A logística reversa de eletroeletrônicos e eletrodomésticos está entrando em uma nova fase no Brasil, e o movimento pode gerar mais negócios para empresas de transportadores. Para Robson Esteves, presidente da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos — o setor vive um momento de oportunidades: transformar uma obrigação legal em vantagem competitiva. Isso, em um artigo enviado ao Frota News.
Segundo Esteves, o avanço da logística reversa no país revela um ponto central ainda pouco discutido: os sistemas coletivos de logística reversa já se consolidam como o modelo mais eficiente para a indústria, especialmente em cadeias que dependem de capilaridade logística, como transporte e distribuição. A afirmação representa uma tomada de posição inédita da entidade, que defende a expansão desse formato como padrão nacional.
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Para o executivo, a eficiência dos sistemas coletivos não está apenas no cumprimento da legislação, mas na capacidade de gerar escala, reduzir custos e profissionalizar a operação. Ele destaca que a rastreabilidade completa — da coleta ao tratamento final — tende a se tornar um requisito básico nas cadeias produtivas, impulsionada por critérios ESG e pela pressão crescente de investidores e contratantes.
Outro ponto enfatizado por Esteves é a oportunidade econômica ainda subexplorada. Quando um eletroeletrônico não retorna ao ciclo produtivo, materiais de alto valor — como cobre, alumínio e plásticos técnicos — deixam de ser reaproveitados. Para setores intensivos em frota, que já enfrentam volatilidade de preços de insumos, essa perda representa impacto direto na competitividade industrial.
O presidente da ABREE afirma que o próximo passo para o país é ampliar a adesão das empresas aos sistemas coletivos, consolidando o modelo como referência nacional. Segundo ele, organizações que estruturarem a logística reversa de forma estratégica e integrada estarão mais preparadas para atender exigências de mercado, reduzir riscos regulatórios e fortalecer sua reputação.
Para transportadores e gestores de frota, o avanço desse modelo abre espaço para novas oportunidades operacionais: rotas dedicadas, integração com centros de consolidação, otimização de cargas de retorno e participação em cadeias logísticas mais sofisticadas.
“Cumprir a legislação é apenas o ponto de partida”, afirma Esteves. “A diferença estará nas empresas que enxergarem a logística reversa como parte da estratégia industrial e não apenas como obrigação.”
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- Proteção jurídica
Em um artigo anterior, Robson Esteves destacou que a logística reversa tornou‑se um elemento central da gestão empresarial moderna no Brasil, impulsionada por um ambiente regulatório mais rígido, consumidores mais exigentes e critérios ESG cada vez mais determinantes. Amparada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, a logística reversa deixou de ser opcional e passou a representar uma obrigação legal, cuja ausência pode gerar multas, insegurança jurídica e perda de competitividade. Além do cumprimento normativo, empresas são pressionadas por consumidores, instituições financeiras e cadeias produtivas a demonstrar compromisso ambiental real e mensurável. No setor de eletroeletrônicos, a logística reversa ganha ainda mais relevância pelo potencial de reaproveitamento de materiais e pela mitigação de riscos ambientais. Assim, integrar sistemas estruturados de logística reversa não é apenas custo, mas uma estratégia de proteção jurídica, reputacional e operacional, essencial para garantir sustentabilidade e preparo para o futuro.




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