pelos caminhões Iveco representaria uma economia estimada em R$ 24,51 milhões em relação aos modelos da Volvo. Especialistas do setor, no entanto, avaliam que o montante pode ser ainda maior. Isso porque a Volvo, líder no segmento de pesados com o consagrado FH 540, costuma adotar uma política mais rígida na concessão de descontos, ao contrário da Iveco, que se mostra mais flexível nas negociações.

Outro fator relevante na negociação deve ter sido a taxa de financiamento, que impacta diretamente o custo final da operação. Uma hipótese comum entre empresas pouco transparentes em comunicação. Além das condições financeiras, o pacote oferecido pela Iveco incluiu ainda os Planos de Manutenção da própria montadora, agregando valor à proposta e reforçando a competitividade frente aos concorrentes.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Daimler Truck encerra 2025 com 422,5 mil veículos vendidos no mundo; Brasil se destaca no desempenho da Mercedes-Benz

O grupo Daimler Truck Holding AG encerrou 2025 com a venda global de 422.510 caminhões e ônibus, resultado que confirma um ano de ajuste de mercado após o pico registrado em 2024. Embora o volume global tenha recuado 8% na comparação anual.

A análise dos números acumulados de 2025 mostra um cenário heterogêneo entre as regiões de atuação do grupo:
  • Mercedes-Benz Trucks: 159.871 unidades, praticamente estável em relação a 2024, sinalizando equilíbrio entre renovação de frotas e demanda em mercados maduros, e importante contribuição do Brasil com 27.935 unidades, portanto, 17,5% de participação, maior entre todos os mercados da marca.
  • Daimler Trucks North America (com as marcas Freightliner, Western Star e Thomas Built Buses): 141.814 unidades, com queda expressiva frente ao ano anterior, refletindo condições mais restritivas do mercado norte-americano, especialmente em crédito e renovação de grandes frotas.
  • Daimler Trucks Asia (com as marcas FUSO Trucks, FUSO Buses e RIZON trucks): 107.055 unidades, crescimento de 4%, impulsionado por mercados emergentes e pela integração das operações da China e da Índia ao segmento Mercedes-Benz Trucks a partir de 2025.
  • Daimler Buses (as marcas Mercedes-Benz e Setra): 26.991 ônibus, avanço de 2%, confirmando a recuperação gradual da demanda por transporte coletivo e rodoviário. O Brasil contribuiu com 10.382 unidades, o que representa 38,5% no resultado global da divisão de ônibus.

Mesmo em um ano de retração global, as vendas de veículos elétricos a bateria, que chegaram a 6.726 unidades em 2025, representando uma participação de 1,6% nas vendas totais. Embora ainda representem uma fatia pequena do total, percentualmente, foi um crescimento de 67% sobre as vendas de 2024. O percentual, apesar de alto, é sobre uma base pequena em volume.

Saiba mais sobre o desempenho das vendas de caminhões elétricos na Europa e no Brasil:

Brasil: Mercedes-Benz sustenta volumes robustos em caminhões e ônibus

A Daimler Truck vende caminhões e ônibus em praticamente todos os mercados relevantes do mundo, atuando com marcas e redes de vendas e serviços em dezenas de países, com presença global comprovada nos principais continentes — Europa, América do Norte, América Latina, Ásia, África e Oriente Médio.

No recorte nacional, a Mercedes-Benz do Brasil teve papel relevante dentro da operação global da marca e do grupo. Em 2025, a marca comercializou 27.935 caminhões e 10.382 ônibus no mercado brasileiro, números que reforçam a importância do País como um dos principais polos industriais e comerciais da Daimler Truck fora da Europa e da América do Norte.

Demanda consistente por ônibus, ligada tanto à renovação de frotas urbanas quanto ao transporte rodoviário, em um contexto de retomada gradual da mobilidade e de programas públicos de renovação, tornou o Brasil como principal mercado global da Daimler Buses.

Os detalhes financeiros e as projeções para 2026 serão apresentados pela Daimler Truck em março, durante a conferência anual de resultados do grupo.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Porter NPE: a virada elétrica da Piaggio eleva o padrão e o custo na logística urbana

A Piaggio Commercial Vehicles dá um salto tecnológico ao apresentar a Porter NPE, versão 100% elétrica de sua tradicional van urbana. Mais do que uma simples eletrificação de um modelo, a novidade reposiciona o Porter em um novo patamar de desempenho, eficiência e custo, trazendo reflexões importantes para gestores de frotas, operadores logísticos e empresas de transporte urbano que buscam soluções de última milha mais limpas e produtivas.

Produzido desde 1992, o Porter nasceu de uma colaboração com a Daihatsu e construiu sua reputação com base na simplicidade mecânica e na robustez. Até recentemente, utilizava um motor a gasolina 1.5, adequado ao seu propósito urbano, mas longe de oferecer sofisticação tecnológica.

