sexta-feira, abril 3, 2026

Cummins começa a utilizar HVO em nicho de mercado no Brasil

O diesel verde HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) já é uma realidade no Brasil, mas ainda longe de representar uma substituição ampla e massiva ao diesel fóssil. O cenário atual é marcado por projetos-piloto, misturas com diesel mineral e aplicações específicas em frotas limitadas — enquanto a produção nacional em escala comercial ainda está em fase de estruturação.

Dentro desse contexto, a Cummins acrescenta que já utiliza o HVO em um data center hyperscale no País, ampliando o uso do combustível renovável na geração de energia crítica.

Produção nacional ainda em construção

Embora o HVO seja apontado como um biocombustível capaz de substituir integralmente o diesel fóssil — com desempenho equivalente e menor intensidade de carbono — o Brasil ainda não conta com produção consolidada em larga escala.

Há projetos de biorrefinarias com início de operação, como a planta anunciada por Brasil BioFuels (BBF) em parceria com a Vibra Energia na região Norte. Até que essas iniciativas entrem plenamente em operação, parte do HVO utilizado no País depende de importação, o que impacta diretamente o custo.

Hoje, o preço superior ao do diesel convencional, a oferta limitada de insumos renováveis e o ambiente regulatório ainda em consolidação são os principais entraves à expansão comercial do combustível.

Transporte rodoviário: blends ganham espaço

Na prática, o HVO já está presente no mercado brasileiro, principalmente em misturas com diesel fóssil.

A Petrobras comercializa o Diesel R, produto mineral com cerca de 5% de conteúdo renovável produzido via rota HVO, utilizado, por exemplo, em operações da Vale e da Volvo do Brasil. A Ipiranga também já distribui o Diesel R para algumas frotas cativas.

Em aeroportos, caminhões da BR Aviation que operam no Aeroporto Internacional de Guarulhos passaram a utilizar mistura com 10% de HVO, além do teor obrigatório de biodiesel e do diesel fóssil. A estratégia é ampliar gradualmente a participação do combustível renovável.

Testes no transporte marítimo

O uso do HVO também já chegou ao setor marítimo. No Porto do Açu, empresas como Wilson Sons, Vast Infraestrutura e Efen realizaram abastecimento experimental com HVO importado em rebocadores.

O teste, conduzido com anuência da ANP, avaliou desempenho e viabilidade técnica da substituição do diesel marítimo convencional, dentro de um projeto-piloto voltado a embarcações de apoio offshore.

Montadoras e frotas em fase experimental

No setor automotivo, a Stellantis iniciou o programa HVO Aurora, com foco em monitorar e certificar o uso do combustível em veículos comerciais. A proposta é comprovar que o HVO pode ser utilizado em frotas existentes sem necessidade de modificações técnicas, registrando dados de consumo e redução de CO₂.

A Volkswagen Caminhões também já conta o VW Meteor Optmus homologado para uso de HVO, apresentado na Fenatran de 2022, e depois o Meteor Hybrid, na Fenatran de 2024. Saiba mais:

VW Meteor Hybrid e outras soluções para redução das emissões de poluentes

 

Cummins aplica HVO em data center de 60 MW

É nesse ambiente de transição que a Cummins avança na agenda de descarbonização ao apoiar a adoção do HVO em um data center hyperscale de 60 megawatts no Brasil.

O projeto, conduzido pela Distribuidora Cummins Brasil (DCB), envolve um site equipado com 20 grupos geradores modelo C3000D6E, de 3 MW cada, que passarão a operar com HVO ainda neste primeiro trimestre, substituindo o diesel convencional em regime standby.

A aplicação é típica de data centers: os geradores entram em operação apenas em situações de contingência da rede elétrica, garantindo fornecimento seguro de energia para serviços digitais críticos.

Realidade tecnológica

Além desse primeiro site, o cliente já prevê a adoção gradual do HVO em duas plantas adicionais, ampliando progressivamente o uso do combustível conforme a consolidação logística e operacional.

Segundo Raphael Cunha Santos, supervisor de engenharia de projetos da DCB, o HVO já é uma realidade tecnológica para a companhia.

“Para a Cummins, o HVO já é uma realidade do ponto de vista tecnológico. Este projeto é o testemunho mais legítimo de que estamos prontos para viabilizar sua adoção no País, com equipamentos e suporte técnico preparados para atender aos clientes que desejam avançar na descarbonização de suas operações.”

Globalmente, os motores e grupos geradores da marca já são homologados para operar com HVO sem necessidade de modificações, recalibrações ou alterações nos planos de manutenção.

Para Thiago Martinelli, gerente de Power Systems da DCB, a iniciativa ocorre em um momento estratégico:

“A adoção do HVO acontece em um cenário de expansão acelerada do mercado brasileiro de data centers, impulsionado pela inteligência artificial e serviços digitais críticos. O uso do HVO nos grupos geradores não altera as rotinas de operação e manutenção. Acompanharemos o projeto por meio de nossa estrutura padrão 24/7, assegurando a estabilidade da operação.”

Para o transporte e para a geração de energia crítica, o HVO já saiu do campo teórico — mas ainda percorre os primeiros quilômetros rumo à consolidação no mercado brasileiro.

Diesel B15: qualidade sob suspeita e a opacidade na cadeia: o que acontece entre a origem e o tanque das frotas?

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No final de 2025, uma grande distribuidora anunciou ao mercado o lançamento de um diesel B15 aditivado classificado como “premium”, prometendo ganhos de desempenho, estabilidade e maior controle de qualidade na mistura com biodiesel. A novidade foi apresentada como resposta à evolução regulatória e ao avanço das misturas obrigatórias no Brasil.

Na mesma época, porém, o diretor de Operações de um dos maiores frotistas do transporte rodoviário de passageiros do País — com mais de 2.500 ônibus em operação — revelou à reportagem, em conversa informal (por isso preservamos a fonte), que a empresa vinha enfrentando problemas relacionados à qualidade do diesel B15 fornecido por grandes distribuidoras.

O relato chama atenção por um motivo central: trata-se de abastecimento em atacado, com entrega direta nas garagens da frota. Ou seja, sem a etapa do posto de rua, frequentemente apontada como ponto crítico para contaminação ou adulteração.

A questão, portanto, vai além do varejo.

O debate técnico e o silêncio corporativo

Em evento da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), a reportagem questionou diretamente a entidade sobre a qualidade do diesel mesmo no fornecimento atacadista. O tema foi debatido com Rogério Gonçalves, diretor de Combustíveis da AEA, entidade que dialoga com Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e representantes da indústria de biodiesel.

