No Brasil, as linhas Atego e Arocs são referência no setor de construção – atuando desde as obras urbanas até os trabalhos mais pesados. Mas, e na Europa? Quais soluções a Mercedes-Benz oferece por lá? E, principalmente, quais dessas tecnologias e modelos poderiam ser bem-sucedidos no nosso mercado?
Recentemente, a marca promoveu um evento off-road exclusivo em Ötigheim, onde apresentou sua linha de veículos para aplicações severas. Os destaques foram os basculantes Arocs, que enfrentaram terrenos irregulares, subiram e desceram rampas íngremes, atravessaram trechos com águas profundas e dominaram passagens sinuosas – provando seu desempenho em condições extremas. O robusto Unimog U 5023, com cabine dupla e vocação para terrenos inóspitos, também chamou atenção.
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Arocs: força bruta e tecnologia de sobra
Desenvolvido para as demandas mais severas do transporte de materiais e da engenharia civil, o Arocs europeu aposta na versatilidade. Sua gama de carrocerias vai de basculantes de três vias a modelos roll-off e soluções personalizadas para diferentes tipos de obra.
As opções de eixos impressionam: vão de 4×2 a 8×8, incluindo suspensão pneumática e agora até eixo dianteiro de nove toneladas. No Brasil, temos apenas as versões 6×4 e 8×4 – o que levanta a questão: será que o mercado nacional comportaria o Arocs 4×2 ou mesmo um 8×8?
Sob o capô, os motores Euro VI OM 470, OM 471 e OM 473 entregam até 625 cv (460 kW), com amplo torque e baixo consumo. Por aqui, a faixa de potência vai de 495 a 530 cv. Será que o motor OM 473, com seus 625 cv, teria espaço entre os nossos pesados?
Outro recurso de destaque é o Acionamento Auxiliar Hidráulico (HAD), que garante tração extra em condições desafiadoras sem os custos e o peso de uma tração integral convencional. Já a embreagem turbo-retardador proporciona partidas e frenagens suaves mesmo com cargas extremas em rampas íngremes.
Segurança de ponta – e cara
Na Europa, o Arocs vem recheado de tecnologia: Active Brake Assist 6, capaz de frear automaticamente para pedestres e ciclistas; Active Sideguard Assist 2, que auxilia em manobras de conversão; controle de cruzeiro adaptativo, assistente de manutenção de faixa e monitoramento de atenção ao motorista.
Esses sistemas elevam o padrão de segurança, mas trazem um dilema: será que o mercado brasileiro, mais sensível a custos, absorveria tecnologias tão sofisticadas?
A iluminação também é um diferencial: faróis LED com assinatura distinta são de série, e há opção de versões full-LED para visibilidade aprimorada, além de grades de proteção para uso em terrenos agressivos.
Conectividade e eficiência no canteiro de obras
A partir de julho, o Arocs europeu passa a contar com o Multimedia Cockpit Interactive 2 – painel 100% digital com tela tátil central, que facilita o controle de funções como tomadas de força e sistemas de assistência.
Integrado ao TruckLive, o sistema oferece dados em tempo real para navegação, gestão de frota, manutenção e atualizações over-the-air. Dependendo da configuração da cabine, o recurso pode ser de série ou opcional.
Atego: o médio que dá conta do recado
No segmento europeu de médios (e de semipesados no Brasil), o Atego é sinônimo de agilidade em ambientes urbanos e obras de pequeno porte. Sua cabine compacta facilita manobras em espaços estreitos. No Brasil, a linha Atego foi ampliada para opções fora de estrada para ocupar o espaço (temporariamente?) deixado pelo Axor 6×4 e 8×4.
Lá fora, ele também recebe tecnologias como Active Brake Assist 6, Sideguard Assist 2, Frontguard Assist e assistentes de faixa e atenção. No Brasil, essas soluções ainda não são cogitadas, pelo menos por enquanto, por questões de custo.
Unimog U 5023: quando o off-road é obrigatório

Com tração integral permanente, eixos pórticos, profundidade de imersão de até 1,20 m e capacidade para sete tripulantes, o Unimog U 5023 é feito para missões fora de estrada: serviços de resgate, emergências e operações em terrenos extremos.
Seu design modular permite diversas configurações. Há anos que a Mercedes-Benz do Brasil estuda a sua viabilidade econômica do Unimog para o mercado nacional, porém, ainda não foi possível.
História viva: o clássico LP 1519

O Mercedes-Benz LP 1519, de 1965, marca o primordio dos caminhões de construção Mercedes-Benz. Esse clássico foi o primeiro com cabine cúbica produzida na fábrica de Wörth e marcou época nos anos 1970 e 1980 como plataforma, cavalo-mecânico e basculante. O modelo exibido ainda foi um dos primeiros a testar suspensão a ar.
FUSO eCanter: a aposta elétrica para cidades
Parte do grupo Daimler Truck, o FUSO eCanter combina propulsão elétrica com robustez. Com bateria M, entre-eixos de 3.400 mm e basculante Meiller Trigenius, ele é ideal para serviços municipais e paisagismo.
O modelo pode ser carregado em 6 horas via CA (22 kW) ou em apenas 26 minutos (20–80%) com carregamento rápido CC (104 kW). Sua carga útil de 3,1 toneladas e as dimensões compactas o tornam prático para centros urbanos. Na Fenatran, ele foi apresentado ao público brasileiro e segue em estudo como alternativa elétrica urbana.
As perguntas que ficam no ar
- Haveria mercado para um Arocs 4×2 ou 8×8 no Brasil?
- O motor OM 473 de 625 cv teria espaço entre os nossos pesados?
- Sistemas de assistência tão avançados (e caros) seriam absorvidos pelo mercado nacional?
- O Unimog U 5023 pode se tornar viável economicamente por aqui?
- O FUSO eCanter será a aposta elétrica da Daimler para o transporte urbano brasileiro?



