Em entrevista à Frota News, Luciano Resner, diretor de Engenharia da fabricante, aborda a comercialização de veículos a gás, a segurança dos cilindros tipo 4 e a integração com centros de P&D no exterior

A transição energética e a busca por maior eficiência operacional impulsionam transformações profundas na indústria de ônibus. Na vanguarda desse processo, a Marcopolo apresenta avanços significativos com a tecnologia do biometano, a introdução de materiais de alta tecnologia e a integração das suas operações globais de engenharia.
Em entrevista concedida à Frota News, Luciano Resner, diretor de Engenharia da Marcopolo, traz um panorama atualizado sobre os testes e o início das vendas de veículos movidos a combustíveis alternativos. O executivo destaca que o micro-ônibus Volare Attack 9 Híbrido/Etanol conclui com êxito os testes internos em campo de provas, acumulando milhares de quilômetros rodados.
Além do ciclo de testes, a fabricante realiza operações assistidas no setor agrícola em Dourados, no Mato Grosso do Sul, voltadas ao transporte rural para usinas de cana-de-açúcar, assim como em usinas do interior de São Paulo.
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Fly 10 Biometano
Após obter a homologação válida para todo o território nacional, a Marcopolo inicia a fase de comercialização acelerada do modelo Fly 10 GV. Luciano Resner confirma que cerca de dez unidades do veículo a GNV e/ou biometano já rodam em operação pelo país, estando o portfólio focado atualmente na versão Volare Fly 10, com novas versões sob estudo de viabilidade.
Paralelamente à expansão dos modelos movidos a gás, a Marcopolo atua ativamente no desenvolvimento e na fixação de sistemas de armazenamento de combustível de alta resistência. Em projetos desenvolvidos em conjunto com parceiras da indústria, como a Scania, a encarroçadora introduz o uso de cilindros de nível 4 fabricados em fibra de carbono.
Luciano Resner explica que essa tecnologia de cilindro nível 4 oferece o mais alto grau de segurança do mercado e traz vantagens estruturais por ser significativamente mais leve. Para comprovar a máxima segurança e eliminar riscos de explosão ou vazamento, o componente passa por testes severos de validação, incluindo ensaios de impacto balístico por tiro.
A aplicação desses cilindros demonstra viabilidade em cidades com produção de biometano, como Goiânia, onde existe produção regional e abundância de biometano com a construção de infraestrutura própria de abastecimento.
Entretanto, a expansão acelerada dessa tecnologia em âmbito nacional ainda enfrenta gargalos na malha de distribuição de gás encanado, que permanece restrita a poucos municípios. A necessidade de transporte de gás via caminhão eleva os custos operacionais, tornando a aplicação mais atrativa em nichos específicos até que a infraestrutura se desenvolva.
Engenharia nacional
Ao analisar o panorama da indústria nacional de carrocerias, o diretor de Engenharia reafirma o protagonismo tecnológico brasileiro. O executivo ressalta que o país domina amplamente a tecnologia de produção de carrocerias, dependendo do mercado externo apenas no segmento de microeletrônica avançada, como chips de silício.
Entre as grandes inovações locais destaca-se o uso do DCPD (Diciclopentadieno), um polímero de engenharia leve e totalmente reciclável. Desenvolvido após pesquisas na Europa e nos Estados Unidos, o material é nacionalizado e produzido internamente pela Polo, divisão de plásticos e polímeros da Marcopolo, que também fornece o componente para outras empresas.
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Em comparação à tradicional fibra de vidro — cujo processo manual gera resíduos e não permite reciclagem —, o DCPD é injetado em moldes de alumínio e apresenta peso 20% menor. O novo material proporciona superfícies mais lisas para pintura, favorece a aerodinâmica, permite designs de linhas mais arrojadas e passa a equipar modelos urbanos como o Torino, além de compor as frentes e traseiras de diversos veículos da marca.
A Marcopolo expande sua presença internacional combinando a capacidade técnica do seu maior centro de engenharia, localizado no Brasil, com unidades de Pesquisa e Desenvolvimento instaladas na China, Austrália, México e Colômbia.
Essa rede multinacional atua em colaboração constante para o desenvolvimento de soluções globais. Um exemplo dessa integração ocorre no projeto do ônibus rodoviário G8 RHD (com volante à direita) para o mercado australiano, desenvolvido por meio da atuação conjunta e simultânea dos times de engenharia do Brasil, da China e da Austrália. A empresa reforça a estratégia de compartilhar conhecimentos e tecnologias desenvolvidas localmente para aplicação no mercado mundial.
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