O ponto central da discussão: existem desafios logísticos relevantes entre a origem do biodiesel e sua incorporação ao diesel fóssil, especialmente nas etapas de transporte, armazenagem e mistura. São fases técnicas, regulatórias e operacionais que não aparecem ao consumidor final — mas que impactam diretamente a qualidade entregue.

Diante desse cenário, solicitamos entrevista à distribuidora responsável pelo lançamento do diesel B15 aditivado “premium”, com o objetivo de detalhar a logística do combustível desde a origem até o tanque das grandes frotas.

A assessoria de imprensa solicitou o envio prévio das perguntas. Elaboramos 17 questionamentos técnicos, abordando: Procedimentos de rastreabilidade do biodiesel; Controle de estabilidade oxidativa; Critérios de homologação de fornecedores; Monitoramento em terminais e bases; Procedimentos de controle na entrega direta às frotas; Gestão de não conformidades.

Após alguns dias, a empresa informou que não poderia contribuir. Posteriormente, recuou e afirmou que responderia, mas que, por se tratarem de perguntas complexas, seria necessário prazo adicional para apuração.

Passados quase 60 dias, não houve retorno.

O silêncio, diante da complexidade do tema, reforça uma sensação recorrente no setor: como a cadeia funciona, mas não é transparente.

O que o consumidor não vê

Recentemente, a reportagem recebeu, via LinkedIn, o “Boletim Biocombustíveis News”, com artigo assinado pela Dra. Angélica Dias, doutora em Biotecnologia com atuação na indústria de biodiesel e foco em ciência aplicada à transição energética.

O texto converge com as dúvidas levantadas por frotistas e por esta reportagem.

Segundo a autora, entre extração, refino, distribuição e preço final, o consumidor enxerga apenas a última etapa. O que chega à bomba — preço e qualidade — não é definido no posto, mas por uma cadeia de decisões técnicas, logísticas, regulatórias e políticas que permanecem praticamente invisíveis.

No discurso oficial, o ciclo é simples:

Poço → Refino → Distribuição → Revenda

Na prática, trata-se de uma cadeia longa, concentrada e opaca, em que responsabilidades se diluem. O consumidor só percebe que algo está errado quando o prejuízo já ocorreu — no motor, no sistema de injeção ou na perda progressiva de desempenho.

Mesmo em um cenário ideal de extração e refino conformes às normas, há uma etapa crítica pouco debatida: terminais, dutos, bases de distribuição e transporte rodoviário.

É nesse ponto que ocorrem as misturas obrigatórias — como o biodiesel no diesel — e onde, segundo especialistas, a rastreabilidade enfraquece.

A autora cita um dado alarmante: 28% do combustível comercializado no Brasil apresenta algum tipo de adulteração, das mais grosseiras às mais sutis. O problema não é apenas o combustível claramente irregular, que provoca falha imediata. O dano mais comum é silencioso: depósitos progressivos, perda de eficiência térmica, aumento de consumo específico e falhas prematuras em bombas, bicos e válvulas.

O sistema não quebra no posto. Ele quebra meses depois — fora da estatística e longe da responsabilização.

O impacto nas frotas

Para grandes operadores de transporte rodoviário o impacto não é trivial: Aumento de consumo específico; encurtamento de intervalos de manutenção; falhas prematuras em sistemas de injeção de alta pressão; redução de disponibilidade operacional; elevação do custo por quilômetro rodado.

Quando o problema surge, a cadeia de responsabilização é difusa. O fornecedor aponta para a origem do biodiesel. O produtor aponta para parâmetros de armazenagem. A distribuidora menciona conformidade na saída da base. E a frota assume o prejuízo.

Se no varejo há o risco de contaminação por tanques mal conservados ou práticas ilícitas, no atacado o desafio é outro: controle fino de qualidade em volumes massivos, estabilidade química do biodiesel, gestão de estoques e compatibilidade com sistemas modernos de injeção.

Transparência como ativo estratégico

O lançamento de um diesel B15 aditivado “premium” poderia ser uma oportunidade para o setor demonstrar robustez técnica, rastreabilidade e controle ampliado da cadeia. No entanto, a ausência de respostas técnicas a questionamentos objetivos revela um déficit de comunicação — e talvez de governança.

O debate público costuma se restringir ao preço na bomba. Mas o problema pode estar antes: na estratégia de refino, na dependência de importações, na logística de mistura, na concentração de poder nas distribuidoras e na diferença pouco explicada entre o preço na refinaria e o valor final ao consumidor.

Frota News | Perfil social: Aditivos para motores a diesel

Aditivos
Fonte: Mercado Livre

A pergunta que permanece não é se o sistema funciona. Ele funciona.

A questão é: para quem?

Enquanto a cadeia seguir operando com baixa transparência e responsabilização difusa, o risco técnico continuará sendo absorvido por quem está na ponta — frotistas, operadores e consumidores finais.

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DAF XF 2026 ganha cor Roxo Estelar. Por que os caminhões do Brasil estão ganhando novas cores?

A personalização de caminhões deixou de ser detalhe estético para se tornar estratégia comercial e ferramenta de posicionamento de marca. Entre 2023 e 2026, a DAF promoveu uma das mais visíveis expansões de cores da linha XF no Brasil, incorporando tonalidades que fogem do padrão tradicional do segmento pesado e dialogam com tendências globais de design.

A seguir, a Frota News apresenta um panorama ano a ano das principais cores novas introduzidas na linha XF no País — desconsiderando as tonalidades já consolidadas anteriormente. Também, apresentamos um resumo sobre as outras marcas de caminhões.

2023 – Apple Green inaugura nova fase

O ano de 2023 marcou a virada estética da DAF no Brasil com o lançamento da cor Apple Green para os modelos XF e CF. A tonalidade passou a ser oferecida em toda a rede de concessionárias, ampliando o catálogo da marca para 14 opções de fábrica.

Até então, predominavam cores tradicionais como Ice White, Diablo Red, Jamaica Blue, Black Distingo, Demo Yellow, Blue Metallic, Sky Blue, Zermatt Silver, Currant Red, Green Metallic, Aurora Orange, Mint Green e Iron Grey.

Com a Apple Green, a DAF sinalizou que pretendia disputar também o campo emocional do cliente — aquele que enxerga no caminhão não apenas uma ferramenta de trabalho, mas uma extensão da identidade profissional.

2024 – A preparação da nova geração

Ao longo de 2024, a marca começou a preparar o terreno para o XF 2025, apresentado na Fenatran 2025.

2025 – Verde Ávila e Rosa Romã ganham as estradas

Na Fenatran 2025, a DAF oficializou a nova geração do XF e destacou a cor Verde Ávila como novidade do portfólio. A tonalidade passou a ser usada em unidades de demonstração e ações promocionais.