A Porter NPE rompe com esse passado ao adotar um motor elétrico integrado ao eixo traseiro. A chamada Unidade de Acionamento Elétrico (EDU) reúne motor, inversor e transmissão em um único conjunto, solução típica de veículos elétricos mais avançados. O resultado impressiona para uma van compacta:

  • Potência máxima de até 150 kW (204 cv)
  • Torque de 342 Nm, disponível de forma imediata
  • Potência contínua de 60 kW, adequada ao uso prolongado em ambientes urbanos

Na prática, isso se traduz em acelerações ágeis, facilidade para arrancadas com carga e condução suave, características valiosas para operações de entrega urbana. A velocidade máxima é limitada a 90 km/h, o que reforça o foco exclusivo em trajetos urbanos.

Autonomia urbana e capacidade de carga acima da média

Um dos pontos mais relevantes para o gestor de frota está na relação entre autonomia, carga útil e dimensões. A Porter NPE utiliza uma bateria LFP (lítio-ferro-fosfato) de 42 kWh, química conhecida por maior durabilidade e segurança térmica, aspectos críticos para uso intensivo.

Segundo o ciclo urbano WLTP, a autonomia pode chegar a 250 quilômetros, número bastante competitivo para operações de última milha, entregas municipais, serviços técnicos e logística urbana dedicada. O carregamento pode ser feito:

  • em corrente alternada (AC) até 11 kW, ideal para recargas noturnas na base
  • ou em corrente contínua (DC) até 50 kW, permitindo paradas rápidas durante o dia

Mesmo com apenas 1,6 metro de largura, o veículo mantém uma capacidade de carga útil superior a uma tonelada, algo incomum nesse segmento. Para frotas que operam em centros históricos, ruas estreitas ou áreas de restrição ambiental, essa combinação de compacidade e robustez operacional é um diferencial estratégico.

Segurança, conforto e um recurso raro no segmento

A Porter NPE chega alinhada às exigências regulatórias, incorporando sistemas de assistência ao condutor que já se tornaram padrão na Europa:

  • assistência de frenagem de emergência
  • assistente de manutenção de faixa
  • controle eletrônico de estabilidade (ESP)

Além disso, a plataforma elétrica permite um recurso pouco comum em veículos desse porte: sistema de climatização estacionário, que pode manter a cabine climatizada sem o motor em funcionamento. Para motoristas que realizam múltiplas paradas ou aguardam carga e descarga, isso representa ganho de conforto, redução de fadiga e maior eficiência energética.

O custo da modernidade elétrica

Se tecnicamente há evolução, ela tem preço que impõe uma reflexão inevitável. Com valores em torno de € 40 mil (equivalente a R$ 250 mil sem incluir a carga tributária brasileira e o custo Brasil), a Porter NPE é significativamente mais cara que seu antecessor a combustão, conhecido por seu baixo custo de aquisição. Portanto, a tecnologia existe, mas é muito cara.

Para o gestor de frota, isso desloca a análise do preço inicial para o custo total de propriedade (TCO). Menor gasto com energia, manutenção simplificada, isenção ou redução de taxas ambientais e acesso irrestrito a zonas de emissão zero podem, talzez ao longo do tempo, equilibrar o investimento inicial mais elevado, dependendo do perfil da operação. No entanto, até o momento, há muita transparência sobre os resultados.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Iccarus: uma experiência onde São Paulo encontra o mito de Ícaro, entre o sol, a arquitetura e os sentidos

0

O Roteiro Automotivo esteve no Iccarus, novo restaurante localizado no icônico 43º andar do Vista do Vale, um dos edifícios mais imponentes e emblemáticos da cidade de São Paulo. A ida até o restaurante, por si só, já é um convite a uma cena bucólica e histórica da capital. É como assistir a uma orquestra urbana: a arquitetura, os movimentos e os sons se entrelaçam entre buzinas, passantes e celulares. Tudo vibra em um tom energizante, no caos poético tão característico da nossa grande metrópole. 

O Iccarus se apresenta com uma arquitetura imersiva — ali, tudo é experiência. Inspirado no mito de Ícaro, o espaço dança na sutileza das luzes solares projetadas por praticamente todo o ambiente, remetendo ao toque sublime do sol. Há algo de transcendental que nos envolve ao percorrer os salões propostos pelo restaurante. Ao adentrar, somos recebidos por uma cortina que remete à abertura das luzes de um anfiteatro. Em seguida, o espetáculo se revela: mesas bem distribuídas, abajures dourados e a presença intensa e viva de luzes vermelho-alaranjadas nos provocam a reviver o ato mais sublime de Ícaro — tocar o sol, alcançar o masterpiece. 

Há um salão vermelho cuja proposta futura é receber reservas de grupos e eventos corporativos. Neste ambiente, a vista é magistral: o contraste entre os tons quentes do espaço e os grandes edifícios do vale cria um diálogo profundo e ousado com o também icônico Banespão, hoje Farol Santander. 

