Além de avançar em digitalização e processos industriais, a fábrica nacionaliza tecnologias para mineração e aplicações 6×4 e prepara o lançamento dos eixos MS-14X, MC-17X e MT-17XHE a partir de 2027
A fábrica de eixos da Cummins em Osasco (SP) comemora 70 anos de atividades com investimentos em modernização industrial, digitalização e expansão de seu portfólio de produtos. A planta, que acompanhou as transformações da indústria de veículos comerciais no Brasil, consolida a integração ao grupo Cummins — iniciada após a aquisição global da Meritor em 2022 — e assume papel central no desenvolvimento de tecnologias para transporte elétrico, eficiência energética e operações severas.
Durante apresentação, Kleber Assanti, diretor geral da Divisão de Eixos da Cummins, deu as boas-vindas e destacou a estrutura da companhia no País. “A Cummins no Brasil investe R$ 50 milhões em P&D por ano, possui 3.000 colaboradores, 1.300 prestadores de serviço, 5 plantas, mais de 100 distribuidores atendendo todos os estados brasileiros e um Centro Técnico no Brasil. Em nosso portfólio OEM atendemos parceiros como Volkswagen, Volvo, Mercedes-Benz, DAF, Iveco, Marcopolo e Agrale, oferecendo tecnologias de eixos simples, tandem/traçado, dupla velocidade, redução no cubo e forjado de precisão”, afirmou o executivo.
A trajetória da operação remonta a 1956, quando foi criada como Oficina de Peças para Automóveis pela Companhia Brasileira de Material Ferroviário (Cobrasma), em parceria com a divisão Timken-Detroit da Rockwell Spring and Axle Company. Ao longo de sete décadas, a unidade passou por mudanças societárias e de razão social, operando como Cresa, Braseixos Rockwell, Braseixos S.A., Rockwell Braseixos, Meritor e ArvinMeritor, até ser incorporada ao negócio de Componentes da Cummins.

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A infraestrutura fabril também recebeu intervenções alinhadas à estratégia ambiental Destino ao Zero. A fábrica substituiu a frota de empilhadeiras a GLP por modelos elétricos a baterias de íons de lítio, modernizou o sistema de ar comprimido — reduzindo o consumo de energia elétrica em cerca de 13% — e instalou a plataforma Building Management System (BMS) para monitoramento em tempo real do uso de água, gás e energia. Um sistema fotovoltaico com geração aproximada de 8 mil kWh por mês passou a abastecer o prédio administrativo.
Novos eixos para eletromobilidade e transporte fora de estrada
Para o segmento de veículos elétricos, foram apresentados dois eixos. O MS-14X é destinado a caminhões urbanos de last mile na configuração 6×2 e capacidade para até 17 toneladas — incremento de 55% em relação ao antecessor MS-120. O modelo utiliza diferencial da família 14X, componentes redimensionados e tratamento por jateamento com microesferas de aço (Shot Pinning) para suportar os esforços da frenagem regenerativa. O início da produção do diferencial em Osasco está programado para janeiro de 2027.
O segundo modelo elétrico é o MC-17X, desenvolvido para ônibus urbanos de até 22 toneladas de Peso Bruto Total (PBT) na configuração 4×2. O projeto conta com carcaça fundida exclusiva, solda a laser e conjuntos internos reforçados para suporte de carga das baterias, com produção prevista para julho de 2027.
Na linha convencional, a empresa projetou a plataforma de alta eficiência MT-17XHE para caminhões 6×4, com produção marcada para julho de 2027. O desenvolvimento envolveu um novo fluxo de lubrificação interna, rolamentos de menor atrito e nova geometria para coroa e pinhão. Ensaios realizados na Europa registraram ganho de eficiência próximo a 2% no rendimento energético.
A estimativa da engenharia indica que a melhoria pode gerar uma redução de consumo de combustível de cerca de 1.090 litros de diesel por caminhão ao ano (considerando rodagem anual de 100 mil km e consumo médio de 1,8 km/l). A expansão da plataforma para outras aplicações, como o modelo 18XHE (6×2), está prevista para o período entre 2028 e 2030.
A fábrica de Osasco também iniciou a produção nacional do diferencial anterior do eixo MT160, voltado a composições rodoviárias tandem 6×4, até então importado. Além disso, a unidade passou a fabricar o eixo MT610, focado no segmento de mineração off-highway. Projetado para suportar até 38 toneladas de carga vertical, o MT610 possui cinco planetárias por cubo de roda, carcaças parafusadas e três opções de redução (5.41, 6.18 e 7.21). O projeto foi desenvolvido conjuntamente por equipes do Brasil e dos Estados Unidos, com mais de 80% dos testes de validação realizados no Laboratório de Ensaios Mecânicos (LEM) da planta paulista.

O diretor geral da Divisão de Eixos da Cummins aponta que as transformações refletem a adaptabilidade da operação e a capacidade de resposta às demandas tecnológicas, de sustentabilidade e de capacidade de carga do mercado de veículos comerciais.
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