Outra cor que ganhou forte visibilidade foi a Rosa Romã (também chamada de Pomegranate Pink), aplicada principalmente em versões XF 480 Super Space. Divulgada como “a cor do momento”, a tonalidade apareceu em campanhas digitais e ações de concessionárias.

Paralelamente, documentos de catálogo passaram a incluir também o Verde Apoena.

2026 – Consolidação e portfólio ampliado

Com atualizações de catálogo realizadas entre 2025 e 2026, Apple Green, Verde Apoena e Rosa Romã passaram a constar oficialmente como parte da tabela de cores disponíveis para o XF.

A comunicação da marca passou a destacar um leque que pode chegar a até 18 opções, combinando cores tradicionais com tonalidades especiais e mais “fashion”, como Roxo Estelar, além das já citadas.

Tabela – Principais cores novas por ano (XF Brasil)
Ano Cor nova principal XF Tipo de oferta
2023 Apple Green Cor de linha disponível em toda a rede
2024 Preview de cores especiais XF 2025 Exposição em feiras e demos
2025 Verde Ávila Cor especial destaque da nova geração
2025 Rosa Romã Cor especial aplicada ao XF 480 Super Space
2025/2026 Verde Apoena Inclusão oficial em catálogo de cores

Personalização: tendência global que ganha força no Brasil

Cores
A vWCO já oferece 75 opções de cores para a sua linha de caminhões

Quando visitei a fábrica da Mercedes-Benz em Wörth am Rhein, na Alemanha, o que mais impressionou — além da robotização — foi a diversidade de cores disponíveis. Globalmente, a marca trabalha com cerca de 300 alternativas na paleta padrão, sem contar customizações especiais.

No Brasil, a Mercedes-Benz do Brasil oferece aproximadamente 50 opções.

Outras montadoras também ampliaram seu portfólio:

  • A Volkswagen Caminhões e Ônibus lidera em variedade, com 75 opções.
  • A Scania possui paleta global de 70 cores (variável por mercado).
  • A Iveco disponibiliza 12 opções.
  • A Volvo adota política flexível: aceita praticamente qualquer cor sob encomenda, com prazo e custo adicionais.

O salto é notável. Até poucos anos atrás, a média nacional mal ultrapassava meia dúzia de cores, quase sempre acompanhadas de chassi preto.

Identidade corporativa sobre rodas

Mais do que estética, a cor de um caminhão é ferramenta estratégica. Para transportadoras, a padronização da frota fortalece identidade visual e reconhecimento de marca. Em um setor onde diferenciação técnica é cada vez mais estreita, o impacto visual torna-se ativo de marketing.

Empresas como a Buzin Transportes transformaram essa lógica em projeto estruturado, criando verdadeiros “álbuns de figurinhas ambulantes” nas estradas brasileiras, com forte apelo visual e estratégia de branding sobre rodas.

Do ponto de vista econômico, a personalização pode influenciar inclusive a valorização na revenda. Para autônomos, a escolha da cor frequentemente carrega significado emocional: o caminhão é cartão de visita, símbolo de conquista e expressão de estilo de vida.

Psicologia das cores e perfil regional

A escolha cromática também dialoga com cultura e operação:

  • Azul transmite confiança.
  • Vermelho sugere potência.
  • Verde associa-se à sustentabilidade.
  • Branco remete à modernidade e limpeza.

No agronegócio, predominam tons mais sóbrios e robustos. Já em operações urbanas, cores vibrantes ganham espaço, principalmente quando a visibilidade é fator relevante.

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Toyota Tundra 2026 atualizada: mais tecnologia, 437 cv e possível estreia no Brasil

Não é novidade que a Toyota já registrou a picape grande da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O movimento, feito em diferentes momentos, é visto pelo mercado como um passo para proteger o nome e manter aberta a possibilidade de comercialização no Brasil. Agora, ela foi apresentada com novidades para linha 2026.

Embora seja uma full-size de porte avantajado, a Toyota Tundra tem Peso Bruto Total (PBT) na faixa dos 3.500 kg. Esse detalhe técnico favorece o comercial: permite que ela seja classificada como caminhonete, podendo ser conduzida com CNH categoria B e sem as restrições aplicáveis a modelos como Ram 2500 e Ram 3500, que, pelo PBT mais elevado, são enquadradas como caminhões no Brasil.

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O que hoje existe de concreto são os registros no INPI e uma sequência de reportagens da imprensa especializada apontando que a picape está “em estudos” para o mercado brasileiro. A movimentação ocorre em um contexto de que o segmento de picapes grandes deixou de ser nicho e passou a ganhar escala com a chegada de rivais de peso.

Entre elas estão a Ford F-150, a Chevrolet Silverado e a Ram 1500. A presença dessas concorrentes alterou o cenário que, anos atrás, levou a própria Toyota a afirmar que não tinha planos de vender a Tundra no País.

Hoje, o discurso oficial permanece cauteloso — não há confirmação de lançamento nem cronograma definido —, mas o registro recorrente da marca e o amadurecimento do segmento aumentam as chances de uma decisão positiva.

O que muda na linha 2026

A atualização 2026 não representa uma revolução estética, mas reforça o caráter robusto e tecnológico da picape. A estratégia foi aprimorar pontos-chave para enfrentar diretamente F-150, Silverado e Ram 1500.

No design, surgem novas cores e pacotes visuais específicos. A versão TRD Pro, por exemplo, passa a oferecer a exclusiva tonalidade Wave Maker, reforçando a identidade off-road. O visual segue mais agressivo e futurista, alinhado ao perfil do consumidor norte-americano — e potencialmente ao brasileiro desse segmento.

Híbrida como protagonista

Se por fora as mudanças são pontuais, sob o capô está a principal carta da Toyota. A versão híbrida i-FORCE MAX combina motor V6 biturbo com sistema eletrificado, entregando 437 cv e 790 Nm de torque. O desempenho impressiona: aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 5,7 segundos — números que a colocam entre as picapes mais rápidas da categoria.

Para quem prefere configuração convencional, permanece o V6 biturbo i-FORCE, com 389 cv e 649 Nm, capaz de cumprir o 0 a 100 km/h em aproximadamente 7 segundos. Ambas superam 900 kg de capacidade de carga, atendendo tanto aplicações profissionais quanto uso recreativo.

Não por acaso, a versão híbrida é apontada como a mais provável para uma eventual importação ao Brasil, sobretudo por agregar diferencial tecnológico e posicionamento premium.

Mais autonomia e foco no conforto

Outro avanço importante está na autonomia. A linha 2026 passa a contar com tanque de 122 litros em toda a gama, substituindo versões anteriores de 98 litros. Para um país de dimensões continentais como o Brasil, esse detalhe pode ser decisivo, principalmente em aplicações fora dos grandes centros.