O cardápio, ainda mais enxuto por seguir a proposta de soft open, entrega drinks impecáveis e clássicos muito bem executados. Destaque especial para o Old Fashioned e para o já conhecido — e sempre certeiro — Espresso Martini. 

A culinária é minuciosa, com uma apresentação que flerta com o Art Déco. Vale a pena se permitir saborear cada entrada; os croquetes, em especial, são fabulosos. 

O serviço é, sem dúvida, um dos pontos altos da experiência. Logo na chegada, somos recebidos como se estivéssemos em uma apresentação cuidadosamente ensaiada — cada detalhe tem seu encaixe. Édipo, Ana e Alana conduzem o atendimento com precisão, gentileza e atenção plena. Mal precisamos pedir: eles antecipam, acolhem e nos afagam com um serviço verdadeiramente impecável. 

Leia mais na seção Roteiro Automotivo

O fumódromo é uma experiência à parte. Após subir dois lances de escada, nos deparamos com São Paulo aos nossos pés — ou melhor, uma vista quase 360° que deleita o olhar. Aqui, a única sugestão seria uma sinalização mais evidente nos degraus e escadas, que exigem atenção redobrada. 

Há ainda uma pista charmosa, integrada à energia do bar 360°, que permite tanto um visual privilegiado quanto um atendimento fluido e envolvente. 

Tudo é afetivo, sonoro e visceral. Não houve economia em nos proporcionar uma verdadeira alquimia sensorial — uma experiência que envolve, com elegância e intensidade, todos os sentidos. 

 Quem é Ícaro? 

 Ícaro é o personagem do mito grego que simboliza o impulso humano de ultrapassar limites. Filho de Dédalo, grande inventor, ele escapa do labirinto de Creta com asas feitas de penas e cera, mas, tomado pela euforia do voo, ignora os avisos do pai e se aproxima demais do sol. O calor derrete a cera, as asas se desfazem e Ícaro cai no mar. Seu conto atravessa séculos como uma metáfora poderosa sobre ambição, liberdade e risco: a beleza de ousar, a sedução do impossível e o preço que se paga ao confundir coragem com desmedida. 

Endereço: Praça Pedro Lessa, 110 – 43º andar, Centro Histórico, São Paulo – SP, 01032-030, Brasil.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Muito discurso, pouca frota: a eletrificação dos caminhões não sai do papel na Europa e nem no Brasil

A transição energética no transporte rodoviário de cargas é frequentemente tratada como uma corrida global rumo à eletrificação. Mas, quando se observa a frota real em circulação — e não apenas as vitrines de lançamentos ou percentuais de vendas — o cenário revela diferenças estruturais profundas entre Europa e Brasil. Dados recentes da ACEA, Anfavea e Fenabrave mostram que, apesar do discurso avançado, os caminhões movidos a energia elétrica ainda são estatisticamente irrelevantes em ambos os mercados. O que muda é o ponto de partida, o ritmo e, sobretudo, a estratégia adotada por gestores de frotas

A União Europeia possui hoje cerca de 6,2 milhões de caminhões médios e pesados em circulação. Esse contingente cresceu apenas 0,9% no último ano, isso em um mercado maduro e cauteloso. O dado mais preocupante, porém, é o envelhecimento persistente da frota: a idade média chegou a 14 anos em 2024 e 2025, patamar histórico para o bloco. É nós, no Brasil, achando que idade média de frota alta era coisa de país subdesenvolvido.

Na prática, isso significa que uma parcela relevante desses veículos ainda opera sob normas Euro 4 ou início Euro 5. Em termos operacionais, são caminhões que:

  • consomem 15% a 20% mais combustível do que um Euro 6 moderno;
  • emitem níveis significativamente maiores de NOx e material particulado;
  • elevam custos de manutenção e riscos ambientais e de segurança.

Apesar da pressão regulatória e das metas de neutralidade climática, a eletrificação da frota total é mínima. Caminhões elétricos representam apenas 0,3% da frota em uso, embora já respondam por 2,3% das vendas novas em 2024. Em números absolutos, ao final de 2024, a Europa contava com cerca de 15 mil caminhões elétricos a bateria (BEV) e apenas 170 unidades movidas a hidrogênio. Tudo isso distribuído em 27 países da União Europeia, totalizando mais de 450 milhões de habitantes. Neste ritmo, a renovação total da frota de caminhões a diesel por elétricos não ocorrerá nas próximas quatro ou cinco décadas.

Para a ACEA, esse descompasso revela uma realidade incômoda: trocar rapidamente caminhões antigos por modelos Euro 6 a diesel pode gerar um impacto ambiental imediato maior do que a simples venda de elétricos, dada a baixa escala atual da tecnologia zero emissão. No Brasil, a Anfavea apresentou estudos que corroraboram com a ACEA.

