Cortes do Villela #365| Entenda porque a indústria nacional de implementos rodoviários está protegida da concorrência chinesa

O transporte brasileiro está entre o freio e o acelerador. O diesel sobe, o gás avança, os elétricos ganham tração e os implementos nacionais seguem protegidos por uma barreira que nem vem de Brasília nem da China. Na coluna Cortes do Villela desta semana, mostro como essas peças se encaixam e por que o setor vive uma das maiores transformações dos últimos anos

Freio Natural

Enquanto o mercado discute a chegada de caminhões chineses ao Brasil, os implementos rodoviários seguem protegidos por uma barreira pouco lembrada: a matemática do frete marítimo. Segundo João Librelato, diretor Comercial e de Marketing da Librelato, um semirreboque tem baixo valor agregado. Além disso, um modelo padrão de três eixos pesa entre 8 e 10 toneladas vazio e ocupa um espaço precioso nos navios, tornando a conta da importação pouco atraente.

Faz sentido. Afinal, vender um caminhão elétrico de R$ 3 milhões compensa a travessia do oceano; já uma carreta graneleira de R$ 155 mil a R$ 210 mil dificilmente sobrevive aos custos de frete, impostos e nacionalização. Pelo menos por enquanto, a geografia e a logística parecem ser as maiores aliadas da indústria nacional de implementos.

Leia também: Librelato investe R$ 65 milhões e prepara substituição da linha Evolut pela nova Série Avant

Gás na Veia

A Vanessa Pilz, vice-presidente de ESG da Reiter Log, resolveu ampliar a descarbonização em novo segmento. Com investimento inicial de R$ 30 milhões, a empresa estreia no transporte de contêineres a partir do Porto de Rio Grande usando caminhões movidos a gás, preferencialmente abastecido com biometano. O movimento não é apenas discurso de sustentabilidade: está conectado à futura usina de biometano do grupo em Capão do Leão e reforça uma estratégia que já inclui a compra de 220 caminhões a gás.

Saiba mais: Editoria Frota Sustentável: mais de 300 artigos sobre descarbonização do transporte

Diesel no Freio

Enquanto a gasolina ensaia um alívio ao bolso em boa parte do País, o diesel parece ignorar qualquer tentativa de contenção. Levantamento da Vale Card mostra que o S-10 subiu 2,55% em outubro e já acumula alta próxima de 5% em apenas dois meses, com aumentos em 23 estados e pressão crescente em 19 deles. Nem a renovação dos subsídios federais conseguiu segurar o combustível que move o transporte de cargas. Para Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, o mercado segue pressionado e cada vez mais desigual entre as regiões. Traduzindo para o transportador: a conta continua chegando mais cara, mesmo com o governo pisando no acelerador das medidas de alívio.

Leia também o artigo do advogado especialista Pedro Botan Cíceri: Peso do ICMS deve impactar combustíveis e custo das transportadoras em 2027

Frota Elétrica

A eletrificação total da frota de ônibus de São José dos Campos ganhou tração de verdade com o financiamento de R$ 879,4 milhões aprovado pelo BNDES para a Green Energy, que será responsável pela aquisição de 400 ônibus elétricos a bateria. O projeto, que soma R$ 1,139 bilhão em investimentos e integra o programa Refrota do Novo PAC, promete beneficiar 720 mil habitantes até 2027. O modelo adotado, no qual a Green Energy fornece os veículos para locação à Urbam, separando a gestão da frota da operação, é uma inovação que pode servir de vitrine para outras cidades. E há um detalhe que merece aplauso: os ônibus serão produzidos no Brasil pela Eletra, com motores e sistemas WEG, mostrando que sustentabilidade também pode andar de mãos dadas com a indústria nacional. Resta agora que a velocidade da implantação acompanhe a velocidade das promessas.

Transfer com Rock

Pelo sexto ano consecutivo, a BUSUP mostra que, em festivais lotados, organização também pode subir ao palco. A empresa será a responsável pelo transfer oficial do Rock the Mountain Music Festival 2026. Para Danilo Tamelini, cofundador e presidente Latam da BUSUP, a mobilidade precisa ser planejada de forma integrada para garantir uma boa experiência ao público.


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Cortes do Villela é a minha coluna diária com os recortes mais relevantes do dia sobre transporte, logística, mobilidade, energia e indústria. Notícias rápidas, análises técnicas e bastidores do setor — sempre com precisão jornalística, curadoria rigorosa e foco no impacto real para quem opera, decide e movimenta o mercado. Uma seleção direta ao ponto, feita por quem acompanha o setor há décadas e sabe exatamente o que importa.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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