Internamente, o salto de qualidade é evidente. A versão Capstone adota acabamento Shale Premium texturizado e materiais de padrão elevado. Já a Limited aposta em couro com costuras contrastantes. Nas cabines duplas, os passageiros traseiros ganham saídas de ar no console central, enquanto o sistema SmartFlow melhora a eficiência da climatização.

No pacote de equipamentos, a Tundra 2026 inclui engate de reboque padrão com conectores de 7 e 4 pinos em todas as versões. Há ainda estribos laterais retráteis elétricos na Platinum, rodas de 20 polegadas no pacote SX e kit de elevação de três polegadas para reforçar a aptidão off-road.

Preço e posicionamento

Nos Estados Unidos, os preços variam de aproximadamente US$ 40 mil a US$ 80 mil (R$ 207.200 a R$ 414.400 sem os impostos brasileiros), dependendo da configuração. Em eventual importação, a Tundra chegaria ao Brasil em faixa — possivelmente acima — das rivais já estabelecidas, reforçando um posicionamento premium.

A Toyota Tundra é fabricada exclusivamente na fábrica Toyota Motor Manufacturing Texas (TMMTX), em San Antonio, Texas, desde 2008. No entanto, há rumores de que ela possa ser produzida na Argentina, na mesma fábrica da Hilux.

O cenário brasileiro

Quando se fala em picapes Toyota no Brasil, a primeira imagem que vem à mente é a Toyota Hilux, líder histórica entre as médias. No entanto, o avanço das full-size abriu uma nova frente estratégica.

Se a Toyota decidir oficializar a Tundra por aqui, terá em mãos um produto alinhado às exigências atuais do segmento: motorização híbrida potente, alto nível de tecnologia, conforto refinado e — ponto-chave — PBT que permite condução com CNH B.

Por ora, o status permanece como “em estudo”. Mas, no jogo das picapes grandes, o tabuleiro brasileiro mudou — e a Toyota parece disposta a não ficar de fora dessa disputa.

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Toyota lança Pixis Van elétrica e amplia ofensiva em veículos comerciais urbanos

A Toyota reforça a eletrificação no segmento de utilitários leves com o lançamento da versão totalmente elétrica da Pixis Van, uma kei van voltada às demandas operacionais de pequenas empresas, profissionais autônomos e serviços de entrega urbana. O modelo começou a ser comercializado no Japão em 2 de fevereiro de 2026 e marca a ampliação do portfólio de comerciais compactos da marca.

Projetada sobre a plataforma “Kei”, a Pixis Van BEV combina dimensões compactas com soluções técnicas voltadas ao uso intensivo no dia a dia. O conjunto elétrico utiliza bateria de íon-lítio de 36,6 kWh instalada sob o assoalho, preservando a área de carga, e motor elétrico traseiro com 47 kW de potência e aproximadamente 126 Nm de torque. A autonomia estimada é de cerca de 257 quilômetros por carga, patamar considerado adequado para rotas comerciais urbanas e operações de última milha.

Toyota
Toyota Pixis Van elétrica

Compacta por fora, funcional por dentro

A arquitetura típica dos veículos kei garante elevada manobrabilidade em ruas estreitas, áreas industriais, canteiros de obras e centros urbanos congestionados — cenário cada vez mais comum para entregas rápidas e serviços técnicos. Mesmo com dimensões reduzidas, a área de carga surpreende: são aproximadamente 1,92 metro de comprimento, 1,28 metro de largura e 1,25 metro de altura, com capacidade para até 349 kg de carga útil.

O layout interno privilegia a versatilidade, permitindo o transporte de equipamentos, ferramentas e mercadorias com aproveitamento total do espaço. A posição da bateria sob o piso contribui para centro de gravidade mais baixo, melhor estabilidade e manutenção do volume interno, fator crítico em veículos voltados ao trabalho diário.

Recarga rápida e energia embarcada

No campo da recarga, a Pixis Van BEV oferece carregamento rápido em corrente contínua (CC), possibilitando atingir 80% da capacidade em aproximadamente 50 minutos em estação de 50 kW. Também há opções de carregamento em corrente alternada (CA), com conectores padronizados para facilitar a integração à infraestrutura urbana existente.

Um dos diferenciais do modelo é a presença de tomada CA de 1.500 W com compatibilidade com a tecnologia Vehicle-to-Home (V2H). Na prática, o veículo pode alimentar ferramentas elétricas, equipamentos profissionais e até eletrodomésticos em situações emergenciais, ampliando sua funcionalidade para além do transporte — atributo especialmente relevante em cenários de queda de energia ou operações externas.

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Roteiro Automotivo: Onde São Paulo, o Volante e a Mesa se Encontram

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São Paulo é uma cidade que pulsa em ritmo próprio. São mais de 12 milhões de habitantes, milhões de veículos circulando diariamente e uma malha urbana que transforma cada deslocamento em experiência. Dirigir aqui não é apenas mobilidade — é estratégia, é leitura de cenário, é tempo de reflexão.

Um estudo conduzido pela Universidade de Loughborough, no Reino Unido, aponta que dirigir pode estimular estados de foco profundo e até reduzir níveis de estresse quando feito sem pressão extrema. Existe algo quase meditativo no controle do volante, na cadência do trânsito fluindo, na escolha do trajeto mais agradável. Eu vejo isso com frequência.

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Para mim, o fim de semana em São Paulo é a oportunidade de transformar deslocamento em ritual. Escolher o caminho, evitar horários de pico e permitir que o destino seja tão prazeroso quanto o percurso. Nesta edição do Roteiro Automotivo, compartilho três endereços que fazem parte das minhas próprias experiências gastronômicas na capital.

Piselli: A Tradição Italiana no Coração dos Jardins

Roteiro Automotivo
Piselli

Circular pelos Jardins em um sábado ensolarado é quase terapêutico. As ruas arborizadas, o silêncio sofisticado e a arquitetura elegante criam o cenário perfeito para desacelerar.

O Piselli é uma das minhas paradas preferidas nesse roteiro. A casa preserva a tradição da culinária italiana com execução precisa. As massas artesanais têm textura impecável, os risotos são equilibrados e a carta de vinhos é criteriosa, com rótulos que acompanham bem tanto pratos clássicos quanto opções mais elaboradas.

Já tive ali almoços que começaram com antipasti leves e terminaram com sobremesas que prolongaram a conversa por horas. É um restaurante que convida à permanência.