Infraestrutura e custos: os verdadeiros freios da eletrificação pesada

O maior entrave europeu está fora do veículo, como disse Christian Levin, CEO da Scania, presidente do Conselho Executivo do TRATON Group e do Conselho de Veículos Comerciais da ACEA (associação dos fabricantes) em entrevista publicada com exclusividade no Brasil pela Frota News:

Para que um caminhão elétrico de 40 toneladas seja viável no transporte de longa distância, é necessário recarregar durante a pausa obrigatória do motorista: 45 minutos após 4,5 horas de direção. Isso exige carregadores de ultra-alta potência, de custo altíssimo.

Hoje, existem apenas 1.100 pontos públicos acima de 350 kW em toda a União Europeia adequados para caminhões. A estimativa da ACEA indica necessidade de 50 mil carregadores públicos até 2030. No Brasil, os projetos mais otimistas projetam 1 mil carregadores públicos para caminhões até 2030.

O problema escala rapidamente quando se olha para a rede elétrica. Um hub rodoviário com vários caminhões carregando simultaneamente demanda potência equivalente à de uma pequena cidade. O custo estimado para reforçar as redes elétricas europeias é de 600 bilhões de euros até 2030 (equivalente  a R$ 3,2 trilhões), dinheiro indisponível no Brasil para melhorar a nossa rede elétrica nem em cinco décadas. Além disso, o setor de recarga de caminhões vai disputar energia elétrica com a onde de construção da data centers no Brasil.

Somam-se a isso, os custos dos veículos: um caminhão elétrico novo custa em torno de 300 mil euros, cerca de três vezes o valor de um modelo a diesel. Em conversão direta para real, custaria R$ 1,6 milhão. No entanto, com a carga tributária e o custo Brasil, este o mesmo modelo custaria entre R$ 2 e 3 milhões.

Por que ônibus avançam mais rápido que caminhões

A comparação entre segmentos ajuda a entender o desafio:

Veículo Elétricos na frota total Elétricos nas vendas 2024
Caminhões 0,3% 2,3%
Vans 1,3% 6,1%
Ônibus 3,2% 18,5%

 

Nos ônibus, o modelo de negócio faz toda a diferença. Recursos públicos dos contribuintes, rotas fixas, retorno diário à garagem e carregamento noturno em garagens privadas eliminam a dependência da infraestrutura pública. Não por acaso, 40% dos ônibus urbanos novos vendidos em 2024 na Europa já eram BEV, em linha com o mandato europeu de 90% até 2030. Para caminhões que cruzam fronteiras e operam em horários variáveis, o desafio é de outra ordem de grandeza.

  • Saiba mais: A Frota News conta com uma seção dedicada ao tema descarbonização das frotas com mais de 200 artigos publicados: Frota Sustentável

Brasil: números pequenos e com mais desafios

No Brasil, a eletrificação dos caminhões ainda é embrionária, mas apresenta características mais desafiadoras. Segundo a Anfavea, em 2025 foram emplacados 410 caminhões elétricos e 845 ônibus elétricos. Em um mercado dominado historicamente pelo diesel, esses números ainda são marginais.

Um dado estratégico chama a atenção: apenas 86 dos 410 caminhões elétricos foram fabricados no Brasil, todos da Volkswagen Caminhões e Ônibus (e-Delivery). Os outros 324 foram importados da China, evidenciando a forte dependência da importação de fabricantes asiáticos para a transição energética brasileira.

O detalhamento da Fenabrave reforça esse quadro. No acumulado de 2025, foram 368 caminhões elétricos emplacados, com concentração em poucas marcas:

Posição Fabricante Quantidade Participação
JAC 164 44,57%
VW Truck & Bus 86 23,37%
Foton 34 9,24%
Nanjing 28 7,61%
Tesla (picape com PBT de caminhão) 23 6,25%
Sany Caminhões 13 3,53%
Mercedes-Benz do Brasil 7 1,90%
Demais 13 3,53%

 

Diferentemente da Europa, o Brasil ainda enfrenta uma frota gigantesca mais envelhecida sob padrões ambientais rígidos como o Euro 0, 1 2, 3 e 5. O Proconve P8 (equivalente ao Euro 6) é relativamente recente, e a renovação da frota ocorre em um ritmo lento.

Duas realidades, um mesmo dilema para o gestor de frota

A comparação entre Brasil e Europa deixa uma mensagem para gestores de frotas, transporte e logística: não existe transição energética sem matemática operacional.

Na Europa, o dilema está entre investir bilhões em infraestrutura elétrica ou acelerar a renovação da frota diesel para padrões mais limpos no curto prazo. No Brasil, o desafio é evitar uma eletrificação puramente oportunista, dependente de importações, sem escala industrial local e sem infraestrutura adequada.

Em ambos os mercados, os caminhões elétricos ainda são exceção, não regra. A experiência europeia mostra que metas ambiciosas sem frota renovada e rede elétrica robusta criam um hiato perigoso entre discurso e realidade.

