Desenvolvimento técnico em campo entre transportadora e montadora otimiza desempenho de veículos vocacionais em terrenos severos
Transportar concreto e argamassa exige precisão cirúrgica. Entre a usina e o canteiro de obras, a carga luta contra o relógio e contra a severidade dos terrenos. Para vencer essa equação logística no Rio Grande do Sul, a Bennter — referência em fornecimento de argamassa usinada estabilizada e concreto — uniu forças com a DAF Caminhões em uma parceria de aprimoramento técnico para maior eficiência de sua frota vocacional.
A operação logística de materiais cimentícios usinados possui particularidades severas. Diferente do frete rodoviário convencional, os caminhões betoneira e bombas da Bennter operam em regime de alta solicitação mecânica. O veículo permanece ligado por 8 a 10 horas diárias, operando tomada de força (PTO) constante para manter os balões de betoneira em rotação. Além disso, enfrenta a agressividade do meio ambiente, exposto continuamente ao pó de cimento, à água e aos resíduos de material.
De acordo com Pedro Grassi, fundador e diretor administrativo da Bennter, a rotina dos veículos exige uma configuração de engenharia extremamente versátil.
“Cerca de 70% a 90% do nosso trajeto é realizado em rodovias e trechos urbanos pavimentados. No entanto, a entrega final acontece dentro do canteiro de obras, que muitas vezes é um terreno acidentado com lama e barro pesado. O caminhão precisa ter agilidade e economia na estrada, mas força e travamento de diferencial impecáveis para encarar o atoleiro sem atolar.” — Pedro Grassi, Diretor Administrativo da Bennter
A logística de atendimento exige rapidez. No caso do concreto usinado, a janela de trabalhabilidade da mistura é de aproximadamente 2,5 horas, delimitando um raio máximo de entrega de 40 km a 50 km (com até 1 hora de deslocamento). Já para a argamassa estabilizada — que tem validade de até 36 horas —, embora a distância atinja até 100 km, o gargalo se desloca para o tempo de retenção do caminhão na usina e na obra.
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Engenharia de fábrica em campo
Para otimizar o desempenho e o Custo Total de Propriedade (TCO) de seus ativos, a Bennter incorporou quatro caminhões rígidos CF 310 6×4 Construção da DAF em sua frota de 40 veículos vocacionais. A entrada da montadora deu origem a um trabalho conjunto de desenvolvimento direto entre os operadores gaúchos, a concessionária Eldorado e a engenharia de fábrica da DAF Caminhões.
Equipes de engenharia da montadora foram a campo no Rio Grande do Sul para acompanhar de perto o ciclo de trabalho real dos caminhões. Durante os testes operacionais — combinando os chassis DAF com betoneiras da parceira Liebherr (que equipa 95% da frota da empresa) —, foram feitos ajustes finos no trem de força.
Um dos ajustes mais relevantes foi a relação de diferencial sob medida. A modificação permitiu melhor escalonamento de marchas e relação final de eixos suficientes para superar os aclives acentuados da Serra Gaúcha e do Vale do Sinos, sem comprometer a média de consumo em rodovias.
Para Pedro Grassi, os caminhões precisam ter preços competitivos, porém, aqueles modelos com cabine apertada e básicos precisam ficar no passado. Para maior eficiência e retenção de bons condutores, as cabines precisam ser mais amplas, com ar-condicionado e bancos ergonômicos, essenciais para reduzir a fadiga do motorista em jornadas operacionais intensas.

Transporte fracionado e logística vertical no canteiro
Se no concreto tradicional o desafio é descarregar grandes volumes via lança de bombeamento, na argamassa o diferencial da Bennter reside na logística fracionada interna dentro dos edifícios.
A argamassa possui uma densidade entre 1.800 kg/m³ e 2.000 kg/m³. Para facilitar o deslocamento vertical nos prédios em construção, a Bennter desenvolveu, em parceria com fabricantes, caixas metálicas com capacidade específica de 0,5 m³.
Essa dimensão foi milimetricamente calculada. Com peso total controlado, o recipiente respeita o limite de carga útil da maioria das gruas e elevadores cremalheira de obra (normalmente entre 1.000 kg e 1.200 kg). Equipadas com paleteiras, as equipes movimentam a argamassa descarregada pelo caminhão betoneira diretamente para cada andar da torre, eliminando perdas de tempo e otimizando o fluxo de mão de obra.
| Especificação Logística | Operação de Argamassa Usinada |
Operação de Concreto Usinado
|
|---|---|---|
| Autonomia de Transporte | Até 36 horas (Material estabilizado) | Janela crítica de até 2,5 horas |
| Raio de Transporte Recomendado | Ideal até 50 km (máximo até 100 km) | Entre 40 km e 50 km (máx. 1h de viagem) |
| Logística no Canteiro | Caixas de 0,5 m³ via elevador cremalheira/grua | Descarga direta por calha, bomba ou lança |
| Custo do Serviço/Frete | Atrelado ao tempo de retenção do caminhão | Equivale a 30%-40% do valor final entregue |
Gestão econômica e retorno sobre investimento (CAPEX)
Na gestão de frotas vocacionais de concreto e argamassa, o custo inicial do veículo é apenas parte da equação. Segundo Pedro Grassi, a escolha por marcas como a DAF visa garantir baixos custos de manutenção preventiva e alta confiabilidade durante o ciclo de vida do conjunto.
