Depois de muita curiosidade como jornalista focado em transição energética e com muitas fontes com dados, mesmo que 70% da minha prioridade seja o transporte de cargas, resolvi fazer um estudo e análise sobre a indústria de ônibus elétrico, que também faz parte do foco da Frota News. Este estudo trouxe análises muito interessante.
Neste artigo, vamos mostrar uma série de dados sobre a evolução da indústria de ônibus elétricos na Europa e no Brasil, sempre com base em fontes confiáveis. E vamos fazer de uma forma, talvez inédita, considerando a proporcionalidade das populações de 448 milhões de habitantes na UE (União Europeia com 27 países membros) e 210 milhões no Brasil. Essa análise matemática faz toda a diferença para entendermos em qual grau de evolução estamos, nossa indústria e investimentos públicos.
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Ao contrário do que acontece no segmento de caminhões, o avanço de ônibus eletrificados é um fenômeno global, e o que ocorre em outros países já aponta tendências para o mercado brasileiro.
Antes de mergulhar nos números, vale situar o leitor sobre as principais marcas de ônibus elétricos que operam no Brasil. Com exceção das fabricantes brasileiras Marcopolo e Eletra, praticamente todas as demais são europeias ou chinesas. Em particular, a Volkswagen Caminhões e Ônibus, pois aparece como um caso à parte. Embora tenha capital europeu, a VWCO é uma empresa nascida no Brasil, com engenharia nacional, sede em São Paulo e fábrica em Resende (RJ). Vale ressaltar os esforços da Mercedes-Benz do Brasil (que ficou com caminhões e ônibus após o spin-off com a Mercedes-Benz Cars & Vans), seu ônibus elétrico no Brasil reúne fornecedores com produção nacional, como a BorgWarner para os sistemas de baterias.
Também é preciso reconhecer que o Brasil entrou em um ritmo recente e acelerado de adoção de ônibus elétricos no transporte público urbano, impulsionado por políticas locais e federais, como o PAC Cidades, com recursos do Fundo Clima do BNDES. Não vamos aprofundar aqui a questão do endividamento, que ficará nas mãos da próxima geração — mas que, ao menos, deverá circular em ônibus mais modernos, silenciosos e com emissão zero do tanque à roda.
Antes de apresentarmos os números da eletrificação do transporte público na Europa, vamos apresentar os da América Latina e do Brasil com base no E-Bus Radar, uma plataforma on-line que mapeia e monitora as frotas de ônibus elétricos em operação no transporte público de cidades da América Latina, promovendo transparência de dados e mantida por entidades como o LABMOB (Laboratório de Mobilidade Sustentável) RJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), parceria ZEBRA, C40 Cities e ICCT Brasil.
Dessa forma, temos os seguintes dados do E-Bus Radar (atualizados até fevereiro de 2026):
A América Latina já soma 9.163 ônibus elétricos, distribuídos em uma variedade de configurações. A maior parte da frota é composta por modelos padrão de 12 a 15 metros, mas há também presença relevante de midiônibus (8–11 m), além de veículos de maior capacidade, como os articulados e biarticulados a bateria, que atendem corredores de alta demanda. Embora em menor número, os ônibus de dois andares e os trólebus completam o panorama, mostrando que diferentes cidades adotam soluções específicas para seus sistemas de transporte. Esse conjunto revela um movimento consistente rumo à descarbonização do transporte público na região, com escolhas tecnológicas variadas para atender realidades locais. Isso vai ficar mais claro a partir da comparação com a eletrificação do transporte na Europa pela proporcionalidade das populações.

