sexta-feira, março 13, 2026

Caminhões Mercedes-Benz para construção: o que a Europa tem a ensinar ao Brasil?

No Brasil, as linhas Atego e Arocs são referência no setor de construção – atuando desde as obras urbanas até os trabalhos mais pesados. Mas, e na Europa? Quais soluções a Mercedes-Benz oferece por lá? E, principalmente, quais dessas tecnologias e modelos poderiam ser bem-sucedidos no nosso mercado?

Recentemente, a marca promoveu um evento off-road exclusivo em Ötigheim, onde apresentou sua linha de veículos para aplicações severas. Os destaques foram os basculantes Arocs, que enfrentaram terrenos irregulares, subiram e desceram rampas íngremes, atravessaram trechos com águas profundas e dominaram passagens sinuosas – provando seu desempenho em condições extremas. O robusto Unimog U 5023, com cabine dupla e vocação para terrenos inóspitos, também chamou atenção.

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Arocs: força bruta e tecnologia de sobra

Desenvolvido para as demandas mais severas do transporte de materiais e da engenharia civil, o Arocs europeu aposta na versatilidade. Sua gama de carrocerias vai de basculantes de três vias a modelos roll-off e soluções personalizadas para diferentes tipos de obra.

As opções de eixos impressionam: vão de 4×2 a 8×8, incluindo suspensão pneumática e agora até eixo dianteiro de nove toneladas. No Brasil, temos apenas as versões 6×4 e 8×4 – o que levanta a questão: será que o mercado nacional comportaria o Arocs 4×2 ou mesmo um 8×8?

Sob o capô, os motores Euro VI OM 470, OM 471 e OM 473 entregam até 625 cv (460 kW), com amplo torque e baixo consumo. Por aqui, a faixa de potência vai de 495 a 530 cv. Será que o motor OM 473, com seus 625 cv, teria espaço entre os nossos pesados?

Outro recurso de destaque é o Acionamento Auxiliar Hidráulico (HAD), que garante tração extra em condições desafiadoras sem os custos e o peso de uma tração integral convencional. Já a embreagem turbo-retardador proporciona partidas e frenagens suaves mesmo com cargas extremas em rampas íngremes.

Segurança de ponta – e cara

Na Europa, o Arocs vem recheado de tecnologia: Active Brake Assist 6, capaz de frear automaticamente para pedestres e ciclistas; Active Sideguard Assist 2, que auxilia em manobras de conversão; controle de cruzeiro adaptativo, assistente de manutenção de faixa e monitoramento de atenção ao motorista.

Esses sistemas elevam o padrão de segurança, mas trazem um dilema: será que o mercado brasileiro, mais sensível a custos, absorveria tecnologias tão sofisticadas?

A iluminação também é um diferencial: faróis LED com assinatura distinta são de série, e há opção de versões full-LED para visibilidade aprimorada, além de grades de proteção para uso em terrenos agressivos.

Conectividade e eficiência no canteiro de obras

A partir de julho, o Arocs europeu passa a contar com o Multimedia Cockpit Interactive 2 – painel 100% digital com tela tátil central, que facilita o controle de funções como tomadas de força e sistemas de assistência.

Integrado ao TruckLive, o sistema oferece dados em tempo real para navegação, gestão de frota, manutenção e atualizações over-the-air. Dependendo da configuração da cabine, o recurso pode ser de série ou opcional.

Atego: o médio que dá conta do recado

No segmento europeu de médios (e de semipesados no Brasil), o Atego é sinônimo de agilidade em ambientes urbanos e obras de pequeno porte. Sua cabine compacta facilita manobras em espaços estreitos. No Brasil, a linha Atego foi ampliada para opções fora de estrada para ocupar o espaço (temporariamente?) deixado pelo Axor 6×4 e 8×4.

Lá fora, ele também recebe tecnologias como Active Brake Assist 6, Sideguard Assist 2, Frontguard Assist e assistentes de faixa e atenção. No Brasil, essas soluções ainda não são cogitadas, pelo menos por enquanto, por questões de custo.

Unimog U 5023: quando o off-road é obrigatório

Construção
Unimog

Com tração integral permanente, eixos pórticos, profundidade de imersão de até 1,20 m e capacidade para sete tripulantes, o Unimog U 5023 é feito para missões fora de estrada: serviços de resgate, emergências e operações em terrenos extremos.

Seu design modular permite diversas configurações. Há anos que a Mercedes-Benz do Brasil estuda a sua viabilidade econômica do Unimog para o mercado nacional, porém, ainda não foi possível.

História viva: o clássico LP 1519

Construção
Arocs e o precursor LP 1519

O Mercedes-Benz LP 1519, de 1965, marca o primordio dos caminhões de construção Mercedes-Benz. Esse clássico foi o primeiro com cabine cúbica produzida na fábrica de Wörth e marcou época nos anos 1970 e 1980 como plataforma, cavalo-mecânico e basculante. O modelo exibido ainda foi um dos primeiros a testar suspensão a ar.

FUSO eCanter: a aposta elétrica para cidades

Parte do grupo Daimler Truck, o FUSO eCanter combina propulsão elétrica com robustez. Com bateria M, entre-eixos de 3.400 mm e basculante Meiller Trigenius, ele é ideal para serviços municipais e paisagismo.

O modelo pode ser carregado em 6 horas via CA (22 kW) ou em apenas 26 minutos (20–80%) com carregamento rápido CC (104 kW). Sua carga útil de 3,1 toneladas e as dimensões compactas o tornam prático para centros urbanos. Na Fenatran, ele foi apresentado ao público brasileiro e segue em estudo como alternativa elétrica urbana.

As perguntas que ficam no ar

  • Haveria mercado para um Arocs 4×2 ou 8×8 no Brasil?
  • O motor OM 473 de 625 cv teria espaço entre os nossos pesados?
  • Sistemas de assistência tão avançados (e caros) seriam absorvidos pelo mercado nacional?
  • O Unimog U 5023 pode se tornar viável economicamente por aqui?
  • O FUSO eCanter será a aposta elétrica da Daimler para o transporte urbano brasileiro?
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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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