Fake news pode quebrar sua empresa. Mas os seus números podem salvá-la

Fake news confundem pequenos empresários, mas decisões guiadas por dados internos podem proteger e fortalecer o negócio em tempos de incerteza

Por Lívia Rocha*

É muito provável que ao ler o título você pense em política, mas não é sobre isso que vou falar, nem sobre como as notícias falsas podem atingir o mercado financeiro, provocando oscilações em ações e moedas estrangeiras, o dólar por exemplo. Quero falar da notícia falsa que desestabiliza o pequeno empresário de tal maneira que ele passe a tomar decisões erradas.

Justo pelo porte, ter margem de lucro apertada e menos dinheiro para contratar especialistas, o pequeno negócio é quem mais sofre nesse cenário. O empresário é bombardeado por informações: empresas quebrando, consumo despencando, mercado aquecido, crise chegando, juros subindo, oportunidades surgindo.

Uma parte é fato, outra é interpretação e tem também os exageros. Sem falar nas mentiras, o crime de espalhar boatos em cenários políticos como o que vivemos agora no Brasil.

O problema fica maior quando o empresário transforma esse barulho em decisão. Para o pequeno varejista, isso pode ser especialmente perigoso. Por exemplo, ele ouve que o mercado está ruim e reduz compras ou lê que determinado produto vai subir e compra demais. Se alguém diz que o consumidor parou de gastar, ele decide corta investimento. Esbarra num post indicando que não existe crise econômica e aumenta seus custos.

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Tudo isso sem olhar para o que está acontecendo dentro da própria empresa.

Não digo para ignorar o cenário externo, porque ele importa, mas não permitir que o que está vendo, lendo ou ouvindo substituam os seus próprios dados.

Quanto entrou? Quanto saiu? Qual foi a margem? Quanto está parado no estoque? Qual foi o fluxo de clientes? Qual foi o ticket médio? Quanto custa adquirir um cliente? Quanto você tem disponível em caixa? Essas perguntas são muito mais importantes para a sobrevivência da sua empresa do que a última mensagem que chegou no WhatsApp.

Porque o faturamento sozinho não conta toda a história. Tenho dito e não vou parar de repetir, uma empresa pode vender mais e ganhar menos, pode crescer em receita e perder caixa, pode ter movimento e estar financeiramente doente. Pode, inclusive, estar em um mercado difícil e continuar saudável porque fez gestão.

Por isso, em períodos de incerteza, eu acredito que o empresário precisa fazer o básico muito bem-feito e nunca tomar decisões emocionais. É importante que faça um bom planejamento e, se possível, tenha acompanhamento profissional para controlar tudo isso.

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Lívia Rocha, fundadora e CEO da LVR Aceleradora de Empresas

Sobre a autora

*Lívia Rocha é fundadora e CEO da LVR Aceleradora de Empresas, focada na gestão eficiente e lucrativa. Farmacêutica pela Universidade Federal de Alfenas, com especialização em Gestão de Pessoas pela PUC – Rio grande do Sul, MBA em Gestão de Vendas pela Franklin Covey e em Gestão de Vendas pela USP. Sua graduação em Farmácia a levou à consultoria focada no segmento mas, ao entender que os processos de gestão se repetiam independentemente do setor, ampliou para outras áreas, promovendo a aceleração de diversas empresas através de estratégia, gestão de processos e desenvolvimento de pessoas.

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