BYD leva caminhões e furgões elétricos à IAA e amplia expectativa para o mercado brasileiro

ETT 44 e linha completa de veículos comerciais elétricos são apresentados em Hanover com tecnologias de recarga ultrarrápida e baterias de alta capacidade

A BYD apresentou sua linha de veículos comerciais elétricos a bateria (BEVs) durante a IAA Transportation, salão internacional de veículos comerciais realizado em Hannover, Alemanha. A fabricante chinesa exibiu caminhões para diferentes aplicações, sistemas de armazenamento de energia e soluções de recarga de alta potência, com foco na eletrificação do transporte de cargas e na ampliação da autonomia operacional dos veículos. Parte do portfólio estará também na Fenatran 2026 e pode ser lançada no Brasil.

O principal destaque da apresentação foi o ETT 44, novo cavalo-mecânico elétrico pesado na configuração 4×2. Segundo a fabricante, o modelo possui dois motores com potência combinada de 750 kW e autonomia nominal de até 600 quilômetros. O veículo foi desenvolvido em uma plataforma elétrica dedicada e utiliza baterias com capacidade de 651 kWh.

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De acordo com as informações divulgadas pela empresa, o ETT 44 é compatível com sistemas de recarga de até 1,5 megawatt. Nessa condição, o veículo pode recuperar cerca de 400 quilômetros de autonomia operacional em aproximadamente 20 minutos de carregamento.

Além do novo cavalo-mecânico, a BYD apresentou uma gama de veículos comerciais elétricos que inclui modelos para distribuição urbana de 3,5 toneladas e soluções voltadas ao transporte de cargas em diferentes segmentos. A exposição também reuniu baterias Blade e estações de recarga ultrarrápida, compondo o ecossistema de eletrificação exibido pela fabricante durante o evento.

Em relação à segurança, a empresa informou que o ETT 44 conta com sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS), cabine com visibilidade direta ampliada e certificação CitySafe. O modelo também recebeu classificação máxima de cinco estrelas nos testes Euro NCAP, segundo a BYD.

Durante a apresentação, Stella Li, Vice-Presidente Executiva da BYD, destacou a estratégia da empresa para ampliar o uso de recarga de alta potência em veículos comerciais. “Já desenvolvemos o carregamento Flash para carros. Hoje, estamos trazendo essa tecnologia para veículos industriais. Com 1,5 megawatt de potência, o aumento de 20% para 80% do nível máximo da bateria leva cerca de 20 minutos, equivalente a um ganho de alcance de até 400 quilômetros. Menos tempo para carregar significa ficar mais tempo na estrada”, afirmou.

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BYD registra elétrico T35 no INPI

A ofensiva da BYD no Brasil deixa de ser uma exclusividade dos automóveis de passeio e ônibus e começa a mirar as oportunidades na tendência de descarbonização do transporte de carga. Um levantamento feito no banco de dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) revela que a fabricante chinesa intensificou a blindagem de patentes e desenhos industriais da sua linha de veículos comerciais pesados e leves.

O movimento mais expressivo identificado pela reportagem da Frota News é a proteção do BYD T35, um chassi cabine 100% elétrico projetado para o segmento de Veículos Urbanos de Carga (VUC). 

O registro marca uma possível guinada no portfólio da marca no país, expandindo sua atuação para além dos já conhecidos caminhões pesados vocacionais.

O registro do órgão registrador INPI enquadra o BYD T35 na categoria de camionete para aproveitar os benefícios que a legislação oferece aos veículos de carga com PBT até 3.500 kg. Originalmente, o PBT dele é de 3.700 kg, peso que o classifica como caminhão e com todas restrições de circulção em grandes centros urbanos e exigência de CNH a partir da categoria C. 

Características técnicas

O modelo apresenta uma plataforma em três configurações: cabine simples, com foco em maior volume útil; cabine estendida, voltada para acomodação técnica; e cabine dupla, destinada a operações com equipe e carga. 

A propulsão do veículo é 100% elétrica, equipada com bateria Blade LFP na arquitetura Cell-to-Chassis. O caminhão registra potência estimada em 201 cv (150 kW) e 340 Nm de torque, tendo como aplicação alvo as entregas de última milha (last-mile) e frotas urbanas.

A capacidade total da bateria do veículo é de 62 kWh e a autonomia, segundo o ciclo WLTC, chega a 250 quilômetros, o que é suficiente para atender às necessidades de entregas em cidades e arredores. 

Diferente do mercado de automóveis, onde a homologação e o registro no INPI frequentemente antecedem o lançamento em poucos meses, no setor de caminhões a proteção estética e tecnológica atende a um planejamento rigoroso de custos e testes. 

A opção de cabine simples volta-se ao maior volume de carga e operações logísticas tradicionais. A versão de cabine estendida projeta-se para otimizar espaço de descanso ou acomodação de ferramentas e equipamentos. Já a cabine dupla direciona-se a prestadores de serviços públicos, manutenção e empresas que necessitam deslocar a equipe de trabalho junto com a carga.

Embora o registro no INPI não obrigue a montadora a iniciar a comercialização, ele demonstra que o portfólio comercial elétrico da marca — até então concentrado em caminhões vocacionais como o pesado T8, de coleta de lixo, e modelos intermunicipais ETH8 — expande-se rumo à capilaridade das entregas urbanas de última milha.

Pesados vocacionais

Além disso, Bruno Paiva, diretor de vendas de caminhões e chassis de ônibus da BYD, revelou à Agência Transporte Moderno que a BYD planeja lançar um caminhão elétrico pesado de 60 toneladas no Brasil, com possível estreia na Fenatran 2026.

Focado inicialmente em operações portuárias e rotas curtas que permitem o planejamento de uma infraestrutura de recarga sob medida, o veículo conta com a bateria Blade, destacando-se pela alta densidade energética e capacidade de recarga rápida. 

Esse nicho de mercado para vocacionais elétricos não é atendido pelas marcas tradicionais e tem sido atendido por marcas chinesas, como a Sany e XCMG. 

Embora o modelo passe a ser importado em um primeiro momento, a montadora já adapta sua fábrica em Manaus para produzir os componentes da bateria localmente, o que serve como um primeiro passo para a futura nacionalização do caminhão e facilita o acesso dos compradores a linhas de financiamento como o Finame.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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