A Figueira: Gastronomia Sob uma Árvore Centenária

Poucos restaurantes em São Paulo oferecem um cenário tão emblemático quanto A Figueira. A árvore centenária que domina o salão cria uma atmosfera que mistura imponência e aconchego.

Minha primeira experiência ali foi marcante. A chegada já impressiona. O serviço é preciso e os cortes nobres entregam consistência. A casa trabalha com carnes de alto padrão, preparo técnico e acompanhamentos clássicos que valorizam o protagonista do prato.

É o tipo de restaurante ideal para transformar um almoço de domingo em ocasião especial. Um lugar onde o trajeto até a mesa já faz parte da memória.

Corrientes 348: Intensidade e Identidade
Roteiro Automotivo
Corrientes 348

Encerrar o dia no Corrientes 348 é quase uma extensão natural de um sábado de estrada.

A parrilla argentina oferece cortes generosos, preparo direto na brasa e uma experiência mais vibrante. A casa mantém uma identidade forte, com ambiente dinâmico e carta de vinhos que valoriza rótulos sul-americanos.

Existe algo simbólico em fechar o dia ali: potência no prato após potência no motor. É uma conexão quase instintiva entre máquina e fogo, técnica e instinto.

São Paulo é destino — mesmo quando o objetivo é dirigir

O Roteiro Automotivo não é apenas sobre restaurantes. É sobre experiência urbana. É sobre entender que, em uma cidade como São Paulo, o trajeto pode ser tão interessante quanto o destino.

Serviço

Figueira Rubaiyat
Endereço: Rua Haddock Lobo, 1738 – Jardins, São Paulo

Piselli Jardins
Endereço: Rua Padre João Manuel, 1253 – Cerqueira César, São Paulo

Corrientes 348 – Unidade Bela Cintra (Jardins)
Endereço: Rua Bela Cintra, 2305 – Consolação, São Paulo

Dirigir também é uma forma de viver a cidade.

E viver a cidade inclui saber onde parar.

Boa estrada.
Bom apetite.

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DAF CF Mineração 8×4 ganha configuração inédita “2 em 1” para extração de ouro

A DAF Caminhões Brasil faz a entrega da primeira unidade do DAF CF Mineração customizada especificamente para atuar em uma operação de extração de ouro. O modelo, um CF rígido 8×4, foi desenvolvido para um cliente com atividades no Suriname e integra, em um único chassi, dois sistemas hidráulicos pouco usuais para esse tipo de aplicação: um guindaste articulado e uma plataforma roll-on/roll-off.

Tradicionalmente equipado com caçambas basculantes, o CF Mineração passa a operar em uma configuração “2 em 1”, voltada a operações remotas e de alta exigência logística. O projeto exigiu alterações estruturais relevantes, conduzidas pelo implementador Grimaldi, incluindo aumento do entre-eixos, modificação da distância entre os eixos direcionais e reforços ao longo de todo o chassi. Após a transformação mecânica, a Engenharia da DAF realizou a parametrização eletrônica dos sistemas para assegurar a integração entre powertrain, implementos e dispositivos de segurança.

A grande inovação está na operação combinada do guindaste articulado com o sistema roll-on/roll-off. A solução foi concebida para oferecer apoio tático à extração de ouro, permitindo içar cargas pesadas, transportar máquinas e até veículos menores, além de alternar rapidamente entre diferentes tipos de carrocerias.

O sistema roll-on/roll-off, amplamente utilizado em mineração e construção pesada, funciona por meio de um braço hidráulico com gancho — conhecido como “tipo gancho” — que se posiciona sobre a plataforma no solo, engata a caçamba ou contêiner e a puxa para o chassi com auxílio de roletes, garantindo deslizamento suave. O processo leva, em média, de dois a cinco minutos e é acionado pela tomada de força (PTO) do caminhão, podendo ser operado sem que o motorista deixe a cabine.

Otimização das carrocerias

Na prática, enquanto uma carroceria está em operação, outra pode ser carregada no solo, reduzindo paradas e otimizando o tempo produtivo — um diferencial crítico em minas afastadas de centros urbanos, onde a disponibilidade de equipamentos de apoio é limitada.

Já o guindaste articulado, instalado atrás da cabine e igualmente acionado pela PTO, confere autonomia total ao motorista para carregar e descarregar materiais sem depender de empilhadeiras ou guindastes externos. Equipado com patolas estabilizadoras, o implemento assegura estabilidade e segurança durante as operações de içamento.

Ficha técnica do DAF CF Mineração

O DAF CF Mineração entregue ao cliente do Suriname é equipado com motor PACCAR MX-13 de 480 cv, freio motor de 490 cv, PBT de 58 toneladas e CMT de 150 toneladas. A transmissão é a automatizada ZF TraXon de 12 velocidades, com Intarder capaz de fornecer até 1.300 cv de frenagem combinada — recurso essencial para operações em terrenos acidentados e rampas severas.

Configurado com cabine Day, o modelo foi concebido para atuar prioritariamente dentro de minas, mas mantém flexibilidade para aplicações em construção pesada e apoio logístico em ambientes off-road. A linha também oferece versão 6×4, com mesma motorização e CMT da 8×4, diferenciando-se pelo PBT de 48 toneladas.

Tendência em mineração e logística pesada

Chassis truck 6×2, 6×4 e 8×4 com PTO hidráulica e capacidade acima de 15 a 20 toneladas são os mais indicados para receber implementos roll-on/roll-off. No mercado brasileiro, marcas como Volvo, Scania, Mercedes-Benz e Volkswagen Caminhões e Ônibus também disponibilizam chassis compatíveis com esse tipo de adaptação.

Em operações de mineração, a prioridade recai sobre tração reforçada, robustez estrutural e capacidade de suportar elevados PBT e CMT. A adoção de sistemas roll-on/roll-off, com capacidades de 3 a 28 toneladas, permite que um único caminhão execute múltiplas funções — transporte de minérios, resíduos, ferramentas e equipamentos — reduzindo a necessidade de frota adicional e ampliando a eficiência logística.

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MDF-e na prática: SINDICAMP orienta transportadoras sobre novas exigências da ANTT

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Atenta às mudanças regulatórias e ao avanço da fiscalização eletrônica no transporte rodoviário de cargas, o Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região realizou, na última sexta-feira (06), o primeiro Conexão SINDICAMP de 2026. O encontro ocorreu na sede da entidade e reuniu empresários e gestores do TRC para discutir o tema “MDF-e na prática e suas interações com a ANTT e o SEFAZ”.

Nesta primeira edição do Conexão SINDICAMP, o foco foi esclarecer o papel dos documentos fiscais e regulatórios que estruturam a operação do transporte rodoviário de cargas no Brasil — e reforçar que a correta emissão, atualização e encerramento desses documentos é determinante para garantir conformidade legal, segurança jurídica e eficiência operacional.