Já o Brasil tem a oportunidade de aprender com esse cenário, adotando uma estratégia mais pragmática: combinar eficiência energética, biocombustíveis — como biodiesel, biometano e HVO — renovação tecnológica e eletrificação onde o modelo de negócio realmente fecha a conta.

Para o gestor de frota, a pergunta-chave não é “quando o diesel vai acabar”, mas qual tecnologia reduz custo, risco regulatório e emissões agora, sem comprometer a operação. E, nesse ponto, tanto Europa quanto Brasil ainda estão longe da linha de chegada.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

 

Hiace Furgão: Toyota entra no jogo das vans de carga com estratégia voltada às frotas

0

A Toyota amplia sua presença no transporte profissional no Brasil com a chegada da Hiace Furgão. Após a estreia da Hiace Minibus em setembro de 2025, a fabricante passa a oferecer uma opção orientada ao transporte de mercadorias, mirando diretamente gestores de frotas, operadores logísticos e empresas que dependem da produtividade do veículo no dia a dia. Lançada por R$ 304.990, a nova versão chega com um pacote que combina mecânica da picape Hilux e conectividade embarcada.

A Hiace Furgão chega para competir na faixa de furgões com PBT até 3.500 kg, portanto, enquandrando-se na regulamentação para condução com habilitação de categoria B com EAR. Somado a isso, o modelo tem 2,28 metros de altura, o que permite acesso a garagens de prédios comerciais, geralmente limitadas a 2,40 metros.

O furgão conta com porta traseira bipartida com ampla abertura e portas deslizantes em ambos os lados da carroceria, uma exclusividade no segmento. Essa configuração permite carga e descarga mais seguras e rápidas em vias estreitas ou áreas com espaço limitado. O modelo tem capacidade para transportar até 1.055 kg e volume de carga de 9,3 m³.

A Hiace Furgão adota o conceito de carroceria semi-bonnet, com capô alongado, solução que amplia a cabine, reduz vibrações e ruídos. O interior foi desenhado com foco funcional, com painel inclinado para melhorar a visibilidade, quadro de instrumentos e central multimídia de 9 polegadas posicionados em local elevado.

O modelo incorpora o Toyota Serviços Conectados, que permite ao proprietário e ao gestor acompanhar dados como histórico de viagens, consumo, status do veículo, lembretes de revisão e diagnósticos de falhas por meio do aplicativo Toyota App, sem custo adicional. No pacote completo, com 12 meses gratuitos, entram recursos como rastreamento e imobilização em caso de roubo, cercas geográficas, alertas de velocidade, monitoramento de acidentes com acionamento automático das autoridades e possibilidade de contratação de Wi-Fi para até dez dispositivos.

No conjunto mecânico, a Toyota recorre a um argumento forte para o mercado brasileiro ao adotar a mesma base da Hilux. O motor 2.8 turbodiesel entrega 174 cv de potência e 449 Nm de torque a 1.600 rpm, associado ao câmbio automático de seis marchas e à tração traseira. Segundo dados do Inmetro, o consumo apresenta médias de até 8,8 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada. O raio de giro de 6,9 metros reforça a vocação urbana da van, facilitando manobras em centros congestionados, pátios logísticos e áreas de acesso restrito.

Saiba mais na seção Veículos Comerciais Leves

A segurança segue o padrão dos concorrentes. A estrutura da Hiace Furgão conta com zonas de absorção de impacto e reforços ao longo da carroceria, além de cintos de três pontos para todos os ocupantes e três airbags, incluindo um de joelho para o motorista. No pacote de segurança ativa, estão presentes controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, câmera de ré e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros.

Do ponto de vista do custo total de propriedade, a Hiace Furgão integra o programa Revisão Facilitada, com as três primeiras manutenções gratuitas e valores fixos da quarta à sexta revisão, realizadas a cada 12 meses ou 10 mil quilômetros. Até os 60 mil km ou seis anos de uso, o custo total dessas revisões soma R$ 3.657. Ela também participa do programa Toyota 10, que permite estender a garantia do veículo por até 10 anos, sem custo adicional.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

 

Descarbonização vira critério na contratação da Reiter Log pela Coca-Cola FEMSA Brasil

A parceria firmada entre a Reiter Log e a Coca-Cola FEMSA vai além de um contrato tradicional de transporte. Trata-se de um movimento estruturado de descarbonização da operação logística, com impacto direto na gestão de frotas, na previsibilidade operacional e no cumprimento de metas ESG em um dos corredores mais relevantes do Sul do país.

As informações foram publicadas pela Reiter Log em seu perfil no LinkedIn e a Frota News aprofundou a apuração para entender o que está por trás do anúncio oficial e quais são os efeitos práticos dessa iniciativa para o setor de transporte rodoviário de cargas.

O acordo, com prazo de cinco anos, envolve uma frota dedicada de 36 caminhões, responsável por atender uma operação contínua de transferência entre Santa Catarina e Paraná. O ponto central da estratégia está na introdução de três cavalos mecânicos pesados movidos a biometano, combustível renovável que vem ganhando espaço como alternativa concreta ao diesel no transporte de cargas.

