Comparativo detalha como o Actros 2663 redefine o topo da linha da Mercedes-Benz na Argentina, superando o Actros 2653 brasileiro em potência e configuração
Sabia que o caminhão mais potente da Mercedes-Benz na Argentina não é mais o mesmo do Brasil? Desde o final do ano passado, a subsidiária argentina da marca passou a importar o Actros L 2663 6×4 da Alemanha de 625 cv, em vez do Actros 2653 6×4 de 530 cv produzido em São Bernardo do Campo (SP). Conheça as principais diferenças técnicas e de preço eles eles.
A estratégia de portfólio da Mercedes-Benz para o mercado de pesados evidencia como as assimetrias tributárias e logísticas moldam os preços na América Latina. Enquanto o topo de linha no Brasil é representado pelo Actros 2653 6×4 de produção nacional (com motor de 12,8 litros e preço estimado entre R$ 900 mil e R$ 1,05 milhão), a subsidiária argentina apostou no gigantismo do Actros L 2663 6×4 importado da Alemanha.
No Brasil, o teto da marca hoje é o Actros 2653 Euro 6, que costuma transitar na faixa dos R$ 900.000 a R$ 1.050.000, a depender dos pacotes e negociações de frota.
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O modelo chega ao país vizinho com valores de tabela que variam de USD 240.800 a USD 261.800 — alcançando cerca de R$ 1,25 milhão a R$ 1,35 milhão em conversão direta sob o câmbio atual de R$ 5,15. Essa disparidade de valores reflete não apenas o custo de trazer um veículo extra-potente direto da Europa, mas também a forte carga de impostos de importação que incide sobre o mercado argentino, isolando o pesado alemão como uma vitrine tecnológica de nicho frente ao equilíbrio operacional do irmão brasileiro.
Embora ambos compartilhem o DNA tecnológico da linha global da Mercedes-Benz, o Actros L 2663 6×4 (destinado à Argentina) e o Actros 2653 6×4 (comercializado no Brasil) foram homologados e configurados para atender a realidades operacionais e legislações de peso distintas de cada país.
O Actros 2663 argentino é focado no teto máximo de potência rodoviária global da marca, enquanto o Actros 2653 brasileiro equilibra alta performance com as exigências locais de eficiência para composições de 9 eixos (bitrens e rodotrens de 74 toneladas).
O comparativo técnico e operacional detalha as diferenças entre os modelos:
Trem de Força: Cilindrada vs. Eficiência
Mercedes-Benz Actros L 2663 (Argentina): É equipado com o motor OM 473 LA de 15,6 litros, o bloco mais pesado e potente da marca. Entrega 625 cv e um torque massivo de 3.000 Nm. É uma “usina de força” voltada para manter altas velocidades médias em topografias severas com PBTC máximo.
Mercedes-Benz Actros 2653 (Brasil): Utiliza o motor OM 471 LA de 12,8 litros (3ª geração no pacote BlueTec 6 / Euro 6). Desenvolve 530 cv e 2.600 Nm de torque. Apesar de ter menor deslocamento que o irmão argentino, compensa com uma calibração focada em eficiência de consumo e redução de peso próprio (tara).
Normas de Emissões e Tecnologia de Escape
Actros L 2663 (Argentina): Configurado para a norma Euro 5 (BlueTec 5), que vigora no mercado argentino. O sistema de pós-tratamento lida com parâmetros ligeiramente diferentes de enxofre no diesel em relação ao Brasil.
Actros 2653 (Brasil): Já está totalmente atualizado para o Proconve P-8 / Euro 6 (BlueTec 6), incorporando uma eletrônica de pós-tratamento mais restrita (exigindo Diesel S10 e Arla 32 com rigor elevado), o que traz vantagens adicionais na redução de emissões e otimização da queima.
Transmissão e Capacidade de Tração (CMT)
Actros L 2663 (Argentina): Utiliza a caixa automatizada MB G 330 de 12 marchas acoplada ao eixo traseiro MB RT440 (sem redução nos cubos), com CMT técnica de até 120.000 kg quando configurado para transporte pesado.
Actros 2653 (Brasil): Emprega a transmissão MB G 291-12 Powershift 3 Advanced (com trocas de marcha até 40% mais rápidas na versão mais recente). A CMT padrão é de 80.000 kg para a configuração rodoviária direta com eixos de simples redução (MB R440). Contudo, no Brasil existe a opção do câmbio G 340 e eixos com redução nos cubos (MB HD7/HL7) para aplicações severas ou mix-road, elevando a CMT técnica também para 120.000 kg.
Cabine e Concepção do Projeto
Actros L 2663 (Argentina): Mantém a identidade puramente europeia da cabine “L” StreamSpace (ou BigSpace em lotes específicos) com 2,50 metros de largura e piso totalmente plano, priorizando o máximo volume interno e o conforto para viagens internacionais de longa distância (como as rotas transandinas).
Actros 2653 (Brasil): Apresenta o design da cabine desenvolvida localmente (versões Space e TopSpace), que traz um túnel de motor rebaixado (quase plano), mas foi otimizada aerodinamicamente para as estradas brasileiras e estruturada com foco na redução de peso para maximizar a carga útil dentro da Lei da Balança nacional.
Autonomia de Combustível
Actros L 2663 (Argentina): Por restrições de espaço devido ao entre-eixos e arranjo de chassi para os bitrens de 75 t locais, a capacidade de combustível costuma ser mais comedida, somando 660 litros (290 + 370 litros).
Actros 2653 (Brasil): Sendo um estradeiro de longas distâncias continentais, o modelo brasileiro é configurado com tanques de alumínio generosos que chegam a 1.015 litros totais (535 + 480 litros) na versão com entre-eixos de 3.600 mm, garantindo maior flexibilidade nas paradas de reabastecimento.
Resumo Comparativo:
| Atributo | Actros L 2663 6×4 (Argentina) | Actros 2653 6×4 (Brasil) |
| Motor | OM 473 LA (15,6 Litros) | OM 471 LA (12,8 Litros) |
| Potência | 625 cv | 530 cv |
| Torque | 3.000 Nm | 2.600 Nm |
| Norma Emissões | Euro V (BlueTec 5) | Euro 6 (BlueTec 6) |
| Caixa Câmbio | MB G 330-12 Powershift 3 | MB G 291-12 Powershift 3 Advanced |
| Largura Cabine | 2.500 mm (Piso Plano) | 2.510 mm (Túnel rebaixado) |
| Capac. Tanques | 660 Litros | Até 1.015 Litros |
| Foco Operacional | Bitrens de 75t / Rotas Severas | Composições de 74t (Rodotrem / Bitrem 9 eixos) |
A diferença não está somente na configuração dos modelo. O portfólio de versões é bem simplificada na Argentina, com apenas dois modelos, o 2663 e o 2045.
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