A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) avançou nos testes em campo de veículos comerciais movidos a B100 — combustível composto por 100% de biodiesel — aplicados ao transporte de cargas. Segundo a montadora, os estudos já superam 500 mil quilômetros rodados e abrangem todas as famílias do portfólio: leves (Delivery), médios (Constellation) e pesados (Meteor).
Para os leitores da Frota News, o principal ponto de atenção está no fato de que os testes não se limitam a ambientes controlados. Grande parte das avaliações ocorre em parceria com clientes, dentro de operações reais, cobrindo desde o transporte urbano até rotas rodoviárias de médias e longas distâncias. Esse recorte permite analisar o desempenho do B100 em condições efetivas de uso, algo essencial para frotistas que avaliam alternativas ao diesel fóssil.
Desempenho, consumo e manutenção no foco dos testes
De acordo com a VWCO, os estudos envolvem análises de desempenho, consumo de combustível, impacto no ciclo de manutenção e confiabilidade dos veículos. Além dos testes em campo, há ensaios em bancos de prova voltados à performance e emissões.
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Os resultados preliminares indicam operação estável, eficiência energética considerada adequada e desempenho equivalente ao dos caminhões movidos a diesel convencional. Para garantir a viabilidade dos testes, a montadora estruturou um plano de manutenção específico, com monitoramento reforçado de componentes sensíveis ao uso do biodiesel, como filtros e motor — um ponto relevante para gestores de frota preocupados com custos de manutenção e disponibilidade dos veículos.
Infraestrutura e suporte ao cliente
Outro aspecto prático destacado pela iniciativa é o acompanhamento da infraestrutura necessária para o uso do B100. A VWCO montou uma equipe técnica dedicada a apoiar os clientes tanto nas análises dos veículos quanto no desenvolvimento de soluções para armazenamento e logística do combustível.
Na prática, a experiência acumulada nesses projetos deve servir de base para a formação de uma rede de suporte preparada para atender operações que optem pelo biodiesel puro, reduzindo riscos operacionais e aumentando a previsibilidade do uso da tecnologia.
Redução de emissões e impacto operacional
Os ganhos ambientais seguem como um dos principais motivadores do B100. Estudos da ANP, Abiove e EPE indicam que o biodiesel de origem animal pode reduzir em até 75% as emissões de CO₂ no ciclo “do poço à roda”, enquanto o biodiesel de soja pode alcançar redução de até 90% em comparação ao diesel fóssil.
Além do aspecto ambiental, há impacto direto na operação. Em alguns casos, o biodiesel pode ser produzido pelo próprio cliente, o que pode reduzir o custo do combustível e ampliar a lógica de economia circular dentro da operação de transporte. Para frotas cativas ou operações dedicadas, esse fator pode pesar na decisão de adoção.
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