Scania aposta em caminhão coletor a biometano para limpeza urbana

Modelo coletor chega de fábrica preparado para operações severas de coleta de resíduos, com eixo 6×2 desenvolvido pela própria fabricante e freios a disco em todas as rodas

A transição energética tem avançado em diversos segmentos do transporte rodoviário, mas poucos apresentam um potencial tão evidente para a economia circular quanto a coleta de resíduos urbanos. Afinal, o lixo recolhido diariamente nas cidades pode deixar de ser apenas um problema ambiental para se transformar em combustível capaz de movimentar a própria frota responsável pela coleta. Isso é o que chamam de economia circular.

É justamente dentro desse conceito que a Scania apresenta seu novo caminhão coletor movido a gás natural e biometano. O modelo P 280 XT 6×2 chega ao mercado com foco nas operações de limpeza urbana. Na prática, a fabricante passa a disputar um segmento em que a Volkswagen Caminhões e Ônibus, também integrante do Grupo Traton, já possui presença com o Constellation 26.280 Coletor, com 56 unidades comercializadas para a Loga, e com outras dezenas em negociação com outras empresas do segmento.

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O que mudou no novo coletor da Scania

A principal evolução do novo P 280 XT está na configuração que passa a sair diretamente da linha de produção. Entre os destaques está o novo eixo auxiliar 6×2/2 desenvolvido pela própria Scania. Nessa arquitetura, o caminhão possui três eixos (seis posições de roda), sendo apenas um deles responsável pela tração.

O diferencial está no terceiro eixo auxiliar direcional, que foi projetado para atuar de forma integrada ao conjunto original do veículo, sem as adaptações normalmente realizadas por implementadores externos. Na prática, a solução melhora a distribuição de peso ao longo do chassi, favorece a dirigibilidade em áreas urbanas e aumenta a capacidade de carga dentro dos limites legais por eixo. Além disso, o novo conjunto utiliza pneus extralargos do tipo super single no eixo de apoio, substituindo o tradicional rodado duplo.

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Segundo a Scania, essa configuração reduz o peso do conjunto e contribui para ampliar a carga útil transportada. A combinação entre eixo auxiliar original de fábrica, pneus super single e nova calibração de suspensão foi desenvolvida especificamente para as características da coleta de resíduos, operação marcada por centenas de paradas diárias, constantes variações de carga e circulação em vias estreitas ou de pavimentação irregular.

Outra novidade importante é a adoção de freios a disco em todas as rodas como item de série. Em operações de coleta de resíduos, caracterizadas por constantes paradas, arrancadas e deslocamentos em áreas urbanas densas, a eficiência dos sistemas de frenagem tem impacto direto na segurança da tripulação, na disponibilidade da frota e nos custos de manutenção.

O caminhão também passa a contar com uma nova configuração de cabine para quatro ocupantes, concebida para atender as equipes que atuam na coleta porta a porta. Os assentos receberam melhorias ergonômicas, buscando proporcionar mais conforto aos ocupantes durante jornadas prolongadas.

Produzido para a coleta urbana

Uma característica importante do novo modelo é que ele nasce pensado para a aplicação de coleta de resíduos. Historicamente, muitos caminhões utilizados nesse segmento exigiam adaptações posteriores à fabricação para receber equipamentos ou configurações específicas. Essa estratégia reduz o tempo entre a produção do veículo e sua entrada efetiva em serviço, geralmente de três meses, além de simplificar os processos de homologação, manutenção e suporte técnico.

O pacote XT, tradicionalmente associado às aplicações severas da marca, também está presente no novo modelo. Isso significa uma estrutura mais robusta e componentes projetados para suportar as exigências encontradas em operações que combinam circulação urbana, deslocamentos até estações de transbordo e acessos frequentes a aterros sanitários.

Por que o biometano ganha espaço na limpeza urbana

A coleta de resíduos é considerada uma das aplicações mais promissoras para o uso do biometano. O combustível é produzido a partir da decomposição de matéria orgânica presente em aterros sanitários, estações de tratamento de esgoto, resíduos agroindustriais e outras fontes renováveis. Após o processamento adequado, pode substituir o diesel em motores desenvolvidos para operar com gás.

O grande diferencial está no fato de que o próprio resíduo urbano pode gerar a energia necessária para abastecer os caminhões responsáveis pela sua coleta. Esse modelo cria um ciclo sustentável no qual o lixo deixa de ser apenas um passivo ambiental e passa a integrar uma cadeia produtiva de energia renovável.

Um mercado que amadurece

Quando os primeiros projetos com caminhões coletores a gás começaram a surgir no Brasil, ainda havia dúvidas sobre viabilidade, abastecimento e disponibilidade de combustível.

Nos últimos anos, porém, o cenário mudou. A expansão da produção nacional de biometano, o aumento dos investimentos em infraestrutura e a busca crescente por metas de sustentabilidade fizeram com que a tecnologia avançasse rapidamente.

A cidade de São Paulo tornou-se um dos principais exemplos dessa transformação. Hoje, já há mais de 250 caminhões movidos a gás atuam na coleta de resíduos da capital e a meta é chegar a 600 até o final de 2027, demonstrando na prática que a tecnologia já ultrapassou a fase experimental e passou a integrar operações de grande escala. Outras capitais também seguem o mesmo caminho, reforçando uma tendência de mercado que deve ganhar força nos próximos anos.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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