A palestra foi conduzida por Shirley Cristina Rosseto, especialista em logística e tecnologia e representante do setor no Comitê Gestor de Documentos Fiscais Eletrônicos (DF-e) do Encontro Nacional de Coordenadores e Administradores Tributários Estaduais. A executiva é idealizadora da cartilha “MDF-e na Prática”, desenvolvida em parceria com a Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo.

Obrigatório desde 2014 para empresas que emitem CT-e e NF-e, o MDF-e deve ser autorizado antes do início da viagem. Sua ausência impede a passagem do veículo em postos fiscais e pode resultar em penalidades definidas pelos estados, geralmente proporcionais ao valor da mercadoria transportada.

Segundo a especialista, o MDF-e não é apenas uma obrigação fiscal: ele é a espinha dorsal da rastreabilidade da carga e do veículo, reduzindo tempo de parada em fiscalizações e ampliando o controle sobre as operações.

Integração automática com ANTT e novas validações

Um dos pontos centrais do encontro foi a integração automática entre a Secretaria da Fazenda (SEFAZ) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres. Todos os MDF-e autorizados pela SEFAZ são transmitidos automaticamente à ANTT, ampliando o cruzamento de dados em tempo real.

Desde outubro de 2025, novas validações passaram a ser exigidas nos MDF-e de lotação. Entre elas, a obrigatoriedade de informar:

  • A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) da carga predominante;
  • Dados detalhados de pagamento do frete (infPag);
  • Informações bancárias e CIOT quando envolver Transportador Autônomo de Cargas (TAC).

Essas exigências visam viabilizar a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos de Frete, instituída pela Lei 13.703/2018.

Piso mínimo de frete: quando se aplica

Criada em 2018, a política estabelece valores mínimos por quilômetro rodado para o transporte rodoviário remunerado de cargas, aplicando-se principalmente às operações de lotação com veículos movidos a diesel registrados no RNTRC.

Durante o evento, foram esclarecidas as situações em que o piso mínimo se aplica — e aquelas em que não há obrigatoriedade, como:

  • Transporte de carga fracionada;
  • Carga própria;
  • Transporte internacional;
  • Operações com veículos não sujeitos ao RNTRC.

A não informação correta do valor do frete no MDF-e pode gerar rejeição do documento e multas administrativas, incluindo penalidade mínima de R$ 550 por viagem, além da diferença apurada em relação ao piso estabelecido.

CIOT, vale-pedágio e seguros obrigatórios

A programação também abordou outros mecanismos integrados ao MDF-e.

O Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) é obrigatório nas contratações de transportadores autônomos, cooperativas ou empresas equiparadas a TAC. O código substituiu a antiga carta-frete e deve constar no MDF-e, sob pena de multa.

Já o vale-pedágio obrigatório determina que o embarcador antecipe ao transportador os valores de pedágio por meio de fornecedor homologado pela ANTT.

No campo dos seguros, foram detalhadas as exigências do:

  • RCTR-C (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga);
  • RC-DC (Responsabilidade Civil por Desaparecimento de Carga);
  • RC-V (Responsabilidade Civil de Veículos).

A ANTT anunciou, recentemente, a celebração de convênio com a Federação Nacional de Seguros Gerais para acesso às apólices, ampliando a fiscalização eletrônica dessas informações por meio do MDF-e.

Boas práticas e risco operacional

Além das exigências formais, o encontro trouxe orientações práticas para evitar autuações e bloqueios operacionais. Entre os principais pontos destacados:

  • Encerrar corretamente o MDF-e ao final da última entrega;
  • Vincular adequadamente CT-e e NF-e;
  • Informar corretamente dados de veículos, condutores e RNTRC;
  • Conferir CIOT, vale-pedágio, seguros e produtos perigosos;
  • Atualizar sistemas emissores conforme a NT 2025.001.

Shirley alertou que um MDF-e não encerrado mantém o veículo vinculado à operação anterior, podendo gerar inconsistências fiscais e impedir a emissão de novos manifestos, com impacto direto na produtividade da frota.

Ao final da palestra, a especialista respondeu às perguntas do público e reforçou que a conformidade documental deixou de ser apenas uma exigência fiscal. “Hoje, ela é elemento estratégico para a segurança jurídica, a eficiência operacional e a sustentabilidade das empresas de transporte”, sintetizou.

Para as transportadoras que operam sob margens cada vez mais pressionadas por custos de combustível, pedágios e obrigações regulatórias, dominar o MDF-e e suas interações com ANTT e SEFAZ já não é diferencial competitivo — é condição básica para permanecer no mercado.

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PremiAR 2025 reconhece 49 empresas transportadoras por práticas sustentáveis

A 4ª edição do PremiAR – Transportando um Mundo Verde reuniu empresas do setor de transporte na sede da FETCESP para reconhecer práticas sustentáveis promovidas por meio do Programa DESPOLUIR, iniciativa do SEST SENAT que há 18 anos atua na redução de poluentes. O presidente da FETCESP, Carlos Panzan, destacou que a premiação simboliza o compromisso do transporte rodoviário de cargas com a sustentabilidade, reforçando que o setor pode ser parte da solução ambiental. Nesta edição, houve crescimento de 38% nas inscrições, totalizando 112 empresas, das quais 49 foram premiadas após cumprirem critérios rigorosos de aferição e aprovação da frota.

A cerimônia contou com entrega de troféus a transportadoras de diversas regiões do Estado e homenagens a sindicatos e técnicos do Programa DESPOLUIR, incluindo um reconhecimento especial ao técnico Getúlio Camilo de Souza. O evento também reuniu apoiadores institucionais e reforçou a importância da união entre entidades para fortalecer a agenda ambiental no transporte. Com o PremiAR, a FETCESP consolida a mensagem de que a sustentabilidade já é um caminho irreversível para o setor.

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Análise sobre custo do combustível, preço e emissões entre Scania G 460 a GNV, biomentano e diesel

Pelos números de emplacamentos divulgados pela Anfavea (associação das montadoras), há uma frota de pouco mais de 2.600 caminhões produzidos originalmente a gás, com estimativa que quase todos são da marca Scania. Além disso, há os modelos de retrofit, a conversão de um caminhão a diesel para gás. No entanto, o objetivo deste artigo é entender o TCO (Total Custo de Propriedade) de um caminhão a gás, tendo como base um dos modelos mais vendidos ultimamente: o Scania G 460.

