quarta-feira, julho 24, 2024
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Bocejar ao volante não é um bom indicador de sonolência 

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Descubra por que bocejar enquanto dirige não é um indicativo confiável de sonolência, segundo estudos recentes. Paul Zubrinich, especialista da Optalert, explica no artigo abaixo como os Sistemas de Monitoramento de Motoristas podem estar mal interpretando este ato, aumentando potencialmente o risco de acidentes. Saiba mais sobre os verdadeiros motivos por trás do bocejo e as implicações para a segurança automotiva neste artigo detalhado. Confira:

No setor automotivo, algumas equipes de engenharia desenvolveram Sistemas de Monitoramento de Motoristas (DMS, na sigla em inglês) que tentam detectar o bocejo do condutor como um indicador de sonolência. Isto não só é ineficaz, mas provavelmente aumenta o risco de um acidente causado pelo sono.

O bocejo é comumente associado a alguém cansado ou entediado. No entanto, pesquisas recentes contam uma história com mais nuances, e ainda existem teorias concorrentes sobre porque os humanos (e outros animais) bocejam. Ao longo de décadas de investigação, os pesquisadores estabeleceram de forma decisiva que bocejar não é um bom indicador de sonolência.

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Por que as pessoas bocejam?

Todos os vertebrados bocejam, incluindo peixes, pássaros e mamíferos. Um feto humano começa a bocejar após cerca de 20 semanas de gestação. São cinco os principais motivos pelos quais uma pessoa pode bocejar:

Sonolência e tédio: você pode bocejar quando fica entediado. Se uma atividade não prender sua atenção, você poderá bocejar como um reflexo de excitação, induzindo-o a acordar e aumentar o estado de alerta. O ato de bocejar eleva sua frequência cardíaca. Muitas pessoas bocejam enquanto dirigem em um trecho aberto da estrada e estão pouco estimuladas. Isto não é um risco à segurança. Pelo contrário, é um sinal de que mantêm ativamente a vigilância.

Equalização de pressão: os bocejos ocorrem voluntária e involuntariamente para equalizar a pressão com o ambiente externo durante mudanças rápidas de elevação, como a decolagem ou aterrissagem de um avião.

Empatia social: bocejos podem ser uma forma de sinal social. Eles são contagiosos. Se você vir outra pessoa bocejando ou pensar em bocejar (como ao ler isto), isso pode inspirá-lo a bocejar. Curiosamente, apenas três espécies bocejam de forma contagiosa: humanos, chimpanzés e lobos (incluindo a subespécie cães). Pessoas com maior empatia medida pelo Índice de Reatividade Interpessoal são mais propensas a bocejar ao observar outros bocejando. Por outro lado, quem possui traços psicopáticos são menos propensos a fazê-lo. Também há evidências de que temos maior probabilidade de bocejar por empatia com familiares e amigos próximos. Essa tendência também foi observada em chimpanzés.

Temperatura cerebral: alguns teóricos postulam que o bocejo é usado para resfriar o cérebro, embora isso tenha problemas como teoria universal. Primeiro, o bocejo não pode ser desencadeado pelo superaquecimento de pessoas em um laboratório. Em segundo lugar, raramente é observado entre pessoas que praticam exercício intenso num dia quente.

Problemas médicos: alguns distúrbios clínicos também podem causar bocejos, incluindo algumas anomalias cerebrais e cardíacas, bem como distúrbios do sono ou reações causadas por medicamentos.

Mitos sobre bocejar

As pessoas não necessariamente vão dormir logo após bocejarem. Pelo contrário, muitas pessoas bocejam durante algum tempo depois de acordarem enquanto se preparam para o dia. O sensor no carro deles não deve incomodá-los com alertas altos toda vez que eles acordam bocejando no trajeto matinal. Eles podem continuar a bocejar a qualquer hora do dia, enquanto ainda estão muitas horas longe do sono.

Muitas vezes as pessoas dormem sem bocejar. Os movimentos das pálpebras oferecem muito mais informações sobre a probabilidade de alguém adormecer involuntariamente em breve.

Se alguém não estiver bocejando, não é seguro presumir que esteja alerta. Conforme observado, muitas pessoas passam por vários estágios de sonolência até dormir sem bocejar. Um estudo descobriu que em pessoas com apneia do sono, a ausência de bocejos é um forte indicador de sonolência diurna.

Problemas com um DMS que detecta bocejos

Se um sistema emitir um alerta sempre que o motorista bocejar, ele irá inadvertidamente treiná-lo para evitar bocejar. Dado que o bocejo é um reflexo de excitação, isso desarma o motorista de uma ferramenta muito poderosa de que dispõe para combater a progressão da sonolência. Tal sistema aumenta inadvertidamente o risco de acidente devido à sonolência!

Além disso, é difícil distinguir os bocejos de outras ações, como cantar entusiasmado, gritar ou espirrar abafado. Um veículo que emite um alerta alto e irritante toda vez que o motorista abre amplamente a boca resultará na desativação do sistema de segurança. Novamente, isso aumenta o risco de um acidente.

A Europa iniciou, a partir desse ano, com a obrigatoriedade para que carros saiam de fábrica com um DMS instalado. No Brasil e em outras partes do mundo, essa determinação, infelizmente, ainda está longe de ocorrer como lei, embora ocorra em frotas de empresas privadas. De todo modo, os DMS escolhidos pelas montadoras não podem responder a bocejos, pois ao invés deles contribuírem para prevenir acidentes, poderão ser eles os causadores de tragédias.

*Paul Zubrinich é CMO da Optalert, uma meditech australiana criadora da escala de sono mais respeitada do mundo, usada pela União Europeia e pela Agência Espacial Americana (Nasa). A Optalert mede a sonolência em motoristas há mais de 15 anos e apoia ativamente as montadoras para melhorar seus sistemas de detecção de sonolência. As tecnologias são baseadas na blefarometria, um termo introduzido pelo fundador Dr. Murray Johns que define o estudo pioneiro de medição do movimento das pálpebras capturado através de um sensor ou câmera. Além do setor automotivo, a Optalert desenvolveu o primeiro método não invasivo para rastrear apneia obstrutiva do sono enquanto o sujeito do teste está acordado e está progredindo na triagem precoce de Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas.

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