eCity: Mercedes-Benz aposta em menor preço para ampliar adesão ao elétrico em cidades fora dos grandes centros

Modelo chega com promessa de preço até 30% menor, autonomia de 150 km e estratégia para reduzir o payback dos elétricos, hoje até três vezes mais caros que um ônibus a diesel

O chassi de ônibus elétrico eCity é uma proposta da Mercedes-Benz do Brasil para enfrentar o maior desafio da eletromobilidade urbana: o custo. Em um mercado onde um ônibus elétrico pode custar até três vezes mais que um similar a diesel, a marca aposta em uma equação que combina preço reduzido, produção local e uso de uma plataforma já consolidada — o chassi OF — para tentar ampliar a base de operadores capazes de migrar para a tecnologia.

Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, reconhece que a disputa de mercado se intensifica. “Cerca de cinco, seis anos atrás, a gente tinha quatro, cinco concorrentes. Hoje tem mais de dez. E daqui a dez, 15 anos vai ter uns 30 concorrentes”, afirma. A estratégia da Mercedes-Benz, portanto, não é apenas tecnológica, mas econômica.

Ao partir do chassi OF — responsável por cerca de 5 mil unidades vendidas por ano — a fabricante reduz custos industriais e aproveita uma cadeia produtiva já madura. O resultado é um modelo elétrico com preço estimado entre 20% e 30% abaixo dos veículos atualmente disponíveis. Dessa forma, estima-se que o eCity custe pouco mais de R$ 2 milhões, bem menos do que os R$ 3 milhões dos modelos elétricos atuais. 

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Em um cenário onde o investimento inicial é a principal barreira à eletrificação, essa diferença pode alterar a dinâmica de decisão dos operadores, especialmente em cidades pequenas e médias, que não dispõem de corredores exclusivos ou infraestrutura robusta.

Ferramenta vai calcular autonomia

A autonomia média de 150 quilômetros por carga, aliada à recarga em até duas horas e à estratégia de “recarga de oportunidade”, reforça o foco em operações pulverizadas, com rotas curtas e intervalos frequentes. A ferramenta eBus Go!, desenvolvida para calcular a autonomia necessária de cada linha, adiciona previsibilidade a um tipo de operação que costuma ser mais sensível a variações de custo e desempenho.

Barbosa estima que o eCity possa alcançar payback em cerca de seis anos — um salto relevante diante dos modelos elétricos atuais, cujo retorno pode ultrapassar dez anos. A diferença decorre não apenas do preço menor, mas da possibilidade de aplicar o veículo em operações que hoje permanecem no diesel por falta de viabilidade financeira.

A carroceria, desenvolvida pela Caio e entregue já integrada ao chassi, simplifica o processo de aquisição e reduz etapas que, em muitos municípios, representam entraves burocráticos ou logísticos. A previsão é que o modelo chegue ao mercado em meados de 2027, com expectativa inicial de cerca de 100 unidades no primeiro ano.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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