Logística reversa do e-commerce como oportunidade para transportadoras

Para Marcelo Akabane, gerente de Produtos da Total Express, o processo de devolução pode deixar de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um desafio de custos e experiência para o varejo digital

Com um faturamento anual que já ultrapassa a marca dos R$ 250 bilhões, impulsionado pela mudança definitiva nos hábitos de consumo digitais, o ecommerce enfrenta agora o desafio de equilibrar a experiência do cliente com o controle rigoroso dos custos. Nesse cenário, a logística reversa pode sair de uma posição marginal de “mal necessário” para se tornar um dos principais indicadores de competitividade e eficiência no varejo eletrônico. Segundo Akabane, enxergar a devolução apenas como uma obrigação legal ignora o seu impacto direto na percepção e no fortalecimento da marca perante o cliente.

Essa etapa pós-venda se mostra decisiva diante dos volumes praticados no setor: levantamentos da National Retail Federation (NRF) e relatórios globais de e-commerce apontam uma taxa média de devolução de cerca de 30% no e-commerce mundial, enquanto dados consolidados de entidades do setor no Brasil, como ABComm e Ebit/NielsenIQ, indicam que o ecossistema nacional registra uma média próxima a 25% nas compras digitais, com variações acentuadas por segmento:

  • Moda e Calçados: Lidera o volume de solicitações de logística reversa no país, alcançando entre 30% e 40% das vendas. Pesquisas de mercado indicam que a escolha incorreta de tamanho, caimento ou cor responde por 55% das solicitações de trocas nesta categoria.

  • Eletrônicos e Eletrodomésticos: Apresentam taxas de retorno estimadas entre 15% e 20%, gerando expressivo impacto financeiro para as operações devido ao elevado ticket médio dos produtos.

  • Cosméticos e Beleza: Registram os índices de retorno mais baixos do varejo digital, oscilando entre 5% e 10%, motivados principalmente por falhas de embalagem durante o transporte ou divergências pontuais do item recebido.

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O custo oculto da devolução

O apetite do varejista em garantir frete grátis e facilidades no fluxo de compra colide frequentemente com a realidade financeira das devoluções. Estudos recentes divulgados pelo setor apontam que o processamento de uma devolução pode gerar um custo estrutural até 30% superior ao valor reembolsado diretamente ao consumidor.

Na prática, quando um cliente realiza a devolução de um item de R$ 100, o custo total absorvido pela operação — ao somar despesas com transporte reverso, triagem, inspeção, reembalagem e perda de valor do item para reaproveitamento — pode chegar a R$ 130 ou mais. Dependendo do produto, o reprocessamento da devolução pode consumir entre 20% e 65% do valor original da venda.

Fator determinante na decisão de compra

Além de seu peso nas margens financeiras, a forma como a logística reversa é tratada influencia diretamente a percepção da marca. Cerca de 8 a cada 10 consumidores declaram consultar a facilidade da política de trocas antes de concluir a primeira compra em uma nova loja virtual. A existência de barreiras burocráticas, custos inesperados cobrados do comprador ou falta de clareza nos prazos figuram entre os principais fatores de abandono do carrinho de compras.

Por outro lado, quando o fluxo reverso opera de forma fluida, o atrito é transformado em fidelização. Levantamentos do setor mostram que até 90% dos e-shoppers tendem a realizar novas compras na mesma loja se vivenciarem um processo de troca sem burocracias, com quase metade das solicitações sendo convertidas diretamente em créditos ou vales-compra para novas aquisições.

Tecnologia e diversificação de modelos de coleta

Para conter o avanço dos custos e automatizar os fluxos de retorno, o mercado tem recorrido a integrações tecnológicas via API e EDI. Soluções como o Total Reversa operam sem exigir mudanças na estrutura do cliente, disponibilizando dois modelos principais adaptados a perfis operacionais distintos:

  1. Coleta Domiciliar: Indicada para operações que priorizam uma experiência premium, produtos de alto valor ou itens volumosos. O operador retira o produto diretamente no endereço do consumidor com agendamento prévio e check-list de verificação do item coletado, eliminando a necessidade de deslocamento ou impressão de etiquetas. Por envolver transporte dedicado, representa a modalidade de maior custo, mas atua como um forte diferencial de fidelização.

  2. Modelo PUDO (Pick-Up and Drop-Off): Equilibra praticidade e eficiência ao permitir que o consumidor entregue o produto em pontos parceiros de sua rotina (como lojas físicas, farmácias e mercados), com flexibilidade de horário e sem necessidade de agendamento. Com redes que superam 1.000 pontos de devolução pelo país (como o Total Points), o modelo reduz paradas, otimiza roteirizações e elimina coletas frustradas, consolidando volumes em um único local e oferecendo uma alternativa de menor custo em relação à postagem tradicional.

“Processos mais tecnológicos e flexíveis possibilitam que a logística reversa combine possibilidades de serviços e deixe de ser reativa e passe a ser previsível, automatizada e estratégica. No final, o cliente só quer solucionar facilmente a sua dor”, conclui Akabane.

Saiba mais:

Comitiva da Turquia discute com Total Express novo hub logístico no Brasil

A Total Express, empresa de logística do Grupo Abril, recebeu no final de maio de 2025, em seu centro de distribuição em Jundiaí (SP), uma comitiva formada por membros do governo turco e representantes de grandes empresas de logística e comércio eletrônico da Turquia. O encontro teve como foco principal a discussão de estratégias para o fortalecimento do e-commerce cross-border e a análise da viabilidade de instalação de infraestrutura física no Brasil para apoiar a expanão dessas operações.

O comércio entre Brasil e Turquia atingiu US$ 5,14 bilhões, sendo aproximadamente US$ 3,86 bilhões em exportações brasileiras para a Turquia e cerca de US$ 1,28 bilhões em importações brasileiras da Turquia, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores.

Entre os participantes da visita à Total Express estavam autoridades do Ministério do Comércio da Turquia, da Câmara de Comércio de Istambul e da Secretaria de Comércio Eletrônico da Turquia. Também participaram executivos de empresas turcas do setor logístico e de e-commerce, além de Luiz Fernando Gomes, Diretor Executivo da ABComm – Associação Brasileira de Comércio Eletrônico.

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