Levantamento com base em preços médios divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em fevereiro de 2026, dados técnicos públicos e fatores oficiais de emissão indica que, em rotas rodoviárias de até 600 km, o modelo a gás pode apresentar custo técnico por quilômetro inferior ao diesel — além de vantagem expressiva em emissões de CO₂, quando abastecido com biometano.

Premissas da comparação

Foram considerados dois cavalos-mecânicos de 460 cv, ambos voltados ao transporte pesado rodoviário. No caso desta análise de TCO não leva as outras variáveis que são comuns entre caminhões a gás e diesel, apenas o combustível:

  • Scania G 460 (diesel, 13 litros); preço FIPE do zero km 6×2: R$ 1.065.745
  • Scania G 460 (GNV/biometano, ciclo Otto); preço FIPE do zero km 6×2: R$ 1.103.447
Preços médios ANP (fev/2026):
  • Diesel S10: ~R$ 6,11/litro
  • GNV: ~R$ 4,36/m³
Consumos adotados (média de campo e literatura técnica da CETESB):
  • Diesel: 2,8 km/l
  • Gás: 2,7 km/m³
Combustível: vantagem direta do gás

G 460 a diesel

  • 2,8 km/l → 0,357 l/km
  • Custo combustível: ~R$ 2,18/km

G 460 a gás

  • 2,7 km/m³ → 0,37 m³/km
  • Custo combustível: ~R$ 1,61/km

Na fotografia atual de preços, o G 460 apresenta combustível cerca de 26% mais barato por quilômetro, uma diferença aproximada de R$ 0,57/km.

Manutenção: diesel ligeiramente mais barato

Estudos operacionais indicam que caminhões a gás tendem a ter manutenção direta entre 10% e 20% superior, principalmente por itens de ignição (velas e bobinas) e sistemas específicos do combustível gasoso.

Estimativa média:

  • Diesel: ~R$ 0,30/km
  • Gás: ~R$ 0,35/km

Custo técnico total por km

Item 460 Diesel G 460 Gás
Combustível R$ 2,18 R$ 1,61
Manutenção R$ 0,30 R$ 0,35
Total técnico R$ 2,48/km R$ 1,96/km

Mesmo considerando manutenção mais elevada, o modelo a gás mantém uma vantagem próxima de R$ 0,50 por km, o equivalente a cerca de 20% de economia técnica por quilômetro rodado.

Impacto anual na frota

Em uma operação típica de 150 mil km/ano, a diferença pode chegar a:

  • R$ 75 mil por caminhão/ano em favor do gás
  • Economia ainda maior em frotas de alta quilometragem

Em 1.000 km de viagem:

  • Diesel: ~R$ 2.480
  • Gás: ~R$ 1.960

Emissões de CO₂ com gás natural veicular

Fatores oficiais indicam:

  • Diesel: ~2,68 kg CO₂ por litro
  • GNV: ~2,0 kg CO₂ por m³

Com os consumos adotados:

  • 460 Diesel: ~0,96 kg CO₂/km
  • G 460 GNV: ~0,74 kg CO₂/km

Ou seja, o modelo a gás reduz cerca de 20% a 25% das emissões por km apenas com gás natural fóssil.

Biometano muda o jogo

Quando abastecido com biometano, a redução pode chegar a até 90% no conceito poço-à-roda, segundo dados técnicos divulgados pela fabricante.

Nesse cenário, as emissões equivalentes poderiam cair para algo próximo de 0,10 kg CO₂/km, dependendo da metodologia de contabilização.

Para empresas com metas ESG, contratos com embarcadores multinacionais ou necessidade de acesso a financiamentos verdes, esse diferencial passa a ser estratégico — não apenas ambiental, mas comercial.

Autonomia e aplicação prática

O G 460 a gás oferece autonomia aproximada de 650 km com 300 m³ de gás em algumas configurações e outras variáveis, como rota, trânsito, peso transportado por km e, principalmente, comportamento do motorista.

O diesel mantém vantagem estrutural de flexibilidade, com tanques de 700 litros que permitem 700 a 1.000 km dependendo do consumo e das outras variáveis apontadas.

Hoje, o gás é tecnicamente viável em corredores logísticos com rede estruturada de abastecimento. Fora desses eixos, o diesel ainda mantém supremacia operacional.

Reforma tributária e TCO

Com a implementação gradual da reforma tributária e adoção de alíquotas monofásicas para combustíveis, a tendência é reduzir distorções e cumulatividade.

O combustível representa de 40% a 50% do TCO de um caminhão pesado. Assim, mesmo com preço inicial superior, o modelo a gás pode equalizar ou superar o diesel no custo total ao longo do ciclo de vida — especialmente em contratos de alto volume anual.

Além disso, é sabido que embarcadores que exigem o transporte com caminhões a gás ou elétricos pagam de 10% a 15% a mais pelo frete, além de fazer o investimento em infraestrutura, como postos de abastecimento.

O que isso significa para o gestor de frota?

A decisão entre diesel e gás deixou de ser apenas técnica. Passou a envolver: Estrutura de abastecimento, contratos de longo prazo (a Reiter Log é um exemplo de conquistas de novos contratos), metas ambientais, exigências de embarcadores e política de crédito e financiamento.

Hoje, na média nacional de preços da ANP, o G 460 a gás mostra vantagem técnica por quilômetro e redução relevante de emissões.

Para o transportador que roda acima de 120 mil km/ano em corredores estruturados, o gás — especialmente com biometano — deixa de ser alternativa experimental e passa a ser uma decisão estratégica de competitividade, como é o caso da recente operação iniciada pela Natura (com Coopercarga e Reiter Log), PepsiCo, L’Oréal, Ambev, Suzano, entre outras.

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Porto de Santos cresce em volume de cargas, mas gargalos no acesso rodoviário acendem alerta no transporte

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O Porto de Santos encerrou 2025 com o melhor resultado de sua história ao movimentar 186,4 milhões de toneladas, alta de 3,6% sobre o recorde anterior. O desempenho reforça o protagonismo da Região Sudeste, que somou 635,3 milhões de toneladas entre janeiro e novembro do ano passado — crescimento de 6,01% — consolidando-se como eixo logístico central do país e sustentação importante da balança comercial brasileira, que acumulou US$ 348 bilhões em exportações entre 2023 e 2025.

Mas, se os números impressionam, a infraestrutura segue sob pressão. No maior porto da América Latina, o modal rodoviário continua sendo o principal elo da cadeia, respondendo por cerca de 58% da movimentação total. O destaque está no fluxo de contêineres e no acesso pelo Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), onde, em determinados horários, circulam mais de 600 caminhões por hora. A sobrecarga expõe limites estruturais que impactam diretamente o transporte rodoviário de cargas (TRC).