A Coca-Cola FEMSA já conta com mais de 400 caminhões elétricos para distribuição urbana e já estava no planejamento o investimento na logística de médias e longas distâncias com caminhões movidos a biometano. Saiba mais na entrevista exclusiva ao Frota News:

Entrevista: A gestão de segurança da frota de 11 mil veículos da Coca-Cola Femsa Brasil

Biometano: tecnologia madura para operações pesadas

O uso do biometano representa um avanço importante frente ao GNV de origem fóssil. Produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, o combustível apresenta vantagens ambientais e operacionais relevantes:

  • Redução de até 90% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel convencional;
  • Origem 100% renovável, com potencial de economia circular;
  • Desempenho térmico e torque compatíveis com operações pesadas, incluindo transporte de bebidas em regiões de serra, comuns no Sul do Brasil.

Na prática, isso significa que a frota consegue manter produtividade, capacidade de carga e regularidade operacional, fatores críticos para contratos de longo prazo com a indústria de bebidas.

  • Saiba mais: A Frota News conta com uma seção dedicada ao tema descarbonização das frotas com mais de 200 artigos publicados: Frota Sustentável

Para isso, a Reiter Log tem uma das maiores frotas de caminhões pesados movidos a biometano. Os modelos são todos Scania, única fabricante de com produção comercial no Brasil até o momento. Além disso, a Reiter Log tem investido em postos de abastecimento de biometano em suas principais rotas.

O corredor SC–PR

A rota atendida pela operação é estratégica para a Coca-Cola FEMSA:

  • Origem: fábrica de Antônio Carlos (SC), uma das principais unidades produtivas da companhia no país;
  • Destino: centros de distribuição de Araucária e Curitiba (PR);
  • Volume: cerca de 104 viagens mensais, garantindo fluxo contínuo de abastecimento para a Região Metropolitana de Curitiba.

A escolha de um eixo interestadual, e não apenas urbano, reforça a tese de que o biometano já alcançou um nível de maturidade suficiente para operações de média e longa distância, superando a fase de testes restritos a centros urbanos.

Impacto ambiental: prevenção, não compensação

A redução estimada de 920 toneladas de CO₂ por ano, uma equivalência ao plantio de 2.500 árvores por ano. Para a Coca-Cola FEMSA, a iniciativa contribui diretamente para a meta global de redução de 28% das emissões até 2030, considerando a base de 2015.

Além do aspecto ambiental, o uso de combustíveis alternativos também dialoga com a gestão de custos logísticos. Em um cenário de alta volatilidade do diesel, o biometano tende a oferecer maior previsibilidade de preços no longo prazo, fator cada vez mais relevante para contratos extensos e operações dedicadas.

Para a Reiter Log, o novo contrato confirma a estratégia de investir na ampliação da frota com caminhões movidos a gás e elétricos.

Análise Frota News

O novo contrato entre Reiter Log e Coca-Cola FEMSA sinaliza uma mudança no setor: a logística verde deixou de ser diferencial de marketing e passou a ser critério contratual. Grandes embarcadores já exigem soluções que conciliem eficiência operacional, redução de emissões e estabilidade de custos.

O uso do biometano em rotas interestaduais demonstra que a transição energética no transporte rodoviário não é mais uma promessa de longo prazo, mas uma realidade em construção. Para gestores de frotas e operadores logísticos, isso é mais um sinal: sustentabilidade, agora, é parte da equação de competitividade.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Caminhões e ônibus fecham 2025 sob pressão dos juros, aponta Anfavea

O setor de veículos pesados encerrou 2025 com sinais de alerta para transportadores, gestores de frotas e operadores logísticos. Dados consolidados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que, apesar de um desempenho geral positivo da indústria automotiva, caminhões e ônibus seguiram um caminho mais cauteloso, fortemente impactados pelo ambiente de juros elevados e crédito restrito.

No mercado interno, os emplacamentos de caminhões no acumulado de janeiro a dezembro de 2025 somaram 113.477 unidades, uma queda de 9,2% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 124.933 unidades. O resultado confirma que a renovação de frotas perdeu ritmo ao longo do ano, especialmente nos segmentos mais dependentes de financiamento.

Mesmo com um dezembro mais aquecido na comparação com novembro, impulsionado por promoções e queima de estoques, o desempenho mensal não foi suficiente para reverter o quadro anual negativo. O impacto foi ainda mais intenso no segmento de caminhões pesados, voltados majoritariamente ao transporte de longas distâncias, que registraram retração de 20,5% frente a 2024 — reflexo direto do aumento do custo do capital e da cautela dos transportadores diante das incertezas econômicas.

