O transporte brasileiro está entre o freio e o acelerador. O diesel sobe, o gás avança, os elétricos ganham tração e os implementos nacionais seguem protegidos por uma barreira que nem vem de Brasília nem da China. Na coluna Cortes do Villela desta semana, mostro como essas peças se encaixam e por que o setor vive uma das maiores transformações dos últimos anos
Freio Natural
Enquanto o mercado discute a chegada de caminhões chineses ao Brasil, os implementos rodoviários seguem protegidos por uma barreira pouco lembrada: a matemática do frete marítimo. Segundo João Librelato, diretor Comercial e de Marketing da Librelato, um semirreboque tem baixo valor agregado. Além disso, um modelo padrão de três eixos pesa entre 8 e 10 toneladas vazio e ocupa um espaço precioso nos navios, tornando a conta da importação pouco atraente.
Faz sentido. Afinal, vender um caminhão elétrico de R$ 3 milhões compensa a travessia do oceano; já uma carreta graneleira de R$ 155 mil a R$ 210 mil dificilmente sobrevive aos custos de frete, impostos e nacionalização. Pelo menos por enquanto, a geografia e a logística parecem ser as maiores aliadas da indústria nacional de implementos.
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Gás na Veia
A Vanessa Pilz, vice-presidente de ESG da Reiter Log, resolveu ampliar a descarbonização em novo segmento. Com investimento inicial de R$ 30 milhões, a empresa estreia no transporte de contêineres a partir do Porto de Rio Grande usando caminhões movidos a gás, preferencialmente abastecido com biometano. O movimento não é apenas discurso de sustentabilidade: está conectado à futura usina de biometano do grupo em Capão do Leão e reforça uma estratégia que já inclui a compra de 220 caminhões a gás.
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Diesel no Freio
Enquanto a gasolina ensaia um alívio ao bolso em boa parte do País, o diesel parece ignorar qualquer tentativa de contenção. Levantamento da Vale Card mostra que o S-10 subiu 2,55% em outubro e já acumula alta próxima de 5% em apenas dois meses, com aumentos em 23 estados e pressão crescente em 19 deles. Nem a renovação dos subsídios federais conseguiu segurar o combustível que move o transporte de cargas. Para Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, o mercado segue pressionado e cada vez mais desigual entre as regiões. Traduzindo para o transportador: a conta continua chegando mais cara, mesmo com o governo pisando no acelerador das medidas de alívio.
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Frota Elétrica
A eletrificação total da frota de ônibus de São José dos Campos ganhou tração de verdade com o financiamento de R$ 879,4 milhões aprovado pelo BNDES para a Green Energy, que será responsável pela aquisição de 400 ônibus elétricos a bateria. O projeto, que soma R$ 1,139 bilhão em investimentos e integra o programa Refrota do Novo PAC, promete beneficiar 720 mil habitantes até 2027. O modelo adotado, no qual a Green Energy fornece os veículos para locação à Urbam, separando a gestão da frota da operação, é uma inovação que pode servir de vitrine para outras cidades. E há um detalhe que merece aplauso: os ônibus serão produzidos no Brasil pela Eletra, com motores e sistemas WEG, mostrando que sustentabilidade também pode andar de mãos dadas com a indústria nacional. Resta agora que a velocidade da implantação acompanhe a velocidade das promessas.
Transfer com Rock
Pelo sexto ano consecutivo, a BUSUP mostra que, em festivais lotados, organização também pode subir ao palco. A empresa será a responsável pelo transfer oficial do Rock the Mountain Music Festival 2026. Para Danilo Tamelini, cofundador e presidente Latam da BUSUP, a mobilidade precisa ser planejada de forma integrada para garantir uma boa experiência ao público.
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Cortes do Villela é a minha coluna diária com os recortes mais relevantes do dia sobre transporte, logística, mobilidade, energia e indústria. Notícias rápidas, análises técnicas e bastidores do setor — sempre com precisão jornalística, curadoria rigorosa e foco no impacto real para quem opera, decide e movimenta o mercado. Uma seleção direta ao ponto, feita por quem acompanha o setor há décadas e sabe exatamente o que importa.
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