O retorno financeiro do investimento (payback do CAPEX) em um caminhão betoneira novo ocorre em um horizonte de 5 a 7 anos, considerando o valor do implemento betoneira. Contudo, com manutenção rigorosa e operadores treinados, os veículos atuam por 10 anos ou mais na linha de frente.
“Caminhão vocacional parado na usina por quebra é prejuízo em cadeia. A sinergia entre o chassi vocacional bem dimensionado da DAF, o implemento Liebherr e uma equipe treinada é o que garante a pontualidade nos canteiros.” — Pedro Grassi
Com esse trabalho conjunto focado em engenharia de transporte, a Bennter fortalece a disponibilidade de sua frota e consolida um modelo de distribuição eficiente que atende desde pequenas obras residenciais até grandes projetos de infraestrutura rodoviária e galpões logísticos em todo o Rio Grande do Sul.

Tradição centenária, expansão para concreto, pavimento urbano e o futuro do setor
Raízes centenárias: O pioneirismo do concreto armado no Sul
A ligação de Pedro Grassi com o setor cimentício e de transportes precede a própria criação da Bennter. Trata-se de conhecimento em construção herdado da família que remonta às origens da engenharia no Rio Grande do Sul. Seu bisavô desembarcou no Brasil em 1880 e, em uma época sem faculdades especializadas, atuou como construtor multifuncional, sendo responsável por introduzir o concreto armado em Santa Maria (RS) por volta de 1900, fundando posteriormente empresas de artefatos de cimento e mosaicos decorativos.
Essa vocação perpassou gerações: o avô atuou na construção de travessias e obras de infraestrutura em 1910, e a convivência de Pedro com seu padrasto — também empresário do ramo do concreto — o inseriu precocemente na rotina operacional.
“Comecei aos 17 anos como auxiliar de produção. Fazia a limpeza do pátio da usina, operei pá carregadeira e a central de concreto. Tirar minha carteira de motorista para caminhão em 2003 e dirigir os modelos rígidos da época me deu uma raiz operacional profunda, vivenciando desde a manutenção até a área comercial.” — Pedro Grassi, Fundador da Bennter
A entrada no mercado de concreto usinado e soluções integradas
“O concreto era um complemento indispensável que o nosso cliente já demandava na obra. Antes, por não fornecermos concreto, acabávamos disputando espaço no canteiro. Ao incorporar o concreto usinado em 2023, passamos a oferecer uma solução integrada: o construtor passa a ter um único fornecedor para a infraestrutura estrutural e para o acabamento.” — Pedro Grassi
Pavimento urbano de concreto (PUC): Durabilidade e infraestrutura cidadã
Vantagens do pavimento rígido de concreto
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Durabilidade e manutenção padronizada: Quando ocorrem intervenções subterrâneas, a placa de concreto recortada pode ser reconstituída rapidamente com novo concreto usinado, preservando a nivelidade da pista sem gerar deformações ou os tradicionais remendos assimétricos do asfalto.
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Desempenho estrutural: O segredo do pavimento de concreto reside na execução adequada da base e no dimensionamento correto do projeto de engenharia, considerando o volume e o tipo de carga do tráfego.
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Referência em cidades brasileiras: Experiências de sucesso em municípios como Curitiba (PR) e Piracicaba (SP) — que executaram entre 50 km e 100 km de vias concretadas — comprovam os ganhos econômicos e operacionais de longo prazo para a gestão pública.
Análise de mercado, métodos construtivos e perspectivas
Avaliando o cenário econômico atual, o diretor da Bennter adota uma postura realista. O setor da construção civil lida com gargalos como a escassez de mão de obra qualificada, custos de frete e volatilidade nas taxas de juros para financiamentos imobiliários. Contudo, as demandas de reconstrução pós-enchente no Rio Grande do Sul e a previsão de investimentos federais em rodovias (como o plano de R$ 10 bilhões anunciado pelo DNIT) sustentam uma perspectiva de crescimento moderado, estimado em cerca de 5% ao ano para empresas do setor.
| Método Construtivo | Aplicação no Mercado | Adesão & Percepção da Bennter |
| Parede de Concreto Moldada in loco | Larga escala em habitações populares (MRV, Tenda, etc.) | Consolidada. Alta produtividade com uso intensivo de concreto usinado fluído |
| Alvenaria Estrutural com Grauteamento | Edificações residenciais e comerciais | Muito difundida. Demanda argamassas de assentamento e graute de alta resistência |
| Concretos de Altíssimo Desempenho (UHPC) | Estruturas especiais e peças pré-fabricadas | Em expansão. Permite redução da seção transversal de pilares e vigas |
| Impressão 3D e Métodos Alternativos | Projetos residenciais isolados ou protótipos | Nicho inicial. Grandes construtoras priorizam previsibilidade, custo e escala |
Com um modelo centrado no rigor de laboratório (com moldagem regular de corpos de prova para ensaios normatizados de qualidade) e foco na reconstrução do Estado, a Bennter projeta manter investimentos graduais em suas unidades para atender com inovação o mercado do Sul do país.
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