Do lado da produção, o cenário foi um pouco mais estável. A indústria nacional fabricou 152 mil caminhões e ônibus em 2025, e a Anfavea projeta uma leve recuperação em 2026, com produção estimada em 154 mil unidades, alta de 1,4%. Ainda assim, o avanço esperado é modesto e não indica, ao menos no curto prazo, uma retomada vigorosa do mercado.

“O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025 e seguem presentes neste início de ano”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea. Segundo ele, o comportamento do mercado em 2026 deve ser semelhante ao observado no segundo semestre do ano passado, marcado por decisões de compra mais conservadoras.

Destaques de crescimento

Mercedes-Benz: Embora o mercado geral tenha caído, a marca da estrela de três pontas conseguiu um resultado positivo de 9,5% no acumulado (27.935 unidades), consolidando-se como uma das poucas grandes montadoras a nadar contra a corrente da retração.

As líderes em volume e as quedas

Volkswagen Caminhões e Ônibus: Líder em volume absoluto com 30.211 unidades, a montadora encerrou o ano com uma leve queda de 3,6%, um desempenho superior à média do mercado.

Volvo e Scania: As marcas suecas, fortes no segmento de pesados, enfrentaram um ano difícil. A Volvo registrou queda de 13,4% (20.074 unidades), enquanto a Scania sofreu uma retração mais acentuada de 31,4% (13.134 unidades).

DAF: A montadora também viu seus números encolherem, fechando o ano com -22,2% em relação a 2024. É o primeiro ano que a montadora registra queda de vendas desde a inauguração da fábrica em Ponta Grossa (PR), em 2023.

Iveco: Manteve uma performance estável, com uma variação negativa de apenas 2,4%, praticamente acompanhando o ritmo do ano anterior.

caminhões
Fonte: Carta da Anfavea
caminhões
Fonte: Carta da Anfavea

Perspectivas

O resultado de 2025 mostra um setor em transição. O crescimento de montadoras focadas em nichos específicos e a resiliência da Mercedes-Benz contrastam com a dificuldade das marcas de caminhões de pesados, que são mais dependentes de financiamentos de longo prazo. Para 2026, a expectativa da indústria recai sobre a possível flexibilização das taxas de juros para retomar o fôlego das vendas. 

caminhões
Projeção para 2026 feita pela Anfavea
Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Be8 e Coleurb levam biodiesel B100 de nova geração ao transporte coletivo

A mobilidade urbana no transporte público passa a utilizar biodiesel de nova geração em Passo Fundo (RS). A parceria firmada entre a Be8, empresa gaúcha de energias renováveis, e a Coleurb, operadora do transporte coletivo urbano da cidade há mais de 60 anos, marca um avanço concreto na agenda de descarbonização do transporte coletivo de passageiros no Brasil.

Anunciada em 13 de janeiro de 2026, a iniciativa prevê o uso de 100% do biocombustível Be8 BeVant em parte da frota de ônibus urbanos, com potencial de reduzir em até 99% as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) ao longo do ciclo de uso. Trata-se do primeiro projeto do país a empregar um biocombustível renovável puro (drop-in) em operação regular no transporte coletivo urbano.

Nesta primeira fase, dois ônibus — um Mercedes-Benz e um Volkswagen — passam a operar com o Be8 BeVant. O contrato inicial tem duração de seis meses e funcionará como um projeto-piloto para avaliação técnica, ambiental e operacional, criando uma base de dados concreta para a possível expansão da solução a toda a frota da Coleurb.

Atualmente, a Coleurb conta com 90 veículos, sendo que 60% da frota foi renovada nos últimos dois anos, todos com acessibilidade e tecnologia Euro 6, conforme determina a legislação atual.

Para gestores de frotas, o projeto chama atenção por um ponto central: a transição energética ocorre sem ruptura operacional. O Be8 BeVant pode ser utilizado 100% puro em motores a diesel, sem necessidade de adaptações técnicas ou investimentos adicionais em infraestrutura, mantendo o mesmo desempenho operacional do combustível convencional.

Biocombustível como solução imediata para a descarbonização

Segundo Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, a parceria vai além de um contrato comercial. “O Be8 BeVant mostra que é possível reduzir imediatamente as emissões sem comprometer a eficiência operacional do transporte. Estamos democratizando o acesso a soluções sustentáveis que já estão disponíveis hoje”, afirma. Battistella destaca ainda o simbolismo do projeto para a empresa, já que o combustível foi desenvolvido e patenteado pela engenharia da fábrica da Be8 em Passo Fundo.

Do ponto de vista técnico, a compatibilidade do combustível com diferentes marcas de chassis mostra o potencial de escala da solução. “Ao ser utilizado em veículos Mercedes-Benz e Volkswagen, o Be8 BeVant demonstra compatibilidade com todos os tipos de veículos e marcas”, ressalta Camilo Adas, diretor de Transição Energética e Relações Institucionais da Be8.