“O Porto de Santos mais uma vez demonstra sua força e capacidade operacional. Mas quem vive o dia a dia da operação sabe que cada tonelada movimentada exige um esforço logístico enorme”, afirma Roseneide Fassina, vice-presidente regional da FETCESP e presidente do SINDISAN.

Segundo ela, os gargalos não se restringem às rodovias. “Temos picos de circulação que impactam diretamente a mobilidade da região. Caminhões que chegam antes do horário agendado acabam aguardando, o que gera filas, aumenta custos e traz reflexos para toda a cadeia”, explica. A dirigente destaca ainda que a capacidade estática dos pátios, os sistemas de agendamento e a infraestrutura de apoio precisam evoluir na mesma velocidade que o crescimento do volume.

Ferrovia cresce, mas tem foco em exportadores de commodities

Enquanto o modal rodoviário concentra a maior parte das operações, o ferroviário responde por aproximadamente 30% das cargas — especialmente granéis sólidos como soja, milho e açúcar. Em 2016, a participação das ferrovias era de 26,3% (29 milhões de toneladas), com meta de atingir 40% até 2025. No entanto, dados mais recentes indicam que o índice permanece em torno de 30%.

A capacidade ferroviária atual gira em torno de 51 milhões de toneladas por ano, com planos de expansão para 115 milhões. Para o setor, a ampliação da malha e maior integração entre modais são caminhos estratégicos para reduzir a dependência do transporte rodoviário.

“Se tivéssemos maior integração ferroviária com o transporte rodoviário de cargas, reduziríamos parte dessa pressão sobre os acessos e aumentaríamos a eficiência do sistema como um todo. A integração multimodal traz benefícios econômicos e ambientais”, reforça Fassina.

Expansão territorial como solução estrutural

Além da intermodalidade, a ampliação da área do porto aparece como pauta prioritária. Atualmente, o complexo ocupa cerca de 7,8 milhões de metros quadrados. Com a inclusão de áreas perimetrais na poligonal, esse espaço poderia alcançar 20,4 milhões de metros quadrados — movimento considerado fundamental para garantir capacidade futura e evitar que o crescimento operacional se transforme em gargalo permanente.

Outros modais, como dutovias, completam a matriz de transporte do porto, embora com participação ainda pouco detalhada em dados recentes.

Saiba mais:

Novo reajuste dos pedágios em SP pressiona o transporte e preços ao consumidor

As tarifas de pedágio das rodovias concedidas em São Paulo terão reajuste médio de 5,31% a partir de 1º de julho, seguindo a correção pelo IPCA prevista em contrato. Em alguns trechos, porém, a alta é maior, chegando a 10,7%, como no pedágio de bloqueio de Diadema. Sistemas estratégicos para o escoamento de cargas — como Anchieta-Imigrantes e Anhanguera-Bandeirantes — registram aumentos que pressionam diretamente os custos logísticos. Como São Paulo concentra a maior malha pedagiada do país, o impacto se espalha rapidamente pelo transporte de cargas e passageiros.

Transportadoras já enfrentam custos elevados com diesel, manutenção e mão de obra, e o novo reajuste tende a ser repassado ao frete e, em cadeia, ao preço final das mercadorias. Passageiros de ônibus intermunicipais também devem sentir o aumento, já que as tarifas incluem o custo dos pedágios. O encarecimento do transporte afeta setores produtivos, especialmente agronegócio e indústria, e reforça pressões inflacionárias que chegam ao consumidor, reacendendo o debate sobre o equilíbrio entre investimentos das concessionárias e a acessibilidade da mobilidade no Estado.

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Mercedes-Benz celebra 130 anos de caminhões com relíquias históricas

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A Mercedes-Benz Trucks Classic abre as comemorações globais dos “130 Years Trucks” com a reconstrução fiel do primeiro caminhão motorizado do mundo, apresentado por Gottlieb Daimler em 1896. Equipado com o motor traseiro “Phoenix”, de dois cilindros, 1,06 litro e quatro cavalos de potência, o veículo transmitia força ao eixo traseiro por meio de correia. O conjunto já trazia soluções avançadas para a época, como molas helicoidais para absorção de vibrações e um princípio de redução no cubo planetário — conceito ainda empregado em caminhões pesados atuais.

O posto do condutor lembrava o de uma carruagem, com banco elevado e direção por correntes no eixo dianteiro. Em 1898, a Daimler deu um passo decisivo ao reposicionar o motor sob o banco do motorista e, posteriormente, à frente do eixo dianteiro, configuração que permitiu maior capacidade de carga e melhor desempenho — arquitetura que pavimentou o caminho para os caminhões modernos.

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A vocação internacional também surgiu cedo. Já em 1899, a Daimler entregava unidades para Inglaterra e França, superando veículos a vapor, e em 1898 fundava a Daimler Manufacturing Company em Nova York. Na Exposição Universal de Paris, em 1900, os caminhões da marca foram apresentados a um público global, marcando o início de uma trajetória que redefiniria o transporte internacional.

Actros: 30 anos da era eletrônica no transporte pesado

Se o modelo de 1896 simboliza o nascimento do caminhão, o Mercedes-Benz Actros representa a consolidação da era eletrônica no transporte rodoviário. Lançado em 1996 e agora celebrado três décadas depois, o Actros de primeira geração está exposto no evento como marco da modernização dos pesados.

Foi o primeiro caminhão da marca a incorporar barramento CAN, sistemas eletrônicos de freio, assistência integrada à segurança e a cabine MegaSpace, referência em conforto. Em 2006, outro divisor de águas: o Active Brake Assist, sistema de frenagem automática que, em 2026, também comemora aniversário e reforça o pioneirismo da Mercedes-Benz na segurança ativa.

Hoje, a família inclui o Actros L e o eActros 600, ampliando a transição para soluções conectadas, eficientes e eletrificadas. Ao longo de três décadas, o modelo tornou-se símbolo da evolução tecnológica do transporte de cargas — da mecânica convencional à digitalização e à eletromobilidade.

eActros 600 Safety Truck: segurança e eletrificação em novo patamar

A celebração dos 130 anos também projeta o futuro. O Safety Truck baseado no eActros 600 demonstra o estágio atual dos sistemas de assistência, com fusão de sensores de 270 graus, Active Brake Assist 6 e Active Sideguard Assist 2. O conjunto supera, inclusive, alguns requisitos legais futuros, reforçando a visão de direção sem acidentes.

A comparação histórica é inevitável: do caminhão de quatro cavalos com pneus de ferro sólido ao elétrico de última geração com arquitetura digital e soluções de prevenção de colisões, a trajetória revela como a segurança evoluiu de um conceito inexistente para um dos pilares estratégicos do desenvolvimento de veículos comerciais.

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