Agora, vamos conhecer a distribuição dos 9.163 ônibus elétricos na América Latina por fabricante que revela um mercado dinâmico, porém claramente liderado por alguns players globais. A BYD, com a BYD Brasil, ocupa uma posição dominante, com 2.998 veículos, consolidando-se como a principal fornecedora da região. Em seguida aparecem a Foton Motor (1.489 e já avisou que a Foton do Brasil vai entrar no nosso mercado de ônibus elétrico urbano) e a Yutong Bus & Coach (1.295), ambas também com forte presença em sistemas de transporte urbano. A Zhongtong Bus & Holding Co., Ltd contribui com 948 unidades, enquanto a brasileira Eletra – Tecnologia em tração elétrica se destaca com 894 ônibus, mostrando a relevância da produção nacional na transição energética. Fabricantes de menor volume, como King Long Bus & Coach (319), Scania Group (300), Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus (159) e Higer Bus Company Limited (136), complementam o cenário, ao lado do grupo classificado como “Outros”, que soma 615 veículos. Esse mosaico evidencia um ecossistema competitivo na América Latina (muda no recorde do Brasil), no qual empresas asiáticas lideram, mas há espaço crescente para soluções locais e diversificação tecnológica.
E o Brasil?
Vamos fazer um recorte sobre o Brasil, que é o que nos interessa, mas a indústria, mesmo as brasileiras Marcopolo S.A. e Eletra – Tecnologia em tração elétrica, têm objetivos com as exportações, além do mercado interno. O panorama dos 1.471 ônibus elétricos (segundo o E-Bus Radar até fevereiro de 2026) em operação no Brasil mostra um mercado fortemente marcado pela presença de fabricantes nacionais e pela diversificação tecnológica. A Eletra lidera com ampla vantagem, somando 894 veículos com chassis Mercedes-Benz e Scania Brasil, resultado de sua atuação consistente em projetos de eletromobilidade urbana no país. Em seguida aparece a BYD, com 311 unidades. A Mercedes-Benz contribui com 159 ônibus (considerando projeto 100% de São Bernardo do Campo, leia-se o eO500U), enquanto fabricantes de menor escala — como Higer (35), Powertronics (23), Grupo Volvo no Brasil (22), Marcopolo (9) e Giaffone Electric (2 protótipos) — completam o cenário, ao lado do grupo classificado como “outros”, que reúne 6 veículos, que talvez seja da Ankai Brasil, do Sergio Habib, do Grupo SHC.
Observação do editor: apurar dados estatísticos no Brasil não é fácil, pois cada órgão, entidade e empresa tem seus próprios critérios de interpretação dos dados do Renavam e interesses, como já dizia o papa do marketing, Philip Kotler. De todas as empresas citadas nesta apuração, poucas têm uma comunicação transparente com a imprensa. O nosso trabalho, como jornalista, é investigativo, apurando informações por meio de muitas fontes.
O conjunto evidencia um ecossistema em expansão, no qual a indústria brasileira tem papel central, impulsionando a transição para um transporte público mais limpo e eficiente.
Em 2025, a Europa emplacou 1 ônibus elétrico para cada aproximadamente 38,7 mil habitantes, enquanto o Brasil emplacou 1 para cada cerca de 247,3 mil habitantes. Qual mercado tem mais oportunidades?
Agora, vamos entender o mercado europeu e como estamos. No Velho Continente, o mercado cresceu quase 50%, alcançando 11.607 unidades em 2025, à medida que MAN e BYD mais que triplicaram seus volumes. As matrículas de ônibus elétricos na Europa atingiram 11.607 unidades em 2025 para veículos acima de 8 toneladas de PBT, representando um aumento de +48% em relação às 7.855 unidades registradas em 2024.
Então, lembrando do desafio de proporcionalidade, a indústria de ônibus elétrico na Europa vendeu aproximadamente 1 ônibus elétrico para cada 38.750 habitantes. E no Brasil? Os dados da Fenabrave de 2025 acumulado registrou 849 ônibus elétricos no Brasil emplacados no ano passado, representando alta de 170,38% em relação aos 314 de 2024. O Brasil vendeu 1 ônibus elétrico para cada 247.350 mil habitantes.
Considerando o crescimento do último ano e o potencial de mercado no Brasil, quem ainda tem dúvida de que a indústria de ônibus elétrico tem futuro no nosso país?
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