Sustentabilidade integrada à estratégia de gestão da frota

A Coleurb entende a sustentabilidade como um compromisso real com o futuro da mobilidade urbana. Ao iniciar essa parceria com a Be8, passamos a integrar um projeto inovador, que alia tecnologia, responsabilidade ambiental e eficiência operacional”, afirma Carlos Henrique Pereira, diretor da Coleurb.

Produção de biodiesel bate recorde em 2025 e setor deve crescer em 2026

O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para o mercado brasileiro de biodiesel. De acordo com a equipe de Inteligência de Mercado da StoneX, a consolidação do mandato obrigatório de mistura B15, em vigor desde agosto, foi determinante para que a produção nacional atingisse níveis recordes.

Após anos de instabilidade provocados por fatores econômicos e pelos impactos da pandemia, o setor voltou a crescer de forma consistente. A sanção da Lei do Combustível do Futuro reforçou esse movimento ao estabelecer metas de aumento gradual da mistura até o B20 em 2030, oferecendo previsibilidade regulatória para produtores, investidores e operadores de transporte.

Dados da ANP indicam que, em 2025, o consumo de óleo de soja — principal insumo do biodiesel — chegou a 7,9 milhões de toneladas. O setor também avançou na diversificação de matérias-primas, com maior uso de sebo bovino, gordura suína e óleos residuais. A capacidade produtiva instalada alcançou 42,6 mil m³/dia, com mais de 70% concentrada nas regiões Centro-Oeste e Sul.

Para 2026, as perspectivas seguem positivas. A StoneX projeta uma demanda de até 10,5 milhões de toneladas de biodiesel com a manutenção do B15 ao longo do ano. Caso o mandato avance para B16 a partir de março, o consumo pode superar 11 milhões de m³, exigindo cerca de 8,9 milhões de toneladas de óleo de soja.

Com a capacidade industrial utilizada entre 57% e 64,5%, o setor já se prepara para novos investimentos, ampliação de usinas e entrada de novos players. Para o transporte e a logística, esse cenário reforça o papel do biodiesel e de biocombustíveis avançados como pilares estratégicos da transição energética no Brasil.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

Banco Mercedes-Benz aposta na linha Sprinter para impulsionar a renovação de frotas em janeiro

0

Em um cenário em que o crédito voltou a ocupar papel central nas decisões de investimento das empresas de transporte e logística, o Banco Mercedes-Benz do Brasil (BMB) inicia 2026 com uma ofensiva comercial direcionada à renovação e ampliação de frotas. Embora as campanhas anunciadas para janeiro contemplem caminhões, vans e automóveis, é na linha de vans Mercedes-Benz Sprinter que se concentram algumas das condições mais estratégicas para gestores de frotas, operadores logísticos e empresas de transporte urbano e rodoviário de cargas leves.

A iniciativa combina taxas competitivas, carência de até três meses, prazos longos e flexibilidade na contratação de seguros, fatores que impactam diretamente o fluxo de caixa das operações — um ponto sensível para empresas que operam com margens pressionadas por custos operacionais elevados.

Sprinter: crédito alinhado à realidade operacional das frotas

Para a Frota News, o destaque está no desenho das campanhas voltadas à linha Sprinter a combustão, que refletem uma leitura do papel desse modelo no transporte brasileiro: versatilidade, alta rotatividade e forte presença em operações urbanas, last mile, e-commerce, serviços e transporte corporativo.

O BMB estruturou duas campanhas distintas, permitindo ao gestor escolher a alternativa mais adequada ao perfil de uso, versão do veículo e estratégia financeira da empresa.

Voltada aos modelos 24/25 e 25/26 das versões chassi Truck 417 e 517, a campanha oferece financiamento nas modalidades CDC e CDC Decrescente, com taxas que partem de:

  • 0,99% ao mês para operações com seguro do veículo e seguro prestamista
  • 1,04% ao mês com seguro prestamista
  • 1,09% ao mês sem contratação de seguros

As condições incluem entrada mínima de 20%, válida tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, prazo de até 60 meses e carência de três meses para início do pagamento. Para gestores de frotas, esse modelo reduz o custo efetivo total e favorece a previsibilidade financeira, especialmente em contratos de médio prazo.

Campanha para outras versões e inclusão da e-Sprinter

A segunda campanha amplia significativamente o portfólio contemplado, abrangendo uma extensa lista de versões Sprinter 24/25 e 25/26 — desde modelos de chassi-cabine até furgões e versões específicas de aplicação — além de incluir a linha e-Sprinter, destinada a concessionários elegíveis.

Nessa modalidade, as taxas partem de:

  • 1,15% ao mês com seguro do veículo e seguro prestamista
  • 1,20% ao mês com seguro prestamista
  • 1,25% ao mês sem seguros

As demais condições permanecem alinhadas às demandas do setor: entrada mínima de 20%, prazo de até 60 meses e carência de três meses. A inclusão da e-Sprinter sinaliza um movimento relevante do banco em apoiar a transição energética nas frotas, ainda que de forma gradual e seletiva.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para os setores de gestão de frotas, transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast